Um Lugar Para Recomeços
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Allyssa
— Quem você pensa que é, pra falar comigo desse jeito? Olho pra ele com raiva, quem esse filho da mãe pensa que é para me tratar assim?!
— Digamos que sou o sócio majoritário desse lugar, praticamente seu patrão. Diz de modo sarcástico.- Posso te demitir se quiser!
— Você não pode me demitir! Não foi você quem me contratou! Digo indignada.
— Vou pedir para ele te demitir, porque ao invés de atender os clientes, você discute com eles e eu quero minha bebida!
— Você quer sua bebida então sirva você mesmo! Coloco uma garrafa e um copo na frente dele e vou atender outros clientes e deixo ele falando sozinho.
Como o movimento estava calmo, pego um esfregão e vou limpar as mesas. Quando olho de canto de olho para o "Mandão", vejo que encheu o copo e esta com os olhos fixos em mim, enquanto toma sua bebida distraidamente, continuo servindo mais pessoas depois de terminar de limpar as mesas, a noite vai passando e sinto seus olhos me seguindo o tempo todo. O bar já está vazio mas, ele não faz menção de ir embora.
— Ei! Pequena? Ouço ele me chamar depois de um tempo, com a voz arrastada possivelmente, por já ter tomada um vidro de wiskey.
— O que foi? Pergunto grossa.
— Calma, minha Pequena! Diz sorrindo galanteador.- Eu só quero uma cerveja, a propósito você fica uma delícia bravinha desse jeito. Empurra a garrafa em minha direção. Sinto meu rosto esquentar de raiva. Tinha passado a noite inteira de pé, nesses saltos malditos e ainda tinha que aturar um bêbado sem vergonha! Ninguém merece.
— Eu não sou pequena e muito menos sua! Já está na hora de fechar, ou seja, hora de ir embora. Falo, embora acho que não faça diferença, já que está quase desmaiando de bêbado.
— Quero mais uma cerveja, não ir embora. Estou a ponto de falar poucas e boas para ele, quando Casy aparece.
— Chris! Já vamos fechar! Está na hora de ir pra casa. Cadê o Ian? Vocês não estao juntos?
— Não ele não veio hoje! Eu vou pegar um táxi.
— Meu querido, como você vai pegar um táxi desse jeito? Você não está em condições nem de entrar em um táxi sozinho! Diz o repreendendo, enquanto guardo a garrafa e organizo o restante das coisas. Pego minha bolsa, meu celular e chamo um táxi.
— Casy eu já vou! Caminho até ela que está ao lado de um "Chris" emburrado.- Vim me dizer tchau!
— Ah... Ally... Tem como você levar o Chris pra casa? Só acompanhar ele até a entrada do prédio mesmo, eu não posso ir com ele. Você faria esse favor pra mim? Me pede fazendo os olhos do gato de Alice no país das maravilhas, quase rio isso é engraçado já que ela é bem grandinha.
— Eu não preciso de babá Casy! Ele reclama do seu lado, me trazendo de volta a realidade.
— Fique quieto! Eu sei que começou a trabalhar aqui hoje mas, faria isso por mim Ally? Ela me pergunta novamente. Suspiro desolada, adeus tranquilidade.
— Tudo bem Casy! Mas só dessa vez.
— Graças à Deus! Olha, parece que o táxi chegou! Já vou indo! Diz afobada abraçando eu e Chris e nos deixa sozinhos. Olho pra ele que me devolve um sorriso literalmente bêbado, idiota.
— Vamos logo com isso, não tenho todo tempo do mundo! Digo seca.
— Sempre um doce pequena! Diz sarcástico, tenta me acompanhar mas trupica nos pés e meio que cai em cima de mim.
— Meu Deus! Digo assustada.- Não consegue nem ficar sobre os próprios pés?
— Humm... Ele apenas resmunga, saindo de cima de mim ou, pelo menos, tentando e quase nos levando para o chão.
— Calma aí! Deixa... Passo meu braço nas suas costas, e ele apoia o braço nos meus onbros.- Isso! Arrumo minha bolsa no outro ombro, e caminhamos juntos aos tropeços até o táxi, ajudo ele a entrar no carro e em seguida entro também.
Chris passa o endereço de seu apartamento, que por sinal é num bairro de luxo, previsível e logo cai no sono com a cabeça no meu ombro mexo o braço mas ele não move um músculo. Reviro os olhos e suspiro derrotada, eu mereço.
— Chegamos! O motorista anuncia.
— Ei acorda! Chegamos! Falo o cutucando ele se mexe, resmunga e vejo que babou no meu ombro.
— Vamo logo moça, eu não tenho todo tempo do mundo! O motorista reclama.
— Acorda logo! Falo um pouco mais alto.
— Moça é... O motorista começa a falar novamente mas, eu o corto.
— Calma moço! Grito já sem paciência.- Acorda Chris! Grito de novo e dou um tapa no braço dele.
— O que foi mãe! Deixa eu dormir mais! Ele acorda desnorteado, e me olha.
— Não sou sua mãe mas, parece que já chegamos na sua parada. Falo gesticulando para a porta, para ele sair.
— Ata... Tenta sair do carro porém, não consegue.
— Tem como você esperar? Pergunto ao motorista.
— Olha moça não vou esperar ninguém não, já tá muito tarde!
— Tá, que seja! Ligo para outro! Pego minha bolsa e saio do carro pela outra porta para ajudar o Chris a descer.- Vem. Passo minha mão nas suas costas, ele passa o braço no meus ombros e saímos andando em direção a porta do prédio.
— Ei!? Não vai pagar não, moça? O taxista grita pela janela.
— Desculpa! Já vou pegar o dinheiro! Grito de volta.- Cadê sua carteira? Pergunto.
— No bolso da calça. Fala de forma enrolada. Apalpo seus bolsos de tras mais, não encontro nada, passo para os bolsos da frente e Chris solta uma risadinha.- Calma pequena, acho melhor esperar chegarmos no quarto! Fala tentando me agarrar.
— Nos seus sonhos, queridinho! Digo de forma desdenhosa. Pego a carteira e tiro um nota de cem, coloco de novo no seu bolso e vou pagar o taxista.
— Moça e o troco? Ele grita quando já estou voltando.
— Fica com ele é pela demora! Grito de volta. Vou até o Chris e o ajudo a entrar dentro do prédio. Um senhor baixinho e de cabelos brancos com um sorriso amável, que está sentado na recepção vem nos receber.
— Boa noite Sr. Chris? O cumprimenta de modo triste. Ele apenas resmunga.- Oi sou Joe! E você bela moça, como se chama? Diz galanteador se dirigindo para mim e estende a mão.
— Oi? Me chamo Allyssa mas, você pode me chamar de Ally! Respondo com um sorriso, e estendo minha mão para ele fazendo malabarismo para a bolsa não cair do meu ombro, já que com o outro braço estou apoiando o peso morto.- Casy me pediu pra trazer ele já que, ela estava muito cansada e ocupada fechando o bar. Me explico.
— Ah... A bela Casy! — Diz com um olhar sonhador.- Quando ver ela novamente. Diz que mandei um abraço! Agora subam antes que ele vomite na minha recepção! Diz dirigindo um olhar para o Chris, que agora está com uma aparência meio verde.
— Está bem! Tem como você chamar o elevador pra gente?
— Mas é claro! Ele chama o elevador e eu entro com Chris aos tropeços.
— Use o cartão dele! O elevador se abre direto no apartamento. Joe me explica.
— Ok! Obrigado! Agradeço.- Onde está seu cartão? Pergunto.
— No bolso! Diz se escorando na parede do elevador. Coloco a mão no bolso da frente de sua calça e tiro de lá o cartão.
— Pequena, pequena me agarrando no elevador? Diz com os olhos desfocados.
— Eu mereço! Resmungo baixinho. Enquanto passo o cartão e o elevador sobe.
As portas se abrem e me vejo em uma sala grande, pintada em um tom de cinza muito claro, com móveis num tom um pouco mais escuro.
— Onde fica seu quarto? Pergunto para ele, que não está com uma aparência muito boa.
— Segunda porta a direita!
Levo ele para o quarto, que também tem um tom de cinza escuro, reviro os olhos homens são tão previsíveis, Meg ficaria maluca em um lugar sem cores desse jeito, já que o quarto dela é todo colorido igual a um arco-íris.
— Pronto, está entregue! Digo e olho para ele reparando na sua roupa, ele veste um terno cinza risca de giz, com uma camisa branca e uma gravata verde clara frouxa no pescoço, percebo que me olha com um sorrisinho sacana, mesmo estando passando mau.
— Não vai me ajudar a tirar a roupa, pequena? Diz enquanto tenta tirar a gravata e acaba a apertando mais no pescoço. Suspiro cansada, eu e minha super bondade.
— Tudo bem... Jogo minha mochila em cima da cama, tiro sua gravata, terno e começo a abrir os botões da sua camisa, quando sinto um jorro quente e fétido cobrir a parte da frente da minha roupa e escorrer pelo meu decote. Droga! Ele vomitou em mim! Não acredito!
— Desculpa! Fala entre espasmos do vômito.
— Eu mereço! Falo indignada com ânsia de vomito pois, o cheiro é terrível.- Vem vou te colocar no banho! Ajudo ele ir até o banheiro termino de tirar sua camisa e calça o deixando de cueca e engolindo a ânsia de vomito, ligo o chuveiro no gelado e o empurro para debaixo da ducha.
Ele resmunga alguns palavrões mas, vai pra debaixo da água, deixo ele tomando banho, lembro que tinha de ligar para Megs quando saísse do trabalho, droga ela deve estar preocupada! Ou dormindo como uma pedra, acho que seja mais provável a última alternativa, mesmo assim ando até a cama e pego meu celular na minha bolsa já são 03:00 da manhã, droga a essa hora e fedendo a vômito não vou achar um táxi se quer, mando uma mensagem para Meg explicando que tive um imprevisto, e peço para levar Bebel na creche se eu não chegar a tempo.
Torço o nariz, o cheiro está horrível como não sei onde fica a área de serviço, pego a roupa suja dele e limpo a sujeira do chão, caminho até uma porta onde fica o closet e pego uma camiseta, cueca e uma calça de pijama para ele, deixo em cima do balcão do banheiro e saio.
Ele sai do banheiro se escorando na porta vestindo apenas o pijama, ele apenas olha meio dormindo para mim, suspiro e o ajudo a chegar na cama ele encosta na cama e cai no colchão de bruços já dormindo como um anjo.
Olho na direção do banheiro e decido tomar um banho, já que vou ter que passar a noite aqui e ir à pé está fora de questão, fecho a porta tiro minha camisete, calça, sutiã e calcinha. Ligo o chuveiro no quentinho, deixo a água escorrer pelo corpo levando um pouco do cansaço, lavo meu cabelo e minhas roupas.
Uso a toalha que ele se enxugou, me seco e enrrolo na toalha, olho para as minhas roupas, não estão em condições de uso, então coloco minha calcinha e vejo a camiseta que continua em cima do balcão e visto ela, estendo minhas roupas na bancada do banheiro e saio passando os dedos pelo cabelo como não vejo nenhum pente. Decido dormir no sofá, me jogo nele e logo sinto meus olhos se fecharem.
Desperto ainda meio sonolenta e com o corpo dolorido, olho ao redor assustada e vou me recordando da noite anterior eu e meu coração mole, decido fazer um café para acordar melhor, passo os dedos pelo cabelo que provavelmente está uma vassoura e caminho até a cozinha, adivinha só? Cinza também! Meu Deus! O que esse homem tem com essa cor? Na bancada vejo uma cafeteira, programo e decido procurar uma caneca, me abaixo procurando nas preteleiras de baixo do balcão.
— Achei! Digo vitoriosa ainda agachada.
— Quem é você? O que está fazendo na minha cozinha? Por acaso não te falei ontem a noite, que não queria ver você aqui hoje? Uma voz grossa e mal humorada fala me assustando e fazendo me levantar com tudo, bato a cabeça e a caneca no balcão que se espatifa e cai diretamente na minha perna.
— Aí! Droga! Grito levando a mão para a minha perna e sinto o sangue escorrer.
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