Notas iniciais
Uma antigo texto que escrevi sobre Suyin Beifong, que apesar de não ser a minha personagem favorita me conquistou pra sempre e me deixou triste quando lamentou a perda da sua cidade e da sua família...

Situado no fim do ep 4x06 'A Queda de Zaofu'

"Todas as famílias felizes são iguais,
as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira".
(Anna Karenina — Tolstói)


Talvez estivesse predestinado.

Talvez fosse algo que ela devia ter sabido que iria acontecer, de um jeito ou de outro.

Su sempre soube que problemas familiares eram algo comum entre os Beifongs. Não era nenhum segredo que sua mãe e seus avós tiveram seus problemas no passado; suas discordâncias fizeram com que eles passassem anos sem se falar ou ao menos se ver. Não que ela pudesse criticá-los, afinal, sua relação com sua própria irmã não era tão perfeita. (Na realidade, não era perfeita ou saudável de maneira alguma, provavelmente a pior do mundo).

Mas Su sempre achou que, com seus filhos, as coisas seriam diferentes.

Quando Baatar Jr. nasceu ela se sentiu realizada. Ela tinha encontrado o que procurava. Ela era uma mãe, ela tinha sua própria família. Ela segurou seu garotinho e sentiu — ela sentiu — que ele iria conquistar coisas mais grandiosas do que seus pais tinham conquistado. Ela sabia que ele tinha nascido para algo grande.

Quando chegou a vez de Huan sua felicidade aumentou. Ele tinha a mente mais criativa que ela já tinha visto, provavelmente puxara o pai nesse aspecto (embora ela achasse que ele tivesse alguns aspectos da avó). Ele sempre sabia o que fazer, sempre sabia como se expressar. Ele era seu pequeno artista.

Então foi a vez da sua pequena Opal. Sua pequena e delicada flor, esperando para desabrochar na mais bela rosa já vista. Uma versão melhorada dela mesma quando jovem, o tipo de garota que ela odiaria, mas secretamente admiraria, quando ela tinha quinze anos. Doce, tímida e gentil, mas feroz e corajosa quando tinha que proteger os que amava.

Por último vieram os gêmeos, e sua alegria veio duplicada. Eles estavam sempre rindo e brincando, e eles iriam dar o seu melhor em tudo que eles pudessem. Sempre mantendo o bom humor e mantendo sua mãe feliz, mas sempre prontos para as situações sérias e para entrar em ação. Eles eram seus parceiros, seus companheiros de batalha, seus bebês a deixando orgulhosa.

E também havia Kuvira.

Sua filha adotiva, sua protegida. A garota a quem ela ensinou tudo o que sabia e acolheu como parte da sua família. A mulher que cresceu com um ego tão grande e uma mentalidade tão distorcida que eventualmente se virou contra ela. A serpente que seduziu o seu primogênito e parte do seu povo com seus ideais corrompidos. A ditadora que trouxe seu exército para ameaçar seu lar, sua família

Ela sempre condenara Lin por levar tanto tempo para esquecer o passado e finalmente perdoá-la, ela não podia apontar dedos agora.
De fato, ela não podia fazer nada. Não mais.

Talvez estivesse predestinado.
Talvez fosse algo que ela devia ter sabido que iria acontecer, de um jeito ou de outro.
Talvez fosse um legado indesejado em sua família.
Talvez houvesse algo nos genes de todos os Beifongs que causavam tantos problemas geração após geração.

É claro que ela esperava algumas brigas, é claro que ela esperava algumas palavras grosseiras. Ela esperava que sua família fosse uma família normal, com todas as crises e falhas que todas as outras têm.
Mas ela não esperava por isso.
Ela não esperava por esse veneno começar a corromper seu lar pelo lado de dentro.
Ela não esperava pela fenda, que começou tão sutilmente, se tornar em abismo, desmoronando as fundações que ela levara anos erguendo.
Ela não esperava por tudo cair tão fácil assim.

Ela deu o seu melhor, ela fez tudo ao seu alcance para manter seu lar à salvo.
Manter a sua família à salvo.
Mas ela não pode salvar nada agora.

E no fim, tudo o que Suyin Beifong, líder de Zaofu pode fazer é baixar a cabeça enquanto sua família se rasga ao meio.

Notas finais
Opiniões são bem-vindas.
Elogios sempre aceitos.
Críticas apreciadas.

:)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!