Um Crepúsculo Diferente

9 Tipo Sanguineo... Teorias


“Sou bem clara quanto ao que eu gosto, o que eu não gosto, e o que eu quero. Não sou uma puxa-saco. Não sou bajuladora. Não fico falando besteiras. As pessoas podem me ver como uma vaca, mas, na minha posição, eu tenho que ser capaz de proteger a minha imagem.”

Pov. Bella

Fui para a aula de inglês, com raiva, nem percebi que, quando entrei naquela sala, a aula já havia começado.

— Obrigada por se juntar a nós, Srta. Switt – disse o Sr. Mason num tom depreciativo.

— Que isso professor, precisando é só chamar. — eu digo sendo irônica e me sento

Foi só quando a aula terminou que percebi que Mike não estava no lugar de sempre, ao meu lado. Senti uma pontada de culpa. Mas ele e Eric me encontraram na porta, como faziam, então deduzi que eu não era totalmente imperdoável. À medida que seguíamos, Mike pareceu se tornar mais ele mesmo, seu entusiasmo aumentando enquanto falava da previsão do tempo para o fim de semana. A chuva devia dar uma trégua curta, então talvez fosse possível a viagem à praia que ele planejava.

O resto da manhã passou indistintamente. Era difícil acreditar que eu não havia simplesmente imaginado o que Edward me dissera, como se eu tivesse algum problema pra sair com um cara que só me trata mal desde que cheguei nesta cidade.

Fui com Jessica para o refeitório. Jessica tagarelava sem parar sobre os planos para o baile Lauren e Ângela convidaram os outros meninos e todos iam juntos sem a menor consciência de minha desatenção.

Peguei uma garrafinha de suco e Jessica um pedaço de torta e andamos em direção ao resto da galera

— Edward Cullen está olhando para você de novo – disse Jessica finalmente me arrancando de minhas abstrações ao pronunciar o nome dele. – Por que será que ele está sentado sozinho hoje?

Olhei pra onde Jess olhava e vi Edward, sorrindo torto, olhando-me de uma mesa vazia do lado oposto de onde se sentava sua família no refeitório. Depois de ver meus olhos, ele levantou a mão e gesticulou com o indicador para que eu me juntasse a ele. Enquanto eu encarava sem acreditar, ele deu uma piscadela.

— Ele quer dizer você? – perguntou Jessica com uma perplexidade

— Talvez ele precise de ajuda com o exercício de biologia – murmurei, para convencê-la. – Hmmm, é melhor ver o que ele quer.

Eu podia sentir que ela me olhava depois que me afastei.

— O que quer Cullen? – perguntei fria

— Por que não fica comigo hoje? – perguntou ele, sorrindo

Dei uma olhada pra ele observando-o com cautela e me sentei. Ele ainda sorria. Era difícil acreditar que alguém tão lindo pudesse ser tão... bipolar.

Ele parecia estar esperado que eu dissesse alguma coisa.

—Pensei que tivesse deixado claro que não gosto de você. – eu disse olhando nos olhos dele

— Bom… – Ele parou, e depois o resto das palavras saiu num jato. – Eu concluí que, já que vou para o inferno, posso muito bem fazer o serviço completo.

E com certeza eu também vou está lá.

— Sabe que não faço idéia do que você quer dizer – ressaltei

— Eu sei. – Ele sorriu de novo e mudou de assunto. – Acho que seus amigos estão com raiva de mim por ter roubado você.

— Eles não são os únicos. –digo e me levanto. – Quando eu disse que não queria a sua carona também quis dizer que não quero sua companhia.

Por um momento pensei ter visto tristeza, mas acho que não. Então quando vi seus olhos pensei em Dean ele era igual a Edward, olhos dourados e pele muito branca e fria.

— No que está pensando? – perguntou ele, curioso.

— Não é da sua conta. – eu digo dando um meio sorriso. – Com Licença.

Ainda deu tempo de ver seu queixo se apertar, mas ele manteve o sorriso no rosto com algum esforço.

Fui em direção a mesa de Mike e me sentei.

— O que o Cullen queria? – ele pergunta se inclinando e depois olha pra mesa que Edward estar.

— Não faço idéia. – eu digo bebendo do suco.

O silêncio durou até que percebi que o refeitório estava quase vazio.

Com um salto fiquei de pé.

— Vamos chegar atrasados. – eu digo olhando pra Mike.

— Vamos. – ele diz se levantando e formos juntos.

O Sr. Diego ainda não estava na sala quando chegamos. Eu me acomodei rapidamente em meu lugar e vi que Edward não estava lá com certeza matando aula.

E então o Sr. Diego entrou na sala, cumprimentando a turma. Fazia malabarismos com umas caixinhas de papelão nos braços. Baixou-as na mesa de Mike, dizendo-lhe para começar a passá-las pela turma.

— Muito bem, pessoal, quero que todos tirem um objeto de cada caixa – disse ele enquanto pegava um par de luvas de látex do bolso do casaco e as vestia. O som áspero das luvas sendo puxadas nos pulsos me pareceu agourento. – O primeiro deve ser um cartão indicador – prosseguiu ele, pegando um cartão branco com quatro quadrados e exibindo-o. – O segundo é um aplicador de quatro dentes… – Ele ergueu uma coisa que parecia um prendedor de cabelos sem dentes – e o terceiro é um microbisturi estéril. – Ele levantou um pedacinho de plástico azul e o abriu em dois. A lâmina era invisível dessa distância, mas meu estômago revirou.

— Vou andar pela sala com um conta-gotas com água para preparar seus cartões, então só comecem quando eu chegar até vocês, por favor. – De novo ele começou pela mesa de Mike, colocando cuidadosamente uma gota de água em cada um dos quatro quadrados. – Depois quero que piquem o dedo com o bisturi cuidadosamente… – Ele pegou a mão de Mike e deu uma estocada com a lâmina na ponta do dedo médio dele. Ah, não. Um suor pegajoso brotou em minha testa.

— Coloquem uma pequena gota de sangue em cada um dos dentes.

Ele demonstrou, espremendo o dedo de Mike até que o sangue fluiu. Engoli em seco convulsivamente, meu estômago palpitando.

— E depois apliquem no cartão – concluiu ele, segurando o cartão com as gotas vermelhas para que víssemos. Fechei os olhos, tentando ouvir através do zumbido nos meus ouvidos.

— A Cruz Vermelha vai fazer coleta de sangue em Port Angeles no fim de semana que vem, então pensei que todos vocês deviam conhecer seu tipo sangüíneo. – Ele parecia orgulhoso de si mesmo. – Os alunos que ainda não têm 19 anos vão precisar de permissão dos pais… Tenho formulários na minha mesa.

Ele continuou pela sala com as gotas de água. Encostei o rosto no tampo de mesa frio e preto e tentei me manter consciente. Em volta de mim, eu podia ouvir gritinhos, queixas e risos enquanto meus colegas de turma espetavam os dedos. Eu respirava lentamente pela boca.

— Bella, está tudo bem? – perguntou o Sr. Diego. A voz dele estava perto da minha cabeça e parecia alarmada.

— Eu já sei meu tipo sangüíneo, Sr. Diego – disse numa voz fraca. Levantei minha cabeça, olhando para ele.

— Acha que vai desmaiar?

— Sim, senhor – murmurei xingando-me por dentro por não matar a aula quando tive a chance.

— Alguém pode levar Bella à enfermaria, por favor? – gritou ele.

Não precisei olhar para saber que Mike seria o voluntário.

— Pode andar? – perguntou o Sr. Diego.

— Posso – sussurrei. Só me deixe sair daqui, pensei. Nem que seja engatinhando.

Mike parecia ansioso ao passar o braço por minha cintura e puxar meu braço para o ombro dele. Eu me apoiei nele pesadamente ao sair da sala de aula.

Mike me rebocou devagar pelo campus. Quando estávamos perto do refeitório, fora de vista do prédio quatro, para o caso do Sr. Banner estar olhando, eu parei.

— Deixe eu me sentar um minuto, está bem? – pedi quase sorrindo

Ele me ajudou a sentar na beira da calçada.

— E o que quer que você faça, não tire a mão do bolso – alertei. Eu ainda estava tão tonta.

— Puxa, você está verde, Bella – disse Mike, nervoso.

Obrigada Mike!

— Bella? – Uma voz diferente chamava a distância.

Não! Por favor, tomara que eu esteja imaginando essa voz horrivelmente familiar.

— Qual é o problema… Ela se machucou? – Agora a voz estava mais perto e ele parecia perturbado. Não era imaginação minha. Fechei os olhos com força, esperando morrer. Ou, no mínimo, que eu não vomitasse.

— Acho que está desmaiando. Não sei o que aconteceu, ela nem furou o dedo. – Mike diz parecendo estressado.

— Bella. – A voz de Edward estava bem do meu lado, agora aliviada. – Pode me ouvir?

— Não – eu gemi. – Vá embora.

Ele riu.

— Estava levando ela à enfermaria – explicou Mike num tom defensivo –mas ela não conseguiu ir tão longe.

— Vou cuidar dela – disse Edward. Pude ouvir o sorriso ainda na voz dele. – Pode voltar para a aula.

— Não – protestou Mike. – Eu é que devo fazer isso.

De repente a calçada desapareceu de baixo de mim. Meus olhos se abriram de choque. Edward me levantara nos braços com tanta facilidade que eu parecia pesar cinco quilos, em vez de quarenta e cinco.

— Me coloque no chão! – Por favor, por favor, que eu não vomite nele. Ele estava andando antes que eu terminasse de falar.

— Ei! – gritou Mike, já a dez passos de nós.

Edward o ignorou.

— Você está horrível – disse-me ele, sorrindo maliciosamente.

— Me coloque na calçada de novo – eu gemi.

O balanço de seu andar não estava ajudando. Ele me afastou de seu corpo, com cuidado, sustentando todo o meu peso só com os braços, e isso não pareceu incomodá-lo.

— Então você desmaia quando vê sangue? – perguntou ele. Isto parecia diverti-lo.

Não respondi. Fechei os olhos de novo e reprimi a náusea com toda a minha força, cerrando os lábios.

— Até mesmo seu próprio sangue – continuou ele, divertindo-se.

Não sei como ele abriu a porta enquanto me carregava, mas de repente ficou quente, então eu sabia que estava dentro de algum lugar.

— Ah, meu Deus – ouvi uma voz de mulher arfar.

— Ela desmaiou na aula de biologia – explicou Edward.

Abri os olhos. Estava na secretaria e Edward passava pelo balcão da frente, indo para a enfermaria. A Srta. Cope a ruiva da recepção, correu à frente dele para manter a porta aberta. A enfermeira com cara de vovó desviou os olhos de um romance, pasma, enquanto Edward me carregava pela sala e me colocava delicadamente no papel que estalava e revestia o colchão de vinil marrom da única maca. Depois ele se afastou e foi se encostar-se à parede do outro lado da sala estreita, o mais distante possível. Seus olhos estavam brilhantes e excitados.

— Ela só teve uma pequena vertigem – garantiu ele à enfermeira sobressaltada. – Estão fazendo tipagem sangüínea na biologia.

A enfermeira assentiu compreensiva.

— Sempre acontece com alguém.

Ele sufocou um riso de escárnio.

— Só fique deitada um minuto, querida vai passar.

— Eu sei – suspirei. A náusea já estava cedendo.

— Isso acontece muito? – perguntou ela.

— Às vezes – admiti. Edward tossiu para ocultar outro riso.

— Pode voltar para a aula agora – disse-lhe ela.

— Acho que vou ficar com ela. – Ele disse isso com tal autoridade que a enfermeira, embora franzisse os lábios, não discutiu.

— Vou pegar um pouco de gelo para colocar na sua testa, querida – disse-me ela, e depois irrompeu porta afora.

— Por um momento, você me assustou lá fora – admitiu ele depois de uma pausa. Seu tom de voz dava a impressão de que ele confessava uma fraqueza humilhante. – Pensei que Newton estivesse arrastando seu corpo para enterrar no bosque.

— Rá rá. – Eu ainda estava de olhos fechados, mas me sentia mais normal a cada minuto.

— Sinceramente… Já vi cadáveres com uma cor melhor. Fiquei preocupado se teria que vingar seu assassinato.

— Coitado do Mike. Aposto que ele ficou irritado.

— Ele realmente me odeia – disse Edward de um jeito animado.

— Como foi que você me viu? Pensei que estava matando aula. – Agora eu estava quase bem, embora o mal-estar provavelmente tivesse passado mais rápido se eu tivesse comido alguma coisa no almoço.

— Estava no meu carro, ouvindo um CD. – Uma resposta normal, o que me surpreendeu.

Ouvi a porta, abri os olhos e vi a enfermeira com uma compressa fria na mão.

— Lá vamos nós, querida. – Ela a colocou na minha testa. – Parece melhor – acrescentou.

— Acho que estou bem – eu disse, sentando-me. Só com um pequeno zumbido nos ouvidos, mas nada girava. As paredes verde-menta ficaram onde deveriam estar.

Pude ver que ela estava prestes a me fazer deitar de novo, mas a porta se abriu exatamente naquele momento e a Srta. Cope colocou a cabeça para dentro.

— Temos mais um – alertou ela. Desci da maca para liberá-la para o próximo invalido. Devolvi a compressa à enfermeira.

— Toma, não preciso disso.

E depois Mike cambaleou pela porta, agora apoiando Lee Stephens, que estava pálido outro menino de nossa turma de biologia. Edward e eu nos encostamos-nos à parede para deixar que passassem.

— Ah, não – murmurou Edward. – Vá para a secretaria, Bella.

Olhei para ele, desnorteada.

— Confie em mim… Vá.

Girei o corpo e peguei a porta antes que ela se fechasse, disparando para fora da enfermaria. Pude sentir Edward bem atrás de mim.

— Desta vez você me deu ouvidos. – Ele estava pasmo.

— Senti o cheiro de sangue – eu disse, torcendo o nariz. Lee não estava enjoado de ver outras pessoas, como eu.

— As pessoas não conseguem sentir cheiro de sangue – contestou ele.

— Bom, eu consigo… É isso que me deixa enjoada. Tem cheiro de ferrugem… e sal.

Ele me olhava com uma expressão insondável.

— Que foi? – perguntei.

— Nada.

Mike depois saiu pela porta, olhando de mim para Edward. Ele olhou novamente para mim, os olhos taciturnos.

— Você parece mesmo melhor – acusou ele.

— Não tire a mão do bolso – eu o alertei novamente.

— Não está mais sangrando – murmurou ele. – Vai voltar à aula?

— Tá brincando? Se for para a aula, vou acabar voltando para cá.

— É, acho que sim… Então, vai nesse fim de semana? À praia? – Enquanto falava, ele disparou outro olhar para Edward, que estava encostado no balcão atravancado, imóvel como uma escultura, fitando o vazio.

Nessa hora abri um sorriso involuntário

— Claro Mike, eu disse que ia. — eu digo

— Vamos nos reunir na loja do meu pai, às dez. – Os olhos dele dispararam para Edward de novo, perguntando-se se devia deixar escapar muita informação. Sua linguagem corporal deixava claro que não era um convite aberto.

— Estarei lá – prometi.

— A gente se vê no ginásio, então – disse ele, andando inseguro para a porta.

— A gente se vê – respondi. Ele olhou para mim mais uma vez, a cara redonda num beicinho, e depois, ao passar lentamente pela porta, seus ombros arriaram. Uma onda de solidariedade me inundou. Pensei em sua expressão decepcionada de novo… No ginásio.

Não estava com vontade, de ir à aula.

— Ginásio – eu gemi.

— Posso cuidar disso. – Eu não tinha percebido que Edward viera para o meu lado, mas agora ele falava no meu ouvido. – Sente-se e pareça pálida – murmurou ele.

Não era nenhum desafio; eu era sempre pálida e minha recente vertigem deixara um leve brilho de suor no meu rosto. Sentei em uma das cadeiras dobráveis que rangiam e encostei a cabeça na parede, com os olhos fechados. Desmaiar sempre me deixava exausta.

Ouvi Edward falar suavemente no balcão.

— Srta. Cope?

— Sim? – Eu não a ouvira voltar à mesa.

— Bella tem educação física no próximo tempo e não acho que ela esteja se sentindo muito bem. Na verdade, eu estava pensando que devia levá-la para casa agora. Acha que pode dispensá-la da aula? – A voz dele era derretida como mel. Eu podia imaginar como seus olhos estavam mais dominadores.

— Vai precisar de uma dispensa também, Edward? – disse irrequieta a Sra. Cope. Por que não poderia fazer isso?

— Não, tenho a Sra. Goff, ela não vai se importar.

— Muito bem, está tudo resolvido. Melhoras, Bella – disse ela a mim. Acenei com a cabeça levemente, exagerando um pouco na cena.

— Consegue andar, ou quer que eu carregue você novamente? – De costas para a recepcionista, a expressão dele tornou-se sarcástica.

— Vou andando.

Levantei-me com cuidado, e ainda estava bem. Ele manteve a porta aberta para mim, seu sorriso educado, mas os olhos debochados. Saí para o chuvisco frio e fino que começara a cair. Era bom – a primeira vez que eu gostava da umidade constante que caía do céu –, lavava meu rosto da transpiração pegajosa.

— Obrigada – eu disse enquanto ele me seguia para fora.

— Disponha. – Ele estava olhando para frente, semicerrando os olhos na chuva.

Estávamos perto do estacionamento. Virei para a esquerda, para meu carro. Algo pegou meu casaco, puxando-me para trás.

— Aonde você pensa que vai? – perguntou ele, furioso. Agarrava um pedaço de meu casaco.

Fiquei confusa.

— Vou para a casa.

— Não me ouviu prometer que levaria você para a casa com segurança? Acha que vou deixar você dirigir nas suas condições? – A voz dele ainda era indignada.

— Que condições? E o meu carro? – reclamei.

— Vou pedir a Alice para levar depois da aula. – Ele agora me rebocava para o carro dele, puxando-me pelo casaco. Era o que eu podia fazer para não cair de costas. Ele provavelmente me arrastaria de qualquer maneira, se eu caísse.

— Solta! – insisti. Ele me ignorou. Cambaleei de lado pela calçada molhada até que chegamos ao Volvo. Depois ele finalmente me libertou para entrar no seu carro.

Odeio que me tratem como criança. Fiz um bico e olhei com raiva para ele.

— Você é tão mandão! – eu rosnei.

— Está aberta – foi só o que ele respondeu. Ele assumiu a direção.

— Sou perfeitamente capaz de dirigir para casa! – Fiquei parada ao lado do carro, fumegando. Agora chovia forte e eu não havia posto o capuz, então meu cabelo estava pingando nas minhas costas.

Ele baixou o vidro elétrico e se inclinou para mim sobre o assento.

— Entre, Bella. – Não respondi.

Estava calculando mentalmente minhas chances de chegar a meu carro antes que ele pudesse me alcançar. Tinha que admitir que não eram boas.

— Vou arrastar você de volta – ameaçou ele, adivinhando meus planos.

Tentei manter a maior dignidade que pude ao entrar no carro dele. Não tive muito sucesso eu parecia um gato meio ensopado.

— Isso é totalmente desnecessário – eu disse toda rígida.

Ele não respondeu. Mexeu nos controles, ligando o aquecedor e a música baixa. Enquanto arrancava do estacionamento, eu me preparei para dar um gelo nele fazendo um beicinho que fechava minha expressão, mas depois reconheci a música que tocava e minha curiosidade venceu minhas intenções.

— “Clair de Lune”? – perguntei surpresa.

— Conhece Debussy? – Ele também pareceu surpreso.

— É lógico, tenho uma coleção dela. — eu digo sorrindo. — Principalmente minhas favoritas.

— Também é uma das minhas favoritas. – Ele ficava através da chuva, perdido em pensamentos.

Ouvi a música, relaxando no banco de couro cinza-claro. Era impossível não reagir à melodia familiar e tranqüilizadora. A chuva encobria tudo do lado de fora da janela em borrões de cinza e verde. Comecei a perceber que estávamos indo muito rápido; mas o carro se movia com tal estabilidade, tão tranqüilamente, que não senti a velocidade. Só a cidade lampejava por nós.

— Como é a sua mãe? – perguntou-me ele de repente.

Olhei para ele e o vi me analisando com olhos curiosos.

Como eu podia falar de Laura.

— Ela é parecida com Clara. — eu digo mexendo os ombros.

— Quantos anos você tem, Bella? – A voz dele parecia frustrada por algum motivo que não consegui imaginar. Ele parou o carro e percebi que já estávamos na casa de Charlie. A chuva era tão forte que eu mal conseguia ver a casa. Era como se o carro estivesse submerso em um rio.

— Tenho 16 anos – respondi meio confusa.

— Não parece ter 16 anos.

Havia uma censura em seu tom de voz; isso me fez rir.

— Que foi? – perguntou ele, curioso novamente.

Ele fez uma careta e mudou de assunto.

— Então por que sua mãe se casou com o Phil?

Fiquei surpresa e não havia dito que minha tinha se casado; Assim Clara é lógico. Precisei de um momento para responder.

— Minha mãe… é muito jovem para a idade dela. Acho que Phil a faz se sentir ainda mais nova. De qualquer forma, ela é louca por ele. – Sacudi a cabeça. Romance pra mim era besteira

— Você aprova?

— E isso importa? – contra-ataquei. – Quero que ela seja feliz… E é ele quem ela quer.

Isso é verdade apesar das brigas com ela.

— Isso é muito generoso… eu acho.

— O quê?

— Acha que ela teria a mesma consideração com você? Independentemente de quem você escolhesse? – De repente ele estava atento, os olhos procurando os meus.

— Acho quem sim. Mas afinal de contas, ela é mãe. É meio diferente.

— Ninguém assustador demais, então – zombou ele.

Dei um sorriso duro como resposta.

— O que quer dizer com assustador? Piercings na cara toda e tatuagens enormes?

Tava mas pra me definir.

— Acho que essa é uma definição.

— Qual é a sua definição?

Mas ele ignorou minha pergunta e me fez outra.

— Acha que eu posso ser assustador? – Ele ergueu uma sobrancelha e o leve vestígio de sorriso iluminou seu rosto.

Pensei por um momento, perguntando-me se seria melhor dizer a verdade ou mentir. Concluí por continuar com a verdade.

— Hmmm… Acho que você podia ser se quisesse.

— Está com medo de mim agora? – O sorriso desapareceu e seu rosto celestial de repente ficou sério.

— Não. — eu disse olhando nos seus olhos. O sorriso voltou. – Então, posso ir ou ainda vai me interrogar? – perguntei

— Me desculpe. – ele diz sem sorrir

— Claro. — eu disse e abrir a porta e me lembrei de uma coisa e me virei pra ele. — Se algo acontecer com meu carro você estará com sérios problemas. — eu disse sorrindo, e sai do seu carro e fechei a porta.

— Não se preocupe seu carro está em ótimas mãos. — ele diz sorrindo, me viro em direção, mas ele me chama.

— Divirta-se na praia… Espero que o clima esteja bom para um banho de sol. – Ele olhou a cortina de chuva.

— Obrigada eu acho. – eu digo saindo.

Entrei em casa e Nana vinha na minha direção.

— Você pode pegar uma gripe. Já pro banho. — ela diz cheia de preocupação e eu subo pro meu quarto e vou direto tomar um banho.Termino seco meu cabelo e visto um baby doll

Peguei um livro e me joguei na cama, com Barbie ao meu lado.Comecei a ficar com sono, me enrolei e fui dormir.E tive outro sonho esquisito.

Sonho on

— Me perdoa filha eu não queria esconder isso de você. — diz um homem, mas não deu pra ver o rosto dele direito tava embaçado

— Nunca vou perdoar você — eu digo, começo a correr.

Sonho off

Acordo ofegante, já era 06:00 horas, fui tomar meu banho, sequei meu cabelo e como o dia estava mais quente, resolvi vesti uma roupa leve.

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Desci e peguei todos na cozinha

— Bom dia

— Bom dia. — eu digo me sento tomo um café básico, me levanto vou no banheiro escovar meus dentes de novo.E pronto.

— Vamos? — pergunto a Clara

— Claro. — ela diz e entra no meu carro, entro e acelero, cheguei na escola eu saiu e todos olham pra mim, correção para minhas pernas.Eu ando normalmente. Todos é claro estavam comentando sobre o quase desmaio. Jessica especialmente parecia se divertir com a história. Por sorte Mike manteve a boca fechada e ninguém parecia saber do envolvimento de Edward.

— E aí? O que é que o Edward Cullen queria ontem? – perguntou Jessica na aula de trigonometria.

— Não sei – respondi com sinceridade. – Ele não chegou a dizer.

— Você parecia meia chateada – ela jogou verde.

— Parecia? – Mantive minha expressão vazia.

— Sabe de uma coisa, eu nunca o vi se sentar com ninguém a não ser com a família dele. Aquilo foi esquisito.

— Esquisito – concordei. Ela pareceu irritada; sacudia os cachos escuros com impaciência, acho que esperava ouvir algo que lhe desse um bom assunto para fofocar.

Quando fui para o refeitório com Jessica e Mike, não consegui deixar de olhar a mesa dele, onde Rosalie, Alice e Jasper conversavam, as cabeças próximas.

À minha mesa de sempre, todos estavam cheios de planos para o dia seguinte. Mike estava animado de novo, confiando muito no meteorologista local, que prometera sol para amanhã. Era ver para crer. Mas hoje estava mais quente quase quinze graus. Talvez o passeio não fosse completamente infeliz.

Interceptei alguns olhares não amistosos de Lauren durante o almoço, que só fui entender quando todos foram para a aula juntos. Eu estava bem ao lado dela, só a alguns palmos, e ela evidentemente não tinha percebido isso.

— …não sei por que a Bella – ela pronunciou meu nome com desprezo – Simplesmente não se senta com os Cullen de agora em diante – eu a ouvi murmurar com Mike. Nunca havia percebido que a voz dela era anasalada e desagradável, e fiquei surpresa pela malícia implícita. Realmente não a conhecia muito bem, com certeza não o suficiente para que ela não gostasse de mim. Ou assim eu pensei.

— Ela é minha amiga; ela senta com a gente – respondeu Mike aos cochichos, com lealdade, mas também de um jeito meio territorista. Parei para deixar que Jess e Angela passassem por mim. Não queria ouvir mais nada.

No jantar, Jonathas parecia entusiasmado com minha viagem a La Push de manhã. Acho que ele se sentia culpado por me deixar em casa sozinha nos fins de semana, mas ele passara tempo demais formando seus hábitos para quebrá-los agora. É claro que sabia os nomes de todos os meninos que iam, e dos pais deles, e dos bisavós também, provavelmente. Ele parecia aprovar.

Eu queria dormir, mas uma luminosidade incomum me acordou. Abri os olhos e vi uma luz amarelo-clara jorrando pela minha janela. Nem acreditei. Corri para a janela para olhar, e sem dúvida era o sol. Estava no lugar errado do céu, baixo demais, e não parecia estar tão perto como deveria, mas era possível ver um grande trecho de azul no meio. Fiquei na janela pelo maior tempo que pude, com medo de que, se saísse, o azul desaparecesse novamente.