Um Estranho Em Minha Vida
4 Capítulo Três
CAPITULO TRÊS – A ESCOLA
Acordo cedo, e logo penso primeiro dia de aula, estou nervosa, tensa, é meu primeiro dia em uma escola nova, em outro estado e no último ano. Já vi que não vou conseguir me enturmar.
Minha tia está na cozinha preparando o café enquanto desço as escadas.
- Bom dia Manu, – ela disse – está animada para o primeiro dia de aula?
- Bom dia, não muito, não sei se vão gostar de mim, sou nova, no último ano, é difícil se enturmar!
- Calma! Você vai se sair bem, não tenha medo. Agora toma o seu café, porque o dia é longo!
- Ok.
Tomamos nosso café da manhã, sem falar mais nada, até que minha tia fala me dando um susto:
- Vamos?!
-Nossa que susto – ela ri – claro não tem outra opção.
Pego minha mochila e entro no carro, a escola fica a dois quarteirões do nosso condomínio, ela fica no alto da Lapa. Quando chegamos, a escola já estava lotada de pessoas se abraçando, matando a saudade dos amigos, e eu sozinha encostada na parede.
Fui até a secretaria e todos estavam me olhando como: “Nossa uma novata!” ou “Quem é essa ai?” Muito brava com isso, pego meu horário e descubro que tenho duas aulas de matemática. Dirijo-me para a sala e encontro um grupo de pessoas, todos me olhando. O professor chega, ele é bem alto e estiloso, e parece que todos gostam dele. Quando entro na sala, percebo que está tudo dividido em duplas, e agora o que eu vou fazer?
Vou falar com o professor e ele da um grito:
- Pessoal essa daqui é a Manuella, ela estará conosco esse ano, só que não tem dupla, alguém ai está sozinho?
Um garoto lá no fundo levanta a mão, ele é alto, cabelo bem estiloso, tem uma aparência física ótima, fico até com vergonha, o professor prossegue:
- Raphael está sozinho, tem algum problema pra você Manuella?
- Não tenho escolha! – Menti é claro, com certeza não tem problema.
- E pra você Raphael? – pergunta o professor.
- Com certeza não, será um prazer!
- Olha como é elegante esse menino. Então vai lá Manuella.
Fiquei toda vermelha, me sentei ao seu lado e o professor começou a falar:
- Meu nome é Carlos, pra Manuella que não me conhece, e vamos começar assim...
Perdi o rumo da aula, o Raphael não parava de me olhar e não conseguia me concentrar com isso, percebi que uma garota, cuja não sei o nome, não parava de me olhar também, mas o olhar dela era de raiva, muita raiva.
- Atenção para a chamada! – disse Carlos – Chamarei os nomes completos apenas para conferir, tudo bem?
Então começou a chamada.
- Com licença – o garoto do shopping entra na sala, me olha com um sorriso e depois continua – Carlos, posso entrar?
- Atrasado no primeiro dia, tinha que ser você né Philip? Vai logo para o seu lugar.
Ele entra e senta sozinho no fundo da sala. Pela chamada descubro que a garota que me olhava estranho se chama Gabriella Pedroso.
- Manuella Cardoso Mendes? – chama Carlos.
- Presente! – respondo.
Após alguns nomes, algo me chama atenção, o nome do garoto do cinema Philip Morais Harrison, é um H. O sobrenome dele é com H. Meu Deus será ele o dono do livro? Será que ele entrou na minha casa? Estou muito assustada.
- Raphael Carvalho Henrodale? – chama Carlos.
- Aqui! Finalmente acertou na pronuncia! – diz Raphael.
- São três anos né querido.
- Gostou do meu nome Manuella? É londrino. – pergunta ele.
- É legalzinho! – respondo indignada com a pergunta – E, por favor, me chame apenas de Manu.
- Ok! Alguém já te disse que você é muito bonita?
- Obrigada!
- De nada! Pessoas bonitas devem receber elogios sempre, a qualquer momento.
Fico com vergonha, ele é muito bonito, e um elogio vindo dele, nem sei o que pensar.
- Quanto tempo para acabar essa aula?
- Apenas dois minutos.
Assim que o sinal tocou sai direto para a aula de português. O que tinha de errado comigo? As pessoas ainda me encaravam.
Parece que nessa escola nada é individual, e matemática é dupla, já português é trio, com quem será que vou me sentar? Espero ficar longe do Philip.
- Ei! – ouço alguém – Você mesmo Manuella.
- Eu? – pergunto.
- Sim! Senta com a gente.
Um garoto, cujo lembro rosto, mas não o nome me chama para sentar com ele, ao seu lado tem uma garota, acho que não é a namorada, quem chamaria uma garota para conversar com a namorada.
O garoto é magro, tem cabelos escuros, olhos castanhos claros, e é sorridente. A garota é loira, tem cabelos longos e lisos, muito lindos, é magra estilo modelo.
- Tudo bem – respondo.
- Sou Arthur Novais, e essa Julia Santini.
- Prazer. Sou Manu Mendes. Parece que vocês usam bastante o sobrenome por aqui.
- É legal. Agora senta.
- Nossa – disse Julia – Seu cabelo é lindo!
- Obrigada, mas o seu também é maravilhoso – disse a verdade, a garota tinha um cabelo invejado.
- Bom, vi que sentou com o bonitão do Raphael Henrondale – disse Julia.
- Bonitão? Puf nem é tudo isso – menti, o cara é perfeito.
Ele tinha os cabelos pretos, olhos preto feito carvão, um rosto lindo, com pouca barba, o seu estilo rocker era de me tirar o folego, e seu ouvi bem, ele gosta de Nirvana. O homem dos sonhos.
- Ah! Para! – disse Arthur – concordo com a Manu! O cara nem é tudo isso! Ele é apresentável.
- Ah Arthur! Isso é tudo inveja.
- Eu sim sou lindo!
- Só que não – disse os dois e caíram na gargalhada. Eu apenas sorri, encontrei pessoas legais.
Ao me voltar para a porta Philip entra na sala me olhando, junto com a garota, cujo nome é Gabriella.
- Podem me falar um pouco dessa garota? – perguntei.
- Quem? Gabriella? – pergunta Arthur
- Sim!
- Bom, já sei por que ela te olha! Você é mais bonita que ela, com certeza – fiquei vermelha com o comentário do Arthur.
- Verdade! – disse Julia – mas também porque o Raphael Bonitão é ex-namorado dela, ou seja, isso é ciúmes e inveja.
A professora chamou nossa atenção e ficamos quietos até o fim da aula.
O sinal toca, e é hora do intervalo. Sigo Arthur e Julia, ficamos conversando no pátio.
- Bonitinho chegando – disse Julia.
- O quê? – respondi sem entender
- Olá! – disse Philip
- Oi!
- Muito engraçado né?
- O quê? – respondi em dúvida.
- Eu e você ficamos nos olhando no cinema.
- Como? Na verdade você estava me olhando.
-É... Desculpa não ter ido falar com você! Fiquei com vergonha da sua tia.
- Sério?
Sim, nunca te vi por aqui.
- Bom... Acabei de me mudar do Rio de Janeiro.
- Que legal! Mas você não tem sotaque.
- Nasci aqui, e fui para o Rio quando tinha 7 anos.
- Ah!
- HARRISON – gritou uma voz afeminada, era Gabriella.
- A gente se fala – disse Philip.
- Ok.
Ele foi até ela, enquanto isso ela me encarava.
- Hum... – disse Julia – O Philip é bonitinho, mas ainda prefiro o Raphael.
- O que? Não, só fui gentil.
- Sei.
Passei pela aula de inglês, história e física. E essas por incrível que pareça eram individuais. Mesmo sem celular, troquei números de telefone com Julia e Arthur. Nessas aulas o Raphael, o Philip e a Gabriella não paravam de me olhar, fiquei sem jeito e com raiva.
Ao voltar para casa, senti alguém me seguindo, quando olhei para trás vi o Raphael. Como pode existir tanta beleza?
- Por acaso está me seguindo? – perguntei.
- Não! Apenas indo para casa. Posso ir com você
- hum! Tudo bem vamos! Melhor do que ir sozinha.
- Então... Do Rio de Janeiro certo?
- Como você sabe?
- você contou pro Philip, não foi?
- Vocês são amigos?
- Não, eu odeio esse cara. Ele contou pra Gabi, que contou pra mim.
- Nossa que legal. Porque você o odeia?
- Ele apenas “ajudou” no término do meu namoro, me humilhou e está tentando tirar de mim o que eu mais quero.
- O que você mais quer?
- Desculpa, isso eu não posso dizer.
- Ok! Bom eu cheguei. Obrigado pela companhia.
- De nada.
Entrei no prédio, e ele entrou também.
- Raphael, já nos despedimos.
- Eu sei, porém também moro nesse prédio.
- O quê?
Continuei andando, como pode o cara mais gato do colégio morar no mesmo prédio que eu. Inacreditável.
- Ei! – gritou – Quer ir junto pra escola amanhã?
- Minha tia me leva.
- Não é melhor tirar essa responsabilidade dela? Eu posso cuidar de você – disse rindo.
- Eu sei me cuidar sozinha tá!
- Então, me encontra aqui amanhã às 6h45min.
- Ok!
Subi para o apartamento com um sorriso no rosto, parecia uma besta. Fiquei lembrando do me dia, conheci pessoas legais, as aulas eram boas, um cara lindo mora no meu prédio. E um outro tem vergonha de mim.
Agora estou intrigada com aquela garota. Porque me olha como se quisesse me matar?
Tomei um banho, comi um hambúrguer e fui fazer minha tarefa.
Dormi no sofá.
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