- Não! Não! Não é possível! Onde está o neu nome na lista?!? — Motoko entrou em desespero total quando percebeu que seu nome não estava no painel dos aprovados no vestibular da Todai.

- Inacreditável... — lamentava-se Naru, que se recusava a acreditar no que estava vendo — Motoko, você estudou tanto...

- Estudei tanto, né? Para quê? Passar vergonha aqui ao ver o meu fracasso? — a samurai berrava e fazia um tremendo escândalo — Eu sou uma fracassada, Narusegawa! Uma fracassada!

- Não diga isso, Motoko! — Naru começou a gritar, já nervosa — Não faça tempestade em uma poça de água!

Mas, a jovem de Kyoto ignorou os apelos da amiga e partiu para o funcionário da faculdade que estava ao lado do painel.

- Me diga, onde está o meu nome? Onde está? Me chamo Aoyama Motoko! Onde está o meu nome? — gritava, enquanto chacoalhava o pobre funcionário do campus.

- Senhorita, não sou da comissão do vestibular... Sou apenas um professor...

- Mentira! — ela estava descontrolada — Ou me diz o que aconteceu com a minha nota ou te mato aqui mesmo a punhos!

- Motoko! Pare com esse circo! — Keitaro viu a zorra que se formara e separou a garota do pequeno professor, que correu assustado rumo ao prédio da bibloteca — O que está acontecendo aqui? Perdeu o juízo? — o rapaz gritou com a samurai, algo que nunca fizera desde quando se conheceram.

Ela não suportou os gritos do rapaz e o abraçou, chorando de forma escandalosa e sem controle.

- Já sei... Você foi reprovada, né? — Keitaro já estava mais calmo.

- Eu fracassei, Urashima! Eu fracassei! — dizia com a voz embriagada pelas lágrimas — Não mereço mais viver!

- Vamos fazer o seguinte... Vamos voltar para a pensão. Lá, você me contará tudo que aconteceu, tudo bem? — o garoto se voltou para Naru, ainda assustada — Narusegawa, vou levar a Motoko para a pensão. Depois, te buscarei aqui no fim da aula, tudo bem?

Em seguida, Keitaro levou a jovem samurai até a sua van, um Subaru Sambar, que estava no estacionamento do campus. A viagem até Hinata foi tranquila, apesar do trânsito pesado em Yokohama, e chegaram em Hinata-sou após duas horas de viagem.

Na pensão, Keitaro levou Motoko para o seu quarto e deixou-a descansando num futon. Em seguida, desceu para o hall da pensão e contou a "novidade" para as demais moradoras.

- A Motoko não passou! Como é possível? — Shinobu Maehara ficou chocada com a notícia e sentiu dó da sua amiga — Ainda bem que a Su está em Moru-Moru para resolver problemas pessoais, senão ela iria ficar deprimida...

- Ah... A sam... samurai não passou... Ah, se ela emagrecer, ela passa em tu... tudo, até porta de banheiro — apesar do horário, Mitsune Konno já estava totalmente bêbada e doidona.

Passaram-se cinco minutos e o telefone de Hinata-sou tocou.

- Quem fala? — Keitaro atendeu.

- Ah, Urashima-san... Posso falar com minha irmã, a Motoko? — era Tsuruko Aoyama, irmã mais velha da jovem samurai de Hinata.

- Tem certeza, Tsuruko? Ela está dormindo agora — mentiu, sabendo que ela não estava em condições nem de dormir direito, de tão deprimida estava.

- Quero falar com ela, AGORA!

Keitaro acatou a ordem e levou o telefone sem fio até o quarto de Motoko. Ao entrar no aposento, viu a jovem pronta para cometer ritual de suicídio com a sua espada; vendo a cena, ele jogou o telefone do chão, correu até a garota, tirou a espada à força e deu um tapa na cara dela.

- Está maluca, Motoko? Vai se matar por um resultado de merda de um vestibular? Não tem noção mais? — gritou.

Ela não respondeu. Apenas lágrimas rolavam de seus olhos negros e puxados.

- Tó! Sua irmã quer falar com você! — com a paciência esgotada, Keitaro jogou o telefone no colo de Motoko — Vamos ver se ela te põe nos trilhos! — e fechou a porta com força.

A garota, ainda soluçando e chorando, pegou o telefone e o levou devagar até o ouvido.

- Moshi-moshi.....

- Finalmente, hein? — exclamou Pablo enquanto o seu ônibus finalmente entrava na Rodoferroviária de Curitiba, depois de 23 horas de viagem desde Montevidéu. Era 19:40 na capital do Paraná e, apesar de ser Verão, um vento leve deixava a temperatura agradável.

Ele foi o primeiro a descer logo após o potente ônibus Scania encostar na plataforma do setor Internacional da rodoviária, que apresentava grande movimento. Após tirar as três malas do bagageiro e agradecer ao trio de motoristas que pilotou o veículo desde o Uruguai, Pablo caminhou até o lado externo do terminal, onde uma conhecida o esperava diante de um belo Ford Maverick.

- Miyuki! Que bom te rever, guria!

- Pablo! Finalmente você chegou! — Miyuki Kobayakawa (N.A.: personagem do mangá You're Under Arrest) abraçou seu amigo, depois de um mês de ausência. Japonesa de Okayama, Miyuki morava em Nuova Perugia há quatro anos e já dominava o idioma português sem problema algum; viera da pequena cidade em seu Maverick apenas para buscar Pablo em Curitiba — Como tu foi de viagem?

- Foi excelente, Miyuki. Uruguai está cada vez mais desenvolvido e belo... Ah, trouxe uma lembrança para ti — o rapaz tirou um pacote de alfajores de uma das malas e deu para a sua amiga.

- Que é isso, Pablo? — Miyuki, que era policial, estranhou o presente.

- Alfajor, o doce nacional do Uruguai. Tu vai adorar! — o rapaz abriu o porta-malas do Maverick e enfiou as suas malas — E aí, novidades?

- Ah, a Natsumi está lá em casa, vendo uns filmes da era Edo que o pai dela mandou de Tóquio... Ela ainda não caiu da moto Yamaha que trouxe do Japão ainda. Já a Natsuki (N.A.: Natsuki Kuga, personagem de Mai-Hime) está de moto também, uma Ducati dos anos 1980...

- Natsuki de Ducati? Naquele tamanho dela? É uma moto muito grande para a guria!

- Eh, mas ela pilota muito bem, Pablo... — Miyuki fechou o porta-malas e passou a mão em seus cabelos negros curtos — Lembra daquele casal do santuário xintó, Arashi e Sorata (N.A.: personagens de X-TV)? Eles se casaram... A cerimônia parou a cidade, acredita?

- Os dois combinam muito bem mesmo — ele deu uma risada e entrou no carro, junto com sua amiga nipônica — Mas, me diga: e a Misaki (N.A.: Misaki Azukawa, personagem de Maid-Sama!)? Ainda trampa naquele maid-café perto da rodoviária?

- Sim... E a turma do colégio onde ela é conselheira descobriu a história. Você devia ver o Francisco e o Carlos, aqueles dois idiotinhas do Bairro Garibaldi, zoando-a até não poder mais. Mas, ela está lá ainda...

- Certo... Mas, me conte mais novidades durante a viagem, senão não sairemos de Curitiba hoje, hehehehehehehe.......

Miyuki sorriu para Pablo e ligou o motor V8 do Maverick, manobrando-o em direção à Av. Visconde de Guarapuava. Logo após sair de Curitiba, o rapaz não aguentou o cansaço e dormiu durante o restante da viagem até Nuova Perugia, onde chegaram por volta das 21:50.