Um Dia Lá Fora
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Notas iniciais
- Saudade
Setembro
Meu nome é Gabriel Styro Machado, tenho dezessete anos e nunca saí de casa. Nem para ir a escola e nem para botar o lixo pra fora. Nunca. Venho sonhando com este dia faz anos, desde que meus pais sofreram um acidente de carro e faleceram. Se teve um velório, o enterro e todo o procedimento longo, demorado e chato para eles '' partirem de vez ''? Infelizmente, mas eu não fui, mas por escolha dessa vez. Não gosto de enterros, são repetitivos, monótonos e muito entediantes, principalmente de parentes como tios e tias, que na maioria dos encontros familiares que acontece, te cumprimentam por educação e depois simplesmente finge que você nem existe. Eu supostamente teria sobrinhos, se o meu irmão não tivesse morrido no acidente também. Não sinto a falta dele, nem por fração de segundos. Na verdade, não tem como sentir falta de uma falta, de algo presente e ao mesmo tempo inexistente, é algo totalmente submerso a algum tipo de filosofia, ou de até mesmo de um modo de pensar. Não existe na minha presença, não existe na minha vida.
Minha mãe era ruiva, mas pintou o cabelo na última primavera que, a proposito, acabara de começar. Faz um ano hoje. Meu pai era careca e alto, dava medo, mas não para quem o conheceu. Era muito brincalham e muito gentil e piedoso. Estive pouco tempo com ele, trabalhava de mais. Era bombeiro. Uma pena ter perdido ele, logo ele qu...
- Biel!!! — gritou o mata-suor, João, quase derrubando a porta a baixo — É PRIMAVERA, HORA DE SAIR DA TOCA TATU! — gritou mais alto ainda.
Fui atender logo a porta, caso não o fizesse, lá estaria um prédio de 3 famílias irritadas e uma porta a baixo em mil pedaços. Então mata-suor continuou:
- É hoje! Você prometeu! — lembrou-me.
- Okay, okay, em cinco minutos estarei lá em baixo.
- É bom mesmo, o machadão e o grilo estão aí também!
- Okay, entendi.
- SEJA RÁPIDO!
Acho que, a partir de agora, vou ter que aprender libras, pois eu definitivamente fiquei surdo. Machadão era o Matheus e o grilo era o Daniel. Dois figuras, nunca os tinha visto pessoalmente. Nem o mata-suor. Coloquei meu casaco, vesti um calça e coloquei uma bota e fui. Parei na porta e disse a mim mesmo, '' cuidado, em passo em passo você descobre o caminho correto... ''. E parti.
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