Um Musical para Recordar
8 O começo de tudo - Part 2
Notas iniciais
Admito que depois de recuperada da febre e tudo mais, tive um sério bloqueio criativo.. rsrs
Agradeço imensamente todos os reviews, e espero que continuem acompanhando a história mesmo depois desse breve hiatus XD
Bom,foi difícil escrever esse capitulo,acredito que seja o maior que já tenha escrito (recompensa pela espera talvez rs) e está cheio de emoções fortes. Torço pra que curtam.
Até mais XD
As duas entraram silenciosamente na sala, aproveitando a distração de todos. Sentaram no espaço vago do sofá, Rachel no colo de Quinn. Finn, que estava mais próximo, percebeu a movimentação e prestou atenção nelas: cochichos, risadinhas. De repente tudo lhe pareceu estranho, mas tentou afastar tal pensamento. Eram suas amigas e ponto final.
Procurando ser o mais discreto possível, cutucou a cintura da morena.
- Hei, tudo bem com vocês?
- Normal – respondeu sorrindo, voltando sua atenção à loira.
Algum tempo depois, o filme acabou e todos tomaram Rachel e Quinn como assunto em pauta.
- Então, o que está acontecendo? – Puck perguntou.
- Resolveram assumir? – Tina questionou.
- Podemos perguntar e comentar, sem que ajam estranhamente? – Sam quis saber.
- Hei pessoal, dêem um tempo e deixem as duas respirarem – Brittany interveio, cortando o fluxo de perguntas.
- Valeu, Brittany – Rachel agradeceu aliviada.
- Nada mudou, galera – Quinn procurou acalmar os ânimos – Pelo menos nada que já não saibam. Claro que notaram que tudo que diz respeito a mim e Rachel não é mais como há um mês. Mas vamos com calma, ok?!
- Exatamente – Rachel completou – Sim, nós nos gostamos e... Sim, tem algo acontecendo. Não sabemos explicar ainda, então... Dêem-nos um tempo e prometemos mantê-los informados. Combinado?
- Sem presa, meninas – Kurt encorajou – Levem o tempo que for necessário. Estaremos aqui, caso precisem.
Rachel e Quinn sorriram aliviadas. Estavam juntos naquilo até o fim. O resto da tarde aproveitaram para estudar com Brittany.
Por volta das oito da noite, começaram a se despedir. Brittany e Santana foram para a casa da latina. Quinn levou Rachel para casa.
Ao fechar a porta pela última vez, Kurt se jogou no sofá ao lado de Blaine. Finn, sentado na poltrona, trocava de canal sem prestar atenção ao que fazia.
- Você está bem, Finn? – Kurt questionou – Tudo bem com o que aconteceu?
- Acho que sim... Quer dizer, a idéia foi minha, né?! – o rapaz parecia confuso.
- Relaxa, Finn. A estranheza deve passar com o tempo – Blaine tentou animá-lo – Fez a coisa certa, cara.
- Eu sei...
-x-
Um tanto longe dalí, Brittany e Santana estudavam. A latina tentava explicar, mas Brittany não parecia muito concentrada.
Enquanto Santana falava, a loira olhava para seus lábios e não conseguia tirar as mãos do corpo da namorada, que notou a distração.
- Baby, você não está prestando atenção em uma palavra do que estou dizendo – a encarou, segurando uma das mãos atrevidas da loira, que passeava por sua coxa.
- Pra ser sincera, não estou conseguindo, honey. Você está tão pertinho de mim... Tão linda – fez carinho no rosto dela – Faz tanto tempo que não ficamos sozinhas...
- B, não faz isso... – Santana se arrepiou.
- Acho que já estudamos o suficiente hoje... – falou afastando o caderno da morena – Minha cabeça está doendo com tanto número... Será que a gente pode namorar só um pouquinho, professora? – pediu carinhosa.
Santana fechou os livros e levantou.
- Vamos subir. Daqui a pouco meus pais chegam. A gente vai ficar mais confortável no quarto – pegou a loira pelas mãos, um sorriso malicioso nos lábios.
-x-
Quinn e Rachel estavam sentadas no balcão da cozinha da casa dos Berry.
- Onde estão seus pais, Rach? – Quinn perguntou ante o silêncio.
- Na casa de um casal de amigos. Eles costumam jantar juntos nos sábados à noite – respondeu, se levantando – Aceita um cappuccino?
- Não está um pouco quente demais, R? – divertiu-se.
- Faço o melhor cappuccino gelado da cidade – provocou-a.
- Essa eu quero ver.
- Ótimo. Vou fazer duas xícaras pra gente – deu um selinho na loira e se afastou.
Quinn ficou observando a garota se locomover pelo cômodo. Cada movimento dela parecia um passo de dança, ou talvez fosse apenas o encanto que ela tinha pela outra. Quinn não sabia nem conseguia entender todo o fascínio que Rachel exercia sobre ela. Menos ainda a paz que sentia quando estava com ela. Pareceu-lhe surreal o tempo que passara “odiando” aquela garota. Não fazia sentido algum.
Estava tão imersa em devaneios que se sobressaltou quando a diva colocou a xícara no balcão a sua frente.
- Hei, tudo bem Q? – perguntou curiosa.
- Claro. Desculpe. Estava só pensando... – sorriu sem jeito.
- Experimenta – apontou para a xícara – Aposto que nunca tomou nada tão bom.
- Convencida... – tomou um gole e sorriu surpresa – UAU! Isso é realmente muito bom amor – tomou mais um pouco, sem dar-se conta do que acabara de dizer – Você tinha razão.
- Fala de novo – Rachel a fitava vidrada.
- O que? – perguntou confusa.
- Você me chamou de amor – sorria maravilhada – Foi tão fofo – abraçou-a pelo pescoço.
- Tudo bem, calma ‘pookie’ – brincou – Está me sufocando – tentou aliviar o aperto em seu pescoço.
- Desculpa – soltou-a envergonhada – Que tal irmos pro escritório... Acho que temos dever de química pra terminar.
- Por mim tudo bem, desde que possa levar meu cappuccino – riu, pegando sua caneca e seguindo Rachel.
Sentaram à mesa do escritório. Rachel percebeu que estava levando mais tempo do que o normal para fazer seus exercícios. E sabia que a culpa era da loira sentada ao seu lado. O que atrapalhava ainda mais sua concentração era a mão insistente de Quinn acariciando seu braço todo o tempo.
Estava quase acabando quando não suportou o calor que tomava conta de seu corpo por conta de um simples toque e levantou.
- O que foi, Rachel? – Quinn perguntou assustada com a reação repentina da morena.
- Será que pode, por favor, parar de me distrair? – pediu irritada.
- Mas o que foi que eu fiz? – perguntou ingênua.
- Não se faça de inocente Fabray. – provocou arrogante – Só sua presença já é capaz de me tirar o foco.
- Quer dizer então, que eu te tiro do eixo? – perguntou presunçosa, encurralando a morena entre a mesa e seu corpo – Está tremendo, Berry? – sussurrou no ouvido de Rachel.
- Fabray, não faz isso... – advertiu.
- Ou o que, Berry?
Sem responder e em um movimento muito rápido, Rachel trocou de posição com a loira, sorrindo marota. Quinn mordeu o lábio maliciosamente, deixando-se dominar pela pequena.
A morena colou seu corpo ao de Quinn e a beijou. Cada minuto que passava o beijo ficava mais intenso, os corpos mais quentes.
Quinn perdia o controle do próprio corpo. Puxou Rachel para ainda mais perto, sentou-se na mesa encaixando-a entre suas pernas. A diva tinha as mãos enroscadas nos cabelos da loira quando a ex-chirrio colocou as próprias mãos na cintura dela por baixo da blusa. A morena não conteve um gemido, puxando os cabelos de Quinn, que gemeu também.
Foi exatamente nesse instante que a porta do escritório foi aberta.
- O que está acontecendo aqui? – Hiram gritou surpreso.
Rachel e Quinn se separaram como um raio. Fitavam o homem assustadas, brancas como papel.
- Pa-pai – Rachel gaguejou.
-x-
Brittany estava deitada de bruços, com Santana sentada em suas costas lhe fazendo massagem. A loira estava sem blusa e com o sutiã aberto.
- Gosto disso – murmurou.
- Também gosto disso, baby – a latina passou mais creme e continuou massageando-a.
- San, já disse que te amo, hoje? – Brittany perguntou, surpreendendo a outra.
- A-acho que não.
- Eu te amo, baby – declarou, sorrindo infantil.
- Também te amos, B. É a pessoa que mais amo na vida – sussurrou, se inclinando sobre o corpo da loira.
Brittany virou-se, ficando de frente para Santana. As duas muito próximas uma da outra.
- Você é linda, sabia? – Brittany tirou uma mecha de cabelo dos olhos da latina.
- E você é minha vida, loira – afirmou antes de beijá-la.
Em poucos segundos o que era um beijo carinhoso transformou-se em calor e paixão, em um descontrole total. Brittany estava por cima de Santana, com uma perna de cada lado do corpo dela. Os quadris se movimentando num ritmo cadenciado, os beijos cada vez mais ardentes, as respirações cada vez mais ofegantes.
Com o som ligado, não ouviram a batida na porta, menos ainda uma voz as chamando. Foi só quando a mãe da latina gritou que se afastaram.
- SANTANA LOPEZ! O QUE SIGNIFICA ISSO? – perguntou perplexa.
As duas se separaram apavoradas. Brittany se cobriu com o lençol, enquanto Santana escondia o rosto com os cabelos sem conseguir encarar a mãe. A loira olhava para a garota assustada ao seu lado, sem saber o que fazer.
-x-
Rachel ajeitava a blusa sem graça, Quinn passava a mãos nos cabelos, sem olhar para o homem a sua frente.
- Pai... Eu posso explicar...
- Ah, com certeza você pode e vai – as encarou – Quero as duas na sala. Vocês têm cinco minutos – e saiu, fechando a porta.
- Oh meu Deus, Rachel – Quinn se desesperou – Desculpa. E agora? O que eles vão pensar...
- Quinn, baby, se acalma – Rachel a segurou pelos braços – Está tudo bem. Eles não vão nos recriminar.
- Mas nós duas...
- Quinn, caso não tenha notado tenho dois pais. Nós duas estarmos juntas não é a questão aqui. Só estão surpresos, porque, você sabe...
- Nos pegaram no maior amasso... No escritório deles.
- Exatamente. – sorriu tentando acalmá-la – Agora é melhor irmos logo, antes que fiquem impacientes – segurou a mão da garota e saiu do escritório.
Encontraram os dois homens sentados no sofá, um ao lado do outro. Rachel, ainda de mãos dadas com Quinn, caminhou até eles, colocando o cabelo atrás da orelha como sempre fazia quando estava nervosa.
- Sentem – Josh ordenou – Estamos esperando. Podem começar.
- Pai – começou, olhando diretamente para Hiram – Lembra as conversas que temos tido no último mês? – ele concordou – Parece que você tinha razão, sabe... A Quinn tem se sentido do mesmo jeito... E, bem, estamos tentando nos entender...
- Isso eu percebi sozinho – falou sarcástico.
- Quinn – Josh chamou, a voz firme – Tem alguma coisa a acrescentar?
A loira olhou apreensiva para Rachel, mas respirou fundo e resolveu desabafar. Não teria outra chance melhor.
- Acho que sim – segurou a mão de Rachel mais firme e continuou – Claro que conhecem meu histórico com a Rach. Sinceramente, olhando para trás agora, não consigo entender porque fiz tudo o que fiz. Adoro a filha de vocês, ela é a pessoa mais encantadora que tive o prazer de conhecer. Não vou dizer que já aceitei completamente essa situação, pois estaria mentindo. Quero dizer... Sei quem eu sou, e tudo bem, acho... Mas sabem quem é meu pai e devem fazer idéia de como fui criada... Graças a Deus, sei que não sou nem um pouco parecida com ele. Já não faço a mínima questão de voltar a vê-lo ou falar com ele... Mas tem minha mãe, e nós estamos nos acertando aos poucos – tomou fôlego e seguiu – Ainda não sei o que fazer, ou como fazer. A única coisa que sei é que... Aconteça o que acontecer, quero a Rachel ao meu lado... E vou estar ao lado dela.
Durante o discurso de Quinn, Rachel a fitava encantada. Toda a coragem que a loira demonstrava em suas palavras, além de surpreendê-la, a emocionava. Ficaram em silêncio por um tempo, até Josh resolver falar.
- Nós, com certeza, sabemos quem é seu pai, Quinn. E também sabemos que você não é parecida em nada com ele – Josh afirmou.
- Vai ter que ser corajosa, querida. Sabe disso, não sabe? – Hiram tomou a frente – Se realmente é isso que quer, muita coisa vai mudar e...
- Pai, vai com calma – Rachel o interrompeu – A gente precisa de um tempo. Sem pressão, pode ser?
- Claro – Hiram respondeu – Perdão se apressei um pouco as coisas... – sorriu cordial.
- Como eu disse – Quinn se pronunciou – Aconteça o que acontecer, estarei do lado da Rachel. Qualquer decisão que tomemos, faremos juntas. – sorriu para o casal a sua frente.
- E podem contar com a gente – Josh declarou.
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- O QUE SIGNIFICA ISSO? – a Sra. Lopez repetiu irritada.
Por um minuto, Santana cogitou a hipótese de mentir. Dizer que estavam alcoolizadas ou algo do gênero. Mas, então, fitou os olhos azuis de Brittany e sentiu todo seu amor e carinho pela loira e o quanto lutara contra tudo aquilo e perdera. Não podia mais mentir. Não conseguiria, mesmo que tentasse. Não tinha mais forças pra negar quem era.
Respirou fundo, levantou a cabeça, tirando o cabelo da frente do rosto e passou o braço em volta do corpo de Brittany, puxando-a para perto. Precisava senti-la perto para não perder a coragem.
- Calma mãe. Vou explicar tudo. Pode só dar um segundo pra Brittany vestir a blusa dela, por favor.
Perplexa, a mulher deu as costas. Brittany se vestiu rápido e fez menção de levantar, mas Santana a deteve, pedindo em silêncio que ficasse.
- Tudo bem, mãe. Será que pode sentar aqui do meu lado? – pediu, tentando firmar a voz.
- Santana... – Carmem Lopez tinha os olhos marejados, sua voz quase não saia.
- Por favor, mãe – a menina esticou a mão, puxando a mulher para perto dela – Não queria que a senhora soubesse desse jeito... – Santana estava à beira das lágrimas – Acredita em mim, mãe... Eu tentei, tentei muito, não ser assim... Lutei tanto contra o que eu sinto mãe... Mas perdi, mãe... Por que... – tentou engolir o nó em sua garganta – Porque essa sou eu, mãe... E eu amo a Brittany... Tentei evitar, juro... Mas não consegui...
Santana não conseguiu mais segurar as lágrimas. Sentiu Brittany abraçar seu braço e encostar a cabeça em seu ombro. A loira também estava chorando. Carmem as fitava sem saber o que dizer, nunca vira a filha tão desesperada. Aquela ainda era sua filha, certo?
A latina estava com a cabeça encostada na de Brittany, os olhos fechados. O silêncio da mãe a matando aos poucos. O que ela estava pensando?
- Santana, olha pra mim.
A latina não conseguia se mexer. Sentiu a mãe puxando seu rosto para encará-la e abriu os olhos devagar. Viu-a chorando e aquilo acabou com ela.
- Desculpa mãe...
Antes que pudesse falar mais alguma coisa, Carmem a puxou e lhe abraçou forte. Foi o necessário para Santana chorar ainda mais. Brittany foi incluída no abraço pouco depois. Quando as três conseguiram se controlar minimamente, se afastaram.
- Filha, não vou mentir está bem – Carmem começou – Não foi o que eu sonhei pra você, ou o que eu esperava... Mas acho que no fundo sempre soube... – respirou um pouco e continuou – Você não tem que me pedir perdão por nada... Acredito que eu te deva desculpas, se te fiz acreditar que devia ser outra pessoa só pra agradar a mim ou seu pai, ou quem quer que seja...
- Mãe...
- Ainda não terminei Santana – a interrompeu – Independente de qualquer coisa, você é minha filha e eu te amo. E vou te proteger de tudo e todos, sempre. Eu te amo filha. Consegue entender isso? – a menina apenas concordou com um aceno de cabeça – E Brittany você sempre será bem vinda nessa casa, viu querida? – olhou sorrindo para a loira.
- Obrigada, Sra. Lopez – agradeceu entre lágrimas.
- Vou descer agora. Acho que preciso de um café bem forte – sorriu melancólica – Desçam pra comer alguma coisa quando quiserem – e saiu do quarto, abalada.
Santana e Brittany se abraçaram. A latina ainda chorava copiosamente.
- Se acalma, baby... Vai ficar tudo bem – afagava as costas da namorada – Acho que reagiu melhor do que poderíamos esperar.
- É, acho que sim.
- Quer dar uma volta? Talvez ajude há relaxar um pouco... – sugeriu.
- Quero sim.
Antes de saírem, foram até a cozinha avisar Carmem. Encontraram-na ainda chorosa, sentada sozinha com uma xícara de café nas mãos.
- E o papai? – Santana perguntou apreensiva.
- Está tudo bem, querida. Não se preocupe.
- Nós vamos dar um volta – avisou.
- Ok, mas não demorem a voltar. Já está tarde. Vou deixar o lanche de vocês pronto.
- Obrigada Sra. Lopez. – Brittany agradeceu, puxando Santana em direção a porta.
Notas finais
No próximo capítulo um encontro inusitado durante o passeio das meninas, e uma conversa bastante agradável XD
Até mais!
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