Ela fechou a porta lentamente., os passos ganharam o corredor e chegou até o quarto, um cheiro de shampoo invadiu seus sentidos, espiou para dentro do banheiro e o viu se esforçando para pentear os cabelos encaracolados e molhados. Parecia uma tarefa difícil. Os braços erguidos e uma careta de dor.

_Gris ? Precisa de ajuda ?

_Oi querida … só preciso aguentar mais um pouquinho, isso não é nada perto do que tive que fazer para tomar um banho.

_Amor … eu já te disse, não seja teimoso, deveria ter esperado por mim.

_Preciso me virar … isso sim, você tem o que fazer.

_Isso inclui cuidar de você. — Ela pegou a escova de suas mãos, terminando a tarefa e conferindo se a faixa em seu dorso estava bem posicionada.

_Não deveria fazer isso sozinho.

Grissom se virou para ela com aquela feição de menino crescido, os olhos brilhando.

_Senti a sua falta …

_Eu sei …

Ele segurou a sua mão a apertando, Sara baixou os olhos.

_O que foi ? Aconteceu alguma coisa ?

Ela lhe deu um beijo curto, subindo sua mão até os pelos espessos de sua barba, acariciando com a ponta dos dedos. Ele era incrivelmente bonito !

_Precisamos conversar.

Aquele tom de voz ele conhecia, boas coisas não estavam por vir.

Saíram do banheiro e ela o ajudou a se sentar na poltrona, no canto do quarto.

_É o lugar onde me sinto mais confortável !

_Dever ser porque é anatômica ! — Sara sorriu de lado, mas ainda estava preocupada, se sentou na beirada do colchão.

_Gris … hoje passei até o local do acidente.

_E … o que tem ? — Uma sobrancelha se ergueu.

_Não há nada, em um raio de quatro quadras que venda chocolates ou algo parecido. O que você fazia lá ? Eu preciso saber.

Grissom suspirou e engoliu em seco.

_Acha que estava fazendo alguma coisa errada ?

_Sinceramente não sei … me lembro de ter dito que me amava antes de desligar.

_É eu disse … estava feliz.

_Estava ?

_Sim, muito feliz !

_Então … vai me dizer ?

_Só me responda o que você acha que estava fazendo ?

_Por mais que eu pense, não consigo uma resposta. Sei que não me enganaria.

Ele apertou os lábios. Tinha planos e o tempo certo para eles, diante daquilo precisava se antecipar.

_Eu queria reunir … todos em uma reunião aqui … em nossa casa !

Ela cruzou o braços, prestando atenção em cada palavra, viu — o se esforçar para levantar.

_Onde vai ?

_Pegar uma coisa !

_O que é ? Onde está ? Eu pego para você.

_Primeira gaveta a esquerda no armário.

_Sua gaveta de meias ?

_Sim.

Ela abriu e encontrou uma sacola prateada, bem pequena, entregou a ele, que abriu e retirou uma caixa preta, depositando na palma da mão, depois estendeu a ela.

_Abra …

Ela olhou e suas mãos começaram a tremer.

O conteúdo de seu interior ofuscou seus olhos, que já davam sinais de lágrimas.

Muito devagar e calmo ele começou a falar.

_No meio do jantar, depois que contasse a todos, ia te pedir em casamento. Era isso o que eu fazia. Não há lanchonetes, nem nada parecido, mas há uma joalheria, muito bonita por sinal, me deixou em dúvida sobre o que estava à altura do que sinto … por você. Ainda assim acho que eu mesmo deveria ter confeccionado uma joia do jeito que eu idealizei. Única e surpreendente. Espero que goste.

Ela se ajoelhou em frente a ele segurando seu rosto entre as mãos. Estava arrependida por ter imaginado que fazia alguma coisa de errado.

_Me perdoa Gris, mas nunca imaginei … uma coisa dessas.

_Um pedido de casamento ?

_Um plano tão lindo como esse.

Não suportando mais a vontade de lhe dar um beijo, ela buscou a sua boca quase o sufocando.

Tinha que admitir que ele a surpreendera de uma maneira encantadora.

_Eu te amo, eu te amo... eu te amo ... — ela repetia sem parar, nunca estivera tão feliz em toda a sua vida como nos últimos tempos.

_Hei … eu preciso respirar … querida.

Ela parecia não ouvir, beijava todo o seu rosto, as bochechas, o nariz perfeito, os olhos, a boca, as lágrimas escorrendo pela sua face.

_Você não imagina como me arrependo .. por achar que tinha alguma coisa errada.

_Confesso que te dei margem para isso. Eu te perdoo, mas se aceitar casar comigo.

_Hum ... vou esperar o jantar, assim nos redimimos, sei que ficaram chateados.

_Boa ideia. Eu aceito sua proposta, mas me deixe recuperar um pouco, não posso receber nem receber um abraço !

_Se pudesse … sairia para jantar, estou tão feliz que poderia … flutuar !

_Podemos pedir alguma coisa, um jantar pronto, arranjamos umas velas, e tudo vai ficar perfeito. -Depois de alguns segundos ele reclamou . _Não … acho que não seria bom, despertaria algumas ideias e isso … no meu estado … não seria justo ! Estou impossibilitado.

Ela começou a rir, depois passou as mãos pelo seu peito, muito devagar para não machucá- lo.

_Isso vai passar e aí, vamos retomar o tempo perdido !

Momentos depois eles estavam na sala, conversando quando surgiu uma ideia.

_Gris, amanhã acho que vou até a loja de ferragens, comprar uns rodízios e instalar naquela poltrona, o que acha ?

_Não tinha pensado nisso, é onde me sinto melhor.

_O Greg poderia me ajudar .. posso … chamá – lo aqui ?

_Sim … desde que ele fique longe de você !

_Você vai estar aqui o tempo todo, seu bobo !

Ele tentou abraçá – la mas não conseguiu, deu um gemido alto e voltou seu braço para a posição de descanso. Ela sempre pensava nele, isso o fazia ficar cada vez mais apaixonado.

_Gris … cuidado querido, deste jeito seu tratamento vai se alongar …

Neste instante a campainha soou.

Ela se levantou muito naturalmente e foi abrir a porta …