Um Doce Sacrifício
1 Carta nº 1 - Apresentações
Notas iniciais
Olá Anônimo, meu nome é Agnes Lancaster.
Hoje é dia 1º de janeiro, estou no alto de uma colina, falta apenas um minuto para a meia noite. No horizonte, à apenas alguns metros de distância, consigo ver a praia lotada de pessoas inteiramente de branco; dá para sentir daqui o frescor de álcool, drogas, perfumes levemente exagerados e falsas esperanças renovadas. É incrível como o mundo pode mudar a partir da meia noite.
Nesse ano que chegará daqui um minuto (talvez até alguns segundos) eu completarei 17 anos, estarei no segundo ano do ensino médio e tenho a pequena impressão que alguém ou alguma coisa irão entrar em minha vida e deixar tudo de ponta cabeça, mas, talvez seja uma pequena esperança perdida que resta em mim, a mesma impressão que venho tento à quatro anos, a mesma falsa esperança que as coisas irão melhorar.
E você, Anônimo, qual é sua falsa esperança?
Quando eu tinha doze anos, era uma verdadeira colecionadora de decepções, todas ocasionadas por falsas esperanças que eu guardava.
Eu era muito magra, enquanto todas as meninas de minha classe já estavam começando a ter corpos de mocinha, modelados e bonitos, eu era a tábua. Não tinha massa muscular, nem peitos, coxas ou bunda; os meninos debochavam de mim me chamando de tripa seca, Olívia Palito, despeitada e coisas do gênero. Mas, pelo menos a espera por um corpo bonito valeu a pena. Passei pela puberdade, e agora aos dezesseis anos, meu corpo é formado, ganhei um pouco de massa muscular, e lógico, meus peitos e minha bunda cresceram; mas os traumas de ser uma garota esquelética não me deixaram.
Ao olhar para o céu estrelado me lembro disso, de minhas falsas esperanças, e dos últimos quatro anos que passei sozinha, passando noites em claro, esperando que as coisas mudarem. Mas elas não mudam, a menos que você tome alguma iniciativa.
E ah, veja, meia noite.
Em uma fração de segundos, o céu recebe novas estrelas.
Azuis, vermelhas, brancas, verdes, amarelas... Todas as cores possíveis estão entre elas. Os fogos estouraram por cerca de cinco ou dez minutos, iluminando o céu noturno de todos os jeitos possíveis. Logo depois, houve um pequeno silêncio e uma brisa fria, porém aconchegante, passou pelos ares, como se o ano novo estivesse realmente mudando as coisas. Mal posso esperar para ver a merda de sempre que esse ano vai estar.
Sabe o que eu me dei conta esses dias Anônimo? Que não é a virada do ano, os fogos ou as músicas que mudam o ano, o único que pode mudar as coisas é você.
AL
Notas finais
Abraços :D
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