Caio abriu a porta, sua mão, atrás das costas, escondia algo:

– O que você tem aí atrás, hein?! – Leandro estava curioso.

– Hmm, é pra você. — Estendeu a mãe e entregou um box do filme preferido de Leandro, flores e uma lasanha.- Para comemorar nossos 3 anos de namoro. – Disse envergonhado, mas muito feliz.

– Que surpresa boa, achei até que você fosse esquecer, mas eu também comprei uma lasanha!

Gargalhando Leandro foi até a cozinha e preparou a mesa com as duas lasanhas.

– Sabe, meus pais vão vir para cá em três dias... – Falou seriamente.

– Sério? Finalmente!! – Caio não conseguiu esconder sua felicidade.

– Nossa! Você queria tanto assim se livrar de mim? — Perguntou Leandro cabisbaixo.

– Claro que não. — Suas mãos foram em direção ao rosto de Leandro e o acariciaram. — É que agora você vai poder contar a eles! Contar sobre nós, sobre nosso amor! Você disse que só estava esperando para falar com eles pessoalmente, então...

– Pois é...

Leandro tirou a mão de Caio de seu rosto.

– Vamos comer.

– Claro!

A reação de Leandro deixou Caio um pouco confuso. Enquanto revirava na cama, pensava: "Por que ele fez aquela cara? Será que ele não vai contar? Não. Claro que não. A gente se ama, eu o amo, e tenho certeza que ele me ama. Todo esse tempo

ele não quis contar a eles, pois queria vê-los pessoalmente, então ele vai contar, eu não preciso me preocupar! Ele gostava de homens antes de mim, dããr, calma, sem estresse".

– Para de se mexer Caio! Eu quero dormir!!

– Eita!! Desculpa! Te amo. — Respondeu sorrindo.

– Também te amo... — Disse Leandro em voz baixa.

Dormiram. E os outros três dias pareceram intermináveis, para ambos.


– Lisa! — Disse Leandro surpreso ao abrir a porta.

– Leandro!! Finalmente, estamos aqui! — Respondeu, alegremente, já acomodada no sofá.

– Cadê nossos pais?!

– Já estão em casa. Aluguei um apartamento pela internet.

– Nossa, e vocês nem me avisaram. — Decepcionou-se.

– Bem, você também não me contou sobre você e o Caio.

– C-Como??

– Você sabe, eu sou uma amiga dele, a melhor, então ele me contou, mas eu entendo que você queira ver nossos pais para contar a eles também. — Disse enquanto pegava água na geladeira. – Leandro não respondeu.

Lisa sentou-se ao lado dele no sofá.

– Entendo... – Disse após beber um gole de água.

– Entede o que? – Arregalou os olhos.

– Você ficou em silêncio.

– E?

– E que você parece não estar pronto. Mas eu, sinceramente, pensei que vocês se amavam...

– E eu o amo! Mais do que tudo! Mas... – Leandro ficou em silêncio mais uma vez

– Mas?

– Eu não sei... Nossos pais...

– Eles não vai aceitar?

– Vão! E mesmo se eles não aceitarem, eu não ligo!

– Como você é estranho! Então qual é o problema?? – Lisa já estava sem paciência.

– Eu não sei!! Eu não sei! Eu não me entendo. Eu o amo, eu o amo demais, eu...

– Tem medo.

– Tenho medo...

Os dois pararam de falar. Até que o Caio chegou. Os três conversaram por um bom tempo.

– Bem gente, tenho que ir agora. Amanhã eu venho ajudar a levar suas coisas, Leandro.

– Tudo bem, até a noite acho que tudo está pronto.

– Mas você não precisa ir para a casa dos seus pais. A gente pode ir lá e falar — Leandro abaixou a cabeça.- Ou você, se preferir, pode ir sozinho e contar. — Caio abraçou Leandro.

– Já vou indo, gente! — Gritou Lisa, da porta.

– Tchau! — Responderam os dois.

“Por que ele fez aquela cara quando eu disse para contarmos sobre a gente?” e dormiu. No dia seguinte, quando Caio chegou do trabalho, as coisas de Leandro já não estavam mais lá.

– Que estranho...

Encontrou um bilhete grudado na lasanha que estava no congelador: “Caio, achei melhor não contar para os meus pais, por enquanto. Venha no nosso apartamento, fica naquele prédio da esquina, 3º andar, número 31. Te amo”.

– Por que ele não quis contar? Será que nosso amor não é maior? Será que eu me empolguei demais? Ou tudo acabou? Não, não. Eu não sei porque fico pensando assim... Se eu, que sou eu, consegui contar, ele consegue, afinal, ele já sabia que era

assim antes de mim. É, não preciso me preocupar! Amanhã eu vou lá e esclareceremos tudo.

Tentou disfarçar sua aflição até o momento de ir à casa de Leandro, mas finalmente chegou a hora. Caio nervoso tocou a campainha.

– Você deve ser o Caio. — Atendeu, feliz, a mãe de Leandro.

– Sim, sim, sou eu mesmo, senhora Nollevan.

– Me chame Lena, vamos, entre, entre. — Segurou no braço de Caio e o puxou para dentro.

Após as apresentações e uma conversa acompanhada por um delicioso bolo, Leandro e Caio foram para o quarto:

– Então me fala, o que acontece? Por que você ainda não falou com eles? Eles são tão legais. – Caio perguntou, enquanto tentava se acalmar por causa da situação.

– Eu vou contar! Só preciso de mais tempo com eles, prepará-los melhor.

– Mas você teve três anos. Nós tivemos três anos! – E seu período de calma acabou.

– Você não entende!

– O que eu não entendo??

– Eu tô com...

– Hm??

– Medo... — Sussurrou Leandro.

– Medo?! Medo do que?? — Gritou Caio.

– Não sei...

– Então o medo é maior do que o amor? O seu medo conseguiu vencer o nosso amor? Você nem ao menos tenta lutar contra isso?? – “O que eu temia está acontecendo...”

– Eu tento... — Leandro abaixou a cabeça.

– Leandro, você não vai contar? — Disse Caio já irritado.

– Não! Eu não consigo contar!! – “Não, por enquanto...”

Os dois discutiram e Caio, estressado, voltou para casa. Cada um em seu quarto, em seu apartamento, começou a lembrar de como eram suas vidas, de como se conheceram, de como o amor foi rápido e avassalador, e como se apaixonaram. Aqueles quatro anos: não era muitos, mas havia muita história. E quando Caio estava quase dormindo, a campainha tocou:

– O que você tá fazendo aqui?

Leandro, chorando, o abraçou. Caio não conseguiu resistir e o abraçou também.

– Eu te amo, me desculpa...

– Eu te amo também, mas...

– Mas?

– Parece que não é o suficient... — Leandro o interrompeu com um beijo. – Você está aqui, mas ainda não contou a eles, né?

– Me desculpa.

Entraram. Caio secou as lágrimas de Leandro e o beijou; seus beijos foram, lentamente, até sua orelha e Leandro sorriu: retribui o beijo, suas mãos pequenas e geladas na nuca de Caio arrepiaram-no.

– Só você faz eu me sentir assim, Leandro, por isso queria contar a todos...

Foram para a cama e a noite foi ótima, assim como sempre eram e melhoravam, dia após dia. Ao amanhecer, Caio já estava acordado e sussurou no ouvido de Leandro:

– Eu te amo, mas infelizmente seu medo é maior, né? Eu espero... Esperei tantos anos por um amor verdadeiro e agora não quero nunca te perder...

Uma lágrima caiu dos olhos de Leandro, enquanto Caio se levantava e se arrumava para o trabalho. Na hora de ir, mesmo sem olhar para Leandro, disse:

– Você fica lindo dormindo. — Sorriu. — Quero te ver assim para sempre...



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.