Um Menino Quase Feiticeiro - A Verdade
5 Explicações do Mundo de Injustiças
Notas iniciais
Abri os olhos com cuidado,aos poucos que fui vendo uma confusão ao meu redor,e sentindo: Abraços e beijos no rosto me deixavam sufocado.Percebi que era Tobeliey.
– Você conseguiu! – Dizia alegremente Tobeliey. – Esse é o meu garoto!
Esfreguei a minha cara com as mãos,afim de tirar a sensação dos beijos.
– Eu sei que consegui.
– Eu também consegui! – Replicou Maramon.
– Sim,sim,vocês dois conseguiram. – Disse Tobeliey calmamente. – A propósito. – Disse olhando para um canto– Como você está?
Ergui os olhos para onde Tobeliey olhava e vi Madalena,e logo atrás,o vampiro.
– Estou bem. – Disse Madalena com voz rouca.
Tobeliey sorriu,e por fim disse:
– E este,presumo que seja o captor de Madalena,veio em paz?
– Ele agora é meu servo. – Disse Maramon com voz séria,um pouco debochada,porém séria,e completou: — Jogo do Pecado.
Darget bufou.
Tobeliey deu um meio sorriso.
– Presumo que o jovem esteja cansado. – Tobeliey esperou uma resposta,e como não a obteu,continuou: — Pode ficar em minha casa.
Darget olhou para o chão.
– Não tem como ele ficar comigo?Eu tenho o poder de comandá-lo,e presumo que seja divertido. – Diz Maramon.
Tobeliey fez cara feia.
– E eu presumo que quando for preciso lhe botar regras,ficará feliz em faze-lo,porém tem razão,ele deve de ficar próximo de você.
Maramon me encarou.
– Ei,ei,nem vem,eu não vou morar com um vampiro!
– Ah,por favor!E aposto que a sua mãe adoraria de ter um amigo seu mais próximo! – Disse Maramon.
– Ele nem é meu amigo!E não. – Fiz uma pausa. – Ela não deixaria.
– Robert,conheci sua mãe neste tempo que esteve fora,e toda a sua família,joguei magia de aceitação neles. – Tobeliey riu. – Eles aceitaram que você foi visitar com os escoteiros um orfanato durante um tempo. – Ele fez uma pausa. – Sua mãe é um doce.
– E pretende o que?Jogar magia de sei lá o que neles para isso? – Pergunto,irritado.
– Na verdade,não,diria que este é um garoto do orfanato,e que você e ele fizeram um grande laço de amizade.Eu convenceria ela de ser a “madrinha por um tempo” dele,assim ficar uns meses na sua casa. – Disse Tobeliey.
Reviro os olhos.
– Se conseguir. – E complemento: — E se conseguir mesmo,diga para ela que ele tem uma queda em dormir em salas de noite.
Tobeliey riu,e eu repensei:
– Espera,vampiros não dormem.
– Na verdade dormimos enquanto não estamos no submundo,pouco,mas dormimos. – Disse Darget.
Tobeliey olhou com curiosidade para o vampiro.
– Qual o seu nome? – Perguntou.
– Darget.
– E o sobrenome,Darget?
Nenhuma resposta obtida.
– Diga o seu nome completo! – Ordena Maramon.
Nada.
Porém Darget começa a se contorcer de dor,espidei Madalena que estava horrorizada,e por fim ele diz:
– Darget Segal!
Tobeliey suspirou.
– A quanto tempo é vampiro?
– Eu não me lembro coerentimente...Talvez cinquenta e sete anos.
– É jovem para um vampiro,foi transformado por veneno?
– Não. – Darget suspirou. – Morte.Ajudantes.
Tobeliey arregala os olhos.
– Presumo então que sangue de animais não lhe basta. – Diz Tobeliey,preocupado.
– Não. – Darget dá um sorriso malígno. – Humano.
– Ah...Isso é ruim,muito ruim. – Diz,negando com a cabeça.
– Por que seria ruim? – Eu e Maramon dissemos em uníssono.
– Por que? – Diz Tobeliey em tom de desaprovação. – Só o satisfaz sangue humano.
Darget ri,e por fim diz:
– Não se preocupem,eu pergunto para...A mãe de Robert qual tipo sanguíneo ela tem. – Darget olha para Madalena e diz maliciosamente: — Lembrando que o meu favorito é AB.
Madalena,como sempre,fica vermelha e olha para o chão.
– Tente,desgraçado! – Irrito-me,quem ele pensa que é?Aquele vampiro metido a besta...
– Certo,certo,odeio perguntar isso,mas alguém gostaria de...Doar o seu sangue? – Pergunta Tobeliey.
– Eu não posso por que sou animal. – Diz Maramon,com alivio na voz.
Darget suspira,e por fim diz:
– Eu sei caçar.
– Não,não aceito isso. – Diz Tobeliey rapidamente.
– E-eu... – Começa a dizer Madalena. – Eu posso.
Os olhos de Darget se iluminam.
– Ele salvou a minha vida...Poderia ter me matado,mas me protegeu.
– Não se sinta obrigada a retribuir.
Madalena desvia o olhar de Darget para Tobeliey.
– Certo,Madalena,por enquanto pode fazer isso. – Ele suspira. – Mas terá de fazer todo dia,por isso,vai enfraquecer mais...Precisará parar um dia.
– Tudo bem,Tobeliey... – Madalena suspira. – Onde está o meu irmão?
– Em casa,querida.
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Deitei em minha cama,espriguicei-me,e pensei: Já havia passado quatro dias e três noite que Madalena havia voltado,e três dias que Darget morava comigo,um cara chato e metido a “rei das trevas”,se bem que fez certo a Mily de quase arrancar o couro dele,ou tentar.
Mas algo me faltava,parecia que eu havia esquecido alguém...Alguém tão delicado quanto as nuvens,e olha que é difícil eu pensar de um jeito tão poético,é que ao lembrar da fedelha...Espera,fedelha?
– Vai demorar muito para apagar as luzes? – Diz Darget do outro lado do quarto,na cama dele.
Suspiro,olho para Maramon e vejo que ele já havia pegado no sono(roncando),levantei-me e apaguei as luzes,depois deitei-me e fiquei tentando relembrar quem era essa “fedelha”.
Tentando lembrar de alguém esquecido,pego no sono,uma noite diferente,tranquila...Geralmente eu era aborrecido por sonhos confusos e pesadelos,porém,nesta noite eu não sonhei com nada,foi entranho,havia muito tempo que eu não tinha uma noite tão calma.
Acordei-me e me espriguicei,olhei para o lado e vi que Darget ainda dormia,assim lembrei de quando ele disse que vampiros dormiam pouco fora do submundo,mas ontem foi o primeiro dia de aula dele,e pelo que eu soube da sala dele(primeiro ano do ensino médio),o “rei das trevas” ficou dormindo a aula inteira.Também lembrei de como eu me diverti vendo a cara de desprezo dele quando Tobeliey tirou o sangue de Madalena com a agulha.
Levanto-me e me troco,aproveitando que Darget ainda estava dormindo,depois,ouço minha mãe chamar:
– Queridos,o café está na mesa! – Grita ela da cozinha,coisa que eu sempre odiei,ela tinha medo de cair da escada e morrer,por acaso?Poderia vir muito bem aqui em cima chamar.
Bufei,teria que acordar o “rei das trevas” novamente.
– Ei,acorda. – Digo chegando perto dele. – Café.
Nada,ah droga!
– Acorda logo! – Falo alto,mas não tão alto,para minha mãe não escutar. – Não quero chegar atrasado por causa de você. – Digo o destampando.
Darget abre um dos olhos,abre a boca,fecha e abre novamente,e,por fim diz:
– Você é mais chato do que aparenta ser.
Irritei-me de vez com aquilo,quem ele pensa que é?Está na minha casa,no meu quarto!Pergunto novamente: Quem ele pensa que é?
– Escute “rei das trevas”. – Digo brutalmente,e com ironia. – Você está na minha casa,e se prefere ir com Madalena,que eu sei que quer. – Dou um sorriso. – Bem,prepare-se,pois pode levar um tiro no caminho,aquela garota mora numas áreas bem perigosas,favelas,entende?E aposto que você mal cabe lá dentro,de tão pequeno que é.
Darget me olha por um bom tempo,não mostrava raiva,na verdade não mostrava nada,o que me deixou pegando fogo,porém não disse nada,ele era da mesma “laia” que ela.
– Entre você e o cachorro idiota que está comendo todas as torradas lá embaixo. – Ele fez uma pausa. – Prefiro o cachorro idiota.
Saí fulmegando do quarto,bati a porta e desci as escadas com ar pesado,minha mãe logo repreendeu-me:
– Onde está o Darget?
– Se trocando. – Respondi entre os dentes.
Minha mãe faz cara feia.
– Bem,se tiver sorte e correr rapidamente até a cozinha talvez consiga algumas torradas com geléia,pois Maramon é mais esperto que eu. – Disse minha mãe com ar divertido.
– Qualquer ser é mais inteligente que você. – Disse amargamente.
– Robert Glaifort. – Zangou-se ela. – Essa não foi a educação que te dei,garotinho.
Vi que ela iria começar um discurso,então saí rapidamente da sala,e fui `a cozinha,chegando lá vi meu pai com seu jornal,minha irmã que desta vez havia mudado o rumo de irritar: Incomodava Roger.Vi também Maramon,que metade na cadeira e metade na mesa,lambusava-se com torradas e um pote grande de geleia,nojento!
– Tentei tirá-lo,mas foi a pior coisa que eu fiz desde que acordei,ele queria me matar. – Disse o meu pai sem tirar os olhos do jornal. – Você tem que treinar esse animal,Robert.
– Sim,papai. – Respondo.
– Roger,Roger,você tem namorada? – Perguntou minha irmã Tulipa,para Roger.
– Não. – Disse Roger mechendo em seu celular. – E nem quero ter,agora cala a boca.
Tulipa fez cara feia,cochichou umas palavras e sentou-se perto de papai.
Depois eu sentei-me ao lado de Roger,e preparava meu cereal enquanto minha mãe entrou na cozinha com Darget,ela dizia:
– Darget,querido,você tem que se alimentar mais,comeu tão pouco nos dias que se passaram! – Ela estendeu uma cadeira para ele ao meu lado. – Sente-se,e fique a vontade! – Disse minha mãe sorrindo.
Darget ficou um pouco parado,parecendo atrofiado,depois sentou-se e pegou rapidamente uma torrada começou a lambiscar ela.
– Darget. – Dizia minha irmã. – Você não sente falta de uma mamãe para você?
Minha mãe fez um barulho com a boca,um “Xiu!” Coisa que eu sempre achei ridículo.
– Não. – Disse Darget calmamente.
Depois disso ninguém disse mais nada,um silêncio perturbador até para mim,porém no meio deste silencio,ouvi uma risadinha fina de criança e,não era Tulipa.
Ergui a cabeça para os lados,e logo pensei: Deve de ser lá fora,essas crianças que correm pela rua carregando cartazes escritos:”Me atropelem!”
Depois lembrei-me de alguém que eu havia esquecido...Quem será?Ah,aquilo não importava,se esqueci era por que não era assim tão importante,não é?
Saí do meu transe com minha mãe dizendo para escovar os dentes e entrar no carro,na verdade,ela disse isso para todo mundo.
Fiz o que ela pediu-me,claro,sempre depois do “rei das trevas”.
Entrei no carro e dei graças por ter quatro bancos traseiros.Mamãe quem estava nos levando para a escola,papai ficou em casa,o trabalho dele sempre começava mais tarde,e terminava mais tarde também,já mamãe sempre começava mais cedo e acabava mais cedo.
Saímos do carro,bufei,odiava aquela escola desde aquele ocorrido,e agora Darget havia chegado e todas as garotas ficam em cima dele!Eu não sei o que elas enchergam nele,além da aparência altamente esquisita,porém o que importava era que Daniela o perseguia por todos os cantos da escola,e pela minha alegria e raiva de Luke,ela sempre dava de cara com Darget e Madalena conversando.
– Sente-se sozinho? – Pergutou uma voz fina.
Olhei para baixo e dei de cara com uma pequena garota de pele clara,cabelos castanhos lisos que iam até o ombro,e olhos da cor do mar,ela me fitava com um sorriso nos lábios,e olhos puros.Sua roupa era...Um vestido curto sem manga,a cor era branco,o branco mais branco que eu já havia visto em toda a minha vida,e só depois de ficar olhando para aquela garotinha que percebi...
– Eu conheço você! – Exclamei. – É a fedelha!
Ela riu e...Desapareceu?
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