Um Gato Entre Uns Pombos.

1 Um Gato entre uns Pombos.


Um Gato entre uns Pombos

ou

Não, Eu não Sei Desenhar.

Eugênio Passos.

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Dedicado ao Clube dos Quadrinheiros de Manaus.

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"O (duplo) sonho do faraó reduz-se a um só (...) o sonho é um só.”

(Gn. 41, 25-26.)

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"Não, eu não sei desenhar", pensa o gato

Gordo, ruminando suas perplexidades.

Lá fora, estão uns pombos

Esdrúxulos, planando condoreiramente.

"Estranhos, aqueles pombos", reflexiona o gato,

Perplexo, meditando quão insólitos, aqueles pombos,

Que não arrulham, mas grasnam;

Não voam, mas pairam.

"Vulturinos são, e não columbinos!", exclama o gato],

Silencioso, de si para si, quando os pombos,

Ebâneos, e não ebúrneos,

Circulam, infindos, no páramo empíreo,

Em vez de esvoaçar, circunscritos, à beira dos telhados.

"Não, eu não sei desenhar", boceja o gato,

Lasso, refestelado nuns como devaneios,

Enquanto, lá fora, uns pombos, aqueles,

Entregam-se a orgiásticos volteios.

O gato dorme e sonha: ei-lo entre uns pombos, aqueles]

E, em sonho, indaga-lhes a eles:

"Não vos importa que eu não seja um gato, porquanto voe?"];

Mas qual resposta melhor ressoe,

Senão o desenho que traçam aqueles gatos,

Embora voem?

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