Um Musical para Recordar
5 Confusão (confissão) geral
Notas iniciais
Mas, aqui estou novamente e espero que gostem ;)
A noite estava fresca, o céu todo estrelado. Quinn estava parada na porta da casa de Rachel, encostada no carro esperando-a. Vestindo calça jeans, uma blusinha de manga longa fina e all star vermelho, se sentia bem como há muito tempo não sentia. Fazia dez minutos que estava lá esperando, quando Rachel saiu, enchendo seus olhos: a morena usava um vestidinho curto preto, casaquinho jeans por cima e sapatilha, os cabelos ondulados soltos.
- Hei, você! – Quinn se antecipou, colocando uma mão nas costas da garota e lhe dando um beijo no rosto – Está bonita – elogiou, guiando Rachel para o carro.
- Obrigada – Rachel respondeu tímida – Você também está bonita.
Já dentro do carro, o som ligado tocava nada em particular. Rachel continuava se sentindo a vontade e o perfume da loira ao seu lado tomava todo o espaço, deixando-a curiosamente relaxada.
- Fiz reservas pra gente – Quinn quebrou o silêncio – Já que vamos falar de “negócios”, achei melhor ficarmos na parte mais reservada. Algum problema? – a loira parecia estar se divertindo.
- Nenhum. Ótima idéia, Quinn – concordou – Mas ainda estou curiosa pra saber o que tanto temos pra resolver – Rachel confidenciou, procurando não parecer rude.
- Conversamos durante o jantar – sorriu, parando o carro.
Rachel nem notara, mas já estavam paradas na frente do BradStix. Antes que pudesse abrir a porta, Quinn já estava ao seu lado, ajudando-a a descer do carro.
- Obrigada – agradeceu aceitando a mão que a loira lhe estendia.
Entraram juntas. À porta, uma garçonete as recepcionou.
- Boa noite.
- Boa noite – Quinn cumprimentou – Temos reserva. Fabray, Quinn – falou, enquanto a bela atendente consultava os registros.
- Aqui – riscou a folha que tinha na mão – Venham comigo, por favor.
Do outro lado do salão, quatro pares de olhos surpresos viam a cena acontecer embasbacados.
- Nem a pau! – Mercedes exclamou – Estou mesmo vendo aquilo?
- Não acredito – Sam deixou cair a colher que tinha na boca.
- O mundo virou do avesso e ninguém avisou – Tina tinha os olhos vidrados.
- Sem comentários – Artie falou, limpando os óculos.
Na parte reservada, Rachel e Quinn já estavam sentadas e a garçonete esperava para anotar os pedidos sem tirar os olhos da loira distraída vendo o cardápio. Olhar que não passou despercebido por Rachel. A morena sentiu uma fisgada na boca do estomago que a deixou ainda mais perturbada. E Quinn sequer notara.
- Vou querer um suco de limão – Rachel pediu mais alto do que o necessário.
- Quero uma coca – Quinn pediu, segurando o riso – Ainda não decidimos o resto, trás as bebidas por enquanto, por favor – dispensou-a delicadamente.
Ao vê-la saindo, Rachel não conteve o comentário.
- Ela não tirava os olhos de você – falou um pouco irritada.
- Juro que não notei – revidou sincera – Mas você parece incomodada – alfinetou.
- Eu? – a voz lhe soou esganiçada – Imagine... Por que...
- Calma, estou brincando – a tranqüilizou – Como foi seu fim de tarde? – tentou mudar o rumo da conversa.
- Cheguei em casa, conversei um pouco com meu pai e fiz o dever de casa – Rachel respondeu, aliviada pela mudança – Hum... E o seu? – perguntou, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Fiz o dever também, ouvi algumas músicas da peça enquanto tomava banho e só.
A tal garçonete voltou com as bebidas ates que Rachel pudesse continuar. Outra vez, a moça não tirava os olhos de Quinn. Sem perceber o que estava fazendo exatamente, Rachel segurou a mão que a loira tinha sob a mesa e disse a primeira coisa que lhe veio à mente, deixando a atendente completamente sem graça.
- Você vai ter que beijar a Brittany – a morena se ouviu dizendo.
Quinn a encarou surpresa e a garçonete só pode olhar de uma para a outra e sair dalí. Rachel notou que apesar do susto, a mão da loira continuava entre as suas.
- Como é? – Quinn perguntou, recuperando a voz.
- Desculpe – Rachel respondeu soltando a mão dela – Não sei o que deu em mim... É essa garçonete... – entregou-se sem querer.
- Ela está te perturbando – não era uma pergunta – Só um minuto, vou dar um jeito – Quinn fez sinal para um atendente que estava próximo – Oi, será que poderia nos atender a partir de agora, por favor? – pediu gentilmente.
- Claro, Srta. Já escolheram? – o rapaz perguntou as duas.
Vou querer uma salada verde, para duas pessoas – sorriu, fitando uma Rachel mais calma a sua frente – E uma macarronada, sem almôndegas, por favor.
- E a Srta? – dirigiu-se a Rachel.
- Arroz integral com brócolis e tofu, por favor – antes que o rapaz se afastasse o chamou de volta – E, ah, a macarronada da minha amiga... Acrescente as almôndegas, por favor. – e lhe deu seu melhor sorriso de 1000 wats.
- Rachel, não... – Quinn tentou argumentar.
- Quinn, não abri mão do meu tofu. Você não tem que abrir mão da sua carne só porque está jantando comigo – Rachel colocou fim a discussão toda convencida.
- Hum, bom... Tudo bem, então – sorriu tímida, baixando um pouco o olhar – Agora, me diz que história é essa de eu ter que beijar a Britt – indagou maliciosa.
- Última cena. Primeiro ato. La vie boheme – Rachel pontuou – Você assistiu ao DVD.
- Verdade. E logo depois, Joanne incorpora Rachel Berry e sai triunfante – Quinn brincou, rindo.
Rachel riu junto. O jantar estava agradável, e as duas se sentiam mais em paz na companhia uma da outra do que jamais foram capazes com qualquer outra pessoa. Lembranças boas começavam a se formar, Rachel pensou.
Quinn não entendia, naquele momento, porque perdera tanto tempo tentando odiar a morena e manter longe. Quão estúpida ela conseguira ser? Nunca saberia ao certo, mas estava próxima de ter uma idéia.
- Já tem alguma idéia pro seu solo, Quinn? – Rachel perguntou antes de colocar uma garfada de comida na boca.
- Algumas – responde tomando um gole de coca – Mas sinto que ainda falta alguma coisa.
- Depois, se quiser me mostrar o que tem, posso tentar ajudar – a morena ofereceu-se.
- Claro. Com certeza.
Terminaram o jantar, Quinn pagou a conta e as duas saíram do reservado. Os outro quatro integrantes do Glee Club ainda estava sentados no mesmo lugar e viram quando elas saíram rindo e a mão de Quinn nas costas de Rachel. Mas, entretidas como estavam, não notaram a presença deles.
- Mas que diabos está acontecendo? – Artie verbalizou a duvida de todos.
Em resposta, Mercedes apenas pegou o celular.
-x-
Não muito longe dali, na casa dos Hummel-Hudson, Kurt, Finn e Blaine comiam pizza enquanto ensaiavam.
- Sabe, já tenho idéias pro meu figurino. Pensei em fazer como o do vídeo que o Mrs. Shue nos deu, só que com um pouco mais de brilho... E aquela peruca... Temos que dar um jeito...
- Pra quem queria fugir, tem alguém bem animadinho por aqui, não Blaine? – Finn zoou.
- É o que está parecendo – Blaine concordou.
- Ah... – antes que pudesse revidar, o celular de Kurt deu alerta de mensagem.
O garoto leu curioso. As noticias eram interessantes e possibilidades pairavam em sua mente. Os dois meninos notaram o semblante malicioso de Kurt e quiseram saber o que estava acontecendo.
- Mercedes acaba de me mandar uma mensagem, direto do BradStix.
- E o que isso tem demais? – Blaine perguntou.
- O que ela acabou de ver: Quinn e... Pasmem... – pausa dramática – Rachel. Saindo aos risos do reservado do restaurante – Kurt contava extasiado.
- E daí, Kurt? – Blaine continuava sem entender.
- E daí, Blaine – foi Finn quem tentou explicar – Que a até bem pouco tempo atrás as duas não se suportavam – o rapaz estava com sua melhor cara de não entendo – Estranho.
-x-
Quinn estacionou em frente à casa de Rachel às dez horas em ponto. Elas conversavam e riam por nada. De uma hora para a outra as piadas sem graça da loira viraram as melhores do mundo.
- Bom, está entregue – sorriu ao parar o carro.
- Obrigada pelo jantar, Quinn – Rachel agradeceu, olhando pela primeira vez nos olhos castanhos esverdeados da loira – Adorei a noite – sorriu sem quebrar o contato visual.
- O prazer foi meu, Rachel – Quinn sentiu o coração falhar diante da intensidade do olhar da garota.
- Boa noite – Rachel piscou, levando o corpo em direção a Quinn, lhe dando um beijo mais demorado do que o normal no rosto – Até amanhã – sorriu antes de descer do carro.
Quinn ficou olhando, meio abobalhada, Rachel se afastar. Viu quando a morena destrancou a porta para entrar e lhe chamou a atenção.
- Hei, Rachel – a menina virou em sua direção – Será que pode me encontrar no auditório da escola antes da aula começar? Pra eu te mostrar minha cena.
- Estarei lá – concordou de imediato.
- Te encontro as sete no palco – combinou, agradecida – Boa noite. Até amanhã.
Esperou a morena lhe lançar um último sorriso e entrar, para então ir embora.
Estava quase chegando em casa quando o celular deu alerta de mensagem. Duas vezes.
“Obrigada mais uma vez pelo jantar. Ansiosa pra ver sua cena. Dorme bem. Até amanhã. Bjs, R”
“Onde você está? Estou na porta da sua casa. S”
Aflita, Quinn virou a esquina de sua casa e viu a latina sentada na calçada. Parou o carro do lado da garota e abriu o vidro, já esperando um dos famosos ataques de Santana. Que não aconteceu.
- Oi, Q – Santana falou, se levantando.
- Oi, S. Tudo bem? — Quinn perguntou confusa.
- Sim. Será que a gente pode dar uma volta de carro e conversar? – a garota parecia um pouco anestesiada.
- Claro. Entra ai.
Enquanto esperava Santana entrar e se arrumar no carro, Quinn aproveitou para responder a mensagem de Rachel.
“De novo, o prazer foi todo meu XD Ansiosa para te mostrar. Sonhe com os anjos. Até amanhã. Bjos, Q”
Sentiu que Santana a observava e soltou o celular, voltando sua atenção para ela.
- E então, pra onde? – Quinn quis saber.
- Pro lugar de sempre – foi a resposta e a loira apenas assentiu.
O “lugar de sempre” era um bar de beira de estrada, nos limites da cidade, de propriedade de um primo de Santana. Toda vez que queria fugir um pouco de tudo, elas iam para lá. O primo da latina não se importava em vender bebida a menores, e o melhor é que lhes cedia o escritório, pra que ninguém as perturbasse.
Os quarenta minutos que levaram para ir até o lugar foi feito em silencio, cada uma perdida em seus próprios pensamentos e sentimentos.
De um lado, Santana sentia-se livre e muito mais ela mesma do que jamais fora. Do outro, Quinn ainda podia ouvir a risada de Rachel ecoando em sua mente, e aquilo a fazia sorrir.
A loira parou o carro na frente do bar, elas desceram e entraram. Antonio, o dono do bar, abriu um sorriso ao vê-las.
- Priminha, Quinn. Quanto tempo, meninas – o homem de meia idade, barrigudo e meio careca saiu de trás do balcão para recebe-las.
- Hola, Antonio – Santana o abraçou – O escritório está disponível?
- Para vocês, sempre – as levou em direção a sala – Vão beber o de sempre?
- Por favor – Quinn pediu.
Antonio fechou a porta deixando-as sozinhas. Elas sentaram nas poltronas de frente uma para a outra.
- E então, S... O que nos trás aqui? – no fundo, Quinn já sabia.
- Bom, nós somos amigas, certo Q? – a latina pergunta receosa – Apesar de todas as nossas brigas e tudo mais...
- Claro, Santana – colocou uma mão no ombro dela e apertou de leva – Apesar de tudo o que já passou, pode sempre contar comigo.
- Era o que esperava ouvir – soltou o ar, aliviada – Tem uma coisa que quero te contar...
Foi interrompida pelo retorno de Antonio, que entrou com a meia garrafa de tequila naquele instante.
- Aqui está, meninas. Não exagerem – e saiu as deixando sozinhas novamente.
Mas a latina não continuou o que estava dizendo. Parecia ter perdido um pouco a coragem. Ou o ritmo. Quinn as serviu e as duas viraram a dose de uma vez só. A loira babou um pouco, o que as fez rir.
- Continua S. O que tem pra me contar? – a encorajou.
- É sobre eu e Brittany... Bem, nós conversamos e... Sabe foi bem interessante e... – nervosa, virou outro shot de tequila.
Era engraçado, Quinn pensou, ver a amiga nervosa daquele jeito. Não parecia nem um pouco com a Santana bitch confiante que conhecia. E ela gostava bem mais da pessoa que estava sentada com ela naquela sala.
- Tudo bem, Sant – Quinn tentou tranqüilizá-la – Pode dizer, sei que não tem mais medo... Só está nervosa.
- É isso, Q. Não tenho mais medo, nem me importo com o que vão dizer – continuou retomando um pouco de seu ar superior de sempre – Nas me importo com o que meus amigos pensam – declarou honesta – Com o que você pensa, Q.
- De verdade, não me importo Sant. Sempre soube sobre vocês duas. Os olhares, carinho... Os gemidos no vestiário depois dos treinos – brincou.
- Quinn, sua pervertida – bateu no braço dela – Ficava escutando a gente... – fingiu estar indignada.
Depois disso, as duas riam e falavam sobre nada em particular. Até Santana perceber que só ela havia realmente falado e contado coisas. Já fazia tanto tempo que não conversava com a amiga que estava um pouco desatualizada sobre sua vida. Resolveu perguntar.
- Quinn, onde você estava? – perguntou no intervalo de um drink.
- Como? – foi pega de surpresa.
- Hoje, quando cheguei em sua casa e não te encontrei. Onde você estava?
-Hum, estava jantando com Rachel. – respondeu sinceramente, fazendo Santana cuspir o que acabara de colocar na boca.
- Jantando com a Berry? – sua pergunta soava incrédula.
- Sim, jantando com a Rachel.
- Não vou nem perguntar. – Santana desconversou.
- Mas e se eu quisesse falar... Você me ouviria Santana? – Quinn perguntou séria.
Santana sentou mais ereta, percebendo quão tensa a amiga lhe pareceu de uma hora para a outra. O assunto parecia a estar inquietando.
- Se quiser, claro que vou te escutar Quinn. Afinal de contas, acabei de abrir meu coração. – sorriu – Manda ver, Fabray – respirou fundo – Estou pronta – brincou.
E então foi a vez de Quinn desabafar. A garota falou sobre sua vontade de concertar as coisas, de quanto estava gostando da companhia de Rachel e quão adorável ela era. E, finalmente, sobre sua insegurança em relação a seus sentimentos, já que ainda não fazia idéia do que estava se passando.
Santana apenas ouviu pacientemente. Sabia o quanto era difícil para Quinn se abrir daquela maneira e não a interrompeu quando as palavras começaram a fluir tão facilmente (provavelmente efeito da tequila). Até que a loira respirou e pois fim a seu discurso, visivelmente esperando alguma reação da latina.
- Concertar as coisas é bom – Santana começou – E você sabe que para isso estar partindo de mim é grande coisa – gracejou – Não tem nada demais querer fazer o certo uma vez na vida, Q, pelo contrário. E garanto que é a sensação é boa. Quanto a estar gostando da companhia da Berry e tal, que bom. Pra te falar a verdade, também não entendo porque tanta implicância nossa com ela. – admitiu – Quanto à confusão de sentimentos que parece estar rolando... Te aconselho a deixar rolar. Não encana com isso.
- Obrigada, Santana. – respirou mais tranqüila – Não sabe o quanto precisava falar com alguém sobre isso.
- Amigas são para essas coisas, Fabray.
- Certo. Agora vamos embora, já está ficando tarde e preciso chegar mais cedo na escola amanhã. – falou levantando, puxando a amiga com ela.
- Você mais cedo na escola? Por quê? – Santana estranhou.
- Marquei com a Rachel. Ela vai me ajudar com minha cena.
- Hum, cena, sei. – retrucou desconfiada – Mantenha-me informada, Fabray.
Notas finais
Comentem por favor XD Façam uma autora feliz
Até a próxima.
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