Um Jeito diferente de Ser

5 Capítulo 4 - Um Jeito diferente de Ser


POV: Verônica.

É, foi um mês bem cansativo. Tentei fazer que Kevin compartilhasse todos os sentimentos que possuía e tinha, afinal, fiquei anos sem conversar com ele. Esse medo do Kevin é novo para mim. Nunca vi algo igual na minha vida, de verdade. Enfim, aconteceu. Fiquei tanto tempo longe de Kevin, Jonas... E aí... Isso acontece. Ele não é o Kevin que eu conheço. É, ele anda muito mais carente, isso de uma forma me cai bem, mas agora ele não consegue ficar direito em casa. Tudo bem, acho até fofo ele querer ir comigo para todo o lugar e me tratar ate como se eu fosse ainda mais importante para ele, mas ele anda muito mais sentimental. Realmente, qualquer coisa o machuca. Eu tenho que pensar algumas muitas vezes sobre o que falar com ele, para não fazer besteira. E quando não faço, ele fica um pouco depressivo. Isso me machuca de uma forma... Me machuca tanto... É como se eu fosse às vezes um monstro pra ele, por qualquer coisa errada que falo, e às vezes um anjo para ele quando ele precisa de mim. É estranho. É anormal. Bom, de qualquer jeito, ao menos estou com Kevin novamente. Todo esse tempo que fiquei fora, vivenciei tantas coisas ruins, que mal me lembro de coisas boas que tive... Primeiro, meus pais começarão a se divorciar, então começou aquela luta "quem fica comigo". Além de, se eu ajudar mais alguém, sou desproporcional com alguém e fica bravo e triste comigo. Foram anos muito difíceis para mim... Fiquei tão sozinha, tive amigas, "amigas", elas só me usavam de vez em quando para se aproximar de alguém ou quando queria. Passei anos, e quando me sentia sozinha, olhava para o livro em outra matéria... Chegar em casa e ir para casa não tinha muita diferença. Em um lugar ficava sozinho e aprendia, na outra ficava praticamente sozinha e podia estudar se quiser, e claro, ler. Leitura praticamente era um amigo para mim. Se não fosse isso, não sei como seria de mim até hoje. Enfim, tenho Kevin. É como se tudo que fizesse por Kevin, todo o amparo que eu dou para ele e que já dei, valesse muito a pena. Todo o carinho que eu recebo dele, toda a atenção... O jeito que ele mexe comigo é como se fosse mágica. Acho que eu atualmente, não posso perder Kevin. É algo que não consigo tirar da minha cabeça. A cada besteira que digo às vezes, me sinto como se fosse a pior pessoa do mundo. De qualquer jeito, seu estado emocional melhora a cada consulta que ele vai à psicóloga. Ele começa a ficar um pouco mais feliz, e começa a ter uma postura melhor. Mais decisivo, criativo, pensativo, comunicativo. Nunca o vi assim desde que eu voltei. Pergunto para ele, tentando tirar alguma informação disso:

– Kevin, você anda muito melhor, mais animado. O quê aconteceu?

– Bem, sinto que a consulta das psicóloga realmente estão surtindo efeito. Ainda mais agora, ela começou a me passar alguns livros para ler, e isto me ajuda de certa forma. E ela me ensinou algo bobo, mas que mudou muito o jeito de eu viver.

– Não sei se posso... Mas, o quê ela te ensinou?

– Um jeito diferente de ser.

– Hum... Pode me explicar?

– É simples. Se consiste em um jogo. Quer jogar também?

– Hum... OK, vamos jogar. Mas como assim?

– É o jogo do contente, toda vez que se sentir triste, pense no lado positivo disso. Por exemplo, comecei a entender isso quando ví que meus estudos não estavam bem. Ao menos, consegui a atenção para tentar novamente e fazer melhor. É simples. — Kevin parecia realmente uma criança, jogo do contente... Bem, mas se funcionou com Kevin, talvez funcione comigo. Afinal, não estou tendo a vida que desejava, então... Enfim, deixa isso para depois. Vou deitar, talvez relaxe mais a cabeça.

Acordo de manhã, com o cabelo meio de lado, e o sutiã um pouco jogado para o lado. Minha cabeça estava zonza, parecia que eu estava de ressaca. Minha garganta inflamada, meu corpo dói, me levanto da cama com esforço, mas dolorida. Me olho no espelho, totalmente desarrumada, me sinto como se fosse um cão de rua. E então, penso naquilo que Kevin me disse. Bem, estou toda desarrumada? Ao menos posso me preocupar e arrumar para ficar bonita. No momento sinto algo diferente. É como se toda aquela baboseira que Kevin me disse realmente funcionasse. Me sinto um pouco boba, por não ter colocado fé em que Kevin disse, mas ao mesmo tempo não coloco confiança para ter total certeza que isso realmente me fez bem. Me arrumo totalmente, me sentindo um pouco mais feliz após me ver toda bonita. Antes de sair para estudar, vejo Kevin deitado. Ele está deitado de uma forma tão... peculiar. Sua boca levemente está aberta, seus olhos fechados, (claro), mas de uma forma muito sutíl, seu cabelo desarrumado, e deitado de lado, como se fosse tentando agarrar algo. Por leve instinto, quase me deixo levar a deitar ao seu lado, mesmo tendo me arrumada toda. Após voltar a lucidez, e sair dessa minha "necessidade" que não veio a calhar, olho no relógio, e vejo que quase estou atrasada para a aula. E ainda quase faço tudo que tinha arrumado por quase 1 hora ir por água a baixo. Droga!