Notas iniciais
Olá, espero que gostem do capítulo. Nele tivemos mudanças de tempo para a web não cansativa.

Acordei com meus amigos gritando no meu ouvido, o que era completamente normal — ou não — para uma pessoa ser acordada. O meu cabelo encontrava-se totalmente bagunçado, e meus frágeis olhos se recusavam a abrir pelo sol forte que vinha da janela. Podia ouví-los gritando que tinham novidades, e apenas por isso decidi enfrentar aquela manhã quente.

— Bom dia, Bela Adormecida — Tom disse beijando minha testa. Logo depois Júlia veio passando aquela sua língua por toda a minha bochecha, que era o nosso comprimento. Limpei o rosto, também como de costume, e sentei na cama.

— Porque vieram tão cedo? — Comecei a coçar o olho, e logo ele estaria bem vermelho; qualquer um que não me conhecesse diria que havia acabado de dar um tapinha.

— Temos que aproveitar os poucos dias que temos com você, afinal, vão ser SEIS MESES LONGE! — a Ju disse com um tom de voz melancólico.

— O que é tão importante que não podia me deixar dormir decentemente?

— Ah, isso foi desculpa para te acordar de vez — eles falaram juntos e nem fiquei com raiva porque não valeria a pena.

Meu celular começou a tocar. Já era a terceira vez que o alarme tocava e se eles não estivessem aqui, ele seria adiado outra vez. Eu e a Ju começamos a dançar pelo quarto com o toque estridente que eu coloquei. Apesar de estar de costas para onde o Thomas se sentou, sabia que ele estava revirando os olhos.

— A gente vai indo para a piscina, seu pai está fazendo um mega churrasco. Nele tem picanha, coração, franguinho e até linguiça — Ju, com seu enorme estômago, falou. — Vou aproveitar, já que no mercado a linguiça está cara e não compram lá para casa.

Tom a puxou, e pude ouvir ela sussurrando: “Na minha casa a gente não faz churrasco no natal”.

Escolhi um short de ginástica — claro que não o uso para ginástica, porque senão os meus pneus nem sonhariam em existir — e um maiô de cor única que minha vó achou que seria a minha cara. Honestamente? Não faço a mínima ideia de onde ela achou que eu gostaria daquilo, pois odiava piscina e mar.

Meus amigos e meu irmão já estavam na água, mas fui até a churrasqueira primeiro.

— Oi pai. — Minha cabeça foi alisada e um beijo foi depositado no topo dela.

Passamos o resto da tarde daquele jeito: comendo de vez em quando e “curtindo” a piscina. Apesar de não sermos mais crianças, brincamos de marco-polo com o meu irmão, ele sendo o café-com-leite, como sempre. Quando o céu começou a escurecer, minha mãe veio mandar a gente abandonar a água e irmos tomarmos banho, pois o resto da família viria para o jantar. Coloquei uma roupa normal como ontem, mas dessa vez não ganhei uma trança no cabelo feita pela Satchmo, porque ela estava ocupada demais correndo com a comida para deixar a sala arrumada.

Coloquei o show dos Beatles que eu havia ganhado dos meus tios na noite passada enquanto ninguém chegava. Estavamos nós três deitados debaixo da coberta quando o meu primo e o amigo entraram no meu quarto e, diferentemente da noite passada, eles estavam mais bronzeados.

— Oi. — Pulei da cama e abracei os dois.

— Edu, você já conhece a Júlia e o Thomas. — Eles levantaram para cumprimentá-los. — Henry esses são dois grandes amigos meus.

— Você é o namorado da Samantha? — falou direcionado para o Thomas. Todos nós eramos fluentes no inglês porque frequentávamos a mesma turma da Cultura Inglesa desde pequenos. Franzimos o cenho, exceto por ele próprio e Eduardo. Lembrei logo da gracinha que meu irmão havia feito no dia anterior.

— Hã? — perguntei, não querendo ser grossa.

— Ah, o seu irmão disse que conheceríamos o seu namorado. Ele é?

Ficamos sérios para tirar sarro com a cara dele, mas não aguentamos muito e a risada tomou lugar das caras fechadas de anteriormente.

— Não — Thomas falou. É claro que ele tinha a necessidade de tirar logo essa dúvida, não podia deixar a chance da Ju achar que ele não gosta dela.

O resto da noite correu normal... Eu trocava alguns olhares com o Henry, mas tudo muito discreto. Ficamos sozinhos apenas por poucos minutos enquanto os outros buscavam a sobremesa.

— Você não tem namorado então? — pareceu meio tímido. Eu nunca levei jeito com situações que envolvessem meninos que não me vissem como irmã. Só tive um namorado em toda a minha vida e isso não passou de um desastre total.

— Não — disse meio séria.

— Bom saber — sorriu e deu um beijo rápido na minha bochecha, saindo para ir buscar a sobremesa dele. Senti meu rosto corar, e por sorte não havia ninguém no quarto. Quando todos foram embora, minha mãe disse que acordaríamos cedo na manhã seguinte para irmos começar a comprar o que faltava para viagem.

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E aí, pessoal…

Finalmente é véspera de Ano Novo. Esse entre feriados foi corrido demais, porque tive que comprar diversas roupas novas de frio, devido ao inverno que pegaria na Inglaterra. Apenas mais uma semana e eu já estarei chegando na cidade onde uma das melhores bandas da história da música foi formada. Você não sabe qual? Vou te dar uma dica, ou melhor, quatro: JOHN, PAUL, RINGO E GEORGE. Sim, os Beatles!

Nem acreditei quando acordei na manhã da véspera de Ano Novo. A semana tinha passado incrivelmente rápido. Vamos comemorar novamente a data festiva nossa casa, com a diferença de que eu, o Eduardo e o Henry iremos ficar na praia durante a virada. Me arrumei melhor do que no natal, pois quem sabe conseguisse um beijo exatamente à meia-noite, como nas séries que costumo assistir, para começar o ano com o pé direito?

— Seu primo te espera lá em baixo — Tia Victoria disse quando cheguei na sala de estar.

— Eles não vão subir para comer antes de ir?

— Você conhece a tradição doida da sua mãe de jantar somente depois da virada.

Olhei o relógio cuco que pertenceu ao meu bisavô e que mantinhamos pendurado na parade direita da sala; ele já marcava onze e meia. Como que o dia passou tão depressa? Acho que perdi a noção sobre ele quando sentei para assistir Dawsons Creek no meu computador.

Avisei meus pais que estava descendo para encontrá-los, e meu irmão ,em uma tentativa desesperada de parecer muito mais velho, pediu pela milésima vez se poderia ir conosco, e a resposta foi um grande e solene não.

Quando cheguei ao portão, reparei em como eles estavam vestidos, ou melhor, como ELE estava vestido. Uma camisa mais voltada para social e jeans, bermuda branca e um tênis preto combinando com seus óculos. Ele mexeu o cabelo e em minha mente a cena foi exatamente como em um filme, onde tudo ocorria em extrema câmera lenta.

— Estou aqui — gritei em inglês e eles se viraram, aí sim pude admirar seu rosto.

— Vamos logo. — Eduardo passou os braços pelo meu e me puxou para ir andando com ele. Henry apenas nos seguiu em silêncio.

Faltavam poucos minutos para meia-noite, e Edu se afastou um pouco de nós, pois estava reencontrando antigos amigos por lá. Decidimos ficar sentados de frente para o mar. O silêncio não durou muito tempo, graças à ele.

— Quais são suas expectativas para o novo ano? — aquela incrível personificação de Deus grego perguntou, o seu sorrisinho branco e radiante.

— Ah... — Não queria revelar que atualmente meus planos futuros envolviam pular em uma cama com ele e devorá-lo por completo. — Er — ri.

Um grande e importante fato que todos devem saber sobre Samantha Cavalcanti é que quando me vejo em uma situação constrangedora, sendo alegre ou não, começo a rir e consequentemente tossir e parece que estou morrendo, porém deixem isso para lá.

— Qual é, me conta. — Sua mão alisou meu braço e fiquei arrepiada. Pude ouvir as pessoas começando a contagem regressiva para o horário tão esperado.

Dez.

Nove.

Oito.

Respirei fundo.

Sete.

Seis.

Coragem, Sam. Coragem.

Cinco.

Quatro.

Três.

Dois.

Não precisei nem me mover e tomar a tal atitude, numa dose de doces sentimentos, seus lábios encontraram os meus. Foi como se meu corpo não me obedecesse mais. Suas mãos seguraram delicadamente meu pescoço.Respondi instantâneamente de volta, e ainda mordia seu lábio inferior de certo em certo tempo. Seu cheiro era como uma droga que estava me deixando meio grogue, mas era muito boa apesar do efeito.

Não conseguia pensar em nada além do fato que estava sendo beijada exatamente à meia-noite. Me sentia como nos filmes e nos livros, onde a mocinha fica completamente extasiada. Parecia que tudo estava encaixado exatamente no lugar perfeito. Na minha mente, só existíamos nós na imensidão frente ao mar. Claro, nós e nosso caloroso beijo. Algum tempo depois, e creio que não foi pouco, senti seu aperto ser afrouxado, soltei-o lentamente e abri os olhos. As suas duas imensas esmeraldas me fitavam enquanto eu tentava impedir que minhas bochechas assumissem aquele tom avermelhado que eu tanto odeio. Estava nervosa demais com a situação, mas ao menos consegui aproveitar o momento em seus braços.

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— Porque você está agindo como um completo imbecil? O que eu fiz para você, Eduardo? — Eu o tinha puxado para fora do salão onde ocorria o casamento. Precisava resolver os problemas que vinham acontecendo. Inicialmente, eu imaginei que essas férias seriam as melhores da minha vida, mas tudo estava indo por água abaixo sem que eu ao menos soubesse porquê.

— Você está sendo enganada. Ele é meu melhor amigo, mas você é minha prima e família sempre vem primeiro. Ele precisa te contar toda a verdade logo. — Henry me avisou que o Edu provavelmente tentaria me alertar sobre o fato que em Liverpool ele tinha uma namorada.

— Henry não é um canalha, e me impressiona você, tão amigo dele, falando mal assim! — Nunca imaginei que meu primo seria tão duas caras. Sentia que ele estava nervoso, pois passava as mãos no cabelo e nos lábios alternadamente, mas nem isso desculpava o fato de ele querer estragar um momento feliz da minha vida.

— Ele tem uma namorada! Ele e a Judy estão juntos desde... — parou um momento para provavelmente contar o tempo — SEMPRE.

— É ai que você se engana — ri daquele momento que estava se tornando constrangedor. — Ele me contou sobre essa tal aí e como a relação deles anda mal. Disse que evita conversar com você sobre isso, pois você e ela aprenderam a ser amigos e atualmente ele não sabe que lado da briga você ficaria — desabafei.

Eu estava em pedaços e não teria condições nenhuma de retornar ao casamento. Meus pais, tios, avós e principalmente ELE perceberiam que algo deu errado no momento particular que meu querido primo pediu à todos.

— Você prefere acreditar nele do que em mim — disse, desapontado.

— Prefiro. — Mordi o lábio inferior enquanto balançava a cabeça afirmativamente. — Ele me avisou que você faria isso, e eu na hora não acreditei que você havia mudado a esse ponto. — Eu tirei as angustias do fundo do peito.

— Eu não vou mudar minha atitude com você, mas eu achei que estivesse mais crescida e madura para ver os erros dos outros. — Andei, procurando o primeiro banco para me sentar. Havíamos saído do reservado e nos encontrávamos no jardim do salão de festas. Achei que ele fosse dar as costas e ir embora, mas não. — Digo por experiência própria. Já vi diversas garotas serem enganadas por ele, que faz isso com a maior naturalidade. Isso já faz parte da essência dele e te digo tudo porque não quero ver você sofrer. — Senti meus olhos encherem e sabia que as lágrimas começariam a cair em qualquer momento.

— Avisa aos meus pais que eu fui embora de táxi, não se precoupe porque eu tenho dinheiro para pagá-lo. — Em meio aos soluços, corri para a portaria do evento e entrei no primeiro táxi que vi.

Eu provarei para o Eduardo que ele estava completamente errado a respeito do seu melhor amigo, provarei que eu conquistei em poucos dias um daqueles caras que "é para casar". Em três dias eu estaria no país deles e tudo seria resolvido.

Notas finais
Qualquer coisa podem entrar em contato comigo pelo twitter (@whymirallegro), no meu blog (bulhufasdanath.blogspot.com) ou no tumblr (11n04) (uipcdm). Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.