Um Lannister Sempre Paga Suas Dívidas

1 Um Lannister Sempre Paga Suas Dívidas


Notas iniciais
Olá pessoa linda que vai ler a one! Está é minha primeira fic de Game of Thrones, e resolvi usar o casal Jaime & Cersei como principais. Espero, sinceramente, que tenha ficado bom. Deixe um review se gostar, por favor. Um beijo e boa leitura!

–Você cheira a homem.



Cersei Lannister esperava receber tudo dele. Um beijo talvez, ignorando se havia algum ‘pássaro’ a espreita. Um sorriso de lado, daqueles que sempre tiraram seu fôlego, embora ela fosse orgulhosa demais para sequer pensar em admitir. Talvez apenas um “ minha preciosa irmã” fosse o suficiente. Mas não. De uma forma ou de outra, Jaime sempre conseguia surpreendê-la. Um fato, embora ficasse trancado a sete chaves dentro de sua branca garganta.


Já se fazia sei lá quantos mil dias que não se viam, e o que ela secretamente (ou talvez, não tão secretamente assim) desejava fazer era pular em seu pescoço, encher seu rosto de beijos, correr os dedos por entre os fios de ouro de seus cabelos...Suas peles roçando, e o sangue pulsando alegremente por entre as veias, ela ansiava por sentir, quase tanto como ansiara aquele tempo todo por ouvir sua voz de novo, ou fitar bem dentro daqueles orbes verdes, tão iguais aos dela.



Mas toda sua pretensão foi retribuída com aquilo. Ele estava lá, machucado, mancando, num salão onde só os dois e seus egos e pesares cabiam e ao invés de abraça-la e beijá-la, o cretino dizia que ela cheirava a homem. Ele nem sequer estava perto o suficiente para sentir seu perfume!



–É bom te ver também, Jaime. – A voz de Cersei era punhal afiado, e agora, ela o estava fazendo cortar. Jaime captou facilmente o tom ofendido e o sarcasmo da gêmea. Ele a conhecia melhor do que ela mesma jamais ousara conhecer.



–Será mesmo? Posso garantir, querida irmã, que já pareci muito melhor em tempos passados.



Cersei enrugou a testa, incrédula. Não era nem um pouco típico de Jaime admitir que não estava bem. Sim, ele havia perdido a batalha no Bosque dos Murmúrios, havia sido capturado, humilhado, escorraçado e agredido, sem falar que sua aparência era de quem não dormia há muito tempo e não tivera muitas oportunidades para se lavar. Ainda havia manchas de sangue sujando o seu belo rosto. Mas ele jamais, em hipótese alguma, demonstraria que se sentia rebaixado, muito menos na frente dela. A rainha nem se importava para como ele parecia fisicamente naquele instante, então porque ele deveria se importar?



Será que Jaime não estava mais agindo do jeito que agia antes dos malditos Starks lhe enfiarem as garras?



–Para mim, você parece o mesmo. – Cersei confessou o que sentia, mordendo o lábio, mas sem nem por um segundo vacilar.



–E para mim, você cheira a homem. Fale a verdade, Cersei. Com quantos esteve a partilhar os lençóis em minha ausência? Que animais tomaram conta da ferocidade da leoa enquanto o leão tentava espantar os inimigos? Hum?



Naquele instante, Cersei ficaria muito feliz em esbofeteá-lo. Incrível que todas as suas lágrimas ocultas, aflições desesperadas e saudades irrefreáveis pudessem estar se dissolvendo, em menos de um minuto de diálogo. Sentia seu orgulho se rachando e resolveu retribuir da mesma forma.



–Meus lençóis. – Ela refletiu, andando de um lado para outro. – Nossos lençóis. Sem dúvida foram partilhados muito menos vezes do que a palha da toca do inimigo. Um pássaro me contou que, nesses lugares, há panteras aos montes. Certos leões podem não ter paciência, ou nem ao menos notar as diferenças óbvias que existem entre sua leoa puro-sangue e algumas panteras fajutas.



Os cabelos de Jaime voaram da esquerda para direita, quando ele negou com a cabeça. A rainha não gostava de metáforas, mas depois de proferir aquelas, com um sorriso de canto de lábio, aprendeu a amá-las.



–Certos leões podem ser mais honrosos do que se presume. –O irmão finalmente sorriu, mas como se isso fosse um bônus que ela não merecia receber. Por mais incrível que parecesse, ainda conservava aqueles dentes lindos e brancos. – Diferentemente de certas leoas. Mas você não respondeu a minha pergunta, gêmea.



Cersei estremeceu. Era a primeira vez em anos que ele a chamava de gêmea, e isso não podia ser um bom sinal. Apesar de o som trazer flashbacks. Bons flashbacks. De sua infância e de sua adolescência, e de como Jaime sempre beijava ponta de seu nariz e sempre estava ali para protegê-la.



Algo ali não estava certo. Algo não, TUDO.



–Responda primeiro você. – Ela sabia contra-atacar de forma sábia.



Jaime de repente olhou para ela de um forma tão intensa e cheia de desejo que Cersei teve a esperança de que ele fosse de vez por todas esquecer o estúpido jogo que estavam jogando idiotamente. Não se importaria de arrancar o vestido naquele lugar mesmo. Mas Jaime não cedia, e o momento em que ele a olhou passou, como uma simples brisa em seus longos cabelos.



–Por acaso eu pareço cheirar algo que possa ser remota e minimamente de origem feminina? –Ele, ironicamente cheirou-se e investigou-se. Suas roupas rasgadas, seu corpo dolorido, seus cabelos pingando de suor. Ele sim cheirava a homem, e somente a isto. –Nem de longe, não é, Cersei? Eu nunca fiquei com ninguém.



A rainha piscou, pasma, duas vezes. Em seguida começou a gargalhar sonoramente.



–Não tente me fazer acreditar que...



–Mas você deveria acreditar. –Ele a cortou, insistindo de forma seca. –Eu só conseguia pensar em você, Cersei. Sempre você. Até descobrir que isso não era mais recíproco...



–Estúpido! Isso é uma calúnia! Se não fosse recíproco por que acha que eu enviaria Sansa Stark de volta para aquele maldito fedelho lobo e sua mãe viuvazinha?



O irmão rolou os olhos.



–Você nunca foi como as outras mulheres. Burra. Você sabia que tinha de mandar a garota. Se não mandasse, eles viriam busca-la, mas levariam a cabeça de Joffrey como brinde.



–Eles que tentem! –A rainha grunhiu, nervosa pela forma como ele confundia as vertentes da conversa de modo a deixa-la vulnerável. –Mas isso não foi por Joffrey, nem por ninguém. Eu precisava de você, Jaime.



Foi amargo para ela confessar aquilo. Por palavras, não por atitudes. Palavras não deveriam ser doces. Jaime amava desobedecer a essa regra, tanto quanto amava cumpri-la, Cersei bem sabia. Porém para ela, as coisas funcionavam um pouco diferente. Essa regra tinha de ser sempre obedecida. Atitudes, com as luzes apagadas, poderiam até pender para a meiguice. Entretanto, as palavras tinham de ser afiadas. “



“Ouça-me rugir”. Era esse o lema. Mas ao que se parecia, Jaime queria ouvi-la ronronar.



–Sim, precisava. –O loiro debochou. –Entretanto, foi compensando minha ausência de diversas formas, não? Um cavaleiro ali, um escudeiro aqui, primos...Por que não? Quem rejeitaria a joia que há entre as pernas de Cersei Lannister? Diz-se que os que foram capazes de fazer isso acabaram com as cabeças presas em espigões na Fortaleza Vermelha. É, os boatos correm. As verdades. Só queria saber o número. Foi a única parte que me escapou.



Pela segunda vez naquela conversa, a vontade de estapeá-lo foi ainda maior do que a de beijá-lo. Mas a culpa, provavelmente não era dele, e sim de quem quer que houvesse aberto a boca para dizer tudo aquilo para ele.



Mas deveriam estar na cama, nos braços um do outro, numa altura daquelas. Por que Jaime fazia tanta questão de jogar tudo aquilo em sua cara? Ela havia feito de tudo, do possível e do impossível para resgatá-lo, e era assim que ele a compensava? ... E daí que ela houvesse trepado com Lancel, Sor Osmund, ou qualquer um! Havia sido no passado, e não se comparava nem em uma escala de 1 a 1000 ao que tinha com Jaime.



Com seu irmão gêmeo, era o ÚNICO que acontecia. O verdadeiro amor, o verdadeiro êxtase, a verdadeira essência do seu respirar. Achava que ele sabia disso.



Por que haveriam pequenos casos de ser importantes?



Então ela imaginou Jaime, lindo e maravilhoso, com seu sorriso, seus olhos verdes, e sua voz de legítimo leão, fodendo alguma vadia qualquer, e em apenas uma angustiosa fração de segundo, compreendeu tudo.



Eles eram mesmo o reflexo um do outro.



Desejou muito acreditar que ele havia sido sincero quando dissera ter honra.



–Dois. Quatro. Sete. Vinte. Eu não sei, meu amado Jaime. – Ela não tinha honra. Nem um pingo. Isso podia diferenciá-los.



Os cabelos louros caíram sob seus olhos quando Jaime sacudiu a cabeça, num gesto de compreensão, como se já soubesse de tudo, e apenas estivesse ignorando a verdade. Cruzou os braços, e encarou-a firmemente, franzindo os lábios uma ou duas vezes antes de começar a falar.



–Sim, querida irmã. E enquanto você os fodia, alegremente, eu jazia naquela cela, machucando e humilhado, fedendo a mijo e coisas piores. Todas as manhãs, eu ficava pensando em cada partícula de pele do seu rosto. No tom viciante dos seus olhos. Na curva incisiva dos seus lábios. No franzir das suas sobrancelhas quando está com raiva. No seu tom de voz ofendido e arisco. Nas pequenas inclinações das suas bochechas. Nas delicadas tranças de seus cabelos. Na sua cintura esguia. Na pele macia dos seus seios. E principalmente, na minha vontade de estar dentro de você, com o seu mel só para mim. E nem mesmo acalmá-lo eu podia, porque minhas mãos estavam acorrentadas! Eu simplesmente ficava olhando ele todo empolgado, e sendo alvo de riso de quem quer que passasse pela cela. Ainda ouço os comentários infames dos carcereiros nos meus ouvidos. “Olha só, o Regicida está com a espada à postos! Será que ele pretende assustar Sua Graça? Hahahahaha.” Eu só podia sorrir, indiferente. Minha única arma. No começo eu não ligava, mas depois de um tempo começa a incomodar. Malditos sejam os Starks, e todos os seus vassalos. Mas acima de tudo, maldita seja você, Cersei, minha nada querida irmã...



Cersei teve receio de rir, na cara dele, principalmente pela forma rude com que ele a encarava, mas não pôde se conter. Vê-lo bancar o coitadinho e a narração de seus “pequenos” tormentos, quase a fizeram sentir-se mal. Quase. Seu lado sádico gostava de dominá-la com uma frequência assustadora. Até mesmo com ele. Suas risadas ecoaram pelo salão como gritos fariam.



–Ok, ok. Você quer mesmo me convencer de que não descontou todo esse mal que eu lhe causei em alguém? Ouvi dizerem que foi uma mulher que o conduziu. Era só escapar, ou senão depositar os efeitos da minha lembrança na própria carcereira. Não acredito que tenha se comportado como um garotinho inocente. Muito pelo contrário! Atira garotinhos inocentes de torres. Não age como um deles. Eu conheço você, Jaime.



Ele não estava mais tão longe dela, Cersei reparou. De repente, havia só uma questão de centímetros os separando. Impedindo-os de qualquer contato. E se parasse para pensar, centímetros não eram tão distantes assim. Quando ele expulsou toda a frieza e tocou em seu rosto, Cersei permitiu-se desfrutar de um arrepio que ia de sua nuca até a ponta dos dedos pés. Era algo que ela não sentia desde que o haviam arrancado de si.



–É fácil me conhecer. Eu sou tudo que você é, ou pelo menos quis ser. Mas não sou infiel. Você é, e sempre foi, a única mulher que eu desejo ter. Ninguém poderia roubar o seu lugar, embora você deixe que roubem o meu.



–Tudo isso então é ciúmes...? Odeia-me por tentar esquecer a sua falta? — Com “tudo isso” ela se referia a resistência torturante que ele estava oferecendo. Ela queria seus lábios, e tudo que ele lhe concedia eram afagos sutis, quando não acusações e ofensas.



–Você me decepcionou! – Jaime argumentou, provando-se ressentido. Depois de ter de dizer “ Robb Stark é o Reio do Norte “ para que não cortassem sua maldita garganta, dizer para Cersei que a detestava por tê-lo traído não era mais do que um aperitivo para ferir seu orgulho. –É claro que eu a odeio.



O irmão declarou aquilo tão naturalmente, com seu sorriso de canto de lábio e com os dedos percorrendo a curva de seu pescoço, que ela até ficou com medo de ser verdade. E não havia coisa que ela detestasse mais do que o medo.



–É claro que não se deitou com uma mulher. Você está parecendo uma! Ficando sensível e afetado, como uma garotinha! Eu vou lhe dizer o mesmo que dizia a Robert! Você deveria usar o vestido, e eu deveria usar a armadura! –Cersei exclamou, num lapso de fúria, e quase esperou que ele a machucasse por jogar aquilo em sua cara, como Robert teria feito. Mas ela se esquecera de que Jaime cerraria os punhos antes de erguer as mãos para feri-la de verdade, então foi ela quem reteve, os próprios punhos, sentindo ódio, sentindo-se culpada, sentindo-se infeliz pelo que tinha que lidar. O irmão sorria, contra todos os propósitos, e ela confessou pelo menos para si mesma que seria bom poder chorar.



Ele começara a desembaraçar suas tranças, como fazia em seus momentos a sós, e ela detestava tanto a alegria de saber que ele estava ali, vivo, inteiro, e seu, quase quanto detestava que discutissem como se fossem inimigos e não irmãos.



–Você nunca vai perdoar por ter sido eu, não é? Nós erámos iguais, nós somos iguais, mas eu recebi a armadura e a espada e fui ensinado a ser um cavaleiro, enquanto você recebeu o vestido e a boneca e foi ensinada a ser uma donzela comportada. Uma lição muito mal aprendida, tenho de ressaltar. – Ele deu uma longa risada, e ela também não pode evitar de sorrir, porque ele tinha toda razão. –Você não merecia o vestido, Cersei, mesmo ele ficando lindo em você.



O comentário drasticamente afetou-a.



–Eu aprendi a lidar com isto no passar dos anos, Jaime. As vezes tem alguma vantagem. – A Rainha esboçou um sorriso nostálgico. Que em seguida sumiu, para que ela pudesse olhá-lo com frieza. –Isso não faz com que eu o odeie menos por tomar meu lugar.



–Eu sei. E eu ainda não perdoei as suas traições. Nem pretendo, por sinal.



A loira franziu a sobrancelha e crispou os lábios como se estivessem diante de um grande dilema.



–E o que faremos sobre isto, então ? – Desafiou-o.



Jaime simplesmente piscou os olhos com um ar de vitória. Estavam mais perto do que ela se lembrava, pois os centímetros estavam quase reduzidos a milímetros, e ela sentia o aroma dele, assim como ouvia seus corações batendo em uma harmoniosa sincronia.



–Nós somos Lannisters, Cersei. E um Lannister sempre paga suas dívidas. – A voz dele eram apenas um humilde sussurro no silêncio do salão, mas seus lábios estavam, tão, tão próximos, que ela recebeu as palavras com grande facilidade, e uma arrepio na nuca. –Acho que há uma maneira simples de pagarmos as que temos um com o outro...



Jaime não precisou dizer mais nada para que Cersei compreendesse.



Quando ele a envolveu pela cintura, na mais doce de suas promessas, conheceu o preço que exigia. Ser apenas dele. E ela seria, de bom grado, pagando a dívida sem nem ao menos hesitar. Porque ele era, de fato, o único homem que ela amava, e assim seria para toda eternidade.



Quanto ao preço dela... Bem...Este foi pago quando ele finalmente pressionou seus lábios contra os dela, num beijo que poderia durar para sempre, repleto de amor, saudades e desejo. Muito bem pago.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!