Um Mundo Assombrado Pelos Demônios
6 Eu odeio
Notas iniciais
–Kiku, o que você achou do meu boneco de areia? –Ria o garotinho Alfred, acabando de modelar a areia da caixa que havia no playground.
–Huh... –Kiku olhou para baixo e mordeu o lábio inferior ainda tinha muita dificuldade em inglês. –Elegante. –Falou o mais baixinho que pode amaldiçoando a si mesmo por não saber a língua do melhor amigo de quase dois meses.
–Quê? –Alfred olhou para o amigo, em seguida para o boneco.
Não era uma obra prima, embora para uma criança de cinco anos seja perfeito. Nem sequer havia adquirido uma forma de boneco, tinha os braços estendidos para cada lado e a cabeça de salsicha, não era nada elegante. Mesmo assim Alfred abriu o seu melhor sorriso, se sentiu o melhor escultor do playground.
–Obrigado!
E continuou dando os últimos retoques no brinquedo, embora sua mente vagasse um pouco. Ele adorava brincar com Kiku, embora o japonês fosse um pouco introvertido e falasse pouco, várias vezes Kiku não respondia ou mandava repetir a mesma frase várias vezes, quando foi conversar isso com seu pai, ele simplesmente lhe dissera que talvez o amigo tivesse algum problema auditivo.
–Alfred. –A voz ríspida de uma mulher veio atrás de si, Kiku se assustou com a aspereza da voz e levantou a cabeça para olhar a Sra. Jones que carregava um bebê nos braços. Esse bebê era Matthew, o irmão mais novo de Alfred, estava sempre abraçando seu urso branco de pelúcia que ganhou em seu aniversário de um ano. –Eu vou almoçar em algum restaurante, quer vir?
O sorriso de Alfred se alargou ainda mais quando o assunto é comida. Não é nenhum segredo que a criança adorava comer, principalmente carne, herança texana de seu pai, diga-se de passagem. Estava pronto para aceitar quando lembrou que Kiku ainda estava lá o olhando com um olhar perdido, totalmente alheio a conversa, mas fazendo o possível para escutá-la.
–Kiku pode ir também? –Perguntou Alfred sorrindo esperançosamente. Mas nem o sorriso de uma criança poderia derreter o coração de Savannah Jones.
–É claro que não. –Cuspiu venenosamente Savannah, ajeitando Matthew no colo. –Além de ter que cuidar de um estorvo como você, não cuidarei de um inseto. –Ela apontou para Kiku que ficou envergonhado de ser motivo da conversa, mas mesmo assim não compreendê-la.
Savannah nunca gostou de Alfred. Não se sabe ao certo o motivo, talvez porque ela seja canadense e odeie com todas as forças os americanos, que também não serve de motivo. Ela vivia dizendo que o loiro primogênito foi um erro, uma criança que jamais deveria ter nascido, além de crescer grosso e mal educado. Às vezes Savannah batia em Alfred por nada, simplesmente por um leite derramado em um dia. Naquela época Alfred não compreendia os maus-tratos da mãe.
–Kiku não é um inseto, mamãe. –Alfred fez beicinho. –Eu sou um herói. Não posso deixá-lo sozinho.
–Faça como quiser. –A mulher deu meia volta e foi se afastando do parque o Matthew em mãos. –Criatura infernal, tomara que alguém passe e te leve para bem longe da minha vida. –Murmurou uma última vez bem baixinho. Alfred não conseguiu ouvir. Mas Matthew sim.
De volta ao playground, Alfred se virou e caminhou até Kiku, sentando ao seu lado sem se importar com a areia sujar seus shorts.
–Desculpa. Minha mãe não quis te chamar de inseto. Eu não te acho um inseto. –Inseto. Pela quarta vez que Kiku ouve essa palavra e mesmo assim não consegue compreendê-la. O pequeno japonês se sentia tão envergonhado de não conseguir entender.
Na falta de saber o que falar, Kiku se virou para o melhor amigo e balançou a cabeça terminando com um fraco sorriso. Os sorrisos do japonês, mesmo que fossem poucos, faziam Alfred sorrir de orelha a orelha, embora fisicamente não houvesse diferente, dentro do americano havia. Era um sorriso sincero.
–Vamos brincar nos balanços? –Alfred passou um dos braços ao redor do corpo do menor. O coração de Kiku acelerou com mais uma palavra desconhecida.
–Balanço? –Repetiu a mesma palavra, fazendo Alfred rir.
–Isso! Vamos. –Alfred se levantou em uma velocidade incrível e segurou no pulso de Kiku, arrastando-o para se levantar.
O menino japonês foi sentado no balanço, enquanto Alfred o empurrava. Às vezes Kiku ficava com medo da altura, pois o americano empurrava cada vez mais alto. Também pensava em quando contaria a Alfred sobre o seu problema.
Nunca, talvez. Alfred, um menino que gosta tanto de falar, o que faria se soubesse que Kiku não sabe falar inglês? O abandonaria, claro.
0o0
Eu engoli em seco, procurando dentro do meu cérebro alguma explicação por eu ter saído de manhã falando que ia para a escola e só ter aparecido agora. Mas parecia que meu cérebro não funcionava direito, porque eu só conseguia pensar em Kiku. Será que ele vai ficar bem com todo esse frio? E se ele estiver chorando de novo, quem vai abraçá-lo? Deve ser tão gostoso um beijo dele.
Ai, droga, estou perdendo o foco. Respira, Alfred. Sim, o Arthur.
–Alfred, espero que tenha uma boa razão para ter me deixado preocupado. –Arthur interrompeu meus pensamentos com sua voz áspera, parecendo que queria conter o desespero, mas ao mesmo tempo morrendo de vontade de me castigar. É, Arthur é um pouco sádico.
–Claro, eu... –Desviei o olhar, reconhecendo que essa é a minha última chance para eu dar alguma explicação para ele. –Estava no rancho do meu pai. –Confessei seguido de um suspiro, eu sabia que não conseguiria mentir para o Arthur, mas não posso deixar que ele suspeite de mim.
Por uma razão que eu sei, seu olhar amoleceu quando eu disse isso. Aquela fúria toda dentro dele derreteu e foi a vez dele desviar o olhar, se sentindo culpado por ter quase me batido. É o tipo de sentimento que eu costumo a receber toda vez que algo lembrar meu pai. Ter um pai morto desperta nas pessoas todo o tipo de piedade, não importando a gravidade das suas ações e isso me deixa com raiva, não quero que tenham pena de mim.
–Desculpe, Alfred. –Disse Arthur com uma voz mansa. –Eu sei que está sendo difícil para você. Se quiser escrever para a sua mãe...
–Não quero escrever para a minha mãe. –Atalhei-o impaciente por voltar a um assunto no qual eu não quero falar. –Eu odeio ela, não há razões para eu querer falar com ela. –Eu senti o quão frio estava o meu olhar, minha voz era verdadeira e estava carregada de ódio. Eu nunca perdoaria aquela mulher pelo que ela fez comigo.
–Guerra, Alfred! Estamos em guerra! –Gritou Arthur me fazendo olhar para ele, sinto que não estamos mais falando da minha mãe. –A Europa está cinza! –Sua voz vacilou e ele se jogou no sofá, afundando o rosto nas mãos, é a segunda pessoa que eu amo que está chorando por causa dessa guerra estúpida.
O motivo das lágrimas do Arthur, porém, eu sabia. Há um rapaz que ele troca cartas, mas que nunca me contou sua história, só sei que ele é um amigo muito especial para Arthur, para não dizer outra coisa. Acontece que agora a comunicação entre o Reino Unido e a América foi cortada devido as frotas japonesas que avançavam pelo Oceano Atlântico.
Os japoneses afundam qualquer tipo de navio que passar por aquele território, sem se importar se são militares ou de passageiros, por conta disso, a rainha pediu que não fossem mais enviadas cartas ao Reino Unido, assim como ninguém poderia viajar de um país para o outro. Entendo a angústia do Arthur, afinal, meu irmão está lá e eu nem posso saber notícias dele.
Depois de alguns minutos derramando lágrimas silenciosas que ele pensou que eu não vi, ele se levantou e foi até mim, segurando na minha mão.
–Vamos jantar. –Ele me puxou para a cozinha. Um cheiro terrivelmente familiar saía dela. –Eu fiz carne com batatas. –Eu fiz uma careta. Arthur não era o melhor cozinheiro do mundo, se é que me entende.
–Mas eu já comi. –Sei que disse anteriormente que meu estômago é um poço sem fundo, mas quando se trata da comida do Arthur, ele está sempre cheio.
Senti uma mão grande bater atrás da minha cabeça e tive que segurar meus óculos para que eles não voassem. Arthur havia me dado um tapa tão forte que eu até fiquei meio zonzo. Nada estranho, afinal.
–Seu moleque! –Gritou ele com as mãos na cintura. –É uma das únicas horas do dia em que podemos ficar juntos e você sempre se recusa. Já comeu o quê? Se for hambúrguer eu vou te dar um tapa ainda mais forte!
Ele segurou na minha orelha e começou a me puxar para a mesa redonda de madeira que havia entre as bancadas. Eu começava a gemer de dor, segurando a mão que puxava minha orelha. Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me sentou na cadeira de um modo nada delicado.
–Ai, Arthur! –Reclamei em voz alta acariciando minha orelha que com certeza deve estar vermelha. –Pra que tanta violência? –Eu fiz beicinho e olhei para ele que me lançou um “cala a boca ou vai apanhar mais” silencioso. Sim, a força daquele par de esmeralda é imensa, ainda mais quando eu passei quase dez anos sob a rígida educação inglesa. Mas não sou inglês.
Ele deixou uma tigela grande de carne com batata em frente a mim e só de sentir o jeito de toda aquela gordura já me dava náuseas. Como é que alguém consegue cozinhar tão mal? Ou, como alguém pode gostar de cozinhar tão mal? Instantes depois ele sentou-se ao meu lado com sua própria tigela e começou a comer.
Eu peguei uma batata com a colher e comi. Já estava acostumado com as comidas sem sabor do Arthur, por isso eu sempre passava em alguma lanchonete e comia tudo que cabe, porque sempre fica o sabor do churrasco na boca. Durante o tempo do almoço, ele me contou como foi a aula, contou que castigou dois alunos e ele sorria enquanto dava detalhes.
Confesso que eu não estava prestando muita atenção. Meus pensamentos estavam lá no rancho do papai, mais especificamente no Kiku. Eu tenho tanto medo que o descubram e o tirem de mim, ele é tão frágil.
–Arthur. –Eu o interrompi no meio de uma história, mas ele parou de falar na hora e me olhou, principalmente ao ver a preocupação em meus olhos. Eu resolvi inventar uma história. –Hoje na escola, um colega meu da classe de Álgebra sumiu. Ele era japonês.
–Pensei que soubesse que todos os japoneses estão indo embora. –Respondeu com naturalidade, até deu um sorriso.
–Eu sei. –Cortei ele novamente. –Mas o que eu quero saber é o que você acha disso.
Sua feição se tornou mais séria, ele apoiou a mão no queixo em uma expressão contemplativa antes de voltar a falar.
–Acho bem feito. Odeio japoneses. –Meu corpo inteiro tremeu com a resposta dele. –Havia um professor colega meu, ele era oriental. Não digo que é japonês, pois o sotaque é um pouco diferente, mas ele também sumiu. Acho que o levaram.
–Mas ele era um inocente. Não sente pena dele?
–Eu nunca disse que ele era inocente, Alfred. Se o levaram é porque tinham uma razão.
Ele terminou a tigela e levou junto com a minha para a pia onde começou a lavar toda a louça suja desde hoje de manhã.
–Acha que foi certo? –Minhas perguntas estavam cada vez mais parecidas com um rebelde. Como esses grupos comunistas que havia pelo país, de certa forma isso me assustava. Arthur fechou a torneira, mesmo não tendo acabado de lavar os pratos e se virou para mim.
–Se eu acho certo? Não cabe a mim decidir. O presidente Roosevelt deixou claro que eles são inimigos, portanto devemos tratá-los como tal.
–Você só está falando isso porque não pode mais mandar cartas para a Europa. Eu não sei qual é a sua relação com o seu amigo, mas se você se arrepende de alguma coisa, a culpa é sua e não dos japoneses. Quem está ameaçando a vida as pessoas são os militares, não cidadãos.
Arthur se aproximou de mim e levantou sua mão para me dar o tapa mais forte que eu já senti até agora. Bem na bochecha esquerda, onde ficou uma marca vermelha exata da mão dele. Antes que eu pudesse me recuperar por completo, ele levantou a outra mão e me deu outro tapa, dessa vez na bochecha direita para que se igualassem as marcas.
–Não fale de mim como se me conhecesse, seu merda! –Gritou em plenos pulmões, visivelmente alterado. –Vá pra cima, vá! Me deixa sozinho! –Ainda gritava, mas seu tom de voz se acalmou conforme ele terminava a frase.
Eu não queria discutir com ele, então o obedeci. Levantei-me e subi as escadas, quando eu já estava no segundo andar, pude ouvir seus soluços desesperados e me senti na vontade de correr até ele e o abraçar mais forte que eu consegui. Porém a dor ainda persistia na minha bochecha, que me lembra a raiva que ele deve sentir de mim.
Sei agora que nunca poderei contar a ele sobre Kiku. Não por enquanto.
0o0
No dia seguinte eu acordei ainda com a ardência nas minhas bochechas. Espreguicei-me ainda na cama e fui para o banheiro escovar os dentes. Ao me olhar no espelho eu deparo com alguém que não é Alfred F. Jones. Mas um monstro. Meu cabelo estava espetado e havia bolsas negras embaixo dos meus olhos, demostrando o quanto eu dormi mal essa noite.
Simplesmente não consegui dormir, porque tive um pesadelo terrível. Nele, o FBI tirava Kiku de mim e o mandavam para um lugar sujo e nojento, sem qualquer possibilidade de alguém tão frágil sobreviver. Olhei-me no espelho novamente, com a escova de dentes entre os dentes, eu murmurava.
–Odeio o FBI. Odeio o presidente Roosevelt.
Aquilo era estranho até pra mim, que sempre fui tão patriota, mas aquele país estava começando a me dar nojo aos poucos. Cuspi a pasta de dente na porcelana na pia com hostilidade, pensando que seja o presidente.
Depois que vesti minhas roupas habituais, eu desci para tomar café da manhã, estranhado que por ser seis horas da manhã, Arthur não ficou me gritando para eu acordar. Quando eu cheguei na cozinha eu me deparei com o meu primo dormindo sobre a mesa de madeira. O contorno dos seus olhos estavam inchados e sua bochecha vermelha, o que indica que ele esteve chorando. Será que ele dormiu aqui?
Um arrependimento me acertou em cheio. O que foi que eu fiz?
Calmamente eu me aproximei dele e acariciei seus cabelos com ternura para acordá-lo. Os olhos de esmeraldas se abriram aos poucos e Arthur os esfregou para tirar o resto de lágrima que havia lá. Eu puxei uma cadeira para mais perto dele e me sentei, olhando-o com piedade. Durante uns cinco minutos ninguém pôde quebrar o gelo, pois ainda pensávamos na briga de ontem.
–Desculpe-me, Alfred. –Disse ele com a voz mais nasal do que já era, puxou um pouco o nariz antes de continuar. –Eu estava com tanta raiva de mim. Dos japoneses. Que acabei descontando em você.
Mordi o lábio inferior para conter a vontade de defender os japoneses, mas não queria iniciar uma nova discussão. Ele segurou minha camisa com força e afundou seu rosto nela, começando a chorar, eu não sabia o que fazer. Arthur sempre se mostrou tão forte, vê-lo chorar é algo inusitado. Lentamente eu abracei-o com ternura e acariciei seus cabelos.
Arthur é como um irmão para mim. Eu já não tinha o meu pai comigo e Arthur é a única pessoa em quem eu confio, mesmo assim não consigo contar a ele sobre o Kiku. Simplesmente porque eu conheço ele. Não quer dizer que eu tenha raiva dele, eu o amo.
–Alfred, por que eu não consigo ser feliz? –Ele sussurrou em minha cabeça e eu senti meu coração apertar. Eu sou péssimo com isso.
Eu continuei abraçado a ele até que se acalmasse. Sem dizer nenhuma palavra, porém meus carinhos já falavam por mim. Não foi fácil, mas quando ele se acalmou, se levantou, ainda em silêncio e foi para seu quarto se vestir para o trabalho. Não tive outra alternativa a não ser ir preparar o café da manhã.
Não sei fazer chá, deixo isso bem claro. Por isso eu passei o café mais forte que eu pude, pois sei que Arthur deve estar precisando de um desses. E um café da manhã tipicamente americano, com ovos fritos e bacon, que é o que eu sei fazer.
Meia hora depois Arthur desceu as escadas dando os últimos ajustes no seu paletó. Quando ele entrou pela cozinha e percebeu o gorduroso café da manhã, ele fez uma careta.
–Eu passo mal só de ver você comer. –Disse ele em seu tom de voz nasal habitual, sentou-se em sua cadeira com a sua pose costumeira, pernas cruzadas e coluna ereta.
Despejou o bule com o café em uma caneca e não se preocupou em colocar açúcar, pois ele sabe que eu sempre coloco no café, talvez até mais que o necessário, mas eu gosto de açúcar. Ele bebia enquanto lia as manchetes no jornal que o menino jogou na porta da nossa casa, enquanto eu continuava com meus bacons gordurosos.
Quando eu estava para sair, ele segurou a manga da minha camisa e me puxou para um abraço apertado. Fiquei sem reação, então simplesmente o abracei de volta. Ele ficou me apertando em seus braços por um bom tempo antes de me deixar ir.
–Eu te amo, Alfred. Lembre-se disso. –Eu sorri.
–Eu também te amo, Arthur. –Dei um beijo em sua bochecha e saí com o carro dele.
Nem imagina as vezes que eu pensei em mudar a trajetória só para ir para a fazenda. Desde ontem estou morrendo de vontade de ver Kiku e mesmo assim parece que o destino está me pregando uma peça, parece que estou cada vez mais distante.
O tempo na escola passou incrivelmente lento, mais do que o normal, permito-me falar. Também foi uma mistura de aulas chatas em um dia só, apenas para começar o dia eu tive Álgebra III, foi só o primeiro horário.
Depois do almoço finalmente tive uma aula que me distraiu a minha mente nem que seja um pouquinho. Gosto de treino de futebol, mesmo que sejam só os exercícios de correr na pista. Antes, porém, meus colegas de time e eu tivemos que cavar para tirar toda a neve da pista, que já foi um exercício e tanto. Bom para meus braços que ficaram doendo de carregar toda aquela neve. Não se enganem, apesar de ser incrivelmente fofa, a neve é densa, portanto fica ainda mais pesada do que aparenta.
–Jones! –Eu estava carregando uma pá cheia de neve quando o treinador me chamou com sua voz grave de tirano. –Vamos conversar. –Não foi nem uma pergunta, em seguida ele apontou com a cabeça para o vestiário.
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