Um Lugar Para Recomeços
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Allyssa
4 meses depois
— Meu Deus! Essa foi a última, né? Eu não aguento mais essas caixas! Parece que tem chumbo dentro. Meg fala irritada se jogando no sofá ao meu lado.
— Por que será? Talvez porque alguém tenha insistido em trazer todas as tralhas e coisas inúteis do quartinho da bagunça, tipo esse patinho de borracha de quando tinhamos 3 anos? Pergunto tentando disfarçadamente joga-lo no lixo.
— Você não pode jogar uma coisa dessas no lixo. Fala indignada, pescando ele de volta do lixo.-Tem valor sentimental. Diz emburrada
— Meg?! Até minha meia velha que eu joguei mês passado no lixo, tinha valor sentimental pra você, e era a minha meia! Digo dando ênfase ao minha.
— Era porque ela ficou tanto tempo junto com a gente, que eu me apeguei a ela. Diz sorrindo.
— Me deixa jogar sua coleção de tampinhas fora, pelo menos. Digo já pegando a caixa que pesa uma tonelada, com um sorriso provocativo no rosto, pois sei que ela nunca me deixaria se desfazer desse vício dela.
— Allyssa Brant! Você não seria capaz de fazer isso! Exclama horrorizada vindo em minha direção.-São como meus filhos, gerados no meu próprio útero você acha que vou deixar jogar minhas tampets fora?! Fala indignada, tomando a caixa de minhas mãos.
— Desisto Meg! Eu me rendo, fique com suas tralhas, eu vou pro meu quarto ver se a Bebel já acordou.
— Mamãe conseguiu salvar vocês! Ainda escuto Meg falar da sala. Reviro os olhos, maluca acumuladora.
Exatamente um mês depois de perder meus pais, a mãe de Meg teve um infarto ao qual não suportou, apesar de tudo ela soube lidar bem com a perda.
No meio disso tudo recebemos a resposta da faculdade na qual fizemos inscrição e adivinha só, depois de tantas notícias ruins finalmente uma boa, nós conseguimos passar, a Meg em direito eu em administração, escolhi fazer à distância pois iria trabalhar durante o dia, e matrícular Bebel em uma creche e deixa-la com Meg, durante à noite para trabalhar de garçonete, bem esse é meu plano mas, se vai dar certo eu não sei.
A resposta da faculdade foi o que precisávamos para deixar tudo para trás, não conseguíamos mais viver naquele lugar, precisávamos respirar novos ares e tanto eu como Meg tínhamos muitas lembranças lá, e isso nos deixava triste as vezes. Decidimos que essa era nossa chance de encontrar um lugar para recomeçar nossas vidas, precisávamos disso, então aqui estamos nós em um lugar estranho mas de um jeito bom.
Olho para minha irmã que dorme serenamente na minha cama, ela já não se lembra mais da nossa mãe e do nosso pai e, insiste em me chamar de mama apesar de eu sempre dizer que sou sua irmã, não quero que ela se esqueça de nossos pais mais sei que é inevitável.
Observo meu quarto novo, quando decidimos ir embora ainda estava morando com ela, pois quando tinha decidido me muda,r sua mãe morreu, e eu não podia abandonar minha melhor amiga num momento como esse, depois do resultado da faculdade, começamos a procurar um apartamento perto da faculdade e encontramos esse, com dois quartos médios nem tão grandes e nem tão pequenos, um banheiro e uma sala cozinha não ficava no local mais luxuoso da cidade mas, também não era um bairro perigoso, nós amamos e decidimos nos mudar, Meg alugou a casa dela e com o dinheiro do aluguel ela paga a sua parte no aluguel.
Enquanto isso organizava meu quarto. Já eram 05:30 dá tarde quando terminei de arrumar meu quarto, Bebel tinha acabado de acordar.
— Mama?! Diz esfregando os olhinhos inchados de tanto dormir.
— Oi meu bebê lindo?
— Aba mama!
-Você que água meu bebê?
— Aba, aba. Cantarola.
Até agora ela fala poucas palavras como mama, Med é a Meg e aba. Minha irmã é minha cópia em minhatura tem o mesmo cabelo preto que eu e elhos azuis.
— Ally! Minha amiga grita entrando no meu quarto, ela já está de banho tomado com seu pijama que tem um monte de tampinhas de garrafa bordada, sério? Não entendo a maluquice dela por tampinhas.
— Precisa gritar Meg? Falo revirando os olhos.
— Cadê a Iza da titia? Sua mãe é uma chata! Fala pegando Bebel no colo. Ela insiste em falar que sou mãe da minha irmã.
— Med, Med! Diz toda feliz me ignorando.
— Tem como você dar água pra ela? Eu vou tomar um banho já estou fedendo!
— Pode deixa que a titia da água pra essa fofura. Pode tomar seu banho só, não sei se o fedor vai passar. Diz fazendo graça.- A propósito já ia me esquecendo vou pedir pizza de calabresa pra nós! Diz indo em direção a cozinha com Bebel.
— Obrigada por perguntar o sabor que quero ou se quero comer pizza. Digo revirando os olhos e sarcástica.
Ligo o chuveiro e entro na água morninha, isso me acalma e a água ajuda a me esquecer dos meus problemas por um tempo, de banho tomado saio do banheiro e encontro Meg e Bebel que está de banho tomado.
— Já dei papinha e banho na Iza, só falta o mamá que está esquentando e depois partiu comemorar o nosso recomeço.
— Não existe melhor comemoração que pizza filme brega e chocolate! Digo sonhadora.
— Ora do mama, Iza da titia! Ally arruma as coisas e espera a pizza enquanto faço a fofura da tia dormir. Diz andando com Bebel para o quarto.
Arrumo a mesinha de centro com copos e chocolates e dois pratos, o entregador chega com a pizza pago e dou uma gorjeta para ele. Quando já está tudo arrumado na sala vejo Meg encostada no batente na porta da sala me olhando triste.
— A pizza já chegou. Falo me jogando no sofá.
— Tô com saudade dá minha mãe Ally. Se sentando ao meu lado e começa a chorar.
— Eu te entendo Megs. Digo abraçando ela de lado.
— É tão difícil... Diz com a cabeça no meu ombro.- A vida não foi justa com a gente Ally.
— Não, não foi justa mesmo...
Derramo algumas lágrimas com ela pois também sinto falta de sua mãe e meus pais.
— Meu Deus! Isso era pra ser uma comemoração ao nosso recomeço não um show de ópera! Vomos comemorar! Exclama tentando parecer animada e enxugando as lágrimas que insistem em cair.
— Acho que nunca irei entender você Megs! Reviro os olhos, minha amiga é louca, maluquinha.
— I xai o que oxe jai faje anhã? Indaga com a boca cheia de pizza.
— Meg não fale de boca cheia! A repreendo.- Mas voltando ao assunto. Falo abrindo o refri e logotenho a tampinha retirada da minha mão, olho para ela irritada, que olha para a tampinha como se fosse a oitava maravilha do mundo.- Como ia dizendo... Primeiro vou procurar uma creche pra Bebel e depois vou numa agência de empregos ver se acho alguma coisa. E você? Pergunto tirando um pedaço dá pizza.
— Vou assinar os últimos papéis da faculdade e também vou atrás de um estágio.
— Já ia me esquecendo se eu arrumar um emprego à noite vou precisar que você tome conta da Bebel pra mim. É claro se isso não for te incomodar.
— Ally é claro que eu tomo conta dela! E não é incomodo algum! Diz me fuzilando com os olhos.
— Nossa não precisa ficar brava! Digo rindo.
— Agora nosso brinde. Fala erguendo seu copo cheio de coca- cola.
— A um lugar para recomeços! Dizemos juntamente e fazendo o brinde sorrindo.
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