Um Dia Em Riyadh
1 O Cavaleiro da Arábia
Notas iniciais
Bem, eis aqui o primeiro capítulo... Meus Prateados favoritos sempre foram Algol, Asterion, Dante e Misty... Acho q os quatro têm muito em comum. Alguns me questionarão porque não adicionei o Capella a esse grupo, ou talvez Babel...
Não que eles não aparecerão, mas o destaque não será neles. O foco é no quarteto, mas principalmente em Algol...
Não que eles não aparecerão, mas o destaque não será neles. O foco é no quarteto, mas principalmente em Algol...
- Cavaleiro da Arábia -
Enfim, a guerra Santa acabou. Atena trouxe os Cavaleiros de Prata de volta à vida após inúmeras batalhas. Agora, os Prateados teriam a oportunidade de servir ao amor e à Justiça uma vez mais, bem como construir suas vidas e descobrir mais sobre eles mesmos. A maioria deles estava vendo o fim da adolescência, prestes a entrarem na vida adulta — após cada treinamento, eles faziam rodas em pequenos grupos, falando sobre seus sonhos, aspirações, desejos e vontades. Misty, por exemplo, sempre falava em voltar à França e investir em seus desenhos, buscando ser o mais novo estilista de renome. Dante, com seu vozeirão, queria ser locutor de rádio. Pensava até em montar a primeira rádio do Santuário. Umas das rodinhas de Prateados era composta por Asterion de Cães de Caça, Misty de Lagarto, Dante de Cérbero e Algol de Perseu. O último, um saudita, era sempre mais distante, calado, reservado. Os amigos raramente sabiam o que ele pensavam... Até para Asterion, que era telepata nato e inconveniente, era difícil dizer. O quarteto, ao fim de um treinamento, decidiu sentar-se à mesa externa aos dormitórios, para, uma vez mais, falar sobre a vida além do Santuário. — Serei padre! — Bradou Asterion, decidido. — Padre?! — Exclamaram os demais, chocados — Padre, Asterion?! Por que?! — Bem... — O cavaleiro de Cães de Caça começou, entrelaçando os dedos — Eu nasci em um cidade perto de Leipzig, na antiga Alemanha Oriental... — Ele respirou fundo — Como vocês sabem, ela ficou sobre domínio socialista por muito tempo, e, dentre outras coisas, nos forçaram a perder nossa fé. Minha família rezava escondido, e eu nunca, nunca, nunca abandonei Deus. Quando a Alemanha se reunificou, vimos a chance de podermos, enfim, expressar nosso credo sem nenhum remorso. Por isso, decidi seguir minha vocação e candidatar-me a estudar em um Seminário Luterano... — Ele apertou as mãos, nervoso, com um sorriso triste — Espero que vocês me apoiem. — Sempre te apoiaremos, queridinho — Disse Misty com doçura, pondo a mão esquerda sobre as mãos de Asterion — Afinal, quem não quer viver seus sonhos? Eu, por exemplo, estou louco para ser descoberto pelas melhores e maiores revistas de moda de Paris! — ele soltou um suspiro alegre seguido de um discreto risinho. — Mas antes vocês terão que me ajudar a montar a rádio, caralho! — Dante rugiu em um tom brincalhão, fazendo a mesa estourar em risos alegres, gostosos e espontâneos, completamente desempedidos. — E você, Algol? — Misty cutuca o saudita, notando seu silêncio — Qual seu sonho? O que você quer da vida, meu bem? O saudita de cabelos loiros-escuros e olhos azuis-petróleo fitou os três com tímido semblante. Parecia ter vergonha de falar. Apesar de ser o de personalidade mais convencida e arrogante, encolhia-se ao ser indagado acerca de sua vida pessoal. Ao ser intimado àquela conversa para a qual raramente contribuía, viu-se brincando nervosamente com os dedos. — Você nunca nos falou nada de sua vida, Al — Disse Asterion com carinho e preocupação em sua voz — Só sei que você é árabe dado teu sotaque e sua disciplina com seu Ramadã* e rezas diárias voltado à Meca. — Verdade, porra! — Dante deu um tapa nas costas de algol, fazendo-o tossir nervosamente — Você é de qual país? Tem família? — Eu... — Algol pigarreou — Bem, visto que vocês vão insistir, vou lhes contar... Os demais se aproximaram para ouvir o Cavaleiro de Perseu. — Nasci na Arábia Saudita, em Riade, a capital... — Ele respirou fundo — Sou filho de um joalheiro, um mercador de renome. Minha mãe... Uma sunita de modos conservadores, trabalha organizando casamentos... — Ele se calou, tímido. — Caramba, Al! — Exclamou Asterion, impressionado — Que incrível! Tenicamente, você nasceu em um berço de ouro! Por que se tornou Cavaleiro? Algol fitou os demais, nervoso. Ele jamais havia conversado acerca de seu passado com os demais, e isso o assustava. Ele apertou as mãos, que tremiam. — Eu... Eu tinha seis anos... — Ele disse em tom melancólico — Meu pai... Estava passando por dificuldades, e minha mãe ainda não trabalhava, sabe? Faltava dinheiro e... Um dia, após o Ramadã, ele decidiu me despachar para a Áustria... Há muito não falo com eles. Ele ficou tímido, calando-se uma vez mais. A melancolia em seu olhar parecia ensurdecedora. Asterion, compadecido com o amigo, pôs o braço esquerdo em volta dos ombros do saudita. — Estamos aqui para você, amigão — Disse o alemão telepata — Olha, posso não ser padre ainda, e você pode ser muçulmano, mas estou aberto às suas confissões. Todos nós estamos. — É, queridinho! — Disse Misty com um sorriso — Pode contar conosco... Agora, diga-nos: qual seu maior sonho? Deve ter algo que você queira muito fazer, né? Algol passou a mão esquerda sobre os cabelos e pescoço, percorrendo-os com nervosismo. Para sua infelicidade, Asterion lera sua mente, e começou a rir copiosamente, deixando o árabe com raiva.
— O que é tão engraçado, Teros? — indagou Dante ao alemão, chamando-o pelo apelido — Fale! — Não creio, Algol! Não creio! — disse Asterion, rindo — Ah, como você é romântico... — Romântico?! — Exclamou Misty que, com os olhos arregalados, percebeu o que Asterion havia lido da mente do cavaleiro de Perseu — Uma... Namorada?! — Namorada, não! — Corrigiu Asterion antes que Algol pudesse se pronunciar — Uma esposa! Es-po-sa! Esse cara quer se casar! O trio começou a rir, irritando Algol cada vez mais. No auge dos risos , que ressoavam irritantemente nos ouvidos de Algol, eis que ele se levanta, com raiva, batendo fortemente as duas mãos contra a mesa de madeira. — Basta! — Ele gritou — Sim, eu quero uma esposa, quero me casar! Que problema há nisso? Dito isso, Algol se retira, correndo. Asterion e Misty se entreolham, confusos; o que eles haviam dito de tão errado? O alemão então se levanta, deixando Misty e Dante a sós, que continuaram a conversar animadamente. *** O saudita havia percorrido uma boa distância desde o dormitório dos Prateados. De cabeça baixa, corroído de raiva e tristeza, sentou-se em um banco natural de pedra. Pedras. Os troféus, as vitórias de Algol de Perseu. O Prateado manteve seu olhar fixo nos muros naturais do Santuário, suspirando. — Idiotas... — Ele resmungou, encostando a cabeça na pedra, fitando o céu estrelado — Uma esposa... Se eu tivesse uma... Se eu ao menos tivesse alguém para gostar... Shina... Não, não. Ela não. Shina de Ofiúco era perdidamente apaixonada por Seiya de Pégaso, disso ele já estava bem ciente. Jamais o árabe teria alguma chance, por mais que tentasse. Ele fechou os olhos, triste e pensativo. Então, ele ouviu um barulho suave, leve e constante. — Um... miado? — Ele fitou a escuridão perto dele — Há... Um gato aqui? O miado continuou doce, e o gato se aproximou. Tinha uma pelagem branca com brilho lilás, nariz rosadinho, cauda longa, orelhas grandes, olhos da cor das ametistas e duas pequenas elipses violetas em sua face, que equivaleriam às suas sobrancelhas. O animal sentou-se à frente de Algol, com um semblante calmo. — Olá, estranha... — Disse Algol ao gato, que descobriu ser fêmea — Venha aqui... — Ele ofereceu-lhe o colo, acariciando-lhe os pêlos claros e macios — De onde será que você vem? Gatos não são comuns no Santuário, e sim corujas... Confesso que já estou de saco cheio desses bichos... A gata começou a espirrar, assustando Algol, que acidentalmente derrubou-a no chão. Naquele mesmo instante, ele sentiu um Cosmo emanando da gata, que fora envolvida por uma fumaça roxa. Diante dos olhos do cavaleiro de Perseu, uma transfiguração estava acontecendo — a gata transformou-se em uma bela jovem, que trajava uma Armadura que decerto não seria a de uma amazona. A garota tinha pele branca, nariz fino, olhos da cor de ametistas, as mesmas elipses violetas na face e um longo cabelo de cor ciana. Ela trajava uma armadura rosa, que eram placas cobrindo-lhe desde os seios às partes íntimas como um maiô. Ela contava com peças que protegiam seu ombro direito e suas coxas. Haviam ankhs entalhados nas peças das coxas e entre os seios da armadura. Uma tiara rosa escura que imitava as orelhas de um gato trazia consigo um véu, que cobria os ombros e o pescoço da moça, deixando o rosto da moça descoberto. Rapidamente, Perseu se levanta e encara a desconhecida, desconfiado. Se precisasse, recorreria ao escudo da Medusa tranquilamente. — Quem é você? — Indagou em tom grave, desconfiado e intimidador. A garota nada respondeu. Em vez disso, levantou-se lentamente e com um sorriso na face, que fazia o cavaleiro de Perseu corar e irritar-se cada vez mais. — Responda, caramba! — Bradou Algol — Responda, ou... — O Prateado pegou o Escudo da Medusa de suas costas e o pôs no braço direito — Ou te transformo em pedra, invasora! — Não faça isso! — Pediu a menina, gaguejando — Eu não quero brigar... — Deveria ter pensado nisso antes de invadir o Santuário! — Perseu apontava o escudo em riste para a garota, deixando-a frente a frente com o rosto da Medusa. — Mas eu não estou invadindo! — A menina mostrava sinais de medo, mas mantinha-se firme — Escute, sei que você é um dos Cavaleiros de Atena, por isso, peço a você o seguinte favor: poderia levar-me até ela? Em nome de minha deusa, preciso conversar com ela. — E do quê se trata, exatamente? — Indagou Algol, desconfiado, baixando o escudo. — Dê-me uma direção. — Pediu a menina com um sorriso, fitando o fundo dos olhos de Algol, que recuou inconscientemente — Por favor... A garota começou a elevar gradativamente o Cosmo, que possuía cor arroxeada. O Prateado fitou-a com semblante levemente raivoso, pronto para reerguer o escudo. Contudo, não conseguia levantá-lo: estava paralisado! — Eu sou Ametista de Bastet - Disse a menina — Não quero brigar. Minha deusa, a senhora dos Gatos do Egito, é antiga amiga e aliada de Atena, que a deu asilo em horas difíceis. Tempos difíceis se aproximam no Egito, Algol. Por favor, deixe-me passar... Ela estalou os dedos, livrando Perseu da paralisia. O árabe fitava-a com desconfiança, mas não havia raiva em seu olhar, e sim serenidade. “O Cosmo de Ametista...” Pensou consigo. “Há algo nele... que me acalma...”. — Está bem. Vou fingir que... Esqueça — Algol estava claramente envergonhado e perturbado, mas buscava esconder — Te levarei à Sala do Grande Mestre... Através do atalho. Que isso fique entre nós. A garota assentiu, e logo elevou seu Cosmo, convertendo-se em uma gata uma vez mais. Algol deixou-a caminhar ao seu lado. De tempos em tempos, ele fitava a curiosa amazona, que caminhava elegantemente em sua forma felina. Seu coração parecia bater mais veloz com a presença da moça. Ele buscava ignorar aquela sensação, visto que ainda sentia raiva de si mesmo pela situação que Asterion criara. Após uma silenciosa caminhada, chegaram ao caminho oculto que levava ao Salão sem que o transeunte atravessasse todas as 12 Casas — através daquela gruta, nenhum Cavaleiro de Ouro seria avistado. O cavaleiro de Perseu deixou Ametista entrar primeiro para logo segui-la e guiá-la pelo caminho de pedra escuro e pouco usado. — Posso te perguntar algo? — A gata então falou, o que surpreendeu Algol, que não achava que ela poderia falar na forma felina. — Diga — Algol replicou, dando-lhe permissão. — Qual seu nome? — Ela inagou timidamente. — Sou Algol de Perseu — Respondeu o árabe, orgulhoso, apontando para o escudo da Medusa — Sou aquele que pode transformar os adversários em pedra. — Você parece muito dedicado... — Elogiou Ametista — Deve ser um dos favoritos de sua Deusa... Não? Eles haviam passado pelo subterrâneo das casa de Áries e Touro. Algol sorriu, orgulhoso. — É claro! — Ele replicou — Sou um dos responsáveis por guardar as entradas do Santuário, impedindo a fuga de desertores e a entrada de invasores... — Eles pôs as mãos atrás da cabeça, em uma pose descontraída e soberba, que fez a gata rir levemente, e ele acabou por corar. — Além disso, noto sotaque e traços árabes em você... — Ela disse — Você é árabe? — Saudita — Pontuou Algol, acenando afirmativamente a cabeça — E você? Eles estavam chegando à Sala do Grande Mestre. A moça então converteu-se em mulher, fitando Algol com o canto dos olhos. — O Egito deu-me a segunda vida, uma segunda chance... — Ela respondeu com um sussurro, deslizando pela saída do túnel, desaparecendo nas sombras. Algol foi atrás dela, mas não conseguiu encontrá-la: ela já havia chegado à Sala do Grande Mestre. Ele soltou um leve suspiro, girou em seus calcanhares e voltou para o dormitório. — Uma esposa... — Murmurava para si — Uma esposa...Continua...
Notas finais
Bem, eu acabei por mudar a nacionalidade do Teros (Asterion)... Eu acreditava piamente que ele era da Alemanha Oriental... quem é alemão é o Sírius de Cão Maior... Droga...
Enfim, achei essa mudança mais adequada considerando o contexto em que porei Asterion... Acho q combina com a personalidade dele xD
Como sempre, comentários! São todos muito bem-vindos e apreciados. Eu responderei a todos, tenham certeza! Abraço!
Riade=Riyadh - Adimite-se as duas transliterações para a Capital da Arábia Saudita.
Enfim, achei essa mudança mais adequada considerando o contexto em que porei Asterion... Acho q combina com a personalidade dele xD
Como sempre, comentários! São todos muito bem-vindos e apreciados. Eu responderei a todos, tenham certeza! Abraço!
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