Um Conto de Natal
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Rose suspirou. Ela não podia acreditar que tinha aceitado isso. O que tinha na cabeça? Aliás, onde tinha batido e quão forte foi, seria uma pergunta mais apropriada. Não tinha nenhuma chance de ela estava em posse de suas faculdades mentais quando aceitou ser a presidente do comitê de organização da Festa da Virada em seu colégio, uma festa tradicional de ano novo que os alunos organizavam. Se quisessem, claro.
E Rose, definitivamente, não queria. Mas como poderia ela resistir aos olhos pidões dos amigos, implorando-lhe para ajudá-los, jurando que seria divertido? Não estava divertido como o prometido. Não aguentava mais carregar caixas e toda hora soltava um muxoxo infeliz com o trabalho.
— Pelo menos está quase tudo pronto. — murmurou para si mesma, tentando animar-se.
Deu uma olhada pelo ginásio. Mesas postas e decoração azul e dourado enfeitavam o salão. Rose se rendeu e deixou um sorriso aparecer. Apesar de trabalhoso tinha ficado lindo, valendo a pena todo o esforço.
— Vai continuar sonhando acordada, Granger?
Ao reconhecer a voz, Rose revirou os olhos. Droga, ele não desistiria nunca?
— Por que insiste em me chamar pelo nome do meio, Malfoy?
— Incomoda você? — perguntou irônico.
Scorpius sabia que não era aquela razão. Ele a chamava assim simplesmente para irritá-la porque Hermione Granger, mãe dela, e Draco Malfoy, pai dele não eram nada amigáveis um com outro quando mais novos e parece que foi transferido geneticamente para a geração seguinte. Pelo para Rose, com certeza.
E pavio dela era mais curto do que as bananas de dinamite do pica-pau, ela explodia com ele rapidinho. E ele adorava vê-la irritada.
— Sou uma Weasley tanto quanto sou uma Granger.
— Você sabe que é muito mais sua mãe.
— Matou as aulas de genética? 50% do meu DNA herdei da minha mãe e 50% do meu pai, exatamente metade de cada um.
Foi a vez do Malfoy revirar os olhos.
— Com essa sabichisse toda que tem deveria saber que não estava falando dos seus cromossomos e sim da sua personalidade.
Rose deu ombros, demonstrando como não estava nem aí nem aqui. Virou-se para a parede e continuou a pregar a faixa "FELIZ FINAL 2016, ANO DOS TROUXAS" como estava fazendo antes de se deixar parar pelo cansaço e atormentada pelo loiro.
— Sai daqui, loiro oxigenado. Vá procurar útil para fazer. Está me atrapalhando. Xô, xô.
— Ai, coração, assim você me magoa. — disse teatralmente, como se tivesse magoado mesmo.
Rose apertou os olhos para não revirá-los. Os olhos dela ficariam para trás se ela continuasse virando-os toda fez que aquele garoto a irritasse.
— Dá. O. Fora. Daqui. — avisou entredentes pausadamente apertando forte o pobre grampeador que de nada tinha culpa.
— Ok. Mas só depois que você aceitar ir num encontro comigo. — ele cruzou os braços na frente do peito em clara posição de "Olha, estou falando sério, vou te atazanar até aceitar."
Rose quase caiu para trás com a ousadia daquele garoto.
— Você está maluco ou bebeu? De onde você tirou que eu COGITARIA ir a um encontro com você?
— Estou completamente são e sóbrio.
Rose soltou uma risada irônica
— Não temos o mesmo ciclo de amigos nem fazemos a mesma matéria, mal nos falamos desde que nos conhecemos, na verdade, todas as vezes que conversamos trocamos farpas. Por que você está me chamando para um encontro?
— Porque você é uma garota legal e bonita. — respondeu simplesmente olhando nos olhos dela.
Rose sentiu o rosto esquentar pela forma tão simples e sincera, não numa intenção de cantada e sim como algo que ele realmente achava.
— Você me acha legal? Eu nunca fui legal com você.
Ele sorriu.
— Porque você acha que eu sou igual ao meu pai que seus pais descreveram, então você sempre teve uma imagem pronta de mim o que te levou a ter uma atitude rude para comigo.
Ela abriu a boa em choque. De novo, a sinceridade dele a impressionando. A ruiva queria rebatê-lo, mas bem, para o azar dela ele estava certo. Roland e Hermione Weasley tinham contado a ela sobre a época do colégio deles e como Draco Malfoy era um garoto arrogante, mau, que passava por cima do outros para alcançar seus objetivos e ainda era filhinho de papai.
E Rose tinha o odiado.
E transferido esse ódio para o filho.
Parando para pensar, ela nunca tinha visto Scorpius fazendo maldades, pelo contrário, já tinha até visto ele sendo gentil e prestativo. Também nunca ouviu falar dele trapacear, sempre ouviu em como era esforçado.
— Uau. Eu fiz Rose Granger ficar sem palavras. — brincou tirando-a dos seus devaneios.
A Weasley bufou.
— Tchau, Malfoy. — disse e saiu andando em direção aos portões.
Antes que ela pudesse dar três passos, Scorpius segurou o pulso dela impedindo-a de continuar.
— Você não respondeu a minha pergunta. — inquiriu ainda segurando o braço da ruiva.
Ela olhou sugestivamente para a mão dele que a segurava e entendendo o recado, o loiro soltou o braço dela murmurando um "desculpe".
— Olha, Scorpius, eu ainda não te conheço de verdade. Não vou aceitar ir a um encontro com você. — sua voz foi suave, até surpreendendo o garoto — além do fato dela não chamá-lo de Malfoy ou alguma coisa como "idiota".
— É para isso que um encontro serve, querida. Para as pessoas se conhecerem melhor. — disse como se fosse o óbvio.
— Não quero te conhecer melhor. — e novamente saiu em direção aos portões, deixando um pensativo Scorpius para trás.
Quando estava quase alcançando a maçaneta, parou ao escutar a voz do garoto.
— Você está com medo.
Ela girou nos calcanhares para olhá-lo em descrença, exatamente no lugar que o tinha deixado.
— Como é?
— Medo. — ele se aproximou dela.
Os olhos dele eram impenetráveis. A ruiva queria lê-los mas capa protetora em volta deles tornava a tarefa impossível, restando-lhe apenas esperar pela explicação.
— Você tem seus preconceitos construídos e é orgulhosa demais para estar errada.
De novo aquela conversa. Argh. Aquele exibido que acha que a conhece. Ela fechou as mãos de raiva.
— Olha aqui...
— Teme em me conhecer melhor e estar completamente equivocada a meu respeito.
Desde de criança Rose era esperta, como a mãe. Sempre estudou muito e procurava saber sobre tudo que é assunto. Professores ficavam impressionados e até mesmo extasiados com a sede de conhecimento da garota. Tornou — se a preferida dos mestres e chovia elogio dos mesmos.
Por conta de sua inteligência, corrigia os coleguinhas e adultos, quase de forma arrogante. Acabou por criar um áurea que está sempre certa e dona da verdade. Dizer que estava errada? Era uma guerra perdida contra ela.
Por algum motivo, entretanto, a Weasley não conseguia replicar aquele loiro abusado. Estaria ele certo, por isso não encontrava algo para rebater?
Mesmo se fosse isso, ela nunca admitiria. Nem para ele nem para ela mesma. Nunca!
Rose estava prestes a dizer qualquer coisa para se livrar daquela situação quando foi interrompida pela porta do ginásio sendo aberta, fazendo a atenção da ruiva e do loiro se desviarem para ela.
— Rose! Finalmente te encontrei.
E lá estava ela, uma das responsáveis pelo sofrimento de Rose naquele fim de ano. Lily Luna, a mais nova dos Potter, também uma das melhores amigas de Rose e prima.
Lily trazia um sorriso tão feliz no rosto e batia palminhas, realmente animada com a responsabilidade de ajudar a cuidar da festa de fim de ano.
— Lily, eu vou... — mas antes que a ruiva pudesse completar seu pensamento foi interrompida pela amiga que tinha olhos arregalados.
— Vocês já se beijaram? — perguntou desesperada. Os dois a olharam confuso, e Rose tinha até enrubescido um pouco.
Certo. Todo mundo nessa escola está louco ou bebeu, por que de onde Lily Potter tirou que Rose Weasley beijaria Scorpius Malfoy?
— O visco. Vocês estão em baixo do visco. Se beijem logo. Se não se beijarem o azar vão acompanhar vocês, tipo, para sempre. — Lily tinha um olha de pavor.
Rose quis revirar os olhos. Sua prima acreditava em sorte, horóscopo e tudo que é tipo de superstição. Rose não. A pequena Potter acabava por obrigar Rose a fazer coisas que não queria para que o azar não "pegasse".
Quando voltou seu olhar para Scorpius, o mesmo observava o visco com um sorriso malicioso.
— Pode esquecer, Malfoy.
Scorpius desviou os olhos para ela, não deixando o sorriso morrer.
— Está com medo de gostar?
Se Rose colocasse as mãos em volta do pescoço dele, apertando-o até parar de respirar seria ela presa? Quer dizer, o mundo deveria agradecê-la por livra-lo de um loiro exibido.
— Não mesmo.
— Rose, beija logo. Você é da minha família e anda comigo, não quero aura azarenta perto de mim. — Lily pediu fazendo gestos com a mão e o olhar apavorado de pensar em ter azar.
— Que tal assim. — se pronunciou Scorpius. — Nós nos beijamos e evita que a áurea negativa esteja com você e se não gostar paro de te perturbar. Mas se gostar, você aceita o meu convite.
Rose já estava pronta para negar quando Lily novamente se expressou.
— Ele te chamou para um encontro? — agora ela estava incrédula. Porém logo balançou a cabeça espantando a ideia. — Não importa. Só beija logo.
— Bateu a cabeça, Lily? — a ruiva mais velha perguntou. Não acreditava que até sua prima Lily estava do lado dele.
— Ele é legal e bonitinho. Não esse monstro que você criou. — revirou os olhos. — E vocês estão embaixo do visco, que tivesse evitado o visco senão quisesse beijar.
Até Lily achava que ela julgava mal o Malfoy? Será que ela realmente o subjugava assim?
— Viu, coração? Sou até bonitinho.
Se ela colocasse suas mãos em volta do pescoço dele e o apertasse até que parasse de respirar para sempre, seria presa? Quer dizer, deveriam agradecê-la por livrar o mundo desse loiro exibido.
Lily observava a cena divertida com um sorriso. Talvez assim Rose daria uma chance de conhecer o garoto melhor, ver o bom coração que ele tem.
— Para de me chamar de coração.
— Anda logo, Weasley. Termina logo meu sofrimento.
— Seu sofrimento? Eu vou te...
— Rose. Foca! Você vai aceitar o desafio ou não?
Desafio? Oh, droga. Ele tinha transformado isso em um desafio,não é possível. Agora não tinha como escapar, ela nunca negaria um desafio.
— Ok. É só um beijo. Não é como se eu fosse gostar, mesmo.
Rose viu um sorriso genuíno surgir no rosto do loiro, sério que estava feliz só por beijá-la.
— Eu não contaria com isso. – e Rose mal teve tempo de processar as palavras do garoto pois tão rápido quanto tinha falado, ele colocou uma mão no pescoço dela puxando o rosto delicado de menina pra si, encostando seus lábios no dela.
A ruiva soltou um pequeno suspiro de surpresa arregalando os olhos, o que durou dois segundos, fechando-os logo em seguida.
Os lábios de Scorpius Malfoy nunca pareceram que poderiam ser dessa maciez, tão doces e quentes. Ele ainda tinha a mão em seu pescoço e ela passou seus braços entorno da cintura dele, num abraço. A outra dele foi para sua cintura, trazendo ela ainda mais perto dele.
Malfoy a beijava com tanto fervor, quase numa devoção. E ela o correspondia enquanto de vez em quando o garoto apertava sua cintura, o que trazia leves arrepios. Ele era tão intenso que ela se esqueceu do mundo por um momento, simplesmente aproveitando aquele beijo que fez até seu coração palpitar.
Nenhum dos dois se atreveu a aprofundar o beijo, mas ao final deram pequenos selinhos. Scorpius subiu sua mão para o pescoço dela, agora tendo as duas lá, enquanto as mãos delas passeavam pelas costas dele, que tinham uma rigidez deliciosa de se pegar.
O loiro puxou o lábio inferior dela com os dentes, segurando a cabeça dela entre as mãos. Rose sentiu falta proximidade dele. Como se tivessem combinado, abriram os olhos juntos.
A Weasley sentiu o rosto esquentar sobre o olhar brilhante dele, brilhava em expectativa. Finalmente Scorpius e a soltou.
— Uau. – ele disse, tentando encontrar para descrever a experiência incrível. – Isso foi... ótimo. Podemos fazer de novo? – indagou animado com a possibilidade.
A ruiva, que tentava controlar a respiração, acordou do transe.
— O que? Não.
Também não era assim. Ela tinha prometido um beijo, pronto. Em algum lugar de sua mente, um lugar que ela não queria deixar tomar conta, ela sabia que queria outro. Mas não seria hoje.
— Por que não? – perguntou realmente confuso.
— Eu nem disse se gostei.
— Não precisa. Eu percebi pela forma que você correspondeu e como sua cara está agora.
O rosto dela ficou quase da cor do seu cabelo.
— Ok. E-eu gostei. Mas não vai ter outro.
Ele bufou, mas deixou para lá. Conseguiria outro, e ela ia pedi-lo.
— Tanto faz. Te vejo quarta às sete. Tchau, coração
Assim ele saiu, deixando-a atônita.
Bem, ela tinha apostado e perdido. Porém, seu coração batia de uma forma tão boa que ela não se sentia perdedora. Talvez ela realmente estivesse errada sobre. E, só talvez, ela estivesse disposta a descobrir, deixando de lado seu orgulho e preconceito.
— Que gracinha! Vocês já tem até apelidos carinhosos. Awn. – Disse Lily, tirando Rose de seus devaneios e lembrando sua existência.
— Cala a boca. – replicou corada.
E também saiu do ginásio, com uma sensação boa dentro de si, uma ansiedade que a animava. Mal podia esperar por quarta feira.
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