Um Dia No Acampamento Meio-sangue
9 Melinda
Notas iniciais
O Chalé de Hermes não estava realmente me incomodando. O que realmente estava me incomodando eram os meninos que gostavam de fazer pegadinhas! São muito irritantes! E ainda tem os filhos de Afrodite, que ficam soltando piadinhas. Siena e Colin agora só andavam juntos, e eu passei a chama-los de “Tweedles” (aqueles gêmeos de Alice no País das Maravilhas), Siena ficava toda vermelha quando eu dizia isso e Colin me lança um olhar “vou te matar” toda vez que faço isso em público.
No jantar do terceiro dia, Siena saiu do Chalé toda arrumada, com direito a perfume e rímel, e Colin pela primeira vez que eu o vi na vida, estava com o cabelo penteado. Deixei-os irem na frente, para poder gargalhar nas costas deles. Mas de repente, um arrepio e um vento gélido me tiraram das risadas. Era algo tão estranho. Ignorei e fui para o pavilhão. A mesa de Hermes, como sempre a maior, estava lotada. Sentei-me na ponta, sendo ignorada total pelos Tweedles. Sinto alguém me cutucando pelo ombro. Viro-me e de repente, BLUSH! Aqueles pirralhos do Chalé de Hermes bateram na minha mão que segurava o suco enquanto o outro me distraia. Minha blusa estava toda molhada e suja com aquela coisa gelada. Eu ia quase dar um tapa nos garotos, mas eles já tinham ido embora correndo. Suspirei tentando recuperar a calma e me levanto lentamente. Tenho que trocar essa camiseta! Vou andando para a saída e resmungo para a Tweedledee alguma coisa sobre ir trocar a blusa e sobre suco.
Ando devagar. Está tudo muito estranho, tudo apagado e muito frio. Minha nuca se arrepia a cada barulho estranho que ouço. Me abraço tentando me esquentar. A blusa molhada não ajuda em nada. A sensação ruim começa a ficar mais forte, e de repente, como uma bala que sai de um revólver, algo me atinge e me lança a muitos metros no alto. Foi como se na maior montanha-russa do mundo, eu fosse lançada do lugar mais alto com a maior força do mundo. O impacto é pior, sinto cada osso do meu corpo sendo esmagado. Tudo em mim lateja de dor. Espremo os olhos em busca de ver o que fez aquilo, mas tudo o que consigo ver é uma sombra gigante, um vulto na verdade. Ele está vindo em uma velocidade tão alta que a única coisa que consegui fazer foi rolar e tirar meu corpo do ataque daquilo. Rastejei o mais rápido que pude, e o tempo de eu cortar minha mão em uma lasca de pedra foi o suficiente para aquilo me alcançar. O monstro agarra meu pé, e me lança mais para longe, e eu acabo batendo a cabeça e esmagando meu braço esquerdo. Não consigo me mover rápido dessa vez, e ele ou ela, não sei, me ataca e rasga minha pele, grito o mais alto que posso, mas logo depois minha garganta falha. Chuto o monstro para longe, mas minha perna está sem força. Protejo meu rosto com as mãos. Pego um pedaço de pedra e acerto o monstro. Ele recua e eu consigo me afastar um pouco, o suficiente para eu ver alguém se aproximando. Esse alguém lança uma flecha. O monstro é acertado no pé. Continuo rastejando pelos cotovelos. Eu queria levantar, mas estava sem força. Outra flecha o acerta. Consigo focar minha visão, e reconheço que está lançando as flechas. Aquilo me tirou um grito, ou tentou, pois ficou um nó na minha garganta. Colin! Colin vai embora! Ele vai te matar! Tentei gritar, mas tudo ficou entalado na minha garganta. Colin chega cada vez mais perto, o suficiente para eu ver o pavor em seu rosto. Consigo ver que o monstro possui asas. Colin chega perto demais. O monstro se lança contra ele. Colin é atingido com tudo, e acaba lançando seu arco com uma flecha encaixada. Ele está ficando encurralado. Preciso fazer alguma coisa, urgente! Concentro-me e com todo o resto de força que me restou, levanto com dificuldade e apanho aquele arco. Monto o arco rapidamente, e no ímpeto, lanço aquilo. Com minha visão embaçada, vejo a flecha atingir o monstro bem em cheio. Observo todos os campistas aplaudindo. O monstro vira pó. Observo um homem de longe, loiro e alto, piscar para mim. Assim que vejo que tudo passou, meu corpo se desliga. Caio para trás, mas sinto alguém me segurando antes de eu chegar no chão. Um garoto loiro e forte consegue me por no colo. Andamos um pouco e como uma queimadura, sinto algo arder na minha pele. Um brilho forte e amarelo sair da minha mão. O garoto sorriu.
- Bem-vinda, filha de Apolo. — Ele disse, com um sorriso.
Após conseguir processar tudo, perco a consciência.
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