Um Encontro Na Tempestade
6 Super Luffy ao resgate
Notas iniciais
Mas fiz esse capítulo grande pra compensar XD
Boa leitura!
Acordar foi realmente embaraçoso. Luffy e Nami abriram os olhos ao mesmo tempo, e se depararam com uma situação constrangedora: haviam se aproximado mais durante o sono, pois suas testas estavam encostadas, os narizes a milímetros um do outro; as pernas estevam embaralhadas embaixo da coberta, cruzadas e uma sobre a outra. O mais estranho é que, de algum modo, suas mãos estavam juntas, os dedos entrelaçados. Involuntariamente durante a noite eles haviam dado as mãos, juntado as pernas, aproximado os rostos. Estavam dividindo a mesma respiração, o mesmo calor.
Quando perceberam o quanto estavam próximos, tão rápido quanto se poderia dizer '"desculpe"', eles se empurraram para trás. Meio que um chute meio que um pulo, fez suas cabeças acertarem as paredes da caverna, trazendo um lindo galo para cada um. Levantaram esfregando a cabeça. Seus rostos poderiam chamar atenção do meio do oceano de tão vermelhos, pareciam ketchup apimentado.
Palavras de desculpas jorravam engasgadas de suas bocas ao mesmo tempo.
- M-me d-des-desculpe... — tentou dizer Nami
- E-eu n-não -q-queria... — gaguejou Luffy
Perceberam o quão seria inútil tentar dizer algo naquele estado, então eles simplesmente ficaram em silêncio. Arrumaram seu pequeno cobertor, pegaram a cesta de piquenique... Até tirar o musgo da parede era mais atraente do que se encarar com aquele constrangimento.
Como diabos aquilo havia acontecido? Sim, eles dormiram bem próximos, mas se mexiam tanto durante a noite a ponto de se enroscar daquele jeito?? Os rostos e as pernas eram até aceitáveis, mas o mais estranho de tudo era acordarem de mais dadas. É realmente possível isso acontecer involuntariamente? Pelo jeito sim, pois Nami ainda podia sentir os dedos de Luffy entrelaçados entre os seus.
Sem nada melhor para fazer, resolveram tomar um café da manhã, com um pouco de sanduíches e suco da cesta. Durante a refeição eles mal se falaram, até que a navegadora tomou coragem:
- Eu realmente não sei como a situação ficou daquele jeito... eu sinto muito.
- Ei, a culpa não é sua — respondeu ele — além disso, não é tão sério como se alguém estiver ferido. Nós só....- ele corou e baixou o olhar.
- Tem razão. Não há motivo pra tanta vergonha. Afinal a gente só... — ela engoliu em seco e terminou — dormiu junto e acordou meio embolado — ela deu um risinho — não é como se eu te odiasse.
- Ufa, que ótimo — Nami lhe deu um olhar desconfiado — digo, eu estaria numa fria em ter você como inimiga.
Os dois companheiros riram relaxados e desviaram os olhos de volta para o lanche. Depois de uns minutos onde só se ouvia o som das ondas e o barulho de comida sendo mastigada, Luffy perguntou:
- Mas você... err, você... — ele estava nervoso em perguntar — você gostou?
Nami o encarou por alguns segundos antes de desviar o olhar, vermelha.
- Bem... N-não posso dizer que foi ruim... digo — sua boca estava seca — Na verdade... é, de certa forma, pode-se dizer que eu gostei s-sim.
De repente, seu copo pareceu realmente interessante. Tudo o que ela queria era continuar encarando algo que não fosse Luffy, mas olhou pra cima, encontrou-o tão vermelho como ela, e indagou:
- E você? Gostou?
Ele pigarreou antes de responder:
- É... não chega perto do quanto eu gosto de carne, mas sim, eu gostei.
- Hahaha — ela riu — tem alguma coisa que você possa gostar mais do que carne??
- É, tem razão. A estátua de bronze chega perto,mas acho que não — ele riu também.
Fitaram o oceano, admirando aquelas águas azuis e calmas pela primeira vez desde a queda.
- Pera aí, calmas? — Nami levantou com um sobressalto — desde que chegamos aqui, o mar está agitado e tempestuoso. Mas agora ele está calmo!
- Tem razão — Luffy olhou para fora e concluiu — é um mar misterioso.
-Você não entende? Pode ser nossa oportunidade de procurar ajuda!
- Como?
- Não é óbvio sr. esperto? Podemos aproveitar que a tempestade deu uma folga e construir algo para mandar pelo mar, sei lá — ela passou os olhos pela caverna — podemos fazer um barco com o barril!
Luffy inclinou a cabeça, confuso
- Assim, vamos modificar o barril para que ele "navegue" pelo mar, na esperança de que nossos companheiros vejam e saibam que estamos bem. — explicou
- Aaahh genial!! Também podemos mandar uma mensagem!!
- Exatamente. Temos aproveitar essa chance, vai saber quando o mar vai ficar daquele jeito de novo.
Luffy correu até o fundo da caverna e voltou com o barril, um de seus poucos pertences.
- Hm, uma pergunta. Como vamos transformar isso num navio? — questionou ele.
- É nessas horas que o Usopp e o Franky fazem falta... — ela lembrou dos companheiros desanimada — Vamos ter que usar nossa criatividade e habilidade em carpintaria.
- Mas nos não temos criatividade e habilidade em carpintaria — observou ele.
-Então não vai ser fácil. Ah vamos, vai ser divertido.
Passaram o resto da manhã e a tarde toda desmontando e quebrando madeira e juntando tudo de novo num formato que lembrasse vagamente um barco. Arranjaram um jeito de encaixar as tábuas umas nas outras, e no final estavam parecendo firmes.
Levantaram-se limpando o suor da testa e admiraram o trabalho. Se visto de um certo ângulo, dependendo da iluminação e usando um pouco de imaginação, aquilo lembrava uma embarcação. Colocaram na água e festejaram quando seu projeto ficou flutuando na água calma.
- Conseguimos!!! Uhuuuu — Luffy dava pulinhos felizes.
-Háaaa quem disse que a gente não pode construir? — Nami sentia-se orgulhosa — toca aqui parceiro!
Bateram as mãos gritando "'YEAH!".
Assim o barco se foi, levado pela correnteza, carregando em uma simples mensagem a esperança de dois companheiros perdidos.
Combinaram em escrever algo simples, que pudesse ser entendido somente por seus amigos, então talharam na madeira ''carne cama cuidado''. Esperavam que sua tripulação entendesse o recado: tinham comida e abrigo, uma caverna que precisava de cautela para se aproximar. Como assinatura, marcaram um grande X, e assim a mensagem estava a caminho.
Nami sentou-se e ficou observando a embarcação sumir no horizonte sob a luz do pôr do sol, enquanto Luffy juntou os pedaços que sobraram do barril e levou de volta para dentro. Tudo parecia estar correndo bem, logo logo estariam com seus amigos de novo. Foi então que algo surpreendente aconteceu.
Enquanto a navegadora observava seu reflexo no mar, a água começou a borbulhar, e mais e mais até que começou a subir, e de lá a cabeça de um rei dos mares apareceu. Pelo seu tamanho ele não passava de um filhote, mas continuava sendo uma criatura enorme e assustadora, com escamas verdes e olhos selvagens. O monstro escancarou a boca e rugiu, fazendo Nami paralisar de medo, seu cérebro se recusando a funcionar. "É isso. Esse é o meu fim, ser devorada por um peixe assassino" pensava abismada enquanto encarava a cara horrenda de seu predador.
A criatura lambeu os beiços (se um peixe tiver beiços) e se preparou para dar o bote. Quando tudo estava para acabar em tragédia, um míssil em altíssima velocidade veio com tudo de dentro da caverna, direto na cara do rei dos mares. O monstro ganiu quando seu rosto foi amassado pela força do poderoso soco e lançado para trás, seguido de seu corpo, e logo estava fugindo para o fundo do oceano, deixando apenas uma garota espantada. Aos poucos Nami foi se recuperando do susto e despertando os sentidos. Assim que processou que fora o braço de Luffy que a salvara, ela se virou louca para agradecer, mas se deparou com uma cena realmente cômica.
O capitão estava parado com as mãos na cintura em uma pose heróica, fitando o horizonte enquanto os ventos esvoaçavam seus cabelos e sua... capa? Sim, Luffy estava usando uma capa. Na verdade era sua toalha/cobertor. Em seu rosto, um largo sorriso de dever cumprido. Nami tentou evitar, mas assim que o viu daquele jeito ela caiu na gargalhada.
- O... o que é isso?! — perguntou ela em meio aos risos.
- Você acabou de ser salva pelo Super Luffy, o justiceiro da Carne!!! HAHAHAH — mais um sorriso brilhante — Ei, do que você está rindo?
- N-nada não — ela pôs a mão na boca para tentar esconder a risada — bela capa.
- Não é? Eu achei incrível! — disse admirando a toalha.
Nami já estava se recuperando do ataque do monstro e do ataque de risos.
- Ufa, ah obrigada por aquele soco lá. Jurei que ia morrer.
- Nah, só um peixinho daqueles não faz nem cócegas!
O estômago do capitão, há tanto calado, entrou na conversa com um grande ronco.
- Uuh, depois desse dia cheio eu estou com muita fome, vamos fazer um banquete de novo!! Sigam o Super — Luffy deu meia volta e começou a marchar em direção a cesta de comida.
- Como quiser, ''Super Luffy'' — Nami deu um risinho e começou a segui-lo.
A noite prometia trazer tranquilidade e descanso, mas algo mais estranho ainda aconteceu de novo.
Enquanto andava, a navegadora parou abruptamente quando ouviu uma voz em sua mente. Não uma voz qualquer, uma voz dolorosamente familiar. ''Nami... ei Nami, trouxe mais dinheiro, hein?''. Ela congelou, não querendo acreditar que fosse verdade. Qualquer um menos ele. Mas seu temor se confirmou quando uma risada fria e maligna ecoou em sua cabeça. "SHAHAHAHAHA"
A voz de Arlong a aterrorizou mais do que o rei dos mares ou a queda do navio. Estava a ouvir de novo o tirano que roubara tudo dela, sua família e amigos e tudo de mais precioso, explorara seus dons de cartografia para seus próprios fins, e a traíra quebrando sua única promessa. O tritão que ela mais tinha medo e ódio invadia agora sua mente, paralisando seus sentidos, seu corpo, sua razão. Ela não tinha ideia do que estava acontecendo, só que a voz continuava a aumentar. Nami gritou desesperada e se deixou cair no chão tremendo. Agarrou sua cabeça e começou a gritar:
- PARE! Pare! Faça isso parar!!
- Ei Nami o que está acontecendo??? Ei!! — Luffy correu em sua direção.
Luffy. Seu nome fez o medo abrandar. Seu capitão, quem derrotara Arlong, quem a salvara inúmeras vezes, quem era capaz de se sacrificar por ela. Ele agachou em sua frente e chacoalhou seus ombros.
- NAMI! O que você tem??? Me fale!! — ele exigiu.
- Ahh... Uh éeh... — a voz de Nami não formava as palavras.
- Você está doente? Precisa de carne?? Aqui, você deve estar com frio — Luffy desamarrou sua capa e usou-a para cobrir as costas da amiga — venha, consegue andar?
- Ar...Arlong... Sua voz n-na ... Minha c-cabeça...
- O que?? Arlong?? Onde?? — ele começou a olhar em volta — você tem certeza? — seu tom era de preocupação.
- S-sim, de repente e-eu posso ouvi-lona minha cabeça — ela soluçou — Luffy, me ajude!
Ela se surpreendeu quando ele fez algo inesperado: a abraçou.
Com o rosto em seu peito ela chorava fraquinho. Não entendia o porque disso estar acontecendo, esse pânico repentino, mas estar em contato desse jeito com o amigo fazia seu medo se dispersar. O calor de seu corpo a esquentava e a deixava segura. Ela queria ficar ali para sempre.
De repente ele se levantou e a pegou no colo, levando-a para o cantinho onde sempre ficavam, e sentou-se com as costas apoiadas na parede e as pernas cruzadas, de modo que Nami parecia uma criança aninhada em seu colo, rosto e mãos em seu peito. Ele apertou os braços em volta do corpo dela e encaixou a cabeça em seu delicado ombro, sussurrando em seu ouvido:
- Está tudo bem. Ninguém vai te machucar. Eu estou com você.
E ficaram assim por um tempo. Muito ou pouco, Nami não soube, até que ela chamou:
- L-luffy?
- Hm?
- Obrigada. Por tudo. Tudo.
E se aconchegou mais no colo do capitão, sua mente totalmente esquecida da voz aterrorizante de pouco tempo atrás. Agora seu foco era somente Luffy, e como seus corpos pareciam se encaixar perfeitamente bem desse jeito. Suas respirações estavam sincronizadas, os corações batendo forte, os rostos quentes. Poderiam estar oferecendo laranjas frescas lá fora que Nami não daria a mínima.
Ficaram juntos por um tempo que nenhum dos dois se preocupou em definir, somente foi o abraço mais tranquilizante que Nami já recebeu, e o mais longo. Ficaram assim até adormecer.
Notas finais
Eai, como ficou? Até eu estou ficando empolgada em escrever. Críticas, elogios, reviews?
Obrigada por ler, aguarde o próximo capítulo!
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