Notas iniciais
Acho que estão até cansados de ler desculpas no começo do capítulo, mas mais uma vez desculpa o atraso D: O ENEM é em dez dias e mal estou tendo tempo para respirar, eu fiz esse capítulo tão devagar que acho que me perdi nele e não sei se está tão bom quanto deveria ;-;

O pequeno avião acendia suas luzes para poder aterrissar com segurança mesmo naquela nevasca interminável. Eles deviam estar preparados para isso, porque aquilo não era incomum na região, principalmente naquela época do ano. Porém, com a carcaça fina balançando ferozmente na neve, como se estivesse prestes a cair a qualquer momento.

Toris assistia aquela cena com uma carranca retorcida em agonia, sentia o gosto do seu coração cada vez que o avião vacilava e fazia algumas manobras no ar que ele tinha certeza que nenhum homem era capaz de fazer. Era um pouco estranho pensar que mesmo com duas grandes hélices, o avião fosse tão frágil, talvez sua carcaça seja pesada demais para suas asas.

Entretanto, seja qual for a pessoa no comando daquele pássaro de metal, ela conseguiu perfeitamente realizar uma manobra e fazer com que pousasse dentro do círculo perfeitamente, Toris acabou abrindo um sorriso aliviado ao vê-lo pousar em segurança e também suspirou. Mesmo sem suas hélices sequer terem parado de girar e o vento espalhar neve por toda parte, Toris correu até a portinha que ficava ao lado e a forçou para abrir, esse trabalho foi um pouco difícil, pois a maçaneta estava um pouco congelada.

Quando a porta finalmente cedeu, um homem saiu de lá com todo seu ar imponente, ajeitando sua ushanka bege antes de descer daquele avião, mostrando que não se importava com todo o frio ou a tempestade de neve que estava tendo.

— Oi, sir! Estou feliz que esteja de volta. — Cumprimentou Toris com um grande sorriso no rosto. — Como foi a sua estadia lá no Reino Unido?

Ivan deu uma olhada de soslaio para o seu inferior e começou a andar esmagando a neve com suas botas pretas, sendo seguido prontamente pelo outro rapaz que tentava de alguma maneira acompanhar a velocidade com que Ivan andava, era difícil pelo fato da ventania forte estar constantemente o empurrando para trás, além que por respeito, ele sempre deveria andar dois passos antes do seu superior. Não era uma regra do batalhão, mas sim o próprio Ivan que o pôs, como uma maneira de assegurar sua superioridade.

— Ah, sabe como são esses americanos. — O russo cuspiu as palavras fora como se falasse de uma doença extremamente contagiosa. — Acho que preciso de um banho de ácido sulfúrico para me desinfetar de tanto lixo. — Continuou com um tom de puro ódio.

Um som alto de motor foi ouvido e o homem parou do lado de fora do seu escritório para ver o avião que esteve há poucos minutos decolar novamente. Ivan torceu o rosto em uma carranca séria, suspirando profundamente antes de entrar em seu escritório finalmente saindo de toda aquela nevasca e tirou seu casaco mais grosso pendurando-o ao lado da porta.

Seu inferior repetiu os mesmos passos que ele, com a diferença é que ele sempre estava atrás, nada mais era do que uma sombra que acompanhava Ivan.

— Essas coisas de metal que voam são desastrosas. — Comentou Ivan se jogando na sua poltrona. — Não tem um minuto que não balançam no ar, parecem estar prestes a explodir a qualquer minuto. — Continuou reclamando.

Então ele tirou de dentro da farda uma garrafa de vodka pura que levava consigo quase em todo lugar que ia. Era como seu ingrediente secreto que o ajudava a aguentar todo o frio da Sibéria, acabou se tornando como um vício incansável. Colocou um tanto bom dentro de um copo redondo e ofereceu a Toris, o jovem gentilmente negou com a cabeça, pois não gostava de beber enquanto estava no trabalho. Ivan deu de ombro e tomou o primeiro gole.

— E ainda dizem que são revolucionárias. — Zombou Toris ainda se referindo ao assunto anterior.

— Claro. — Riu Ivan. — Não dou nem dez anos para que sumam completamente. Ninguém vai nem lembrar que isso existiu.

Ambos riram com o comentário do general e depois Ivan se preocupou em beber do seu álcool, Toris estava ocupado escrevendo algumas coisas no relatório oficial do exército que deveria ser entregue em Stalingrado ainda essa noite. Ficaram em silêncio por um bom tempo, apenas curtindo a presença um do outro.

— Vamos falar de negócios. — Toris foi o primeiro a quebrar o gelo enquanto folheava algumas coisas em sua prancheta. — Tenho boas notícias para o senhor.

Ivan olhou para seu inferior com a sobrancelha arqueada e pousou o copo sobre a mesinha de madeira ao seu lado, inclinou-se levemente para frente, olhando para Toris atento ao mesmo tempo em que um fio de sorriso começava a crescer no canto da sua boca.

— Então as diga. — Pediu Ivan.

— Veio mais um navio cargueiro dos Estados Unidos e os coloquei para trabalharem nas minas da Montanha Kholat. — Explicou Toris ainda olhando os dados em sua prancheta para certificar se tinha falado certo, afinal, eram muitas minas que eles eram responsáveis. — Estávamos precisando de gente para trabalhar lá desde as pessoas morreram em um surto em cadeia de pneumonia.

— Entendo. Espero que tenha sido bastante gente. — Palpitou Ivan pensativo colocando dois dedos sobre o queixo.

— Vieram mais japoneses. — Contou Toris. — Alguns italianos também.

— E alemães?

— Alemães não.

Ivan soltou uma bufada em frustração, jogando seu corpo na poltrona e deixando-se deslizar sobre ela.

— É uma pena, eu queria cuidar de alguns alemães. — Confessou Ivan dando um sorriso sádico.

— Acho difícil que venham alemães a partir de agora. Eles estão cada vez mais fortes.

Depois que Toris concluiu a frase, o silêncio se instalou uma vez no lugar. Era um silêncio denso e um pouco constrangedor por parte do jovem, pelo menos que ficava observando seu superior olhar para um lugar fixo, mas sem foco aparente, com um sério semblante pensativo. Toris sabia em quase oito anos de trabalho que aquilo não significava uma coisa boa.

— Bem, leve-me para ver esses japoneses, então. — Pediu o general jogando sua mão no ar como um sinal de derrota. — Quero ver se posso me divertir pelo menos.

Os olhos lilases do homem brilharam perigosamente enquanto falava a última parte, ele trocou olhares hostis com seu inferior que prontamente desviou o olhar e se levantou, obedecendo ao seu senhor.

~*~

Sentei-me no chão do lado de fora, olhando para a paisagem montanhosa do lugar em que vivemos. Estávamos no alto de uma colina, nem de longe tão grande quanto as montanhas ao fundo, mas parecia tudo pequeno que quase dava para ver todas enfileiradas e ofuscadas por pesadas nuvens de névoa.

Eu peguei o costume de sempre vir aqui para poder pensar e o cenário natural deixava tudo melhor, eu refletia sobre aquilo que queria fazer, me perguntando se realmente vou sair vivo dessa. De tudo que já fiz essa, sem dúvidas, era a coisa mais arriscada.

Fui pego de surpresa quando senti uma mão pequena tocar no meu ombro e virei minha cabeça rapidamente para ver que era Yao, aliás, nem sei por que pensei ser outra pessoa se estávamos sozinhos nesse lugar. Ele costumava se juntar a mim algumas vezes, por isso nem questionei quando ele se sentou ao meu lado.

Olhando de soslaio, percebi que ele estava com as pernas juntas e o queixo tocava em seu joelho enquanto olhava silenciosamente para o lugar que eu mesmo observava alguns minutos atrás.

— É lindo, não é? — Disse ele dando um suspiro profundo. — É uma das poucas paisagens que eles escolheram poupar, não sei bem por quanto tempo.

— Com certeza. — Respondi sem rodeios, apoiando minha cabeça em minha mão. — Algumas vezes vejo fumaça em alguns pontos, talvez haja uma base militar aqui por perto. — Continuei já embaralhando a minha mente com alguns planos.

Ouvi outro suspiro grande vindo ao meu lado e olhei para Yao que mantinha seu olhar baixo agora, com a testa apoiada sobre os joelhos, ele me pareceu um pouco frustrado.

— Sabe... Você não precisa ir se não quiser. Eu entendo o quanto isso pode ser difícil para você. — Disse compreensivo enquanto passava minhas mãos em suas costas em movimentos circulares.

— Eu sei, mas é que... — Começou, mas parou a frase no meio para dar outro suspiro frustrado, eu o senti vacilar por alguns instantes. — Você tem razão, se eu tiver uma mínima chance de poder salvar o meu irmãozinho, eu quero fazê-lo. Além do mais, como posso te enviar sozinho para uma missão suicida? Eu não conseguiria dormir a noite.

Seu carinho me emocionou um pouco, pois pela primeira vez na vida eu senti que tinha alguém ali com quem eu podia conversar sobre tudo e que estaria ao meu lado. Eu não precisava me fechar para o Yao, porque ele nunca me julgou, sobre nada.

— Ao mesmo tempo, eu fico com um pouco de receio. Nunca toquei em uma arma antes e achei que terminaria a vida sem tocar. — Comentou um pouco melancólico e vi seus olhos brilharem de tristeza. — Eu não sei o que se passava pela cabeça da pessoa que as inventou. Não vejo outra razão para elas existirem senão matar.

— Você tem razão. — Admiti calmamente, enquanto me deitava sobre a grama gelada e coloquei minhas mãos atrás da cabeça, agora encarando as nuvens. — Não pense que eu me orgulho das decisões que tomei na minha vida, mas sei que se voltasse no tempo, não iria mudar nada. Só percebi o quanto quero ficar em paz quando você me trouxe pra cá.

Senti o olhar de Yao pairar sobre mim com um olhar sério no rosto, mas suave.

— Eu nunca conheci alguém com um pensamento tão pacifista. Sinto sua energia leve daqui. — Complementei virando-me para ele e dando um sorriso.

Naquele momento que eu terminei de falar, nossos olhares se cruzaram e trocamos um sorriso. Deve ter sido o sorriso mais calmo que eu já dei, permaneci ali por uns bons minutos em silêncio apenas apreciando as nuvens se formarem para uma tempestade que viria mais tarde naquele dia. Até sentir minha pele pinicar com a grama, me obrigando a levantar por causa do desconforto repentino.

— Não se preocupe, eu vou pensar em alguma coisa. — Foi a última coisa que eu disse ao Yao antes de voltar para dentro, deixando-o mais algum tempo ali nos seus próprios devaneios.

A única coisa que eu sabia é que eu precisava ter um plano. Não podíamos superar aquela prisão em números, então tínhamos que ser bastante estratégicos, ou seria um ataque bárbaro — e inútil —, eu tinha que ao menos garantir a vida de Yao e possivelmente de Kiku se eu puder achá-lo.

Sinto que minha única esperança estava me levando ao caminho do abismo, pois mesmo que as chances de eu não encontrá-lo sejam maiores, eu ainda me agarrava a pequena luz de esperança e estava mergulhando de cabeça para —como o Yao disse— uma missão suicida. Eu tinha que ter muita cautela.

Naquela noite eu não dormi, pensando em algum plano, pelo menos o começo dele, algo que eu pudesse ter alguma base. Se ao menos meu avião tivesse algum concerto, eu o usaria para ser nosso veículo de entrada e fuga, mas ele estava completamente estraçalhado, sua carcaça estava amassada como papel, uma das asas estava arrancada, duas turbinas estavam faltando. Realmente não tinha esperança para aquele pobre garoto.

Virei meu olhar para Yao que dormia tranquilamente, enquanto lá fora a chuva caía com força a ponto de balançar as estruturas da cabana. Aquilo fazia o meu estômago revirar de agonia, mas ele mal parecia se mexer no lugar, em um sono bastante profundo.

Foi com a minha mente cheia de ideias que não consegui dormir nenhum minuto essa noite, mas pelo menos eu tinha montado a base de um plano que parecia ser a maneira mais eficaz de conseguir. Agora só preciso achar as coisas corretas para o meu plano funcionar.

Assim que a tempestade passou, eu saí da cabana, dessa vez não para olhar a paisagem, mas para procurar algum foco de fumaça que estava sempre por lá de manhã. Não diferente, vi uma coluna subir e era muito fina para ser de algum nativo, devia ser alguma base militar.

— Você acordou cedo hoje. — Afirmou Yao vindo até mim e me esticou uma tigela com uma das suas sopas de ervas.

No começo, eu achava aquela mistura um pouco nojenta, já que não era nem comparado ao que eu costumava comer, mas acabei me acostumando por um tempo e hoje até acho delicioso. Yao não come carne de maneira alguma, o que de certa forma refletiu em mim, porque eu adoro carne.

— Eu pensei em um plano. Temos que ir até lá. — Apontei para onde a fumaça estava vindo.

— O que quer fazer lá? — Perguntou o chinês um pouco desconfiado.

— Arranjar algum uniforme militar que caiba em você. — Respondi sem rodeios. — Nós vamos nos infiltrar na base russa.

Quando eu falei isso, ouvi Yao engasgar ao meu lado e me virei apenas para ver que ele me olhava com os olhos arregalados como se eu tivesse falado algo absurdo.

— Eles vão me reconhecer lá. — Falou ele parecendo ainda mais inseguro do que antes. — Acha que isso vai funcionar? — Questionou com um tom de insegurança em sua voz e eu apenas dei de ombros.

— Eu já pensei nisso também, pode funcionar se você estiver bem caracterizado. — Respondi olhando para uma estrada de terra que tinha a leste, apontando para aquele lugar. — Ali costuma passar camburões militares com a bandeira da Rússia, que vai por ali. — Disse movendo com o dedo para o caminho da estrada. — É pra lá que temos que ir, podemos ter a sorte de roubar um camburão desses.

Yao parecia suavemente convencido do que eu estava falando, embora pairasse um olhar de dúvida em seu rosto. Ainda havia vários pontos sem nós, eu sei, mas pelo menos acho que é um bom lugar de partida. Só esperava que na prática o plano fosse tão bom quanto na sua cabeça, porque tudo iria depender daquilo, um passo em falso e pode resultar em morte para ambos. É tudo ou nada.

À tarde, estávamos descendo a colina atrás daquela fonte de fogo. Eu parecia bem mais seguro que Yao nesse quesito, ele insistiu que eu não levasse nenhuma arma, mas seria bem mais perigoso se não levássemos. Escolhi uma hora que sabia que haveria apenas uma pessoa na base, mesmo não a conhecendo, as estratégias eram quase as mesmas em todos os lugares, isso eu aprendi bem com o exército.

Yao pareceu surpreso quando viu que eu estava certo, chegando perto do local, percebemos que se tratava de uma base chinesa e havia apenas um soldado no local. Não havia nenhum jipe ou automóvel, o que significava que os outros iriam demorar, era quase como se tudo conspirasse para que dê certo ou que temos uma sorte tremenda.

Eu me abaixei sorrateiramente em um dos arbustos e ajeitei o rifle, olhando através da sua mira para acertar o homem, porém tive dificuldades quando notei visão dupla e não sabia mais para que lado atirar. Afastei meus olhos, esfregando eles e também ajeitei a mira para mais perto quando a coloquei novamente no olho. Mais uma vez a visão dupla me deixou instável.

— Não consigo fazer isso. — Disse finalmente esfregando meus olhos pela dor de cabeça repentina. — Sem meus óculos é impossível. — Expliquei. — Você vai ter que fazer isso.

— O-O qu... — Eu não o deixei que completasse e apertei minha mão em sua boca para calá-lo antes que sejamos descobertos.

— Sabe, se quer realmente me acompanhar nessa missão, uma hora ou outra teria que lidar com isso. Não podemos morrer na praia. — Tentei convencê-lo ainda sem tirar a mão de sua boca.

Yao pareceu hesitante por vários minutos, até que suspirou em derrota e assentiu com a cabeça. Eu o soltei calmamente e coloquei a arma ao redor dele, ajeitando-o para que ficasse bem posicionada e não o machucasse. Expliquei a ele como se mirava e saber quando deveria atirar, podia sentir seu corpo tremer, por isso tive que segurar seus braços para auxiliá-lo. Ele ficou por bastante tempo mirando até que atirou, o soldado atrás da janela caiu quando a bala o atingiu.

— E-Eu atirei em uma pessoa... — O meu amigo chinês disse em um tom incrédulo quando soltou o rifle no chão. — Eu sou um monstro. — Disse em estado catatônico. Eu o segurei pelos ombros e o obriguei a olhar para mim.

— Não, você não é. — Disse em uma voz firme. — Em uma guerra, os sacrifícios são inevitáveis.

— Como consegue dizer essas coisas com tamanha naturalidade? — Ele perguntou com um tom que me fez sentir insensível.

— Alguns meses no exército e você aprende na marra a não ter medo da morte. — Respondi simplesmente e me virei para a base, sem me importar de ser seguido ou não.

Porém, logo Yao apareceu ali e parecia olhar para o cadáver fresco com uma mistura de culpa, angústia e até nojo. Fui até ele e peguei os óculos que estavam em seu rosto, olhando através deles, eram um pouco mais fortes do que o grau que eu normalmente uso, mas era melhor que os borrões e visão dupla que eu tinha por ficar sem eles, então resolvi roubá-los.

Continuei procurando pelo local até encontrar o que eu queria, uma gaveta de uniformes. Peguei uma farda completa que julguei ser o tamanho do Yao e também uma tesoura, antes de sair as pressas ali com ele, antes que os companheiros daquele falecido chegassem. Então foi outra caminhada até subirmos a colina novamente.

— Você acredita em vida após a morte, Alfred? — Perguntou Yao em um tom inseguro. Olhei para ele por alguns minutos antes de responder.

— Eu me forço a acreditar. — Respondi hesitante. — Para haver algum motivo de não me sentir mais culpado por matar.

— Isso é horrível. — Disse simplesmente e eu dei de ombros.

Quando chegamos lá, eu deixei a farda em um lugar separado e peguei a tesoura, olhando para ela. Agora era a segunda parte do meu plano.

— Yao, meu plano é que nós nos disfarcemos de soldados aliados. Você por ser chinês e eu ter traços ocidentais, não ficará difícil, por isso que roubamos essa farda para você. — Expliquei olhando-o.

— É um bom plano. Mas e se me reconhecerem? — Questionou o meu amigo, inseguro.

— É comum que soldados pintem o rosto de carvão para se camuflarem na floresta, podemos fazer isso com você e ninguém vai perceber. — Disse e bati a ponta da tesoura na madeira gentilmente. — Também tenho que... Cortar o seu cabelo.

Os olhos de Yao se arregalaram com a minha última frase.

— Cortar meu cabelo? Mas por quê?

— Vão descobrir na hora que você é um impostor se ficar com o cabelo tão grande. É tradição raspar os cabelos assim que entra no exército, porém, o cabelo cresce. Se eu cortar o seu bem curto, não irão suspeitar.

Yao permaneceu em silêncio por um tempo, como se analisasse os prós e os contras da situação. Por fim, ele sentou-se em um banco de madeira e levou os dedos a desamarrarem seu cabelo desajeitadamente, dava para perceber que ele ainda estava um pouco hesitante, embora desse carta branca para mim.

Aproximei-me dele e segurei a maior parte do seu cabelo, passando a tesoura sobre ele e o cortando. Ouvi um silvo escapar dos lábios do chinês.

— Desculpe-me. — Disse encolhendo os ombros.

— Não é nada. Continue. — Sua voz parecia vacilar, mas o obedeci.

Comecei a cortar pelos cantos, fazendo um penteado bastante curto, mas que distribuísse harmonicamente os cabelos do rapaz. Nunca fui bom em cortes de cabelo, na verdade, mas estava tentando o meu possível. Senti um resquício de piedade quando senti o quão macio era seu cabelo, parecia que ele passava muito tempo cuidando dele apenas para que eu destruísse tudo. Porém, admirava a coragem e também a determinação que Yao tinha ao buscar o seu irmão, assim como eu. Fiquei me perguntando se Arthur estava assim comigo também, provavelmente pensando que eu estava morto.

Quando terminei, me afastei para olhar. Talvez nem precisasse pintar o rosto, pois Yao se tornou irreconhecível daquela maneira, parecia uma pessoa totalmente diferente de se olhar, tanto que até eu me surpreendi.

Ele me olhou e apenas sorriu.

Notas finais
Gostaram? :3 Comentários e críticas são sempre bem-vindas!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.