Um Homem Diferente
3 Chocolate ... branco
Grissom estacionou seu automóvel na garagem do prédio de Sara, escondeu sua surpresa no bolso interno de sua espessa jaqueta. O frio era cortante, suas bochechas rosadas denunciavam.
Desembrulhou um dos pequenos quadradinhos e o colocou na boca, o doce aerado se desmanchou, o gosto era muito bom.
Usando sua chave, abriu depressa a porta, aquele prédio era gelado demais.
Um sorrisinho malicioso o recebeu imediatamente. Ela o puxou pela gola da camisa o grudando em seu corpo, disparando ....
_Dias frios foram feitos para namorar !
Ele esperou ela colar seus lábios nos dele, sorrindo, com as sobrancelhas arqueadas.
_Você sabe que não resisto quando faz isso ...
Ela buscou sua boca sem cerimônia, estava quente, mesmo com o frio congelante.
_Hum ... chocolate ... hum … chocolate branco !
Como ela fazia aquilo ?
_Você quer ?
Ela o beijou mais uma vez.
_Muito bom ...
Grissom ergueu os braços se rendendo às mãos espertas dela.
Sara tateou os bolsos da frente da jaqueta, nada, depois desceu pelos bolsos da calça escura, encontrando apenas o metal frio das chaves. Deslizou suas mãos pelos bolsos de trás, sentindo a maciez de suas nádegas nas palmas das mãos. Sem sucesso.
Ela cruzou os braços, e se muniu de um biquinho adorável, fingindo estar emburrada.
_Vai desistir assim tão fácil, querida ?
Ela olhou para aqueles olhos adoráveis, que sorriam para ela.
As linhas de expressão denunciando o quanto lhe caía bem a idade, ele era um charme com seus cabelos grisalhos e ela era apaixonada por cada parte dele.
Então se lembrou dos bolsos internos de sua pesada peça de inverno. Pronto !
Sentiu os pequenos quadradinhos espalhados pela abertura e seu rosto se iluminou.
"Doce criança, que me faz tão feliz ! " — ela o encantava.
Sara degustou aquela tentação adocicada ... uma delícia.
_Sabe o que combina com esta maravilha ?
_Um café ?
_Hu hum ...
_Quer que eu faça ?
_Quero ... você se importa ?
_Claro que não.
_Tenho uma surpresa pra você também ....
_Uma surpresa ?
_Acabei de encher a banheira, a água está deliciosa ! Estou aceitando companhia ... quer se candidatar ?
_Imediatamente ...
_Então vá para o fim da fila ! — Ela riu abertamente.
Ele tombou a cabeça, com as mãos na cintura.
_Se bem que ... você tem prioridade, já é cliente da casa !
Grissom sorriu de lado, como de costume.
_Você …. só você ! — Estava perdido e nenhum pouco preocupado.
Sara já não se enganava mais, sabia o que ele significava para ela.
Mesmo com poucas palavras, ele fazia seu mundo muito melhor. O jeito doce de olhar para ela, pequenos gestos, carinhos furtivos, coisas simples.
A forma como a abraçava por trás, quando iam dormir e quando se encaminhavam para o banho.
Aquele gesto já era um costume, coisas da vida em comum.
Não conseguia mais se aceitar sem ele, quando o via na cozinha, um sentimento de leveza a fazia impreterivelmente, comparar sua vida de antes com a que estavam vivendo.
Ela gostava do espaço que ele dava a ela, e sabia que o contrário também era verdadeiro.
Tinham suas vidas, ele tinha seu trabalho, suas pesquisas constantes, coisas de Grissom.
Como quando ficava parado, o olhar para o nada, viajando por algum lugar, que talvez ela jamais descobrisse.
Ele era um homem de inteligência avançada, e como tal, parecia um tanto disperso e, até mesmo, meio lunático.
O quanto se afundava em seus livros, se esquecendo de tudo ao redor, o mundo parava quando ele se entregava à leitura.
O raciocínio constante, como uma máquina trabalhando vinte e quatro horas por dia.
A música clássica quando sentia o peso estressante tomar conta de seus ombros.
Mas eram momentos dele, ela tinha que respeitar.
Por outro lado, ela gostava de ouvir seus cds, sair de vez em quando com Geg, andar pelo parque, dormir até não aguentar mais.
Ele também sabia que ela tinha que ter seus momentos.
Tudo isso fazia diferença agora, sabiam que tinham um ao outro, nos momentos que quisessem. Sabia que um dia isso poderia mudar, mas iam acabar encaixando suas vidas malucas para viveram algo em comum, juntos !
A espuma escondendo seus corpos, uma nuvem de fumaça esbranquiçada, o calor aconchegante dentro da banheira.
Seus corpos muito juntos,se encaixando como uma luva em seu tamanho perfeito, nada a mais, nada a menos.
Uma música relaxante tocando ao fundo, pegando um delicado espaço em seus próprios pensamentos.
Pensamentos ...
Os dela naquelas mãos que a levavam ao delírio.
Os dele daquele corpo que o estava tornando tão dependente, feito uma droga poderosa que já não vivia mais sem experimentar !
As coisas como deveriam ser ....
_Sara ...
_Oi amor ....
_Eu te amo !
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