Um Lugar Chamado Terra Do Nunca
1 Capítulo 1 - Bem vindos a Terra Do Nunca
Notas iniciais
Eu sempre tive uma paixão enorme por Peter Pan e pela história, então decidi escreve-la de jeito que ficasse um pouco... Eu.
Espero de coração que gostem e comentem. Por favor.
Obrigada :3
Nós éramos uma família perfeita, não posso negar que éramos. Agora tudo o que sobrou foi cinzas.
A minha vida começou a dar errado no dia em que minha casa pegou fogo. Bem, o que não dá errado se sua casa começa a pegar fogo? Eu e meu irmão do meio, John conseguimos sair com apenas algumas queimaduras, os bombeiros voltaram para salvar o resto, mas só um sairia com vida. Meus pais deram a vida deles pela de Michael, meu irmão mais novo.
Mas não, a pior coisa não foi perder meus pais. A pior coisa foi não ter ninguém a quem recorrer. Podíamos até ser uma família perfeita, mas o passado de meus pais era sombrio e lamentável.
Minha mãe era apenas uma adolescente quando veio fugida dos Estados Unidos até Londres. Ela queria ser famosa, coisa que sua família severamente desaprovava. Ninguém nos aceitaria lá por que somos produto da traição e desobediência de uma "filha ingrata".
Já a família de pai, bem... Ninguém sobreviveu para contar a história. Meus avôs eram pessoas muito solitárias, viviam sozinhos na maravilhosa Londres e foram capazes apenas de produzir um filho. Não queriam e nem precisavam de mais. Morreram faz algum tempo.
Sem lugar para ir era evidente que nos mandariam para um orfanato e que, cedo ou tarde, eu me separaria de meus irmãos...
Lembro-me bem do dia em que os policiais nos deixaram no orfanato, estava assustada e com medo do que aconteceria dali em diante. Antes de entrar no recinto, um policial me chamou:
- Wendy, nós voltamos para limpar a casa e eu encontrei isso — ele estendeu a mão e pude ver a corrente dourada com o pingente de chave que eu conhecia bem. — acredito muito em destino e, se ele sobreviveu, é porque tem alguma importância.
- Era da minha mãe... De fato, era muito importante pra ela. — uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Aquele pequeno objeto tornou toda aquela situação real.
- Então suponho que você deva ficar com ele. — ele colocou o colar na minha mão e a fechou.
- Obrigada.
Segurei com a mão esquerda a mão de Michael que segurava a de John, mantive com o colar na mão direita e adentramos o lugar que seria nosso lar por um bom tempo.
Crianças correndo para todo lado, parecia bem diferente do que eu achava de um orfanato. Seis meninos corriam em circulo quando nos avistaram um deles correu até nós e puxou o colar da minha mão.
- ACHEI O TESOURO, PESSOAL!
Todos gritaram juntos.
- Isso não é um tesouro, é o meu colar. Agora me devolva.
O ladrãozinho saiu correndo e eu estava preparada para correr atrás dele quando ele foi barrado por um menino alto, cabelos loiros e parecia bem mais velho do que aqueles meninos, mas não muito mais velho do que eu era.
Segurou a cabeça do menino enquanto o mesmo tentava fugir, o mais velho revirou os olhos e arrancou o colar da mão dele.
- É assim que você dá as boas vindas aos novos, James?
- Desculpe, eu não quis ser rude. — o menino disse cabisbaixo.
- É bom estar arrependido mesmo.
Ele levantou a cabeça e pude olhar em seus olhos verdes como a natureza, era lindo. Era como se um novo mundo fosse capaz de surgir só com aquele olhar. Ele caminhou até onde eu estava e me entregou o colar.
- Desculpe por isso, são apenas crianças.
- Está tudo bem. — sorri.
Ele levou os dedos até a boca e assobiou, e logo os seis meninos estavam alinhados lado a lado.
- Esses são Theodore, Thomas, James, Pentiss, os Gêmeos — ele faz uma pausa e sussurra. – Ninguém nunca soube o nome deles de verdade.
Soltei uma leve risada.
- E eu sou Peter.
- Wendy. E esses são meus irmãos John e Michael.
- Bem vindos a Terra do Nunca.
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