Um Corpo de Mulher
1 Capítulo 1
Certa noite Sara se preparava para ir a uma festa na cidade vizinha. Desta vez iria sem as amigas, queria ficar sozinha, conhecer novas pessoas. Usava um vestido preto com detalhes prateados, cabelos soltos que batiam na cintura. Estava radiante, era a primeira vez que iria aquele clube.
-Mamãe já estou indo, volto tarde não me espera – disse animada.
-Tome cuidado filha, hoje em dia existem muitos cafajestes que usam e depois jogam fora. – dizia Eva, sua mãe.
-Pode deixar mamãe, eu sei me cuidar muito bem.
Será que sabia mesmo? Chegando ao clube Sara gostou do que viu. Várias pessoas bonitas, musica boa e tudo o que tinha a ver com ela. No meio da noite, Sara dançava sozinha quando percebeu que um homem a olhava insistentemente. Alto, moreno, forte, muito bonito. O rapaz aproximou-se e a convidou para dançar.
-Aceita essa dança? – Indagou
— Sim, é claro – respondeu ruborizada.
Depois de dançarem, sentaram-se em uma mesa e começaram a conversar animadamente.
-Qual é o seu nome? – Indagou Sara
-Richard – Respondeu educadamente – E o seu?
-Sara, meu nome é Sara.
— Belo nome. Aliás, não é só o seu nome que é belo.
Sara corou, adorava receber elogios.
-Obrigada, você também é um homem muito bonito e atraente. A propósito, em que você trabalha?
-Sou... Engenheiro Civil recém formado. E você?
-Estudo nutrição.
-Interessante. Dança comigo?
-Claro!
Foram dançar e no meio da dança um beijo, um único beijo que seria o responsável por uma grande história de horror.
-Desculpe, eu me descontrolei perto de você. – disse Richard.
Não precisa se desculpar... Eu gostei.
E assim a noite passou, entre danças e beijos.
-Bem, eu moro em um apartamento aqui perto. Vamos até lá?
-Olha... Vamos deixar para outro dia, você é um fofo e muito gentil, mas a gente se conheceu hoje e...
-Claro. Imagina não te obrigo a nada. Fica com meu cartão e me liga, ai tem meu endereço.
-Qualquer dia apareço lá – disse feliz.
No dia seguinte ao acordar, Sara sentiu a boca arder e foi olhar-se no espelho.
Não gostou do que viu. Sua boca estava ferida, com umas bolinhas... Seja lá o que fosse concerteza passaria... Mas não passou. Três dias depois sua boca estava em carne viva, parecia que estava... Apodrecendo.
-Doutor, o que eu tenho? – indagou aflita.
-Olha Sara... Vou querer outro exame, este que eu tenho em mãos é absurdo. O laboratório só pode ter se enganado. – disse o médico assustado.
Aroldo, o pai, que acompanhava tudo se assustou. Há mais de trinta anos trabalhava como policial militar.
-Doutor Gomes... Fale o que minha filha tem. – disse aturdido.
-Bom... Sara tem na boca, ham... Uma bactéria. Uma bactéria que só tem em... Cadáver.
-O que!?!! – gritou Sara
-Não doutor, você tem certeza? – disse, e virando-se para filha perguntou – Minha filha, você beijou alguém esta semana?
-Ah, pai. Esta querendo dizer o que? Que eu beijei um morto? – disse irônica.
-Eu te fiz uma pergunta.
-Tá ta, eu fiquei com um cara. Ele me deixou um cartão. Mas pai, ele tava vivo.
-Me de este cartão. Vamos até lá e você vai fazer o que eu mandar.
Após se despedirem do médico foram ao apartamento de Richard.
-Que bom que você – disse o rapaz.
Imediatamente Aroldo e os colegas invadiram o apartamento.
-O que é isso? – perguntou o homem aflito
-Vamos revistar seu apartamento – respondeu o policial.
-Vocês não podem fazer isso.
-Somos da polícia meu irmão, fica quieto.
Sem poder fazer nada Richard levou as mãos à cabeça e reconheceu que estava totalmente perdido. Os policias revistaram a casa inteira e ao entrar no quarto do rapaz... Em cima da cama havia... Um corpo de mulher. Loira, magra, cabelos compridos, seu cadáver apodrecia em cima da cama.
Richard foi algemado e encaminhado a delegacia de policia. Sara estava perplexa, não acreditaria se não houvesse visto com seus próprios olhos. Na delegacia...
-Eu matei aquela mulher, o nome dela era Samantha. Numa noite eu a encontrei numa festa, a gente ficou e eu a levei pro meu apartamento. Lá eu a esganei e o corpo ficou em cima da cama. Ela era minha mulher, eu fiz dela minha esposa. Mas ela já tava indo embora, ela ia sumir e eu precisava de outra. Eu queria Sara pra mim, mas ela não quis. – dizia olhando em um ponto fixo.
-O que você faria com ela. – perguntou Aroldo.
-Eu? Eu ia casar com ela. E ia matar para que ela não fosse mais embora.
-Tira esse merda daqui, meu irmão, vão te fazer de mulherzinha lá no lugar que você vai. Veja pelo lado bom. Você vai ter vários maridos. – ria Aroldo.
Richard foi internado em um hospital psiquiátrico e depois da “recuperação” iria para o presídio, após ser condenado. Enquanto isso Sara e o pai conversavam.
-Filha, toma cuidado viu. Pelo seu velho pai. Ainda bem que você é moça de família e não aceitou aquele convite.
-Claro pai, eu não uma qualquer.
-Eu sei meu bem, eu sei.
Desta vez Sara e o pai estavam indo para casa. Agora mais do que nunca Sara iria ter mais cuidado. Aceitar o convite de um desconhecido pode ser muito perigoso.
Fim
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