Um Mundo Assombrado Pelos Demônios

16 A Corda Que Nos Amarra Juntos


Notas iniciais
Oi, gente! Então, eu estive de viagem essas semanas e durante essa viagem tive muitas ideias, o que me fez mudar o nome da fanfic. Isso porque antes eu tinha algumas ideias mais pra frente que combinavam com o título original, mas eu não esperava que eu fosse parar por tanto tempo e essas ideias fossem sumindo. Então eu tive outras e aquele título não representava mais a fanfic, espero que entendam.

Quando a luz do sol refletiu pela janela do quarto desarrumado não bateu diretamente na cama, mas ele sabia que já era dia porque o cômodo ficou inteiramente iluminado. Arthur sabia que logo iria esquentar e mesmo assim preferiu ficar debaixo do edredom, porque não tinha a mínima vontade de levantar.

Ele estava de olhos bem abertos, mais uma noite se passou e ele mal conseguia dormir. Para falar a verdade, ele não dormiu por nenhum minuto. Estava assombrado com pesadelos infinitos do seu irmão, sentia-se derrotado, fracassado. A outra parte é que ele também não conseguia parar de chorar a noite, tanto que seu travesseiro estava melado com as suas lágrimas.

Apertou os dedos pelo lençol branco desalinhado como se quisesse descontar ali toda a sua raiva chegando a ouvir o barulho estridente do tecido rasgando. Ele não se importava. Sentiu as lágrimas fluindo dolorosas pelas suas bochechas até cair sonoramente no colchão. Encolheu-se inteiro embaixo do cobertor quente, sem a mínima vontade de se levantar.

Desde que recebeu a notícia de que Alfred estava morto, o britânico não tinha mais forças para trabalhar, até tentou algumas vezes, mas sempre parava no meio da aula para poder chorar e se lamentar, então a escola não viu outra maneira senão afastar Arthur do seu serviço. Passaram-se um mês desde então.

Não tinha mais forças para levantar, sequer para comer ou fazer qualquer coisa, há dias que ele fica o dia inteiro na cama apenas chorando e dormido. Tem sido demais para ele, ficar naquela casa era uma tortura, pois tudo que havia lá lembravam-no Alfred. O mais doloroso dessa história é que ele não tinha nenhuma lápide para se lembrar do irmão, pois não acharam o seu corpo. Não havia uma sepultura que ele pudesse levar flores, não havia um lugar no cemitério para ele descansar. A única coisa que ainda pôde ser lembrava foi uma pequena homenagem que o exército fez aos serviços prestados por Alfred, mas só. Arthur sabia que ele era muito mais do que isso.

Quando ouviu o som da porta bater, gemeu em frustração. Não queria ver mais ninguém e também não se importava. Talvez alguma alma caridosa que viesse prestar suas condolências, pensou.

Com o resto de força que lhe sobrou, ele se levantou pateticamente e foi atender a porta. Não se importava se estava vestido com trapos, também não era tão bem disposto a ponto de vestir um terno para atender a porta. Também há a possibilidade de ser o carteiro, ele não aparecia tem um bom tempo.

Entretanto ao abri a porta, ficou surpreso com quem viu parado em frente a ela. Francis, seu melhor amigo de infância, em toda a sua glória de homem francês de vinte e oito anos, abriu um grande sorriso quando viu o britânico ali parado. Mas o outro nem mesmo retribuiu. Apesar de estar claramente surpreso com a presença do outro ali, não conseguiu assimilar as coisas.

—Arthur! —Gritou o francês preocupado quando viu o estado deplorável do amigo de infância. —Eu soube o que aconteceu com seu irmão e peguei o primeiro navio para cá.

Arthur nem teve tempo de reagir, sendo envolvido por dois braços fortes ao redor do seu corpo em um abraço apertado. O professor passou seus braços timidamente para retribuir o abraço e escondeu o rosto no ombro do maior, começando a chorar ali mesmo sem medo de ser visto por ninguém, nem por estar chorando na frente do amigo.

Francis sentiu seu coração quebrar ao ver o estado de fragilidade que Arthur estava. Apertou-o mais forte em seu corpo, deixando que o menor se desfizesse ali mesmo todas as suas mágoas, todo sentimento preso dentro dele. Não se importou de ficar dias, talvez semanas dentro de um navio apertado para rever seu amigo de infância e primeiro amor.

Estava tão perdido em seus pensamentos que nem notou quando o outro ficou quieto de repente. Antes sentia seu corpo tremer em seus braços por causa dos soluços, mas agora tudo estava quieto, tanto que olhou para baixo para saber o que tinha acontecido; Arthur permanecia quieto, apenas respirando gentilmente e se aviso prévio se soltou.

—Eu vou fazer um chá. —Simplesmente disse com uma voz monótona e sumiu na penumbra dentro da casa.

Francis o seguiu mantendo um olhar de preocupação sobre o amigo de infância e Arthur o guiou até a cozinha. Foi até o armário e pegou o seu bule de chá. Com um sopro, espantou toda a poeira do metal, indicando que não foi tocada há muito tempo. Encheu o bule de água e pôs sobre o fogo.

O tempo que a água demorou para ferver foi um silêncio severo. Nada poderia ser ouvido além de alguns chiados que o bule fazia e também os sons de Arthur preparando as xícaras com os chás ainda em saquinhos. Quando estava tudo organizado, só esperava a ação do tempo em ferver a água, Arthur encostou-se no balcão com um olhar morto para a mesa. Nem parecia que Francis estava ali, ele ainda tentava digerir aquela informação, mas combinada com o constante pensamento que seu irmão estava morto era impossível.

Pulou no lugar quando ouviu o bule de chá apitar forte, agarrou um pano de mesa, pois o metal estava quente. Porém, quando foi pegar o bule, não usou forças o suficiente quando ele escorregou do pano e tocou um dos seus dedos.

A dor da queimação foi tão imediata que Arthur largou de uma só vez e a única coisa que ouviu foi o metal caindo no chão. A água fervida espirrou para todos os lados e teria queimado Arthur mais uma vez se não fosse Francis que o puxou para uma distância segura.

—Desculpe. —Disse o britânico se sentindo constrangido pela cena.

—Está tudo bem. —Sorriu Francis tentando tranquilizá-lo. —Eu nem gosto de chá mesmo. —Tentou provocar apenas para que Arthur ficasse bravo com ele como sempre ficava, mas ao contrário, o britânico permanecia com aquele olhar morto.

Francis suspirou profundamente e segurou nos braços do amigo, levando-o de volta para a sala, deixando-o sentado no sofá e sentou-se ao lado dele.

—Conversa comigo, Artie. —Pediu o francês calmamente.

O homem achou que sua fala mansa iria acalmar ao menos um pouco o britânico, mas tudo que conseguiu foi Arthur abaixando a cabeça, encarando o próprio colo sombriamente. O corpo magro começou a tremer um pouco e depois de um tempo Francis percebeu que eram os soluços do Arthur que ficavam cada vez maiores.

—Ele era a única pessoa que me restava. —Falou Arthur pela primeira vez com uma voz rouca. —E nem tive a chance de me despedi quando ele foi para a guerra... Sabia que não acharam nada dele? Nenhum fio de cabelo para enterrar. —Contou com uma voz cada vez mais vacilante até que caiu aos prantos novamente.

Francis se sentou ao lado do homem e abraçou seu corpo, puxando-o mais para si. Arthur acolheu-se naqueles braços e escondeu o rosto no peito do francês despejando todas as suas mágoas no paletó fino do homem. Ficaram assim por mais ou menos vinte minutos até que Francis notou uma calmaria incomum vindo do rapaz, sua respiração estava mais leve e quando olhou para baixo constatou que o outro dormia.

Sentiu sua alma partir quando viu o estado que Arthur se encontrava, parecia tão desesperado que nem mesmo nos sonos ele parecia ter paz, provavelmente atormentado com pesadelos do seu primo. Talvez seja a primeira vez em dias que ele conseguisse dormir.

Francis segurou o corpo do rapaz com muita cautela para que ele não acordasse e o levou de volta para seu quarto, deitando-o na cama e cobrindo-o de maneira que ele ficasse confortável. Em seguida, foi tentar se distrair fazendo qualquer coisa. Por toda a casa havia um ar sombrio, como se faltasse alguma coisa apesar de estar impecável, o francês passeou pelo escritório de Arthur, achando incontáveis papéis de cartas sobre a mesa. Havia algumas já prontas em uma pilha no canto, mas ele não quis abrir, ele não gostava de invadir a privacidade alheia.

No final, decidiu apenas pegar um livro qualquer de literatura para passar o tempo.

Quando Arthur acordou o sol não batia mais na sua cama, ao invés disso, uma penumbra preenchia o quarto e ele se esticou até a janela para ver que a noite começava a se levantar. Deixou-se cair novamente sobre a cama como se não tivesse forças para se levantar. Ele estava cansado, exausto, para falar a verdade, não importa o tanto que ele tentasse ter um sono tranquilo, ele sempre era assombrado com algum pesadelo.

Já não negava mais as atrocidades que fez com o seu irmão e aquele japonês. Na verdade, era justamente isso que era seu algoz, aquela dor no peito de ter alguma pendência com Alfred que não pôde resolver. Tentou pedir perdão por cartas, mas nunca obteve resposta, nunca saberia qual a reação de Alfred ao ler as cartas. Não tirava a razão de Alfred em não querer mais contato com ele, mas a saudade matava um pouquinho dele a cada dia.

Estava perdido em seus pensamentos, por isso que se assustou quando ouviu alguém bater na porta do quarto e olhou para ela desconfiado até se lembrar que Francis veio te visitar. Para Arthur, essa parte também teria sido um sonho.

Nem precisou pedir para entrar, pois o francês já havia aberto a porta e estava com uma bandeja em mãos. Sobre ela havia um bule de porcelana e duas xícaras.

—Eu ia te acordar, então que bom que está acordado, porque eu fiz chá. —Disse com um sorriso, enquanto deixava as coisas em cima do criado-mudo ao lado da cama de Arthur. —Dormiu bem?

—Não. —Arthur quase vacilou nesse momento. Ele afundou seu rosto no travesseiro mais uma vez, deixando seu corpo jogado como se fosse um boneco de pano. —Ele era tão jovem, tão cheio de vida. Eu estraguei a vida dele. —Repetia batendo sua própria cabeça contra o travesseiro.

—Não diga isso. —Tranquilizou Francis, sentando-se ao lado de Arthur. —Não foi você que previu uma guerra tão grande. Alfred não merecia ter morrido dessa maneira, mas você também não merece ficar se lamentando o resto da vida por causa disso.

—Você não entende! —Berrou Arthur e o homem ao lado até pulou no lugar, já que a primeira vez que o britânico usou um timbre de voz mais alto. —Eu fiz coisas horríveis, Francis. Eu o machuquei, eu machuquei... uma pessoa muito importante para ele. —Continuava aos prantos, sentindo que as lágrimas já estavam escorrendo sem parar pela sua bochecha.

Arthur se debatia como se quisesse se machucar de alguma forma e Francis olhava para aquela cena com muito pesar, não sabia o que fazer, porque nunca enfrentou uma situação parecida antes. Por isso que sem pensar, ele agarrou a cintura de Arthur, empurrando-o para se deitar na cama, imobilizando seu corpo e ficou por cima do britânico, pressionando ambos os lábios em um beijo abafado.

O outro acabou por parar de chorar com a surpresa que foi aquele beijo inesperado e ficou se rebatendo por um tempo, até ceder por completo. Decidiu se entregar para o francês, aceitando aquele beijo que ficava mais intenso a cada minuto, podia sentir seus lábios sendo pressionados com força pelo outro, sua língua macia dentro da sua boca como se fosse o devorar. Seu coração estava acelerado e o seu corpo tremia de leve, ele não estava conseguindo raciocinar direito o que estava acontecendo.

Foi apenas quando o francês começou a subir sua mão por baixo da camisa do rapaz, que ele cortou o beijo rapidamente para poder falar.

—Pare. —Pediu quase em um grito e Francis parou imediatamente, porém não saiu de cima do outro.

Por alguns minutos, nenhum dos dois falou nada, o único som que preenchia aquele quarto era a respiração ofegante dos dois rapazes. Arthur sentia como se todo o oxigênio da atmosfera estivesse acabando e ainda podia sentir o gosto doce dos lábios de Francis na sua boca, também havia gosto de chá.

—Ficar aqui na América só vai te destruir. —Disse Francis depois de um tempo. —Venha para a Europa comigo, por favor. —Pediu em um tom que deixava claro seu desespero e preocupação com o amigo de infância.

Arthur tinha que admitir que ficou surpreso com o pedido. Nunca cogitou a possibilidade de voltar para Europa, uma vez que havia feito da América seu lar desde que conseguiu sua cidadania. Parando para pensar agora, não há nada mesmo nos Estados Unidos que o prendia, sua única razão seria Alfred.

—Você não me quer ao seu lado. Eu sou um monstro, afastei o Alfred de mim e um dia vou te afastar também. —Falou com uma voz trêmula e podia sentir que estava prestes a chorar novamente.

—Pare com isso. —Gritou Francis segurando o britânico pelos dois braços e começou a sacudi-lo forte. —Não há nada que não possa ser perdoado e eu posso te ajudar, Arthur. Por favor, fica comigo.

Arthur não disse nada e ficou olhando para o outro de olhos arregalados. Não achava que alguém pudesse ter compaixão por ele, mas tinha que confessar que adorava esse conceito. Sentia-se alguém amado ao menos um pouco, Arthur sabia que não merecia aquele amor, mas não podia evitar se sentir feliz por tê-lo.

—Eu acho que quero chá. —Pediu roucamente.

Após pedir, Francis se levantou e colocou um pouco de chá em cada uma das xícaras ali, dando uma delas para o Arthur e a outra ele mesmo queria tomar, não era muito fã de chás, mas queria ao menos acompanhar o britânico.

O professor assoprou um pouco antes de bebericar o chá, constatando que estava do jeito que ele gostava, um pouco azedo, parecia que tinha algumas gotas de limão naquela bebida e aquilo o relaxava por completo. O assunto da conversa mudou, entretanto não foi esquecido, apenas queriam descontrair um pouco, por isso começaram a conversar sobre as coisas que haviam mudado na Europa.

—A França está devastada. Há nazistas por toda parte, dominaram a cidade de Paris e estão conquistando os arredores. Isso sem contar os constantes ataques de bombas. —Explicava Francis com pesar.

—Isso é horrível. —Chocou-se Arthur. —Onde essa Guerra irá levar?

—Ao fim do mundo, eu suponho. —Francis deu de ombro parecendo desinteressado.

—Ei, Francis... —Chamou Arthur um pouco timidamente, sentindo sua mão tremer. —Onde eles levam os prisioneiros de guerra? Quero dizer... Alemães, Italianos e... Japoneses? —Perguntou cada vez mais hesitante, quase considerando esquecer aquela pergunta.

Francis fez uma careta para aquela pergunta, pois a resposta sequer passava em sua mente. Também se perguntava de onde Arthur tirou aquela pergunta.

—Eu não sei. Prisões, eu acho. Soube que os prisioneiros mais perigosos eram levados para a Sibéria, mas não sei o que é feito deles lá. —Respondeu com o tom cheio de dúvida em várias partes. Arthur engoliu em seco.

—O que se pode chamar de prisioneiros perigosos? —Perguntou ainda hesitante, sua mão tremia mais forte agora.

—Acho que aqueles que representam alguma ameaça. Ou aqueles que irritam o superior. —Disse usando uma pitada de humor nessa última frase, mas Arthur não riu, apenas sentiu seu coração apertar.

O britânico deixou sua xícara de chá em cima da bandeja e se levantou um pouco hesitante, tirando aqueles pijamas velhos finalmente e começou a trocá-los por roupas limpas.

—Aonde vai? —Questionou Francis se levantando e indo até o rapaz.

—Eu gosto de comer biscoitos com chá. Também vou comprar alguma coisa para fazer almoço amanhã. —Explicou Arthur vestindo seu sobretudo.

Saiu de casa antes que Francis pudesse falar qualquer coisa, porque precisava tomar um ar puro, pois sentia que ia sufocar dentro daquela casa com aquela conversa tomando rumos completamente inesperados. Era exatamente o oposto de Arthur queria que fosse, mas não podia negar para si mesmo que japoneses eram uma extrema ameaça para o governo.

Lembra-se muito bem há meses atrás quando humilhou aquele jovem em praça pública quando o levou para as autoridades locais. Só teve que assinar alguns papéis e foi embora, podia ver o rosto assombrado do japonês na sua mente, aquela imagem ficou fixa em seus pesadelos.

Queria muito poder pensar que aquele jovem ainda estava vivo, mas seria amenizar a crueldade que fizera. Foi responsável pela morte de duas pessoas, mesmo que suas mãos não estivessem sujas de sangue. A dor do arrependimento queimava pelo seu corpo e subia pela sua garganta, até que saiu em forma de vômito. Não havia nada em seu estômago além de chá, então vomitar ácido doeu mais ainda. Como ele iria conviver com a culpa de estragar a vida de duas pessoas, sendo uma delas uma pessoa que ele ama? Não havia resposta para essa pergunta.

Tinha que morrer, então. Seria a única forma de acabar com isso de uma vez por todas.

Olhou ao redor, estava perto da rodovia, não sabia que havia andado tanto, apenas foi movendo os pés sem rumo pela neve fresca. Talvez seja isso que ele quis desde o início, quando atravessava a rua sem olhar para os lados ou para frente; quando engolia algumas pílulas a mais para dormir por acidente. Tudo estava amarrado para que ele morresse logo.

Estava a beira da estrada quando viu dois faróis altos vindo em sua direção, não se afastou, apenas caminhou para o meio da estrada com uma calma muito estranha, embora seu coração parecesse que ia sair pela sua boca. Com certeza aquela morte não iria ser indolor, podia ter escolhido várias outras maneiras mais humanas de o fazer, mas sentia que precisava sofrer o bastante para pagar todo o mau que fez.

Apertou os olhos quando sentiu as luzes cada vez mais próximas aos seus olhos sensíveis e deu um passo mais para frente em direção ao seu destino quando ouviu alguém gritar.

—Arthur! —Ouviu alguém gritar o seu nome ao horizonte, mas não abriu os olhos para ver quem era. Provavelmente era apenas a sua imaginação ou algo assim. Era tarde demais para voltar atrás agora, poderia ouvir o caminhão se aproximando cada vez mais.

Então, tudo foi um borrão violento.

No início pensava que foi atingindo pelo caminhão, mas em seguida percebeu que não quando o impacto veio na sua cabeça, não em seu corpo, além de ser bem menos violento. Podia sentir seu rosto contra a neve, que acabou queimando sua bochecha, mas ele não se importava, estava mais concentrado e entender o que aconteceu ali.

—O que você pensa que está fazendo?! —Francis praticamente berrou bem perto de seu ouvido, o que fez o outro se encolher no lugar com a sensibilidade dos ouvidos. —Você poderia ter morrido! —Bradou ainda desesperado.

Arthur apoiou-se em seus cotovelos, sentando se recuperar do impacto, mas podia sentir várias áreas do seu corpo raladas que agora ardiam em contato com a neve.

—Talvez essa seja a intenção. —Confessou tristemente.

—Por quê?! Eu não quero que você morra.

—O mundo já está cruel demais para me ter nele. Esse mundo precisa de pessoas boas, mas uma delas já se foi e me deixou aqui. —Respondeu Arthur sentindo seus olhos encherem d’água.

Como em um ato desesperado, Francis puxou o corpo do rapaz contra si e o apertou em um abraço forte, como se tivesse medo de que ele fosse embora. Arthur se sentia bem aconchegado no corpo do outro, mesmo sabendo que não deveria sentir, não merecia toda aquela preocupação do Francis, mas era bom apesar de tudo.

—Eu não me importo com o que você fez. Eu vou te ajudar, prometo. —Falou Francis escondendo seu rosto nos fios loiros desbotados do britânico. Arthur pôde sentir o outro tremer e teve a certeza que ele estava chorando. —Eu preciso muito de você. Idiota, você não faz ideia do quanto senti a sua falta.

Arthur olhou para cima e sentiu como uma espécie de necessidade para fazer isso. Aproximou-se no rosto do outro até sentir suas respirações se misturando, em seguida sentiu os lábios macios do outro novamente. Foi a primeira vez que havia iniciado um beijo e a mais sincera de todas também, como um agradecimento por todo o carinho que Francis sentia por ele.

O beijo foi bem calmo, mas não deixou de ser romântico e pela primeira vez Arthur usou sua língua para explorar a boca do outro, bem calmamente, querendo se lembrar de cada detalhe. O beijo acabou naturalmente e ambos permaneceram se olhando por um tempo. Não precisava de palavras, pois um sabia exatamente o que o outro sentia. Em seguida foi um abraço apertado, aquele que demonstrava todo o carinho que sentiam um pelo outro.

—Venha para a Europa comigo, por favor... —Pediu Francis em um tom baixo ao pé da orelha de Arthur.

—Tudo bem, eu vou.

Notas finais
Comentários e críticas são sempre bem-vindas!