Um Dia No Acampamento Meio-sangue
3 Mayara
Notas iniciais
Mayara não tinha uma vida muito fácil, estudante de um colégio público cheio de vândalos e pessoas de caráter duvidoso, onde as paredes eram sujas e o chão não só tinha um aspecto imundo como cheirava mal e estava a maior parte do tempo lotado de lixo.
Apesar de o temperamento forte, Mayara era popular na escola graças ao seu rosto delicado e seus olhos castanhos-esverdeados, o cabelo liso-ondulado era tão escuro que mal conseguiam ver os fios em suas mechas de cabelo, era parcialmente alta e tinha um corpo proporcional, infelizmente sua boa aparência chamava maus atenção do que o que a mesma gostaria.
Miranda é sua melhor amiga já faz um bom tempo, Paul um colega, que possuia a presença apreciada por Mayara, e Chad seu melhor amigo, embora ela desejasse que fossem algo mais, já que a mesma sempre gostou dele, mas quem nunca se apaixonou pelo braço direito que atire a primeira pedra.
Ele tinha cabelos loiros e olhos tão azuis quanto o mar, às vezes Mayara se pegava tão enterrada neles que mal sabia onde estava quando parava de olhá-los.
Naquela manhã May e seus amigos haviam assistido a aula da Sra.Grindge, uma moça rabugenta que falava mais de sua própria vida do que sobre a matéria.
Logo após o término das lições da Sra. Grindge, que eles chamavam de “sessão tortura”, veio o intervalo e essa costumava ser a hora em que jogavam conversa fora.
— O que vocês diriam se eu falasse que só tenho um olho? — Miranda riu fazendo uma careta
— Te chamaríamos de ciclope. — Chad respondeu dando um sorriso torto e baixando um pouco a cabeça.
— Hã? Não. — Paul respondeu olhando feio para Chad. — A gente não perderia tempo te chamando de ciclope, nós íamos correr... e muito.
— Acho que eu ia tentar furar seu olho, sei lá, ia ser tão grande. — May afirmou com um tom sonolento enquanto observava sua caneta ir de um lado a outro graças a inclinação da mesa.
— Esse assunto não é nem um pouco apropriado e eu proíbo vocês de falarem sobre isso. — Paul disse levantando seu dedo indicador tentando parecer autoritário, o que não deu certo, pois seu tom de voz estava recheado de medo e receio.
— Que tal irmos tomar um sorvete? — Chad indagou abrindo sua carteira para ver se tinha dinheiro. — Quero tanto sorvete.
— Parece bom. — Miranda concordou inclinando levemente a cabeça para o lado esquerdo e dando um sorriso.
— Eu não sei se quero sorvete... — May disse em um tom baixo.
Apesar de Mayara querer sorvete tanto quanto eles, não ter dinheiro era constrangedor, ela estava incomodada com a quantidade de vezes que dependera de seus amigos para isso.
— ...vocês podem ir, eu espero aqui. — Ela finalizou sua frase ao mesmo tempo em que uma mecha de cabelo caiu sobre seu rosto.
— Nada disso, ou vamos todos ou não vai ninguém. — Paul mais uma vez ordenando coisas.
Por algum motivo, ele sempre parecia mandar em tudo, quase como um pai, aquilo havia se tornado a marca registrada dele.
— Qual é May, nós não queremos ir sem você, além disso, andar vai ser bom para você, está tão pálida. — Miranda disse com seu tom de voz sempre animado.
— Ela não está pálida só é muito branca, é uma característica linda, inclusive. — Chad sorriu tirando a mecha de cabelo que cobria parte do rosto da mesma. — Vamos May, o de todo mundo é por minha conta se você for.
— Aah May, você tem que ir, ouviu isso? Ele vai pagar! — Miranda riu dando alguns pulinho e batendo palminhas.
Apesar do que todos achavam, Chad ofereceu pagar o de todos, pois sabia o quão constrangida May ficaria se pagasse só o dela, provavelmente ela nem aceitaria, o quão serenas as atitudes dele poderiam ser para com ela? May se perguntava isso quase todo dia, pois mesmo que Miranda e Paul não entendesse aquela pequeno gesto, ela entendia.
— May? Queremos uma resposta. — Chad cantarolou.
— Por Favor, Por Favor, Por Favoooor... — Miranda insistia.
— Táá! — May respondeu impaciente, logo em seguida revirou os olhos e sorriu discretamente.
— Ótimo, então vamos indo — Paul puxou May e Miranda para perto de si e começou a andar, aquilo incomodou a Chad com certeza, mas não o suficiente para que fizesse algo.
Após chegarem na sorveteria, em frente ao colégio, cada um escolheu um sabor, Miranda havia pego pistache, Paul pegou chiclete com banana, May um sabor doce de leite e Chad um de flocos.
Sentados na mesa todos riam de forma descontraída enquanto zombavam de Miranda graças ao sabor que a mesma havia escolhido, pareciam tão felizes que não ligavam para nada, exceto por Paul que olhava fixamente para o carro preto em frente ao local, o garoto sentia um cheiro muito forte vindo de algum lugar próximo ao veículo.
Minutos depois o mesmo locomotivo saiu rapidamente cantando pneu pela rua principal indo em direção a algum lugar que apenas Paul poderia imaginar.
Miranda pôde ver um cara muito alto usando um terno apertado e um chapéu meio torto, a mesma riu de seu jeito destrambelhado, até ele virar e encara-lá com seu único olho através do vidro, seu coração então disparou e ela foi tomada pelo medo, sentimento que levou-a gritar o mais alto que podia.
Seu grito foi tão agudo que fez com que Chad levantasse o mais rápido que pudera puxando May junto a ele. Paul rapidamente direcionou seu olhar para o mesmo local que Miranda e a visão do homem era o sinal de que Paul precisava para começar a empurra-los em duração a porta.
— Sigam-me! Sigam-me! — Ele gritava. — Temos que ir.
Como de costume, todos o obedeceram, mas dessa vez não sabiam ao certo o motivo de estarem o fazendo.
Enquanto eles corriam Paul ensaiava como explicar para eles tudo o que estava acontecendo e quando finalmente achou uma forma de fazê-lo, ele começou a tagarelar coisas que nenhum deles estava dando atenção.
— Então, temos que correr até o carro o mais rápido possível e eu vou levar vocês até o acampamento meio-sangue, vamos estar seguros lá. — Paul dizia ofegante.
Após mais alguns minutos correndo, Paul tirou um chaveiro com formato de árvore e abriu um carro um pouco à frente, todos entraram no veículo antes mesmo que ele pudesse falar algo.
Ele virou a chave e dirigiu o mais rápido que conseguia até chegar na estrada, onde ele sentia que finalmente podia baixar um pouco a guarda.
— Acho que despistamos ele. — Paul falou soltando um suspiro aliviado.
Cedo demais, qualquer um diria, pois segundos após o ocorrido uma pedra relativamente grande foi jogada em direção ao locomotivo, isso obrigou Paul a desviar, mas sem o preparo correto o carro capotou no meio da estrada deixando a todos muito feridos.
May arrastou-se para fora e se levantou com muita dificuldade, a mesma mancou até o outro lado do automóvel e abriu a porta com o pouco de força que lhe restara, ela puxou Chad de lá para a rua e deitou-se ao seu lado.
Todos estavam confusos, mas fracos demais para se quer questionar o que havia acontecido, enquanto Mayara acariciava os cabelo sujos de poeira e sangue de Chad, Miranda e Paul saiam do carro em estados um pouco melhores que os deles.
— May... — Chad sussurrou enquanto se arrastava para mais perto dela. — Você está... tão bonita.
May riu em meio a lágrimas, ela precisava dizer a ele, essa poderia ser sua última chance.
— Eu te amo, Chad. Sempre amei. — Ela falou um pouco antes de começar a tossir.
O mesmo ameaçou abrir a boca para respondê-la, quando tremores fortes surgiram, o Ciclope parou em frente a ambos, agarrou Chad com uma única mão e o lançou a mais de cem metros de distância. May não teve outra reação se não continuar parada observando o local onde antes Chad se encontrava, os fios loiros ainda espalhados pelo chão e a poça de sangue fresco um pouco abaixo, foi com essa imagem que May apagou.
— Finalmente, estávamos ficando preocupados. — Uma voz feminina falou em tom de impaciência e alívio.
— Miranda? — May respondeu com a voz rouca ainda tentando abrir os olhos que agora encontravam-se sensíveis à luz. — Eu tive um sonho estranho...
— Temo lhe dizer que não foi um sonho, minha querida May. — Paul interrompeu-a — Sinto muito por Chad.
A visão do local ainda era turva para May, ela via apenas muitas janelas e paredes de madeira, algumas pessoas machucadas deitadas em camas, o visual era antiquado e rústico, mas aconchegante.
— Não toque no assunto! — Miranda disse dando um tapa no ombro de Paul.
— Paul, o que houve com suas pernas? — May o questionou confusa olhando seus cascos.
— Temos tanta coisa para te contar. — Miranda falou empolgada. — Só... vamos esperar o efeito dos remédios passar, você ainda está bem grogue.
— Óbvio que está, tá apagada faz cinco dias. — Paul afirmou.
”cinco dias?” Aquilo foi a única coisa que May conseguiu pensar antes de dormir de novo.
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