Notas iniciais
Agora que estou de ferias os capitulos estão saindo mais rapido. Talvez o final demore um pouco, pois estou me dedicando a outras fics.

Finalmente chegaram ao quarto e Bakura se certificou de não se perder no caminho. Ele não tinha falado com Marik ao longo do caminho, teve medo do loiro ter ficado irritado por ele ter dito que havia um envolvimento entre eles. O albino mordeu o lábio nervosamente enquanto o médico olhou para a sala antes de abrir a porta. Bakura entrou no lugar apreensivo, o coração estava acelerado e a respiração pesada. Não podia imaginar como Marik estava.

O quarto era simples, duas grandes janelas com as cortinhas fechadas, no peitoril de uma das janelas haviam várias coisas que Bakura não deu muita importância, uma cama com vários equipamentos em volta. O albino se aproximou da cama e suspirou.

O paciente era um rapaz de longos cabelos dourados que contrastavam com a pele bronzeada. Os olhos estavam fechados e escurecidos em volta deles. Bakura observou o corpo boquiaberto, não sabia o que dizer, queria ir ate o corpo e toca-lo, sua pele, seu cabelo. Olhou para Marik, que se aproximava para olhar mais de perto.

- Esse realmente sou eu, não é? — ele murmurou levando a mão a boca, seus olhar estava conturbado. Bakura se preocupou, deveria ser difícil olhar para seu próprio corpo num estado desses — Estou tão diferente... — disse num fio de voz olhando cada detalhe de seu corpo, seu olhar era triste ao ver seu corpo e se perguntava o que tinha acontecido.

- Você esta lindo... — Bakura murmurou baixinho. Marik olhou para ele, mas não tinha escutado, estava perdido em seus próprio pensamentos..

Ambos ficaram em silêncio observando o corpo, Marik estremecia ao pensar no que havia acontecido, ele precisava descobrir. Bakura por outro lado observava o corpo totalmente encantado.

- Eu... Nunca pensei que seria assim... — o albino murmurou suavemente. Ele estava certo que se pudesse, o loiro estaria chorando neste momento. Deu a volta parando do lado oposto de onde Marik estava e se ajoelhou entre os fios dos equipamentos. Estendeu a mão e tocou a mão do corpo de Marik. Sua pele era macia e levemente quente. Bakura se sentiu preso, como se não pudesse se levantar mesmo que quisesse.

- Será... Que eu posso me religar ao meu corpo? — Marik perguntou mais para si mesmo. Sentiu um calor na mão esquerda e olhou para a mão com curiosidade. Nada. Ergueu uma sobrancelha e olhou para Bakura e o viu segurando e acariciando a mão esquerda de seu corpo. Franziu a testa, ambos podiam se tocar, mas Marik nunca sentia o calor do toque, mas agora que o albino tocava seu corpo ele podia sentir.

Ele mordeu o lábio inferior e deu um passo para frente se aproximando mais de seu corpo. Não queria incomodar Bakura, ele parecia absorto em seus pensamentos. O loiro estava determinado a tentar qualquer coisa para se conectar com seu corpo agora que o encontraram, depois se preocuparia com o que aconteceu.

Respirou fundo e mergulhou em seu corpo, fechou os olhos com força enquanto fazia isso. Abriu os olhos e olhou em volta, não sentia nenhuma diferença. Se sentou e olhou para a cama e viu que ainda estava separado de seu corpo. Olhou para sua mão e ainda podia sentir o calor do toque de Bakura, se levantou e se colocou no colo do albino.

- Bakura... — chamou baixinho. Bakura olhou para ele sem mover a mão — Eu posso sentir a sua mão... Acariciando a minha. É uma sensação... Calorosa... — o loiro se sentia idiota por dizer isso. Não sabia como descrever o que sentia. Bakura piscou e afastou Marik de seu colo para se levantar, ele se inclinou para poder acariciar delicadamente a face morena. Marik fechou os olhos apreciando o calor em seu rosto e sorriu alegremente para o albino — Bakura, você sabe o que isso significa? Se encontrarmos uma maneira de me conectar ao meu corpo... Então eu... Eu vou... Nem sei... — Marik olhou para o chão como se procurando as palavras para dizer o que sentia, olhou para cima novamente e encontrou dois orbes castanhos em sua frente.

- Você estará livre. — Bakura sussurrou com um singelo sorriso. Marik acenou com a cabeça, estava feliz por saber que não estava morto, apesar de sentir uma grande dor ao ver seu corpo nesse estado — Marik, precisamos descobrir o que aconteceu... — Bakura dizia, mas foi cortado pelo barulho da porta se abrindo, ambos se viraram bruscamente para ver quem era.

Encontraram parada a porta uma mulher de cabelos longos e negros, olhos azuis e pele um pouco mais clara que de Marik, ela carregava um buque de lírios, junto dela vinha um rapaz muito parecido com Marik, tirando que ele era mais musculoso, os orbes eram num tom mais escuro e os cabelos estavam num penteado arrepiado, e ainda havia uma garotinha de cabelos castanhos escuros e olhos azuis que carregava um ursinho pelo pescoço.

Bakura prendeu a respiração e esperou a reação de alguém — Ishizu! Mariku! Sarah! — Marik sussurrou não acreditando.

Bakura olhou de canto para ele e depois para os três a sua frente, que olhavam para ele com curiosidade — Err... Desculpe. Eu saio se vocês quiserem... — disse sorrindo timidamente. Marik bateu a mão na própria testa, não acreditava na própria sorte, mas logo se desanimou, tinha esquecido que somente Bakura podia vê-lo.

- Tudo bem... Já nos conhecemos? — a mulher disse se aproximando. Bakura deu de ombros e sorriu para eles — Bem, sou irmã de Marik, Ishizu e este é Mariku gêmeo de Marik. Suponho que seja amigo.

Bakura morde o lábio. Disse ao médico que ele e Marik tinham sido mais que amigos para poder ver o egípcio, mas não poderia mentir para os irmãos dele — Sim. Um amigo... — sentiu uma dor no peito ao dizer a palavra amigo, mas sorriu forçadamente. O albino não conseguiu entender o que isso significava, mas resolveu ignorar essa sensação no momento.

O irmão de Marik soltou um pequeno riso — É bem a cara dele não nos deixar conhecer os amigos... — ele sorriu amargamente.

Marik se aproximou — Mariku... Ishizu... — ele suspirou, nenhum podia vê-lo.

- Ele sempre foi discreto com sua vida social. Por isso não nos conhecemos, err... — ela faz uma pausa.

- Bakura. Meu nome é Bakura. — ele diz sorrindo.

Ishizu sorriu e Marik tinha certeza que sentiu seu peito doer. Ele não falava com seus irmão já fazia tanto tempo e agora que estava na mesma sala que eles, ambos não podiam vê-lo nem ouvi-lo. A garotinha soltou a mão da mãe e puxou o tio para perto da janela, Marik os acompanhou.

- Então... O que aconteceu? Eu e Marik perdemos contato e quando voltei... — Bakura se cortou, não queria mentir mais. Ishizu suspirou e caminhou ate a mesa de cabeceira no qual havia um vaso, colocou as flores lá e sorriu para o loiro deitado.

- Ele sofreu um acidente de moto... — ela disse calmamente afastando mechas loiras da face do irmão. Marik tentou chamar a atenção de Bakura, mas decidiu que era melhor deixa-lo ouvir. Foi ate a janela e sorriu para seu gêmeo e a sobrinha que tentava pegar outro bicho de pelúcia.

Ishizu deu a volta e ficou perto de Bakura — Eu não quero que Sarah ouça isso. — Bakura acenou e olhou para Marik por cima do ombro da mulher — Ele estava a caminho de uma convenção de historia, ele era um convidado especial e no caminho... — os olhos dela marejaram.

- Aquele idiota! Eu disse pra ele não andar naquela coisa! — Mariku resmungou pegando a sobrinha no colo e se levantando. Bakura sorriu de forma simpática e olhou de canto para Marik e o loiro sorriu tristemente.

Sarah soltou um Hunf! de irritação por estar sendo segurada. Marik riu — Como eu poderia me esquecer de você, Sarah? — ele murmurou. Piscou algumas vezes quando viu a menina olhar diretamente para ele e se aproximou dela — Sarah... Você pode me ver? — ela não disse nada, mas sorriu de leve — Você sabe que estou aqui. — a garota se encolheu enterrando o rosto no ombro de Mariku.

Ishizu sorriu — Ela sente falta dele. — ela disse para Bakura cujo olhar tinha mudado para Marik, ele queria ficar sozinho com o loiro novamente, queria dizer algo para anima-lo.

- É estranho... Há momentos em que a frequência cardíaca muda de repente, como se ele fosse acordar... Mas nunca acontece. — ela diz sorrindo tristemente.

- Quando ele acordar eu mesmo me encarrego de bater nele, ai ele nunca mais vai andar de moto. — o gêmeo resmungou.

- Mariku! — ela o repreendeu sem graça. Bakura sorriu de canto e olhou para o corpo de Marik.

- É o que você pensa! — Marik disse mostrando a língua para o irmão e sorrindo divertido.

- Bem, foi bom te conhecer, Bakura. — ela sorriu e abriu a porta para sair.

- Te vejo por ai. — Mariku disse colocando a garota no chão e a pegando pela mão.

- Err... Qualquer coisa vocês poderiam me avisar? — Mariku olhou para ele — Eu moro no antigo apartamento dele e gostaria de saber se acontecer alguma mudança. — disse meio sem jeito. Mariku sorriu e assentiu antes de sair e fechar a porta.

Bakura virou-se para Marik, que estava olhando os objetos que estavam na janela e lá continha uma foto que o albino não tinha notado, nela estavam Ishizu, Mariku com cara emburrada e Marik com a sobrinha no colo, que estava puxando uma mecha de cabelo do loiro.

- Acho que você nunca ficou tão quieto. — disse sorrindo de leve.

- Gostaria que eles pudessem me ver e ouvir. Apesar... — ele apontou para a foto e se virou para o albino — Sarah... Ela parecia saber que eu estava aqui. — ele olhou para a foto tristemente.

- Olha, Marik... — Bakura dizia, mas foi cortado.

- Não, Bakura. Me escuta por um segundo. — ele disse se colocando de frente ao albino. Bakura sentiu seu coração disparar. Não tinha ideia do que ele poderia querer dizer — Eu quero... Ficar aqui esta noite. — ele murmurou olhando em volta. O albino abriu a boca pra dizer algo, mas não sabia o que dizer, não esperava isso dele — Eu sei que parece estúpido... Mas eu sinto que preciso fazer isso. — Bakura forçou um sorriso e Marik pegou sua mão — Eu sabia que você ia entender. — sorriu.

Bakura balançou a cabeça, tinha certeza de que seu coração já estava doendo só de imaginar passar uma noite longe de Marik.

Notas finais
Comentarios?