Um Gibb em Hogwarts
19 Onde o Amanhã Está
Notas iniciais
Apesar da tristeza que começava a sentir, cheguei com certa ansiedade ao Caldeirão Furado. Depois de tantos anos e tantas buscas perdidas, tinha que saber o que mais estava acontecendo no mundo da magia. Londres, como disse, estava completamente diferente de como era na metade dos anos noventa. O Caldeirão, porém, continuava intocável. Dirigi-me ao balcão, perguntando-me o que faria a seguir, quando uma nova surpresa apareceu.
— Matthew? Matthew, é você mesmo?
Com um misto de surpresa e contentamento, virei-me procurando aquela voz e só tive tempo de ver um terno marrom escuro cujos braços me envolveram em um abraço apertado. Neville Longbotton ainda não tinha perdido o dom de me assustar, mas dessa vez eu gostei daquilo.
— Neville! Caramba, tive muita sorte em encontrar você! Não reconhecia quase nada por aqui.
Afastei-me dele para vê-lo melhor. O rosto parecia um pouco afundado, pois tinha emagrecido bastante desde a última vez que o vira. Os olhos, porém, não mudaram em nada. O mesmo brilho maroto e vivo. Mas estava bem alinhado e aparentava estar vivendo bem. Perguntei o que tinha acontecido e ele me convidou a sentar com ele.
— Muita coisa aconteceu, Matthew. Hoje eu sou professor de Herbologia em Hogwarts.
Mal pude conter o meu entusiasmo. Poucas pessoas da nossa época, posso garantir, poderiam ser consideradas escolhas razoáveis para um cargo desses em Hogwarts. Neville tinha todas as qualidades essenciais do título e eu fiquei muito feliz de saber que ele tinha vencido essa etapa.
— E tem mais uma coisa – disse ele, baixando a voz e se aproximando de mim. – Qualquer coisa que você pedir aqui sai de graça.
— Como assim? – devolvi no mesmo tom.
— Bom, é uma das vantagens que eu tenho por ser casado com a dona do lugar. Minha esposa, Ana Abott, é dona do Caldeirão Furado já faz algum tempo. E essa não é a única surpresa que você verá por aqui.
Dito isso, ele levantou a mão esquerda e fez um sinal, chamando o garçom. Quando o vi se aproximar, realmente não tive como refrear o reflexo de procurar minha varinha. Neville calmamente segurou meu braço, sem deixar de sorrir.
— Acredito... – disse ele. – Que você já conheça o Draco.
É preciso que eu faça uma breve explicação sobre Draco Malfoy. Sua família toda é tradicionalmente Sonserina, absolutamente todos os Malfoys que um dia pisaram em Hogwarts. Entramos na escola no mesmo ano e, desde o início, ver o seu cabelo loiro coroando seu rosto arrogante e superior já era anúncio de problemas. Não havia ninguém mais indigno de simpatia do que o mimado Draco Malfoy. Em 1996, soubemos por rumores que o próprio Voldemort o convocara para ser um Comensal da Morte, dando a ele a missão de matar Dumbledore, missão que acabou sendo cumprida, como mencionei antes, por Severo Snape. O fato é que a última pessoa com quem eu esperava ver Neville tendo amizade era ele.
Era natural, portanto, que eu não pudesse entender aquela calma toda de Neville. Falava de Draco Malfoy como se fosse um antigo amigo da família. No entanto, o sonserino parecia realmente diferente em um cargo de serviço. E ele também sorria, sem qualquer traço de arrogância. Nada mais fazia sentido. Os cabelos ainda eram loiros, mas estavam começando a puxar para o branco e apresentavam pequenas entradas.
— Sim, Neville? – disse ele, puxando o bloco de notas do bolso. Provavelmente deve ter pensado que eu era só um cliente a mais que gostava de conversar com o marido da dona.
— Draco, reconhece este nosso convidado? – disse Neville, apontando-me. Draco parou a pena no ar por um instante, enquanto via meu rosto. Só precisou de alguns segundos para me reconhecer:
— Gibb? Mas isso é impossível! É você mesmo?
— Eu mesmo – respondi. – Mas ainda não consigo acreditar que…
— Ah – disse Draco, vendo suas próprias roupas com um sorriso amarelo. – Eu entendo. Eu, um Malfoy, me sujeitando a serviços da ralé. Provavelmente é assim que se lembra de mim e eu não o culpo. Muita coisa aconteceu comigo, Gibb, mas eu me endireitei. Isso, sim. Parei de tentar ser uma cópia do meu pai. Casei-me com uma mulher maravilhosa chamada Astoria e ela me deu um filho, Scorpio. Ele está em Hogwarts agora. Foram eles que me fizeram mudar. Eu estou lutando para restaurar a honra do meu nome de uma forma positiva para que meu filho possa ter orgulho de mim. Esse sou eu agora, Gibb.
Eu simplesmente não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Qualquer pessoa que tivesse conhecido o Draco Malfoy de 1991 até 1996 não poderia acreditar que ele pudesse fazer algo do tipo. Neville me deu um leve cutucão e completou:
— Draco está tentando ser curandeiro no Saint Mungus. Enquanto não consegue a vaga, minha esposa o empregou temporariamente aqui. Aos poucos, o Caldeirão Furado está voltando ao que era antes. Agora você já sabe o que estivemos fazendo, então é a sua vez de falar. O que está fazendo aqui?
— Vim procurar Luna.
Minha resposta não teve um efeito muito positivo. O sorriso de ambos sumiu, substituído por uma expressão preocupada. Neville respondeu antes que eu pudesse perguntar:
— Olhe, ninguém aqui mantém contato com ela já faz algum tempo. E, bom… A única pista que podemos lhe dar é que o Pasquim continua ativo. Talvez você possa rastreá-la.
Quando cheguei à antiga casa dos Lovegoods e vi as ruínas e o túmulo de Xenofílio, naturalmente pensei que o Pasquim também tinha ido para a memória. Fiquei mais aliviado por saber que havia um ponto concreto, mas fui obrigado a admitir que não me ajudava muito.
— Então… Luna continuou com a revista?
— Sim – completou Draco. – Agora ela se dedica a correr pelo mundo buscando provas que confirmem as matérias que o pai dela publicou em sua época. Além, é claro, de outras matérias de sua própria autoria.
— Correr pelo mundo? Então…
— Dificilmente ela volta para Londres, Gibb. Desculpe.
O meu peito começou a pesar. Quando eu pensava que estava perto de encontrá-la, um novo empecilho se criava. Joguei a cabeça na palma das mãos, sem que nenhum de meus interlocutores quisesse falar. Depois de alguns instantes, Neville mudou de assunto:
— Onde esteve esse tempo todo?
Dei uma inspirada mais forte antes de responder.
— Duelei com Rodolfo Lestrange durante o ataque a Hogwarts. Luna estava em algum outro lugar no salão, mas o atacou pelas costas. Ele se virou para tentar atacá-la e eu me pus no meio deles. Ele me estuporou e eu voei longe. Antes de desmaiar, lembro-me de ter visto a professora Minerva em cima de mim, dizendo que eu tinha que recuar. Depois disso eu simplesmente apaguei. Tive uma experiência meio que extracorpórea, embora eu realmente não saiba dizer o que aconteceu. Quando acordei, descobri que estava em coma em um hospital trouxa lá no Brasil, em Porto Alegre.
— Sei – disse Draco, depois de refletir um pouco. – Maximus Mortem. Deu sorte de ter quem a identificasse, Gibb. Se tentassem curá-lo com magia, seria inútil e você morreria mais rápido. Chegou a reparar que ele não usava a maldição da morte em ninguém?
Eu tinha reparado, mas não tinha pensado em procurar um motivo. O próprio Draco me explicou:
— Rodolfo gostava de se aproveitar desse encantamento para fazer os outros sofrer. A maldição da tortura era a sua preferida, pois, além da dor psicológica e física, ele podia se deliciar imaginando o desespero da pessoa em tentar se curar inutilmente. Ele era quase tão sádico quanto a própria esposa, minha tia Belatriz. Há quanto tempo você acordou?
— Um dia.
— E o deixaram vir para cá?
— Eu fugi. Não aguentava passar mais tempo longe de Luna.
Neville se levantou, fazendo um sinal para Draco. Este apertou a minha mão e disse:
— Foi ótimo revê-lo, Gibb. Eu preciso voltar aos trabalhos lá em cima – e, dito isso, soltou minha mão e subiu as escadas. Neville pôs o chapéu e caminhou na direção da abertura para o Beco Diagonal.
— Bem, Matthew, é sempre um prazer rever os amigos, principalmente aqueles com quem travamos batalhas tão memoráveis. Mas infelizmente eu tenho trabalho a fazer. Acredite quando eu digo: dissemos tudo o que podíamos.
— Tudo bem. Eu vou continuar.
Neville, sombriamente, pôs a mão no meu ombro e disse em voz baixa:
— Só uma coisa antes: há mais sobre essa história do que você vai aguentar saber. Não sei se eu sou a melhor pessoa para dizer isso, mas, se não deseja sofrer além do necessário, não busque saber mais sobre Luna Lovegood.
— Que história é essa, Neville? É claro que eu quero saber mais. Quero encontrá-la!
— Tudo bem, mas se lembre de que eu tentei avisar. Farei um último favor a você e daqui para frente será por sua própria conta.
Ele disse isso e entrou correndo no Beco Diagonal. Tentei ir atrás, mas a passagem rapidamente se fechou. Comecei a me perguntar o que ele queria dizer com isso. O que havia sobre Luna que eu não desejaria saber? Estava começando a ficar mais confuso do que quando chegara.
Saí do Caldeirão Furado e voltei para o hotelzinho onde eu estava na Baker Street. Deitei-me na cama e comecei a chorar, sem luz no fim do túnel. Aliás, minha sorte era tamanha que uma luz no fim do túnel provavelmente seria o trem vindo estourar meu peito. A única pista que eu conseguira era que “O Pasquim” seguia na ativa. Mas onde seria a nova redação? Será que continuava com a pouca fama que possuía antes? Levando em conta que Luna tinha a mesma cabeça que o pai, não seria surpresa. Embora Draco Malfoy tenha dito que ela estava atrás de provas para as matérias de Xenofílio, não acreditava que pudesse encontrar alguma coisa. No mundo trouxa, obviamente, eu não tinha acesso à revista, então continuava de pés e mãos atados. Mas eu tinha que continuar procurando.
Mal acabei de concluir isso, uma coruja bateu na minha janela: pequena e acinzentada. Comecei a me perguntar de quem poderia ser, enquanto abria a janela para lhe permitir a entrada. A coruja parou em cima da mesa e eu soltei o papelzinho que trazia amarrado em sua pata. Qual não foi a minha surpresa ao ler a mensagem:
“Querido Matthew,
Recebemos uma coruja de Neville há alguns minutos. O fato de ele ter escrito não nos surpreendeu mais do que saber que você está vivo. Ele contou a sua história e que você está procurando por Luna. Podemos fornecer alguns detalhes, mas não sabemos precisar onde ela está. Há mais de dois anos, não sabemos notícias além das que saem no Pasquim. Escreva de volta e, se quiser, damos o nosso endereço para que você venha nos ver.
Com muitas saudades,
Harry e Gina Potter."
Ora essa! O favor a que Neville se referia! Mais do que depressa, respondi a mensagem. Um novo fio de esperança me aparecia. Observando a coruja ir embora (ouvi uma mulher gritar no andar de cima. Acho que a ave passou na frente da janela), consegui me dar ao luxo de dormir. Algum tempo depois, obtive a minha resposta. A casa deles não era muito longe de Londres. Valia uma corrida de trem. Respondi novamente, dizendo que no dia seguinte eu estaria lá. E assim o fiz.
Convidado também para pernoite, encerrei minha estadia no hotel e parti rumo à casa dos Potters. Naquele momento, eu notei pela primeira vez as roupas que eu joguei na mala enquanto estava em Porto Alegre: quatro mudas de roupa de baixo e quatro ternos. Amo usar ternos, mas não sabia que isso estava tão entranhado no meu inconsciente a ponto de só pegar isso para viajar. Isso explica eu não ter achado meu pijama quando fui dormir…
Não vou cansá-los mais ainda contando detalhes menores da viagem, exceto uma hora em que estava tomando café no vagão-restaurante e olhei pela janela uma nuvem solitária passando pelo céu. Não sabia se era efeito da minha mente, extasiada por estar perto de ver novamente a garota da minha vida, mas a nuvem começou a tomar a forma de um “L”. Assim que desembarquei do trem, a primeira coisa que me chamou a atenção foram os cabelos de Gina. Aquele ruivo ativo e forte estava um pouco sem brilho, mas ainda era o suficiente para se destacar do restante dos cabelos escuros e sem vida que a rodeavam. Harry foi o primeiro a me ver e eu fui na direção deles.
— Velho colega! Fugiu de Hogwarts tentando me procurar e só me encontrou depois de duas décadas! – disse ele, abraçando-me pelos ombros, enquanto eu largava minha mala no chão e retribuía animado. Seu rosto estava diferente, mas ainda lembrava um pouco os traços do velho Harry que eu conhecera. Quando eu fui cumprimentar Gina, notei que ela estava muito mais bonita, com uma postura mais madura e forte. Esforçava-se para parecer normal, mas eu notei que ela estava querendo chorar. Abracei-a e senti suas lágrimas condensadas caírem no meu pescoço. Harry pegou minha mala e nos indicou o carro em que vieram. Um carro trouxa – não vou dizer qual para não fazer propaganda indevida.
— Matthew, isso é inacreditável – disse Gina, enquanto Harry guardava minha bagagem no porta-malas e eu me acomodava no banco traseiro. – Conte-nos detalhes sobre o que aconteceu! Nós todos ficamos muito preocupados depois do seu desaparecimento de Hogwarts.
Contei para eles a mesma história que meus pais me contaram depois que eu acordei em Porto Alegre. Gina parecia mais ansiosa que Harry, mas não me perguntou mais nada. Podia ver pelo retrovisor que ela estava preocupada com alguma coisa, mas tentando disfarçar. Logo chegamos à casa deles. Era grande, embora meio retirada. Dois andares, arquitetura simples e aconchegante.
— É um belo lugar.
— Obrigada – disse ela, enquanto nos sentávamos no sofá. Harry gritou que ia preparar o almoço e foi para cozinha.
— Teu marido cozinha? – perguntei um tanto surpreso. Uma das famas evidentes de Harry Potter era, além de ser um completo sortudo, um verdadeiro tapado para quase qualquer tarefa manual.
— É a necessidade – respondeu Gina. – Meu tempo é meio cheio por causa do trabalho, então ele teve que aprender a se virar enquanto não estou aqui para paparicá-lo. Sou correspondente sênior de Quadribol no Profeta Diário.
— Sério? Pensei que fosse continuar jogando Quadribol depois que terminasse em Hogwarts.
— Continuei. Fui jogadora profissional do Harpias de Holyhead, mas tive que pendurar a vassoura quando vieram os nossos três anjinhos.
— Filhos? Sério?
— Os dois mais velhos, Tiago e Alvo, estão em Hogwarts agora, seguindo os nossos passos. Que pena que você não pôde ver Lílian. Ela foi passar umas semanas com a minha mãe. É um doce.
Casamentos… Filhos… De novo! E eu de fora de tudo isso, perdendo um maravilhoso mundo que se desenrolava enquanto eu era mantido em coma no Brasil. Aquela foi a primeira vez que a ficha realmente caiu, quando antes eu apenas estava tentando me dar conta. Eu não tinha vivido. Todos esses vinte anos, em que podia estar tendo uma maravilhosa vida ao lado da garota que eu mais amei no mundo, perdidos. Comecei a lacrimejar de leve, enquanto Gina tirava meus óculos e limpava minhas lágrimas.
— Matthew… Eu sei que você não pôde controlar tudo o que aconteceu. Nada foi sua culpa. Luna amadureceu muito rápido depois daquela noite, mantendo as esperanças de que um dia você voltaria. Nos anos seguintes, ela se empenhou muito para ficar mais forte. Ela foi uma peça fundamental para derrotarmos Voldemort, tudo porque mantinha em seu coração a imagem de vocês dois juntos. Esse era o objetivo por que lutava.
— Ela… Me esperou?
— Sim… Mas…
— Mas? Mas o quê?
Gina me aninhou em seus braços e disse maternalmente:
— Não é minha intenção deixá-lo mais tenso do que você já está, meu querido amigo. Eu prometo que lhe direi, mas não agora. Vamos almoçar, espairecer, deixar que você se componha aos poucos. Quando estiver pronto, eu direi tudo que tem que saber.
Concordei, pondo os óculos de volta. Alguns minutos depois, fomos almoçar. Eu confesso que comi só para não fazer desfeita, porque eu estava tão agoniado que comecei a enjoar. Não que Harry cozinhasse mal. Para alguém que eu lembrava ser distraído e atrapalhado, sua mão para culinária era surpreendentemente boa. Depois do almoço, fui acomodado no quarto de hóspedes que, para minha surpresa, tinha uma varanda com uma janela francesa. Tinha uma vista magnífica do terreno em volta da casa. Mas não quis ficar muito tempo olhando. Logo me atirei na cama. De duas em duas horas, um dos meus anfitriões vinha me oferecer alguma coisa, mas eu sabia que no fundo eles só queriam ter certeza de que eu continuava vivo.
Durante mais ou menos cinco dias foi assim. Caminhávamos pelo jardim e pelo lago próximos, jogando conversa fora sobre os tempos de escola. De vez em quando, íamos até a cidade para fazer compras ou resolver pendências e, nesses momentos, eu ficava mais livre para observar a própria vida. Isso começou a rarear com o tempo. Eu sondava Gina, na esperança de que ela me contasse o que era esse segredo, mas não conseguia sucesso. Um dia, quando já estava anoitecendo e eu estava numa das minhas frequentes letargias preso no quarto, observei um carro se aproximando pela estrada e entrando pelo portãozinho de acesso à casa dos Potter. Não me interessei em saber quem era, mas algo me disse que eu ia saber de qualquer jeito. Ouvi passos na escada. Pela delicadeza da pisada, deduzi logo que fosse Gina. E acertei.
— Matthew, dá licença?
— É sua casa, Gina, e você ainda é minha amiga. Não precisa pedir licença para entrar.
— Obrigada. Chegaram visitas e eu tenho certeza de que você vai querer vê-los.
Já me animei!
— É ela?!
— Não. Desculpa.
Já me desanimei…
— Então quem é?
— Calce os sapatos e venha. Você vai gostar!
Dei a ela uns metros de vantagem e desci as escadas. A casa estava meio quieta, mas, quando eu cheguei à sala, uma voz chegou aos meus ouvidos:
— Não acredito! É ele mesmo!
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