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É engraçado porque eu sempre gostei de ser diferente, e agora, na minha posição, tudo o que eu faço, todo mundo vai fazer.

Pov. Bella

Edward na luz do sol era chocante. eu não conseguia me acostumar com isso, mesmo tendo passado a tarde inteira olhando pra ele. A pele dele, a despeito de uma leve ruborescência pela caçada de ontem, estava literalmente brilhando, como se milhões de pequenos diamantes estivessem cravados em sua superfície. Ele ficou completamente rígido na grama, sua camisa aberta deixava seu peito esculpido, incandescente aparecer, seus braços incandescentes estavam nús. Suas pálpebras brilhantes e pálidas da cor de lavanda estavam fechadas, apesar dele não estar dormindo. A estátua perfeita, talhada em alguma pedra desconhecida, suave como o mármore, e brilhante como o cristal. De vez em quando, seus lábios se moviam tão rápido que pareciam que estavam tremendo. Mas quando eu perguntei, ele disse que estava cantando pra si mesmo era baixo demais pra que eu ouvisse

A clareira, tão espetacular pra mim antes, agora era feia em comparação com ele.

Hesitantemente, eu levantei um dedo e alisei as costas da sua mão brilhante, até onde deu pra alcançar. De novo, eu fiquei maravilhada com a textura perfeita, macia como seda, fria como pedra. Quando eu olhei pra cima, seus olhos estavam abertos, me observando. Seus olhos estava da cor de whisky hoje,mais claros, mais amenos depois da caçada de ontem. Seu rápido sorriso curvou os cantos dos seus lábios perfeitos.

– Eu não te assusto? — ele perguntou de brincadeira, mas eu ouvia a curiosidade por trás da sua voz suave.

– Não. — eu digo olhando para seus olhos e sorrindo.

Seu sorriso cresceu, seus dentes brilharam ao sol. Eu cheguei mais perto, abrindo minha mão pra tocar os contornos do seu braço com as pontas dos meus dedos.

– Você se incomoda? — eu perguntei já que ele havia fechado os olhos de novo.

– Não — ele disse sem abrir os olhos. — Você não pode imaginar o que isso me faz sentir — ele suspirou.

Eu passei minha mão suavemente no seu braço, trilhando os contornos dos músculos perfeitos, segui a leve linha das veias em baixo do seu cotovelo. Com minha outra mão, eu virei a mão dele. Se dar conta do que eu queria, ele levantou sua mão em um daqueles movimentos rápidos e desconcertantes dele. Isso me assustou, meus dedos congelaram no braço dele por um breve segundo.

– Me desculpe — ele murmurou. Eu olhei pra cima pra ver seus olhos claros se fechando de novo. — É fácil demais ser eu mesmo quando eu estou com você.

Eu levantei a mão dele, virando ela pra cima e pra baixo enquanto eu observava o brilho do sol cintilar na sua palma. Eu segurei ela mais próxima do meu rosto, tentando ver os detalhes escondidos da pele dele.

– Me diga o que você está pensando — ele sussurou. Eu olhei pra cima pra ver seus olhos me observando, repentinamente atentos. — Ainda é estranho pra mim, não saber.

– Sabe, o resto de nós se sente assim o tempo inteiro. — eu digo me afastando um pouco.

– É uma vida injusta. — Será que eu imaginei a pontada de arrependimento na voz dele? — Mas você ainda não me disse.

– Eu estava desejando poder acreditar que você é real. E eu estava desejando não ter medo. — eu digo fazendo pequenos gestos com as mãos.

– Eu não quero que você sinta medo — a voz dele era um leve murmúrio. Eu ouvi o que ele queria ter dito na verdade, que eu não precisava ter medo, que não havia nada a temer.

– Bem, não é exatamente desse medo que eu estou falando, apesar de que isso realmente é algo em que eu devia estar pensando. — eu digo olhando pra baixo.

Tão rápido que eu perdi o movimento, ele estava meio sentado, apoiado no braço direito, sua palma esquerda estava perto da minha.

Seu rosto angelical estava a apenas alguns centímetros do meu. Eu devo ter me afastado alguns centímetros, assustada com a súbita aproximação, mas eu não consegui me mexer. Seus olhos dourados me hipnotizaram.

– Do que você está com medo, então? — ele sussurou atentamente

Não consegui responder como fiz das outras vezes, fiquei quieta algo dentro de mim achava isso divertido e a outra parte me recriminava por está perto dele, sem querer me inclinei pra perto dele, mas ele desapareceu.

Quando os meus olhos finalmente ficaram focados, eu percebi que ele estava a uns três metros de distância, de pé na beira da clareira, na sombra de uma enorme árvore. Ele me encarou, seus olhos escuros nas sombras, sua expressão ilegível.

– Me desculpe. — eu digo me levantando e me afastando dele.

– Me dê um momento — ele respondeu alto o suficiente apenas para eu ouvir.

Se afaste dele Isabella, eu podia escutar uma voz na minha cabeça. Se era o certo eu me afastar dele porque eu não conseguia?

Balancei a cabeça confusa e prestei atenção em Edward, demorou dez segundos, ele voltou, devagar demais pra ele. Ele parou ainda a vários passos de distância e se sentou graciosamente no chão, cruzando as pernas. Seus olhos não se desgrudavam dos meus. Ele respirou fundo duas vezes, e então sorriu se desculpando.

– Eu sinto muito — ele hesitou. — Você entenderia se eu dissesse que sou apenas humano?

Eu afirmei com a cabeça uma vez, sem conseguir rir da piada dele. A adrenalina pulsou nas minhas veias quando eu me dei conta do verdadeiro perigo. Ele conseguia sentir isso não importava onde ele se sentasse. Seu sorriso se tornou zombeteiro.

– Eu sou o melhor predador do mundo, não sou? Tudo em mim é convidativo pra você minha voz, meu rosto e até meu cheiro. Como se eu precisasse disso! — Inesperadamente, ele estava de pé, andando pra longe, instantemente fora de vista, só pra depois aparecera trás daquela mesma árvore de antes; ele circulou a clareira em meio segundo.

– Como se você pudesse fugir de mim. — Ele sorriu amargamente.

Ele levantou uma mão e, com um crack alto, ele arrancou uma árvore de dois metros de altura com raiz e tudo, sem esforço. Ele segurou ela com uma mão por um momento, e então jogou ela pra longe com uma rapidez impressionante, fazendo com que ela se chocasse contra outra árvore enorme, ela caiu no chão com um barulho incrível fazendo o chão tremer. E ele estava na minha frente de novo, á dois passos de distância, ainda como uma pedra.

– Como se você pudesse me vencer — ele disse gentilmente.

Estava imóvel, com mais medo dele do que eu jamais senti. Eu nunca tinha visto ele fora daquela fachada cuidadosamente cultivada. Ele nunca esteve menos humano...ou mais bonito. Com o rosto pálido, olhos arregalados, estava presa mais ao perigo do que podia imaginar.

Seus olhos adoráveis pareciam brilhar com a excitação. Então, quando os segundos passaram, eles foram escurecendo. Sua expressão lentamente foi se transformando numa máscara de tristeza.

– Não tenha medo — ele murmurou, sua voz sedosa era muito atraente mesmo sem essa intenção. — Eu prometo... — ele hesitou. — Eu juro que não vou te machucar.

Ele parecia estar mais preocupado em se convencer disso do que a mim.

– Não tenha medo — ele sussurou de novo, enquanto dava um passo á frente, com uma lentidão exagerada. Ele se sentou sinuosamente, com movimentos deliberadamente lentos, até que os nossos rostos estavam na mesma altura, a apenas uns centímetros de distância.

– Por favor me perdoe — ele disse formalmente. — Eu posso me controlar. Você me pegou de surpresa. Mas eu estou com o meu melhor comportamento agora.

Ele esperou, mas eu não conseguia falar.

– Eu não estou com sede hoje, honestamente — ele piscou pra mim.

Dei um pequeno sorriso, mas agora eu tinha medo dele de verdade.

Eles estavam suaves, arrependidos. Eu olhei de volta para as suas mãos, e então deliberadamente recomecei a tatear a sua mão com as pontas dos meus dedos. Eu olhei pra cima e sorri timidamente.

O sorriso dele era deslumbrante.

– Então onde é que nós estávamos, antes de eu me comportar tão rudemente? — ele perguntou com as tendências gentis do início do século.

– Não faço ideia. — eu digo sorrindo.

Ele sorriu, mas o seu rosto estava envergonhado. — Nós estávamos falando sobre porque você estava com medo, sem contar as razões óbvias.

– Hum. — eu digo olhando pra seus olhos. — Eu estava com medo...porque, bem, por razões óbvias, eu não posso ficar com você. E eu tenho medo de querer ficar com você, mais até do que eu devia.

– Sim — ele concordou lentamente. — Isso é algo pra se temer, realmente. Querer ficar comigo. Esse realmente não é o seu melhor interesse.

Eu fiz uma careta.

– Eu já devia ter ido embora há muito tempo — ele suspirou. — Eu devia ir embora agora. Mas eu não sei se consigo.

– Eu não quero que você vá embora — eu murmurei pacientemente.

– E é exatamente por isso que eu devia ir. Mas não se preocupe. Eu sou uma pessoa essencialmente egoísta. — ele diz — Eu necessito demais da sua companhia para fazer o que eu devia.

– Eu fico alegre. — eu digo sorrindo

– Não fique! — Ele retirou a sua mão, mais gentilmente dessa vez; sua voz estava mais grossa que de costume, ainda mais bonita do que qualquer voz humana.

Era difícil acompanhar- as mudanças súbitas do seu humor sempre me deixavam pra trás, confusa. — Não é apenas da sua companhia que eu necessito! Nunca se esqueça disso. Nunca se esqueça de que eu sou muito mais perigoso pra você do que pra qualquer outra pessoa.

Ele parou e eu olhei pra ele pra ver que ele estava olhando a floresta sem ver nada. Eu pensei por um momento.

– Eu acho que não entendo o que você, quis dizer sobre a última parte — eu digo.

Ele olhou pra mim e sorriu, seu humor mudando de novo. — Como eu vou explicar? — ele zombou. — E sem assustar você...Hummm.

Sem parecer pensar em nada, ele colocou sua mão de volta na minha eu apertei a mão dele com as minhas duas. Ele olhou para as nossas mãos.

– Isso é incrivelmente prazeroso. O calor — ele suspirou.

Um momento se passou enquanto ele assemelhava seus pensamentos.

– Você sabe como as pessoas gostam de diferentes sabores? — ele começou. — Como alguns gostam de sorvete de chocolate, outros preferem morango?

Eu afirmei com a cabeça.

– Me desculpe pela analogia á comida, eu não conseguia pensar em outra forma de explicar. — ele diz

Eu sorri. Ele sorriu de volta sem graça.

– Entenda, cada pessoa cheira diferente, tem uma essência diferente. Se você colocasse uma pessoa alcólotra numa sala cheia de cerveja, ela beberia feliz. Mas ela poderia resistir, se ela quisesse, se ela fosse uma alcoólica em reabilitação. Agora digamos que você coloca nessa sala uma garrafa de brandy de cem anos, o conhaque mais raro, mais fino que enche a sala com o seu aroma como você acha que ela reagiria? — ele me perguntou

Nós sentamos em silêncio, olhando para os olhos um do outro tentando ler os pensamentos um do outro.

Ele quebrou o silêncio primeiro.

– Talvez essa não seja a comparação certa. Talvez fosse fácil demais recusar o brandy.Talvez o nosso alcólico devesse ser um viciado em heroína. — ele diz

– Então, o que você está dizendo é que eu sou a sua injeção de heroína? — eu brinquei, tentando melhorar o clima.

Ele sorriu brevemente, parecendo apreciar meu esforço. — Você é exatamente minha injeção de heroína

– Isso acontece sempre? — eu perguntei.

Ele olhou para o topo das árvores enquanto pensava na resposta. — Eu falei com os meus irmãos sobre isso. — Ele ainda olhava pra longe. — Pra Jasper, todos vocês são praticamente iguais. Ele foi o que se juntou á família mais recentemente. A abstinência já é difícil pra ele por si só. Ele ainda não teve tempo pra desenvolver o olfato, as diferenças do cheiro, no sabor. — Ele olhou rapidamente pra mim, se desculpando.

– Eu não me importo. Por favor, não tenha medo de me ofender, ou me assustar, ou o que quer que seja. É assim que você pensa. Eu posso entender, ou pelo menos tentar. Me explique como puder. — eu digo calma, mas tinha me ofendido com o que ele disse.

Ele respirou fundo e olhou para o céu de novo.

– Então Jasper não tinha certeza se já tinha cruzado com alguém tão — ele hesitou procurando pela palavra certa — atraente como você é pra mim. O que me faz acreditar que não. Emmett já está nessa a mais tempo, por assim dizer, e ele entendeu o que eu quis dizer. Ele disse que já aconteceu com ele duas vezes, para ele,uma vez foi mais difícil que a outra.

– E com você? — eu pergunto

– Nunca. — ele diz

A palavra ficou pendurada durante um momento na brisa morna.

– O que Emmett fez? — eu perguntei pra quebrar o silêncio.

Foi a coisa errada pra perguntar. Seu rosto obscureceu, a mão dele se apertou no punho dentro da minha. Ele desviou o olhar. Eu esperei, mas ele não ia responder.

– Eu acho que já sei — eu finalmente disse. Ele levantou os olhos, sua expressão tristonha, implorativa.

– Até o mais forte de nós comete erros, não é? — ele diz

– Eu quero dizer, não existem esperanças, então? — eu perguntei calma.

Como eu podia discutir a minha morte tão calmamente?

– Não, não — ele estava instantaneamente arrependido. — É claro que há esperança! Digo, é claro que eu não vou... — Ele não terminou a frase.

Seus olhos queimavam nos meus. — É diferente conosco. Emmett... aqueles eram estranhos que cruzaram o nosso caminho. Foi há muito tempo e ele não tinha tanta...prática e cuidado que tem hoje.

Ele ficou em silêncio me observando atentamente enquanto eu pensava nisso.

– Então... se tivéssemos nos conhecido num beco escuro ou alguma coisa assim... — minha voz falhou