\"\"

Mudei muito, eu cresci, estou mais consciente. Mas continuo a mesma garota. Sou só uma versão mais velha.

Pov. Bella

Quando cheguei a casa tava me sentindo tão leve, como se pudesse voar.

– Então? — Clara me perguntou

– O quê? — eu pergunto confusa

– Você e Ed tão namorando? — ela pergunta curiosa.

Namorando uma palavra que não se encontra no meu dicionário, em toda minha vida só tive dois namorados: Nate e Lucas.

– Não. — eu digo sorrindo. — Somos amigos.

Amigo... Essa palavra definitivamente não me agrada.

Naquela noite, Edward foi o ator principal dos meus sonhos, como sempre. No entanto, o clima do meu inconsciente havia mudado. Eu estava cheia com a mesma eletricidade que havia sentido durante a tarde, e me virava e me enrolava sem parar, acordando várias vezes.

Foi só nas primeiras horas da manhã que eu caí num sono exausto, sem sonhos. Quando eu acordei ainda estava cansada, mas afiada, me levantei tomei um banho, escovei meu cabelo e vesti uma roupa.

http://fashion.me/looks/2050370/bella-complicacoes

Assim que desci as escadas, não tinha ninguém.

– Nana? — eu a chamei quando entrei na cozinha.

– O que foi? — ela perguntou virando

– Tá de o pessoal? — eu pergunto pegando o cereal.

– Seu pai recebeu um chamado muito importante, Daniel e Clara já foram. — ela diz pegando o leite.

– Sozinha de novo. — eu digo fazendo um biquinho.

– Bella você tem 16 anos. — ela diz rindo

O café da manhã foi exatamente o evento quieto que eu esperava que fosse.

– Sobre esse Sábado... — ela começou, andando pela cozinha e ligando a torneira.

– O que tem? — eu pergunto

– Vai voltar à tempo para o baile? — ela pergunta

– Nana... Eu não danço. — eu digo

– Você dançava antes. — ela diz com a expressão triste

– Passado Nana. — eu digo saindo da cozinha. E abri a porta da sala paralisando em seguida. Tinha um carro prateado lá.

Eu caminhei para o carro parando timidamente antes de abrir a porta e entrar. Ele estava sorrindo, relaxado e como sempre, o sorriso era lindo e perfeito demais pra explicar.

– Bom dia — sua voz estava aveludada. — Como você está hoje? -Seus olhos examinaram meu rosto, como se a pergunta fosse algo mais que um simples gesto de educação.

– Bem. — eu digo dando um meio sorriso, quando estava perto dele tudo ficava ótimo.

Seus olhos se demoraram nos círculos embaixo dos meus olhos. — Você parece cansada.

– Não dormi bem. -eu digo passando a mão no meu cabelo.

– Eu também. — ele brincou enquanto ligava o motor.

– Eu acho que está tudo bem. Eu só dormi um pouco mais que você. — eu digo sorrindo

– Aposto que sim. — ele diz

– Então, o que você fez na noite passada? — eu perguntei.

Ele deu uma gargalhada. — Sem chance. Hoje é meu dia de fazer as perguntas

– Mesmo. — eu digo pensando no que minha vida tem de tão interessante

– Qual é a sua cor favorita? — ele perguntou, o seu rosto estava sério.Eu revirei os olhos.

– Muda todo dia

– Qual é a sua cor favorita hoje? — Ele ainda estava solene.

– Provavelmente marrom — Eu tinha a tendência de me vestir de acordo com o meu humor.

Ele deu um sopro, a expressão séria desapareceu. — Marrom? — ele perguntou cético.

– Claro marrom é morno. Eu sinto falta do marrom. Tudo que era pra ser marrom troncos de árvore, pedras, terra está coberto de verde aqui — eu reclamei.

Ele pareceu fascinado com o meu pequeno discurso. Ele pensou por um momento, olhando nos meus olhos.

– Você está certa — ele decidiu sério de novo. — Marrom é morno. — Ele se aproximou rapidamente, mas de certa forma ainda hesitante, pra colocar o meu cabelo de volta atrás do ombro.

Há essa hora já estávamos na escola. Ele se virou pra mim enquanto colocava o carro na vaga do estacionamento.

– Qual é a música que está tocando no seu ipod?

– Inocência. — eu digo lembrando que tinha escrito a lembra.

– Não conheço. — ele diz confuso

– Não. — eu digo rapidamente. — Fui eu que escrevi.

Merda. Eu disse que...

– Você escreveu a letra da música? — ele pergunta

– Não fui eu foi meu amigo então... — eu digo mentido não sei se ele percebeu.

Nós continuamos assim o dia inteiro. Enquanto ele me acompanhava para a aula de Inglês, quando ele foi me buscar na aula de Espanhol, durante todo o almoço, ele me questionava incessantemente sobre cada detalhe insignificante da minha existência. Filmes que eu gostava e que detestava, os lugares que eu conhecia e os que gostaria de conhecer, e livros inúmeros livros.Eu não me lembrava da última vez que havia falado tanto. Mais de uma vez, eu me senti envergonhada, certamente eu estava aborrecendo ele. Mas a expressão de extrema concentração, e as perguntas inacabáveis, me forçavam a continuar. A maioria das perguntas eram fáceis de responder, somente algumas me fizeram corar com muita facilidade.

Como quando ele me perguntou qual era a minha pedra preciosa favorita, e eu respondi que era topázio sem pensar. Ele fazia tantas perguntas tão depressa que eu me sentia como se estivesse fazendo um daqueles testes psiquiátricos onde você tem que responder com a primeira palavra que vier na sua cabeça. Eu tinha certeza que ele continuaria seguindo a mesma linha de pensamento que ele estava seguindo antes, se eu não tivesse ruborizado.

Meu rosto ficou vermelho porque, até pouco tempo atrás, minha pedra preciosa favorita era rubi. Era impossível olhar pra os seus olhos da cor do Topázio, e não entender o motivo da troca. E, naturalmente, ele não ia descansar enquanto eu não admitisse porque estava envergonhada.

– Digamos que é cor do seus olhos. — eu digo querendo achar um buraco e me jogar dentro.

– Que tipo de flor você prefere? — ele atirou.

– Azul. — eu digo

Biologia foi uma complicação de novo. Edward continuou com o seu questionário até o Sr. Diego entrar na sala, trazendo o equipamento áudio visual com ele. Enquanto o professor se aproximava do interruptor de luz, eu percebi Edward afastar a cadeira dele da minha. Isso não ajudou. Assim que a sala estava escura, houve a mesma fagulha de eletricidade, a mesma vontade irresistível de invadir o pequeno espaço entre nó e tocar a sua pele fria, como ontem.

Eu me inclinei para frente na mesa, descansando o meu queixo nos braços dobrados,meus dedos escondidos estavam agarrando a borda da mesa, enquanto eu tentava lutar com a vontade irracional que me tirava do sério. Eu não olhei pra ele, com medo de que se ele estivesse olhando pra mim, eu tivesse ainda mais dificuldades de me controlar. Eu sinceramente tentei me concentrar no filme, mas no fim eu não tinha a menor ideia do que eu tinha acabado de ver. Eu suspirei aliviada de novo quando o Sr. Diego ligou as luzes, e finalmente olhei pra Edward. Ele estava olhando pra mim com olhos ambivalentes.

Ele se levantou em silêncio e ficou em pé, esperando por mim. Nós andamos para a minha aula de Educação física em silêncio, como ontem. E, também como ontem, ele tocou o meu rosto sem dizer nada dessa vez com as costas da sua mão fria, alisando o espaço da minha têmpora até a minha mandíbula antes de se virar e ir embora.

A aula de Educação física passou rapidamente, enquanto eu observava Mike dar um show solo no Badminton. Ele não falou comigo hoje, seja por causa da minha expressão vazia ou porque ele ainda estava com raiva por causa da nossa discussão de ontem. Em algum lugar, no fundo da minha mente, eu estava me sentindo mal com isso. Mas eu não conseguí me concentrar nele.

Eu me apressei pra me trocar depois, doente de ansiedade, sabendo que, quanto mais rápido eu me movesse, mais rápido eu estaria com Edward. Mas assim que cheguei lá fora dei de cara com Lucas.

– Bella. — ele diz vindo me abraçar no mesmo instante fiquei tensa.

– Lucas. — eu digo me afastando

– Assim que sua irmã me disse seu nome eu não quase não acreditei. — ele diz jogando a cabeça um pouco pra trás.

– E acreditou por quê? — eu perguntei fria.

– Bells eu já mais esqueceria seus olhos, seu sorriso. — ele diz sorrindo de modo encantador.

– É Bella. — eu digo andando em direção à Edward dou um sorriso e ele retribui.

Suas perguntas eram diferentes agora, porém, não tão fáceis de responder. Ele quis saber do que eu sentia falta em casa, insistindo pra que eu descrevesse as coisas que não eram familiares pra ele. Nós ficamos sentados na frente da casa de Jonathas por horas, enquanto o céu escurecia e a chuva se transformava num dilúvio de repente.

Eu tentei descrever coisas impossíveis de descrever, como o cheiro do creosoto amargo, um pouco resíduos, mas agradável mesmo assim o som alto, agudo das cigarras em Julho, a esterilidade emplumada das árvores, a até o tamanho do céu, com sua extensão azul e branca de horizonte á horizonte, poucas vezes interrompido por montanhas baixas cheias de rochas vulcânicas. O mais difícil de explicar foi porque eu achava bonito justificar a beleza que não dependia de uma vegetação escassa, espinhosa que as vezes parecia meio morta.Uma beleza que tinha mais á ver com o formato da terra que ficava exposta,com as bacias superficiais entre os vales que ficavam entre as colinas escarpadas, e a forma que elas emolduravam o sol. Eu me vi tendo que usar as mãos enquanto explicava isso pra ele.

– Você já acabou? — eu perguntei aliviada.

– Nem perto, mas o seu pai vai chegar logo em casa

– Jonathas. — eu disse baixo me lembrando da existência dele.

Eu olhei para o céu escurecido pela chuva, mas não demonstrei estar sentindo nada.

– É o crepúsculo — Edward murmurou, olhando para o horizonte obscurecido pelas nuvens. Sua voz estava pensativa, como se sua mente estivesse em um lugar distante. Eu olhei pra ele enquanto ele olhava pelo para brisa sem estar enxergando nada. Eu ainda estava olhando quando ele de repente virou seu olhar para mim.

– É a hora mais segura do dia pra nós — ele disse, respondendo uma pergunta que eu não fiz, mas que estava nos meus olhos. — A hora mais fácil. Mas, também mais difícil, de certa forma... o fim de outro dia, o retorno da noite. A escuridão é tão imprevisível, você não acha? — ele perguntou, sorrindo tristemente.

– Eu gosto da noite. Sem a escuridão não poderíamos ver as estrelas. — eu fiz uma careta. — Não que elas apareçam muito por aqui.

Ele sorriu o humor abruptamente mais leve.

– Charlie vai chegar em alguns minutos. Então, a não ser que você queira dizer pra ele que estará comigo no Sábado... — ele ergueu uma sobrancelha.

– Obrigada, mas não, obrigada. — eu digo — Amanhã é minha vez então?

– Certamente não! — seu rosto estava com uma expressão de ultraje divertida. — Eu disse que ainda não tinha acabado não disse?

– Falta o quê ainda? — eu pergunto

– Você vai saber amanhã — Ele se inclinou na minha frente para abrir a porta pra mim, e essa proximidade repentina fez meu coração palpitar loucamente

Mas a mão dele congelou na maçaneta.

– Isso não é bom. — ele murmurou.

– O que foi? — eu pergunto surpresa de ver que sua mandíbula estava apertada, seus olhos perturbados.

Ele olhou pra mim por um breve segundo. — Mais complicações — ele disse aborrecido.

Ele abriu a porta com um movimento rápido, e então se afastou, quase ultrajado, rapidamente pra longe de mim.O flash dos faróis na chuva chamaram minha atenção enquanto um carro virava na curva, a apenas alguns metros de nós nos encarando.

– Charlie está na esquina — ele avisou, olhando pelo retrovisor para outro veículo.

Eu saí rapidamente, a despeito da minha confusão e curiosidade. A chuva estava mais forte enquanto batia no meu casaco. Eu tentei distinguir as duas sombras que estavam no banco da frente do outro carro, mas estava muito escuro. Eu podia ver Edward iluminado pelo brilho dos faróis do outro carro; ele ainda estava olhando para frente, seu olhar estava travado em algo ou alguém que eu não podia ver. Sua expressão era um estranho misto de frustração e desafio.

Então ele ligou o motor, e os pneus resoaram no asfalto molhado. Dentro de segundos o Volvo já estava fora de vista.

– Ei, Bella — chamou uma voz rouca, familiar que vinha do banco do motorista do pequeno carro preto.

– Jacob? — eu perguntei andando pela chuva. Só então, a viatura de Charlie virou na esquina, os faróis dele iluminando os ocupantes do carro na minha frente. Jacob já estava saindo do carro. Seu sorriso largo e brilhante era visível mesmo na escuridão.

No banco do passageiro havia um homem muito mais mais velho, um homem pesado,com um rosto memorável um rosto que se transbordava, as bochechas estavam pressionados nos ombros com rugas na pele ruiva, como um casaco velho de couro. E os olhos surpreendentemente familiares, olhos pretos que pareciam ao mesmo tempo jovens demais e velhos demais para aquele rosto largo.

Era o pai de Jacob, Billy Black. Ele estava me encarando, estudando meu rosto, então eu sorri tentadoramente pra ele. Seus olhos estavam arregalados, como se de susto ou de medo, as narinas estavam infladas. Meu sorriso desapareceu.

Outra complicação, Edward tinha dito

Billy ainda estava me encarando com olhos intensos, ansiosos.

Eu gemi por dentro. Será que Billy reconheceu Edward tão facilmente?

Será que ele realmente poderia acreditar nas lendas impossíveis que o filho dele havia me contado?

A resposta estava clara nos olhos de Billy. Sim. Sim, ele podia.