Um Grande Engano
2 Começando mais um Dia dos Namorados
Notas iniciais
—Bom dia meu amor.
Alice acorda sentindo um inconfundível cheiro de café no ar e sorri ao ver André em sua frente, com o seu sorriso lindo e uma bandeja em suas mãos.
—Bom dia. – Responde Alice se espreguiçando
—Feliz dia dos namorados, meu bem. – André coloca a bandeja sobre o colo de Alice que ainda está deitada na cama. – Preparei o café para você. – Diz ele enquanto da um selinho demorado na namorada.
—Que lindo, parece estar delicioso... – Diz ela olhando para a bandeja com a pequena térmica que pelo cheiro estava cheia com café, torradas cheias de mumu e geleia, uns pedacinhos de chocolate e uma xícara de chocolate-quente fumegante em sua frente. – Muito obrigada, lindo.
—Você merece gata. – Como ela ficava boba quando ele a chamava assim.
Alice mal sabe por onde começar.
—Você vai comer comigo, não vai? – Indaga Alice, mesmo já sabendo a resposta.
—Gata, você sabe que eu tenho que ir trabalhar. Dessa vez não vai dar, mas de noite a gente comemora... – Diz ele com um olhar brincalhão.
—Hum, tá bom. – Diz ela, mas já sorrindo.
Após André sair do quarto com a sua pasta de trabalho Alice termina de comer as suas guloseimas e ainda de pijama vai para a cozinha levar a bandeja.
Lá, como ela já imaginava, se depara com uma pequena pilha de louça que foi usada na produção do seu café da manhã especial. Migalhas por todo o lado, a torradeira toda melada e o fogão, em estado de calamidade, pois o chocolate-quente provavelmente havia “ido por cima”, como diria a mãe de Alice.
Após terminar de arrumar aquela bagunça, a garota mal teve tempo de colocar uma roupa e já estava correndo para o trabalho.
Toda vez que lembrava-se de que não mais trabalhava no estúdio de fotografia, Alice sentia uma pontada no coração. Gostava tanto do seu antigo emprego... Mas após as coisas com André terem ficado mais sérias e eles terem dado o passo de ir morar junto, ela precisara abrir mão de algumas coisas. Como por exemplo, do tão amado emprego. André a fez entender que o salário era deveras baixo e que ela devia aceitar uma proposta de secretária em uma grande empresa de informática que ele havia conseguido para ela.
Não é que o novo emprego fosse ruim, realmente não era e o salário compensava, mas ela gostava tanto do estúdio onde trabalhara antes e tinha certeza que após algum tempo ela acabaria sendo promovida e não ganharia mais o baixo salário de “assistente de fotografia”.
Essa não era única coisa da qual havia aberto mão por aquele relacionamento. Mas tudo bem, valia a pena, afinal, André era o grande amor da sua vida. Não era?
Alice entrou no ônibus que a levaria até o prédio onde trabalhava, não era muito longe, mas com o trânsito da grande cidade levava mais ou menos uma hora e meia.
Ela tomou lugar num dos bancos ao centro do ônibus, colocou os seus fones e já se preparava para entrar em modo “soneca” (como costumava chamar aquele estado de quase sono) quando reparou em um casal três bancos a sua frente, na fileira ao lado.
Ela estava com a cabeça escorada no ombro dele, os dois dividiam o mesmo fone de ouvido e só de olhar Alice sabia que eles tinham uma linda conexão. Deviam se amar muito, pensou a garota.
Eles a fazia lembrar dos primeiros tempos de namoro, o quanto estava apaixonada, o quanto ele parecia perfeito e como parecia flutuar sempre que pensava em André. Não que ela o amasse menos agora, ele ainda era o grande amor da sua vida, mas aquele fogo de paixão ardente era uma coisa mais guardada para os “dias especiais”.
Alice se pôs a imaginar um futuro para aqueles dois. Como seriam os seus filhos? Ela não conseguia ter uma ideia clara pois não via o rosto deles, somente a silhueta, mas imaginou uma menininha loira como a mãe e um menino, um pouco mais velho castanho como o pai.
E como seriam os seus filhos com André? Ela queria pelo menos uma menina, André preferia dois meninos. Ainda que eles não iriam escolher mesmo, ia ser uma briga a menos, pensou Alice, de certa forma, aliviada.
Alice tinha cabelos castanhos acobreados e queria que sua filha puxasse a ela nesse ponto. Adoraria cortar a franja da criança para deixa-la ainda mais parecida consigo mesma. Imaginava uma menininha magrela, com pequenas sardas como a mãe a correr pela futura casa que teria com André. Ah, eles iaô ser tão felizes...
Tão perdida em seus devaneios estava que mal notou a aproximação da sua parada. Levantou-se em um pulo e foi até a porta de saída.
Desceu do ônibus e andou alguns passos à direita e se virou até parar em frente ao grande prédio da Genius Corporation. A visão daquele enorme prédio de vidro sempre a tirava o fôlego.
Deu um passo a frente pronta para mais um dia de trabalho.
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