Notas iniciais
"I-m-p-o-r-t-a-n-t-e,alguém sabe o real significado disso?"

Senti que estava deitado em algo macio...Uma cama?Abri os olhos e encontrei uma série de borrura ao meu redor,falantes,elas pareciam dizer:”Ele acordou!”Então,aos poucos,minha vizão foi voltando ao normal e vi que lá estavam Tobeliey,Luke,Madalena e...Aqueles dois!Aqueles que me atacaram com mais um monte de...Coisas!

Debati-me na cama,as pessoas pareciam sentir dor em ver-me assim,porém...Minha mão bateu em algo macio,mais macio que aqueles lençóis de cama...E aquilo rapidamente acalmou-me,abaixei meus olhos para ver o que era e encontrei Maramon dormindo ali.

Suspirei aliviado por encontrar ele.

– Robert... – Ouvi Tobeliey me chamar. – O que aconteceu?

Olhei para ele,incrédulo.

– O que aconteceu? – Tremi de raiva. – Eu lhe direi o que aconteceu!Esses dois estranhos de roupas coloridas e mais outros me atacaram! – Arfei relembrando aquilo. – Eles...Ficaram deformados!Todos eles!E o lugar...Ficou pior que o submundo!

Tobeliey fez careta.

– Eu ouvi a história de que você perdeu o controle e começou a atacar Mavis – ele apontou para a garota – e Leandro – ele apontou para o garoto. – Depois outros feiticeiros e feiticeiras começaram a te segurar,com medo de que a magia lhe causasse danos eles não a usaram,contudo você perdeu a consciência e...Desmaiou.

– Isso é mentira! – Eu disse,ninguém nunca acreditava em mim!

– Isso é efeito colateral... – Ouvi a sonolenta e séria voz de Maramon,olhei para ele.

– Efeito colateral de que? – Perguntou Tobeliey.

– Não sei,de algo. – Disse Maramon indiferentemente,depois voltou a dormir.

Vi aquela menina fantasma da qual sempre brincava com Tulipa ali,do lado de Tobeliey,sorrindo para mim.

– Vai ficar tudo bem,Robert. – Disse a fedelha. – Vai saber um pouco de você logo. – Ela suspirou. – Eu sei que parece injusto tudo isso.

Depois,como num piscar de olhos,ela desapareceu.

Tentei dizer algo,porém a voz não saiu...Então,senti mãos em minha testa,tirando aquela franja que eu não prentendia cortar nunca,de meus olhos,olhei para ver quem era,e bufei: Madalena.

– Sabe... – Ela disse com a voz rouca. – Você me assustou.

Corei imediatamente,era estranho...

– Pare de pensar coisas pervertidas com a minha irmã,nojento. – Disse Luke.

– Não estou pensando nada com ela. – Eu disse com minha voz fraca.

Tobeliey riu.

– Sabe Robert... – Começou a dizer Tobeliey. – Tem...Uma coisa...Que eu preciso te mostrar...Talvez aquilo revele o seu poder.

– Claro. – Comecei a dizer rancorosamente. – Depois de uma sessão de difamação você diz que “aquilo” pode revelar o meu poder!

Todos ficaram quietos.

Espera...Eu disse...Meu...Poder...?

– Meu poder?

Tobeliey ficou compreensivo,então disse:

– Acho que vocês não são simples interligados... – Então,ele esboçou um sorriso.

Fiquei sem ar.

O que ele estava dizendo?Minha cota de “acreditabilidade” já estava chegando em sua última gota,ou seria sanidade?

Comecei a rir.

– Sabe... – Comecei a assoprar para cima,a ponto de tentar fazer os longos fios que cobriam toda a minha testa,tampando um pouco dos olhos, voarem. – Eu estou exausto.

– Eu sei,mas... – Tobeliey parecia examinar cuidadosamente o que dizer. – Oh Robert,você pode ajudar tantas pessoas com um poder próprio... – Ele olhou para Maramon. – Ainda mais com um parceiro que pode dividir seu poder com você!

– Ou ele pode fazer o contrário. – Disse Luke,sorrindo.

– Não dá para ele me dar poder? – Perguntou Maramon.

Tobeliey suspirou.

– Eu não sei,Maramon. – Tobeliey olhou para mim. – Está se sentindo melhor?

– Sim... – Eu disse.

– Ótimo!Podemos fazer o teste agora! – Disse Tobeliey.

– Por que está tão apressado quanto a isso? – Perguntei.

Tobeliey ergueu uma das sombrancelhas.

– Estou curioso. – Ele sorriu. – Com você.

Bufei.

– Eu sou o único que percebe... – Fiz uma pausa. – Que você se diverte usando as pessoas?

Tobeliey pareceu ofendido.

– Estou tentando lhe ajudar,do melhor modo possível.

Revirei os olhos.

– Ele está cansado,Tobeliey. – Disse Maramon erguendo os olhos. – Precisa descançar.

Tobeliey pareceu desanimado,porém fez um gesto com a cabeça,concordando.

Então,fechei os olhos,dessa vez surpreendeu-me sonhar com um membro de minha família,minha mãe.

Ela estava chorando no chão da cozinha,parecia não ter ninguém em casa,pois tinha momentos em que ela berrava,ficava dizendo:”Por que?” repetidas vezes,no chão eu via fotos de um garoto que parecia ter uns três anos,tinha cabelo cabelo castanho,como de meu pai,e olhos verdes,como de minha mãe,na foto ele esboçava um sorriso contagiante.

Acordei,sentindo-me desprezível,mesmo nesse estado,sorrisos me acolheram,desta vez apenas Tobeliey e Madalena.

– Acordou? – Disse aquela voz irritante,de Maramon,que ainda estava deitado na cama.

– Eu não vou fazer o trocadilho,acho ridículo.

– Você acha tudo ridículo,pirralho. – Zombou Maramon.

Bufei.

Senti uma mão quente acariciando minha cabeça,ergui meus olhos e encontrei Tobeliey.

– Tira. – Disse friamente.

Tobeliey tirou sua mão.

– Como está se sentindo? – Pergunta Madalena.

– Bem. – Respondi.

– Ah... – Disse ela.

Tobeliey parecia alegre agora.

– Vamos? – Ele disse.

– Tá. – Eu disse sem ânimo. – Para onde?

– Siga-me. – Ele disse,virando-se. – Os outros podem vir também.

– “Outros”,é? – Disse Maramon.

Levantei-me daquela cama e fui seguindo rapidamente Tobeliey,passava por corredores e corredores,depois por estradas com jardim ao redor e mais estradas,sempre com Tobeliey na frente,silêncioso,e os outros dois atrás,com Maramon reclamando direto e Madalena rindo.

Tobeliey parou diante de um longo e solitário jardim.

– Chegamos. – Ele disse com a voz abafada.

Observei mais aquele jardim: Muitas flores,com muitas cores,e muitas árvores,com muitas flores.E a grama...Verde!Tão verde que se tivesse cristal de tal cor,poderia jurar ser o mesmo!

– E agora? – Perguntei indiferentemente.

Tobeliey,não sei de onde,tirou um pedaço de galho diferente e o colocou entre minhas mãos,então o galho pareceu tremer um pouco.

– Um pedaço de galho estranho que treme? – Perguntei.

– Uma varinha. – Tobeliey olha para mim com mais seriedade. – Para feiticeiros.

Congelei e olhei para atrás: Maramon e Madalena me observavam atentamente,de longe.

– Pense em alguma coisa que lhe faça diferença,um momento,coisas,menos pessoas. – Disse Tobeliey. – E mire para uma das árvores.

“Mandão.” – Pensei.

Fiz o que ele disse,pensei no sonho que tive,minha mãe chorando...E senti uma tristeza grande em pensar naquilo,por mais que eu a achasse louca.

Mirei para uma das árvores,então uma mancha cinza começou a ir lentamente na direção da árvore,e quando chegou onde “queria”,a pobre árvore começou a ficar fraca,então,ela morreu.

Olhei Tobeliey,assustei-me com sua expressão,um tipo de surpresa que eu nunca tinha visto,ele olhava para a árvore,já morta.

– Isso é... – Ele disse. – Poder das trevas...

– Como assim? – Perguntei.

– Robert... – Ele disse olhando para mim. – Você é um feiticeiro com o...Poder das trevas.

Fiquei ofegante,nervosismo?

Ouvi um “Eu sabia!” vindo da voz de Maramon,e,nada de Madalena,ela deveria estar com a boca aberta,babando.

– Primeiro é esse negócio de interliggação... – Comecei a dizer. – Agora feitiçaria?Isso... – Fechei forte os punhos. – Não faz mais sentido!

– Eu sei,eu sei. – Replicou Tobeliey. – Robert...Seu caso é único,diferente para mim,já que nunca lidei com um desse antes... – Ele suspirou. – Mas o que me mostra,essa varinha... – Ele apontou para o graveto. – É de feitiçaria,o poder de um feiticeiro é aberto por ela,sendo poder do bem ou do mal,e só,apenas feiticeiros podem usá-la.

– E o Maramon,o que ele é? – Comecei a dizer rapidamente. – E o poder que dividimos,o que é? – Disse,confuso e intoxicado de informações.

– Tenho uma teoria para isso... – Começou a dizer Tobeliey calmamente. – Talvez o seu poder e o de Maramon se iguale,e vocês tenham uma ligação... – Ele pensou um pouco. – Espiritual,vamos dizer assim,por isso é realizada a divisão...Contando que o seu poder não é um simples poder das trevas.

– Tem mais,é? – Perguntei,tentando absorver aquilo tudo.

– O Reino é onde poderes das trevas são amenizados...Apenas feiticeiros com esse tipo de poder autorizados podem usá-lo libertamente... – Ele botou a mão no queixo. – E você matou uma árvore logo de primeira,no Reino.

– E daí? – Disse desesperado. – Vai que eu sou mais habilidoso...

Tobeliey suspirou.

– Tenho que informar isso aos superiores...Para... – Ele parecia tenso no que ia falar.

– Para...? – Disse,ansioso,nervoso...

– Eles tomarem as decisões.

Fiquei sufocado.

– Que tipo de decisões? – Perguntei,quase gritando.

– Nenhuma drástica,Robert. – A voz de Maramon intrometeu-se. – Só a de botar um treinamento de feitiçaria adequado para você.

Suspirei.

– E isso seria o que? – Uma voz feminina entrou na conversa: Madalena.

– Talvez mudar o Robert de turma. – Disse Tobeliey,desanimado.

– Ah... – A voz de Madalena parecia desanimada.

Não era ruim,era até bom,pelo menos eu iria me livrar dos favelados.

Dei um meio sorriso.

– Vamos voltar. – Disse Tobeliey. – Madalena,sabe onde os outros estão,não é? – Perguntou Tobeliey.

– Sim.

– Procure-os e traga eles aqui,por favor. – Disse Tobeliey.

Então ouvi passos apressados,que aos poucos foram desaparecendo.

Eu,Tobeliey e Maramon ficamos em silêncio até o resto chegar.E quando Madalena finalmente chegou com o resto dos favelados,Tobeliey começou a dizer:

– Gravem esse verso.

Eu e todos acentimos.

– Deste Reino irei voltar,para minha terra irei chegar,para o meu lugar irei amar. – Disse Tobeliey. – Já!

Começamos a dizer aquele verso,vi aquela luz e então fechei meus olhos,quando os abri novamente...Vi que não estava mais naquele tal lugar chamado “Reino”.

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– Como é bom estar em casa! – Ouvi Mily dizer.

Madalena riu.

Vi Darget,de longe,vindo em nossa direção,ele estava mais afastado,perto de algumas árvores frutíferas.

Suspirei,desanimado e confuso.

– Anime-se!Muitas coisas ainda virão! – Ouvi a voz daquela fedelha-fantasma,que minha irmã batizou de “Manoela”,porém quando tentei vê-la,não a achei.

– Varinha? – Ouvi em meios a tanta falação,a voz de Darget.

Saí de minha procura e dei de cara com Darget.

– Ah,é... – Comecei,desanimado,a dizer. – Descobri que sou um feiticeiro.

Observei a reação de Darget,e incrivelmente,ela não mudou.

– Uma nova aventura para você. – Ele disse piscando.

Bufei.

– Novo problema,isso sim...

Ouvi,Maramon gritando:

– Vamos para casa,Robert! – Ele pigarreou. – Estou com fome!

– Ta,ta. – Disse impaciente.

Notas finais
Então pessoal,comentem ;)