Um Crepúsculo Diferente
19 Aconteça o que acontecer
Pov. Bella
– Isso é uma declaração. — ele diz me olhando com seus insondáveis
– Nem tanto. — digo balançando os ombros.
Seus olhos estavam selvagens, sua mandíbula estava fechada com uma força aguda, mas nem isso modificou suas feições perfeitas. Ele segurou meu rosto a apenas alguns centímetros do seu. Ele me fascinou com seus olhos.
– Será que eu posso...? — eu tentei me soltar, pra dar um pouco de espaço pra ele. As mãos dele não permitiram que eu me movesse nem um centímetro.
– Não. Isso é intolerável. Espere um momento, por favor. — Sua voz estava educada, controlada.
Eu mantive meus olhos nos seus, observei enquanto a excitação neles se esvaia e elesficavam gentís.
Então ele deu um sorriso surpreendentemente travesso.
– Pronto — ele disse obviamente satisfeito consigo mesmo.
– Tolerável? — eu perguntei.
– Eu sou mais forte do que pensava. É bom saber. — Ele riu alto.
– Queria poder dizer o mesmo. — digo dando um pequeno sorriso.
– Você é apenas humana, no final das contas. — ele diz, me fazendo rir.
– Obrigada. — digo fazendo um biquinho.
Com um dos seus movimentos leves, quase invisíveis, ele ficou de pé. Ele segurou sua mão pra mim, um gesto inesperado.
Eu estava muito acostumada ao tratamento cuidadoso do não-toque. Eu segurei sua mão gelada, precisando mais de apoio do que eu esperava.
– Hora temos um lorde aqui. — digo o fazendo rir.
– Eu dirijo. — ele diz estendendo a mão.
– Você está louco? — protestei me afastando.
– Eu dirijo melhor do que você nos seus melhores dias — ele zombou. — Você tem reflexos muito mais lentos.
– Eu tenho certeza de que é verdade, mas eu não acho que os meus nervos, o meu bebê, aguentariam. — digo olhando seriamente seu rosto perfeito
– Um pouco de confiança, Bella, por favor. — ele diz
Minha mão estava no meu bolso, apertando a minha chave com toda força.
– Sem chance. — digo com um sorriso apertado.
Ele ergueu as sobrancelhas sem acreditar.
Eu comecei a passar por ele, indo para o lado do motorista. Ele poderia ter me deixado passar se eu não tivesse tropeçado de leve. Mas também, ele poderia não ter deixado. Seus braços criaram uma prisão inscapável ao redor da minha cintura.
– Bella, eu já gastei um bocado de esforço até esse ponto, pra manter você viva. Eu não vou deixar você ficar atrás de um volante quando você não consegue nem caminhar direito. Além do mais, amigos não deixam amigos dirigir quando estão bebados. — Ele citou com uma gargalhada.
– Bêbada? — eu perguntei.
– Você está intoxicada com a minha presença. — Ele estava dando aquele sorriso zombeteiro de novo
– Não posso discutir com isso. — digo suspirando. Não havia volta eu não conseguia resistira ele de forma nenhuma. Eu segurei a chave e soltei, vendo sua mão se mover como um trovão e pegá-la no ar silenciosamente. — Cuidado.
– Muito sensível. — ele aprovou.
– E você não está nem um pouco afetado. — perguntei aborrecida.
De novo as suas feições se transformaram, sua expressão ficou suave, aconchegante. Ele não respondeu de primeira; ele simplesmente aproximou seu rosto do meu e passou os lábios lentamente pela minha mandíbula, da minha orelha até o queixo, pra frente e pra trás.
– Sem dúvida. — ele finalmente disse. — Eu tenho reflexos melhores.
Ele até que dirigia bem ou até melhor que eu. Como tantas outras coisas, isso não parecia requerer nenhum esforço da parte dele. Ele mal olhava para a estrada, mas mesmo assim, os pneus não sem desviaram nem um centímetro da linha no centro da estrada. Ele dirigiu com uma mão só, segurando a minha mão no banco do carro. Às vezes ele olhava para o sol se pondo, as vezes ele olhava pra mim- meu rosto, meu cabelo voando ao vento da janela aberta, nossas mãos juntas.
Um toque bastante familiar soou no ambiente e logo reconheci meu celular, o peguei e atendi.
– Bella que bom que atendeu. — ele diz com a voz preocupada.
– Acontceu alguma coisa? — eu perguntei soltando a minha mão da de Edward.
– Fora Blair tá surtando. — ele diz rindo
– Sim fora isso. — eu digo sorrindo
– O senhor Morales falou... — ele começou a falar, mas eu realmente não escutei.
– Nay dá pra falar de novo. — eu digo
– Gabriel Morales o que te representa na empresa. — ele diz
Morales... Pensa Bella... Era o pai de Gabriela.
– Sim eu sei. — eu digo sorrindo
– Bom ele tá precisando de uma pessoa pra subistituir ele na empresa, pois ele...
– Vem pra Forks. — digo interrompendo ele
– Sim. Como você sabe? — pergunta
– Nay eu te amo. — digo fazia tudo sentindo, o fato de achar Gabriela familiar.
– Também te amo, moranguinho. — ele diz suspirando. — Preciso desligar. Tchau
– Tchau. — digo desligando o celular.
– Moranguinho? — Edward me pergunta
– Apelido de infância. — eu digo olhando pra ele rapidamente, só que tinha algo estranho os olhos dele não estavam brilhando e escuros. — Aconteceu alguma coisa?
– Nate não foi seu ex-namorado? — ele perguntou
– Noivo na verdade. — digo sem sorrir
Ele ligou o rádio numa estação de músicas antigas e cantou uma canção que eu nunca tinha nem ouvido. Ele conhecia cada frase.
– Anos 50? — pergunto curiosa
– As músicas nos anos cinquenta eram boas. Muito melhor do que as dos anos sessenta esetenta, ugh! — ele tremeu. — As dos anos oitenta eram suportáveis.
– Você vai me contar quantos anos você tem? — perguntei, fazendo uma tentativa, sem querer estragar o seu humor animado.
– Isso importa muito? — ele sorriu, pra meu alívio, ainda animado.
– Não, mas eu ainda imagino... — eu fiz uma careta. — Não há nada como um mistério não resolvido pra te manter acordada de noite.
– Eu me pergunto se isso vai te aborrecer — ele refletiu consigo mesmo. Ele olhou para o sol, os minutos passaram.
– Me teste — eu disse finalmente.
Ele suspirou, e olhou pra os meus olhos, parecendo se esquecer completamente da estrada por um tempo. O que quer que ele tenha visto lá deve ter encorajado ele.
Ele olhou para o sol — a luz do por do seu o fez brilhar como um rubi e ele falou. -Eu nasci em Chicago, em 1901. — Ele parou e olhou para mim pelo canto dos olhos. Meu rosto estava cuidadosamente insurpreendido, pacientemente esperando pelo resto. Ele deu um pequeno sorriso e continuou. — Carlisle me encontrou em um hospita em1918, eu tinha dezessete anos e estava morrendo com a gripe Espanhola. — Ele ouviu quando eu prendí o fôlego, apesar do som ter sido baixo até para os meus próprios ouvidos. Ele olhou para os meus olhos de novo.
– Eu não me lembro muito bem já foi há muito tempo e as memórias humanas desaparecem. — Ele ficou perdido em pensamentos por um breve período de tempo e então continuou. — Eu me lembro de como eu me senti, quando Carlisle me salvou. Não é uma coisa fácil, algo que você esquece.
– Seus pais? — perguntei
– Eles já tinham morrido com a doença. Eu estava sozinho. Foi por isso que ele me escolheu. Como todo aquele caos da epidemia, ninguém se deu conta de que eu tinha desaparecido. — ele diz
– Como foi que ele... te salvou? — perguntei
Alguns segundos se passaram antes que ele respondesse. Ele parecia estar escolhendo as palavras cuidadosamente.
– Foi difícil. Nem todos de nós tem controle suficiente pra completar a transição. Mas Carlisle sempre foi o mais humano, sempre o que teve mais compaixão entre nós...Eu não acho que você encontraria outra pessoa igual a ele em toda a história. — Ele parou. — Pra mim foi meramente muito, muito doloroso.
Eu podia ver pelos seus lábios que ele não falaria mais nada sobre esse assunto. Eu suprimi minha curiosidade, apesar dela não estar nem um pouco saciada. Haviam ainda muitas coisas sobre esse assunto nas quais eu precisava pensar, coisas que estavam apenas começando a aparecer na minha cabeça. Sem dúvida, sua mente rápida já havia compreendido cada aspecto que ainda me confundia.
Sua voz suave interrompeu meus pensamentos. — Ele agiu por causa da solidão.Geralmente essa é a razão por trás da escolha. Eu fui o primeiro da família de Carlisle, apesar dele ter achado Esme logo depois. Ela caiu de um abismo. Eles levaram ela direto para o necrotério do hospital apesar de, de alguma forma, o coração dela ainda estar batendo.
– Você precisa estar morrendo, então, pra se tornar um... — eu nunca havia pronunciado a palavra, e não conseguí falá-la agora.
– Não, isso é só com Carlisle. Ele nunca faria isso com alguém que tem outra escolha. — O respeito na voz dele era sempre muito profundo quando ele falava na sua figura de pai. — Contudo, ele diz que é mais fácil — ele continuou.- Se o sangue estiver mais fraco — ele olhou para a estrada agora escura, e eu pude sentir que ele estava fechando o assunto de novo.
– E Emmett e Rosalie? — perguntei
– Carlisle trouxe Rosalie para a nossa família logo depois. Só muito tempo depois eu percebí que ele esperava que ela fosse pra mim o que Esme era pra ele era cuidadoso com os seus pensamentos quando estava perto de mim. — Ele revirou os olhos. — Mas ela nunca foi nada além de uma irmã. Foi apenas dois anos depois que ela encontrou Emmett. Ela estava caçando, estávamos em Appalachia nessa época- e encontrou um urso a ponto de acabar com ele. Ela carregou ele até Carlisle, andando pormais de cem quilometros, como medo de não conseguir fazer sozinha. Só agora eu começo a imaginar como aquela jornada foi difícil pra ela. — Ele deu uma olhada pra mim e levantou nossas mãos, ainda juntas, e acariciou a minha bochecha com as costas da mão dele.
– Mas ela conseguiu — eu encorajei, desviando o olhar da beleza insuportável dos seus olhos.
– Sim — ele murmurou. — Ela viu alguma coisa no rosto dele que fez ela ser forte o suficiente. E eles estão juntos desde então. Mas quanto mais jovens fingimos ser, por mais tempo podemos ficar em um só lugar. Forks parecia ser perfeito, então todos nós entramos na escola. — Ele riu. — Eu acho que teremos que ir ao casamento deles daqui á alguns anos, de novo.
– Alice e Jasper? — perguntei
– Alice e Jasper são duas criaturas muito raras. Eles dois adquiriram a consciencia, por assim dizer, sem nenhum tipo de ajuda. Jasper perteceu á outra... família, um tipo de família muito diferente. Ele ficou muito deprimido, e então resolveu vagar sozinho. Alice encontrou ele. Assim como eu, ela tem certos dons fora do comum para a nossa espécie.
– Mesmo? — eu interrompí, fascinada. — Mas você disse que era o único que podia ler mentes
– Isso é verdade. Ela sabe outras coisas. Ela vê coisas que podem acontecer,coisas que estão por vir. Mas é muito subjetivo. O futuro não está cravado em uma pedra. As coisas podem mudar. — ele disse olhando rapidamente pra mim.
– Existem muitos... da sua espécie?. — perguntei quantos deles estariam andando entre nós sem serem detectados?
– Não, não muitos. Mas a maioria não se firma em um só lugar. Só aqueles como nós, que desistiram de caçar pessoas — uma olhar na minha direção — podem viver perto de humanos por qualquer período de tempo. Nós só encontramos uma vez ou outra família como a nossa, num pequeno vilarejo no Alaska. Nós vivemos juntos por algum tempo, mas éramos tantos que começou a dar nas vistas. Aqueles que são...diferentes de nós costumam formar bandos
– E os outros?
– Nômades, em grande parte. Nós todos já vivemos assim às vezes. Acaba ficando tedioso, como todo o resto. Mas de vez em quando nós esbarramos uns nos outros, porque a maioria de nós prefere o Norte.
– Por que? — perguntei
Estávamos parados na frente de casa agora, e ele desligou o carro. Estava tudo muito quieto e escuro; não havia lua. A luz da varanda estava desligada, então eu sabia que não tinha ninguém em casa
– Seus olhos estavam abertos essa tarde? — ele zombou. — Você acha que eu poderia andar numa rua á luz do sol sem causar alguns acidentes de trânsito? Há uma razão pela qual escolhemos a Penínsulo do Olímpico, um dos lugares com menos sol no mundo inteiro. Você não acreditaria no quanto pode se cansar da noite, depois de oitenta anos
– Então as lendas vem dai ir. — digo rindo levemente
Desci do carro e andei só que antes de chegar, Edward tinha aberto a porta.
– A porta estava aberta? — perguntei meio assustada. Vai que tivesse algum...
– Não usei a chave que tem embaixo do tapete. — ele diz sorrindo
– Você é impossível. — digo entrando.
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