Um Estranho Em Minha Vida
2 Capítulo Um
CÁPITULO UM – SÃO PAULO
Estou em São Paulo onde tudo é muito movimentado, como as pessoas aguentam tudo isso. Perdi as maravilhas do Rio de Janeiro para a cidade cinzenta que é São Paulo.
Avisto minha tia no meio de toda aquela gente voltando de viagem, estamos em Janeiro e muitas pessoas foram encontrar seus familiares, viajaram com a família e eu perdi a minha voltando justamente daqui. Estou inconformada.
- Oi tia tudo bem?
- Oi Manu tudo sim e com você como foi de viagem?
- A viagem foi ótima, só estou um pouco cansada podemos ir para casa?
- Claro vamos.
O bom da tia Vitória é que ela não gosta de perguntar muito e não fica insistindo para você falar sobre o que está sentindo. Ela tem 26 anos, tinha um namorado que a traiu com a melhor amiga e disse que está cansada dos homens, ela dizia que esse foi o seu único amor e que ela nunca gostou tanto assim de uma pessoa como dele. Eu particularmente nunca me apaixonei e espero que isso nunca aconteça, é claro que já fiquei com alguns garotos no Rio, mas nada muito intenso como o amor.
A tia Vitória mora em um apartamento legal no bairro da Lapa, demoramos uma eternidade, mas conseguimos chegar em casa.
- Manu tem um quarto só pra você, com um banheiro só pra você. Gostou?
- Nossa tia que demais, muito obrigado, um banheiro só pra mim que demais.
- Eu trabalho das 8h00 às 17h30 chego em casa por volta das 19h00, você acha que fica bem sozinha nesse período?
- Com certeza. Não sei o que vou ficar fazendo sozinha nesse local enorme, mas eu ficarei bem.
- Tudo bem! Beijos estou voltando pro trabalho só fui te buscar. Até mais tarde!
- Beijo tia! Até!
- Vamos parar com esse tia né, a partir de agora só Vitória, ok?
- Ok ti.. Vitória! Vai demorar pra acostumar.
- Mas foi um bom começo. Fui.
Esqueci, a Vitória é meio doidinha, mas é uma ótima pessoa. Que legal estou sozinha em um apartamento gigante, onde há quinze dias estava com os meus pais, festejando o ano novo, todos felizes. Relembro o acidente e a única coisa que queria era voltar no tempo e não ter brigado com minha irmãzinha no banco de trás e atrapalhado meu pai na direção, e ele ter batido o carro naquela árvore e eu, apenas eu sai ilesa desse acidente, com ferimentos leves, porque isso, como sinto saudades daquela chata, Lucia como você me faz falta!
Estava tão triste, resolvi comer algo. Fiz um lanche para mim e depois fui para o meu quarto, deitei e comecei a chorar lembrando-se dos momentos felizes que tive com os meus pais e minha irmã. De repente ouço alguém me chamar, olho no relógio e vejo que ainda são 16 horas da tarde, minha tia só chega às 19 horas, quem deve ser? Será que ela chegou um pouco mais cedo? Vou ver quem é chegando perto da sala sinto-me arrepiada e assustada, quando viro na cozinha avisto minha irmã Lúcia sentada no balcão da cozinha. Fico desorientada e com medo, e ela diz:
- Calma Manu, não fique com medo, sou eu, sua irmãzinha que você tanto ama.
- Lúcia é você mesmo? Mas como?
- Sim sou eu, serei sua companheira, te ajudarei e você não pode impedir isso, mas não quero entrar em muitos detalhes porque é um pouco complicado.
- Mas como? Você precisa me contar.
- Não, agora não. Só quero que não conte a ninguém sobre isso, só você pode me ver está entendendo, e não estarei sempre aqui, então tome cuidado.
- Como assim, tome cuidado, o que pode acontecer comigo?
- Calma, quando chegar a hora você saberá.
- Saberá do que?
- Nossa você sempre perguntou demais, quer saber, vou ir embora, porque você já me irritou. Qualquer dia eu volto.
- Vai pra onde?
Novamente a sós, eu só poderia estar sonhando, estava tremula arrepiada, eu estava mesmo conversando com a minha irmã, mas como isso era capaz? O que poderia acontecer comigo, para a minha irmã de 12 anos estar falando para eu tomar cuidado. Isso está muito estranho. Volto a me deitar, só que agora no sofá. Entediada, ando pela casa e encontro um livro, Romeu e Julieta, nunca fui fã de romances, mas estava sem o que fazer e comecei a ler o livro. Quando assustei, minha tia estava abrindo a porta, com várias sacolas na mão e gritando:
- Manu, ajuda aqui!
- Calma, calma estou chegando!
- Ufa! Finalmente em casa! Estou tão cansada.
- O que é tudo isso?
- Comida! Amanhã é sábado e vamos sair.
- Pra onde?
- Sei lá, levar você para conhecer um pouco da cidade. Mas me diz uma coisa, você não saiu daqui o dia inteiro?
- Não – respondi – pra onde eu iria?
- Sei lá, fazer algumas amizades pelo condomínio, conhecer algumas pessoas, ir até o Mc Donald’s deixei um dinheiro na mesa da sala.
- Você não falou de dinheiro, e também não estou com muito animo pra sair de casa.
- Tudo bem, mas amanhã você vai sair comigo né?
- Sim, Vitória, eu saiu com você.
- Então eu vou tomar um banho e vamos comer.
Nossa, ela demora no banho hein?! Mas finalmente saiu e preparamos um sanduíche para nós duas.
- O que você fez o dia todo? – ela pergunta.
- Fiquei deitada na minha cama, ai depois desci, encontrei minh... – esqueci que não podia falar sobre Lúcia – encontrei esse livro aqui e fiquei lendo, até que está interessante. – estou falando a verdade, o livro é muito bom.
- Hum, nossa, mas eu nunca tinha visto esse livro antes aqui em casa, onde você o achou?
- Na estante da sala.
- Estranho, eu não leio muito e nunca comprei um livro, não sei como ele foi parar lá, deu até arrepio.
No mesmo instante, algo me chamou atenção na janela, e vi Lúcia, fazendo um sinal para eu não falar mais nada, ficar quieta sobre o livro. Será que ela o colocou em cima da estante? O que estava acontecendo?
- Bom você já terminou de comer? – pergunta Vitória.
- Sim! Quer que eu lave a louça?
- Não pode deixar amanhã nós lavamos juntas, vamos dormir, porque amanhã vamos levantar cedo.
- Tudo bem! Vou tomar um banho e dormir!
- Eu já estou indo me deitar, você fica bem?
- Pode deixar boa noite!
- Boa noite! Durma bem!
Tomando banho, a pirralha da Lúcia aparece me dando um susto e fala:
- Toma mais cuidado viu?
- O que fiz? Foi você que deixou o livro na estante?
- Não! Quero saber quem foi! Por isso peço para tomar cuidado!
- Mas quem pode ter deixado o livro lá, se a porta estava trancada?
- Não sei! Mas a partir de agora deve tomar muito cuidado com quem você fala, não sei quem pode estar querendo chamar sua atenção, pode ser algo perigoso.
- Nossa assim você me assusta!
- Manuella, você está bem? – pergunta Vitória.
- Estou sim! Por quê?
- Com quem você está conversando, pareço ter ouvido você falar algo de assustar?
- Com ninguém estava cantando, costumo fazer isso quando tomo banho.
- Ah! Tudo bem!
Lúcia foi embora e eu nem percebi! Terminei o banho, pus meu pijama e fui dormir! Dormi chorando lembrando-me do meu pai, me dando um beijo de boa noite. Lembrava da minha mãe, olhando eu e minha irmã pela porta do quarto, pensando que estávamos todas dormindo. Saudades desse tempo. Onde será que eles estão agora? Finalmente pego no sono.
- Manuella?
- Mãe é você?
- Oi filha, vejo que está bem. Pare de ficar dormindo chorando, isso não irá te ajudar.
- Mas mamãe, sinto saudades de você, onde está o papai?
- Seu pai infelizmente não conseguiu me acompanhar, nem a sua irmã, estou à procura deles, para que possamos fazer a travessia para a outra vida juntos.
- Travessia? Para onde?
-Mãe?
Vejo que estava sonhando e caindo em lágrimas, quando a Vitória aparece correndo no meu quarto.
-Calma Manu – diz ela – Você teve apenas um pesadelo.
- Não era um pesadelo, era um sonho bom, mas ruim.
- Com assim, não entendi?
- Era a minha mãe, ela falou sobre travessia, não sei o que estava acontecendo, mas eu não queria que tivesse acabado eu quero meus pais e minha irmã de volta, porque Deus foi tão injusto comigo, que nunca fiz mal a ninguém?
- Manuella, vamos voltar a dormir, já são 3 horas da manhã e não consegui pregar o olho com você soluçando e chorando dormindo, por favor, venho aqui no quarto de dez em dez minutos ver como você está.
- Desculpa Vitória, não queria te incomodar, vou tentar dormir sem fazer barulho.
- Não Manu, não me interprete mal, você não está incomodando, apenas tente ter uma noite de sono boa, não pense nos seus pais ou na sua irmã, pense em coisas boas, ajuda um pouco. Tudo bem?
- Tudo tia. Vou pensar no nosso passeio por São Paulo de amanhã, quer dizer hoje né? – Rimos um pouquinho, e Vitória me beijou na testa, igualzinho a meu pai, não é a toa que os dois são irmãos e ela não esteja sentindo a falta dele também.
- Boa noite pequena, durma bem.
- Boa noite ti... Vi... durma bem também e desculpa.
- Por nada, e cuidado com esse ‘tia’ hein menina!
- Pode deixar.
Voltei a dormir.
Acordei e o Sol estava entrando no meu quarto pela janela, olhei o relógio e vi que eram 8 horas da manhã e um cheio de queijo derretido vinha da cozinha. Levantei, tomei um banho e desci, Vitória estava preparando nosso café.
- Bom dia, Vi!
- Bom dia, está animada pequena.
- Hoje é meu dia, estou muito feliz – estou mentindo, estou péssima, só estou assim para não chatear minha tia.
- Que bom, vamos comer rápido, porque já vamos sair, está um sábado lindo lá fora.
- Eu percebi, o Sol está lindo!
- Só pra te informar, já te matriculei na escola aqui do lado.
Tinha me esquecido que tinha que ir para a escola, e agora.
- Escola?
- Claro Manuella, não vou deixar você perder o último ano, e as aulas começam semana que vem, aposto que você não tem nem material não é?
- Verdade, não tenho. Mas...
- Calma, vamos sair pra fazer isso, ai depois voltamos pra casa, nos arrumamos melhor e pegamos um cineminha, tudo bem?
- Ok. Mas pra onde vamos hoje. Não me diga que é aquela parte da cidade, cheia de gente.
- Isso mesmo, estamos a caminho da famosa Vinte e Cinco de Março.
- Meu Deus, me ajuda! – Disse.
- Calma, não é tão ruim assim.
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