Um Conto de Fadas Diferente
26 Capitulo 20 - Eterno enquanto dure / parte final
Notas iniciais
POV BELLA
– Bella espera — gritou Alec batendo a porta do carro assim que saltei pra fora sem me dar ao trabalho de desligar o motor ou mesmo fechar a porta, se quer olhei a paisagem a minha volta como sempre imaginei que faria se um dia voltasse a pisar nesse lugar
Apenas corria, corria como estava fazendo desde o momento em que Rosalie ligou informando do acidente. Na minha visão a única imagem que me era nítida era a porta de entrada da casa que me parecia cada vez mais longe, assim que finalmente passei pela entrada vi todos os olhos se voltarem para mim
– Bells — disse Rafael se levantando do sofá e vindo na minha direção apreensivo
– Cade ele Rafa? Cade o Edward? — perguntei, a agonia crescendo dentro de mim e sendo subsistida pelo pânico pela forma cuidadosa como ele me olhava
– Calma Bella, está tudo bem, ele está no hospital e...
– E porque estamos aqui? Vamos pra lá — falei já me virando de volta por onde entrei, mas fui impedida por Rafael que segurou meu braço
– Espera Bella, seu pai e a Rose estão no escritório conversando sobre o estado dele e eles querem falar com todos nós juntos, talvez estejam precisando de alguma doação de órgão ou de sangue e...
– Então fica ai você, eu quero ver ele, depois você me passa o recado — falei pro meu amigo enquanto tentava me soltar de seu aperto
– Bella pelo amor de Deus se acalma mulher. Ele está bem, está medicado e seu pai...
– Se ele estivesse bem ele não estaria em um hospital — tentei sair de novo mais Rafa intensificou o aperto no meu braço — Solta! — bradei o olhando fundo nos olhos da forma altiva e superior que a muito eu não fazia com ninguém. Vi que assustei Rafa, por que ele me soltou me olhando como se não me reconhecesse, sabia que tinha que me desculpar, mas depois eu faria isso, naquele momento eu só queria vê-lo, ver com meus próprios olhos que ele ficaria bem
– Bella minha filha você chegou — já ia sair de novo quando a voz emocionada de meu pai me impediu, queria xingar ele, Edward doente no hospital e ele estava feliz? Mas depois eu xingava, agora tinha um doente pra visitar
– Cheguei e já estou de saída — informei já indo pra porta
– Bella espera — Rosalie que estava do lado de meu pai correu a meu encontro me impedindo de sair — vamos conversar
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA — gritei tentando fugir das mãos dela, lágrimas descendo pelos meus olhos enquanto eu gritava e me debatia cada vez mais, quando senti braços me segurarem e me impedirem de chegar a porta em um abraço de urso
– Calma Bella — reconheci a voz de Alec em meu ouvido constatando que era ele quem me segurava. Mas que inferno! Porque todos pareciam estar contra mim?
– Me solta Alec! — gritei enquanto lutava pra me soltar — Eu quero ir ver o Edward
Continuei gritando e lutando enquanto várias vozes se misturavam em minha cabeça, todas falando coisas desconexas ao mesmo tempo. Até que senti um forte impacto contra minha face seguido de uma dor ardente que pôs um silêncio absurdo ao recinto. Olhei abismada uma Alice que me encarava seriamente a centímetros de mim
– Presta atenção garota! Não é hora pros seus showzinhos, você está nervosa? Todos estamos, e não ajuda em nada além de um enfermo termos que nos preocupar com uma louca ensandecida correndo por ai. Então você cala a boca, para de escândalo e fica quieta enquanto decidimos o que faremos — falou tudo em um folego só com o tom de voz alterado, Alice nunca tinha gritado comigo antes e isso me deixou em estado de choque
– O que está acontecendo pai? Porque estamos todos aqui ao invés de estarmos no hospital? — saiu de perto de mim e foi em direção a nosso pai enquanto falava, vi Jasper passar por mim e ir de encontro a Esme que o abraçou apertado. Alec afrouxou o aperto do abraço notando que eu estava mais "calma", mas não me soltou
– Eu e Rose temos algo a falar, mas estávamos esperando todos chegarem — falou meu pai com expressão pesada e sentir meu sangue gelar, ele não estava com cara de quem tinha boas noticias
– Tia Esme — falou uma galinha caipira ruiva que eu me lembrava muito bem, entrando pela porta e correndo em direção a Esme
– Carlisle já estamos todos aqui, fale de uma vez — implorou Esme e a expectativa já estava começando a me matar
Meu pai abaixou a cabeça e respirou fundo, Rosalie foi pro lado dele e repousou a mão em seu ombro em sinal de apoio
– Bem, eu gostaria de ter boas notícias, mas infelizmente não tenho — meu coração disparou dentro do peito e eu afundei minhas unhas no braço de Alec tentando me manter no lugar — Infelizmente na tarde de ontem Edward sofreu uma morte cerebral — ele começou a chorar nesta última parte e eu vi tudo ficar escuro e senti minhas pernas amolecerem em baixo de mim, tinha total noção de que não era mais eu quem me mantinha no lugar mas sim Alec que sustentava todo o meu peso, a minha volta ouvia soluços de choro vindos de vários lugares ao mesmo tempo
– E é grave? — ouvi a voz de Emmett perguntar — Ele precisa de uma doação de cérebro? Eu dou o meu pra ele, não tem porque esse alarme todo — por mais asneiras que estivesse dizendo a voz de Emmett não era a de alguém confiante que acreditava realmente no que estava dizendo como sempre era quando dizia idiotices, parecia mais a de alguém desesperado tentando se agarrar na última ponta de esperança que tinha, ainda que fosse ilusória
– Eu sinto muito Mett, mas não funciona assim — ouvi Rose responder docemente — não tem mais nada que possa ser feito. Edward está morto — teve dificuldade em dizer a última parte
Senti as mãos de Alec escorregarem, provavelmente canssadas de estarem suportando todo o meu peso, não me dei ao trabalho de obrigar minhas pernas a funcionarem, deixei que meu corpo descesse até o chão, eu não me importava,estava ciente dos braços de Alec ainda a minha volta, provavelmente ele teria se sentado ao chão comigo, tinha consciência também de Rafa alisando minhas mãos e beijando meu rosto carinhosamente, mas nada mudava minha realidade, o amor da minha vida estava morto e eu queria estar também
– Isso não é verdade! — Emmett praticamente gritou — Eu estava com ele até agora a pouco, eu vi, ele estava vivo
– Por causa dos aparelhos — a voz de meu pai voltava ao timbre frio e profissional, o mesmo timbre de Rosalie — Eu preciso de autorização para desligá-los Esme, e preciso saber se Edward é doador de órgãos
– Não! Você não pode fazer isso, ele precisa dos órgãos, quando acordar vai ficar muito zangado se não estiver com todos os órgão no lugar — Emmett agora chorava como criança implorando para continuar no play
– Emmett entenda, Edward não está mais entre nós, ele não vai acordar — insistiu Rosalie
– É do meu melhor amigo que você está falando, será que você não tem coração? — não suportava mais aquilo, eu precisava sair dali. Abri os olhos e comecei a esfregar as mãos em meu rosto tentando desembaçar a visão por conta das lágrimas, em seguida me pus de pé, assim que o fiz Alec e Rafa imitaram o meu ato já se preparando pra se colocarem ao meu lado, mas antes que tivessem oportunidade de se moverem ergui as duas mãos em um pedido mudo para que continuassem onde estavão, assim que acreditei que eles haviam entendido o recado abaixei as mãos e sai dali o mais rápido que consegui, a princípio sem rumo, mas quando dei por mim já estava no celeiro
Entrei da mesma forma que havia feito quando estive ali pela primeira vez, procurando um lugar pra me esconder. Tudo parecia estar no mesmo lugar de quando eu deixei. E da mesma forma que antes parei admirando a beleza do cavalo branco. Tempestade estava exatamente da forma que eu me lembrava, fiquei de frente pra ela, ela me olhava como se também se lembrasse de mim
– Gosta de cavalos?– fechei os olhos ouvindo a voz do Cullen em minhas lembranças
– Não– minha voz mental respondeu no mesmo tom de indiferença da ocasião — Calma, calma, minha voz disse pra Tempestade quando ela se irritou com a presença de Edward e seu cavalo negro
– Você monta?– perguntou se aproximando
– Não mais
– Não mais?
– Minha mãe tinha um aras meu pai disse que ela adorava aquele lugar. Me levava lá quase todo final de semana, mais isso já faz muito tempo...
– Montar a cavalo é como andar de bicicleta, não se esquece.
– É, quem sabe
– Você gostou dela?
–Porque está me perguntando isso?
– Talvez ela possa ser sua
– E o que eu teria que fazer?
Abri os olhos novamente sentindo as grossas lágrimas descerem
– Vamos dar uma volta garota? — perguntei pra minha égua. Não selei ela, só queria subir em cima e sentir o vento bater contra meu rosto na esperança de afugentar a dor. Montei nela e sai cavalgando a toda velocidade que minha égua conseguia ir em direção a cerca. A nossa cerca
Desci de Tempestade e fui a paços lentos até uma árvore que tinha ali, assim que cheguei me sentei em posição fetal e fiz o que mais queria fazer naquele momento, chorei, chorei pela morte do homem que eu amava e que nunca mais teria
Não sei exatamente quanto tempo fiquei ali mas sei que foi tempo o suficiente pro dia se acabar e os primeiros traços da noite aparecerem, e eu não tinha vontade de voltar, estava bem onde estava
Ouvi um trotar de cavalo se aproximando. Droga, me encontraram, olhei na direção do barulho e espera ver qualquer um menos ela. Victoria desceu de seu cavalo e veio em minha direção com a expressão ainda de choro
– Sabia que você tinha vindo pra cá — disse quando parou ao meu lado, depois olhou a cerca ao longe — É pra onde eu iria se estivesse no seu lugar
– Vai embora — falei simplesmente, mas ela pareceu não me ouvir, sentou-se ao meu lado como boas amigas que não éramos
– Sabe qual foi a última coisa que ele me disse? — perguntou
– Não sei e tenho raiva de quem saiba. Agora vai embora — essa caipira estava me irritando, se não saísse daqui eu juro que ia...
– Que voltaria por você — fiquei estática no lugar, todos os insultos e xingamentos dando lugar a um enorme ponto de interrogação, como assim? Os dois estavam falando de mim? — Eu amo Edward desde que me lembro, mas ele nunca correspondeu, sempre fomos amigos e nos davamos muito bem , mas depois que você apareceu ele não era mais o meu Edward, ele estava mudado e eu sabia que era por sua causa. Mas sei lá, eu tinha certeza que de certa forma eu podia mudar as coisas, fazê-lo me amar ou se não fosse possível não importava, o meu amor era o suficiente pra nós dois, então eu estava decidida a me declarar pra ele e o rodeio me pareceu a forma mais eficaz. Você sabe como é gente do interior né, cheios de superstições e histórias, dizem que se uma mulher apaixonada der uma prenda ao Cowboy e ele prometer voltar por ela caso o pior aconteça ele é obrigado a cumprir a promessa e a prenda dela o protege. Eu dei um lenço a ele, e ele não aceitou, claro que não aceitou, Edward é cavaleiro de mais pra brincar com os sentimentos de alguém assim
– Olha é linda a sua história, um romance bem Shakespeariano. Agora vai embora — implorei
– Esculta, eu preciso te contar, ele não aceitou por ser apaixonado por você, ele disse que a única mulher por quem ele voltaria seria você
– E de que me adianta saber disso agora? Sua intenção era fazer me sentir amada e feliz? Acredite ele já tinha me feito declarações mais intensas — falei tentando causar nela ao menos uma pontinha da dor que eu estava sentindo
– Imagino que sim — falou chateada — mas não é isso que eu queria dizer. Bom, é que depois que ele me disse isso eu joguei nele uma praga, eu disse que se ele não voltasse por mim, também não voltaria por mulher nenhuma
– Que horror! Mas você merece isso, merece morrer sabendo que as últimas palavras que ele ouviu foram essas
– Eu sei, mais ainda não é isso que eu estou querendo dizer. Eu não tinha intenção de fazer nenhum mal a ele, e lógico que não queria que acontecesse de verdade, eu não acredito mas os supersticiosos dizem que o poder da mulher rejeitada é três vezes mais forte do que o da mulher apaixonada
– E dai? — eu já estava ficando de saco cheio desse monte de historinhas bobas
– E daí que se foi verdade pra mim, pode ser verdade pra você também. Você poderia não estar lá, mas ele prometeu, ele disse com a própria boca que voltaria por você, você é a única que pode cobrar isso dele
Ela me olhava como que esperando alguma reação minha, mas eu ainda estava em duvida se a chamava de louca e dava a oportunidade dela fugir ou se já ligava direto pro hospício sem nenhum aviso prévio
– Você tem ideia do quanto isso soua absurdo não tem? — perguntei em duvida
– Tenho, mas situações desesperadas pedem medidas desesperadas, e o que custa tentar? A única coisa que pode acontecer é não dar certo e amanhã ambas estaremos velando o homem que amamos. Eu sei que se fosse você ao invés dele, ele tentaria por mais absurdo que pudesse parecer
...
Se alguém ai quiser ligar pro hospício, a hora é essa, porque eu realmente estou no corredor do hospital indo em direção a UTI cobrar uma promessa de um defunto que ele nem ao menos fez a mim pessoalmente
Parei na porta que a enfermeira me indicou e segurei a maçaneta tentando tomar coragem. Depois de contar até dez três vezes empurrei a porta e entrei. E lá estava ele, deitado em uma maca com fios e aparelhos ligados por todo o corpo e um barulhinho irritante e ritmado que indicava que seu coração ainda estava batendo
Não consegui me controlar e comecei a chorar o olhando de longe, o corpo coberto por um lençol e a cabeça estava maior devido ao inchaço da pancada e toda enfaixada, acredito eu que deveriam ter feito cirurgias. Junto com o choro um novo sentimento se apossou de mim, raiva
– Seu idiota! — gritei pra ele — Caipira mal vestido, grosseirão e pobre dos infernos. Porque você foi subir naquele touro? Me responde anda! Me responde seu jumento! — gritei mais alto como a perfeita louca que eu era — Queria provar o que e pra quem? Queria mostrar pros seus amiguinhos do curral que era mais esperto que o touro? Bem feito seu trouxa, olha ai o que ganhou — nada, nem um sinal de que estava me ouvindo, o que só fez minha raiva aumentar — Estupido! Idiota! Otário! Burro! Burro, burro, burro — comecei a estapeá-lo tentando o obrigar a ter alguma reação ainda que fosse a de se proteger dos meus golpes — Porque? por que fez isso comigo Edward? Porque?
– Mocinha — uma enfermeira entrou alarmada no quarto, mas não me impediria de continuar dando uma boa surra naquele caipira Cullen idiota — Mocinha, por favor se acalme — pediu me segurando com força
– O que é? Não está vendo que eu e meu namorado estamos no meio de uma discussão? Por favor não atrapalhe — Ela me olhou como se estivesse pronta pra chamar alguém da ala psiquiátrica, comecei a chorar. Olhei pra Edward pronta pra lhe dizer um adeus definitivo já que provavelmente iram me sedar por vários dias e eu não conseguiria se quer acompanhar seu enterro. Ela suspirou em sinal de pena da minha situação
– Eu lamento muito mais creio que espancá-lo não irá resolver, o melhor que você tem a fazer agora é rezar para que a alma dele seja bem recebida, temos uma capela aqui no hospital, se quiser eu te levo até lá
– Não sou muito religiosa — admiti ainda olhando o rosto inchado do meu amado
– Entendo, mais ainda assim vou pedir que me acompanhe até que esteja mais calma — será que ela estava com medo de eu fazer o que? Prejudicar o paciente morto? Ou será que ela achou que eu iria roubar o corpo?
Mesmo contra a minha vontade acompanhei a enfermeira até a tal capela onde algumas mulheres estavam ajoelhadas murmurando palavras baixas de mais para que eu entendesse. Instantes depois a enfermeira estava de volta com um copo de água dizendo que me faria bem. Aposto que tem um sucega leão misturado á água, mesmo com as minhas suspeitas eu tomei, talvez eu estivesse mesmo precisando
Fiquei ali olhando aquela cruz enorme, nunca fui uma pessoa com muita fé, e sinceramente, nunca acreditei muito na existência de um Deus, não fazia muito sentido pra mim a existência de alguém o tempo todo pronto pra te presentear com o que você pedisse, mas me lembrei das palavras de Victoria. "Situações desesperadas pedem medidas desesperadas", e me ajoelhei como aquelas mulheres
– Oi — comecei sem saber muito bem o que falar — olha, eu sei que não sou muito de fazer isso e que com toda a certeza não estou na sua lista de filhos favoritos, mas é que se você existir mesmo e toda essa história de céu e inferno, sabe esse cara que tá subindo ai? Bom, ele é o amor da minha vida e eu nem tive oportunidade de dizer isso a ele porque ele é um idiota e fez o que ele sabe fazer de melhor, idiotices e acabou indo mais cedo do que eu esperava e agora eu não sei o que fazer, então eu pensei que talvez você pudesse mandar ele de volta, acredite em mim, você não vai querer ele ai, ele é tosco, mal educado, não sebe se vestir, muito menos se comportar, é grosseirão e irritante, mas também é cuidadoso, gentil, honesto, e eu preciso mais dele do que você, então por favor, deixa ele voltar
...
– Está mais calma? — perguntou a enfermeira de braços cruzados parada na porta
– Juro que sim — respondi a verdade, já começava a sentir os efeitos do calmante que ela provavelmente colocou na água que me deu — me deixe entrar — supliquei. Ela pareceu avaliar a situação e por fim me deu passagem e eu entrei fechando a porta atrás de mim
– Juro que não quero brigar — disse pra Edward deitado na maca como se estivéssemos na fazenda em seu quarto e ele estivesse pronto pra me mandar embora. Puxei uma poltrona que tinha ali até o mais próximo que consegui dele, então me sentei alisando seu rosto com cuidado, como se qualquer movimento mais forte pudesse machuca-lo ainda mais- Eu sinto muito por ter me descontrolado aquela hora, é que ás vezes você me tira do sério — já que seria a última vez que falaria com ele eu faria como se ele estivesse acordado e me ouvindo — Nós temos tão pouco tempo e eu tenho tanta coisa pra te falar, primeiro eu queria que você soubesse que eu nunca achei de verdade que você fosse um grosseirão e nenhuma daquelas outras coisas que eu te dizia. Talvez mal vestido, e pobre, e caipira e idiota, mas de resto era só pra te irritar
" Na verdade você é o cara mais bacana que eu já conheci em toda a minha vida. Eu sei que eu sempre disse o contrário, mas eu dou a minima pra se você tem dinheiro ou não, juro que só fiquei sabendo que você tinha naquele dia, e preferia que você não tivesse, teríamos evitado tudo isso se você fosse pobre. Pra te falar a verdade dinheiro sempre foi algo importante pra mim como uma coisa que eu precisava ter e não os outros, os outros só precisavam inveja que eu tivesse, e teve uma vez que eu fui obrigada a passar um dia inteiro em um orfanato fazendo trabalho da escola e acabei fazendo amizade com uma menina de lá e ela era pobre — falei orgulhosa — mas não conta pra ninguém, eu não poço estragar a minha reputação — dei risada da minha própria idiotice
– Mas então, tipo, eu nunca fiz isso antes sabe, me apaixonar, claro que eu tinha curiosidade de saber como era o tal frio na barriga que todos falavam, mas nunca tinha acontecido, ai eu conheci você e tipo foi ódio a primeira vista e tal, mais ai depois começou a mudar, e eu não tinha base nenhuma pra comparar e saber o que estava acontecendo comigo e quando eu comecei a desconfiar eu entrei em pânico, cara você era o meu arque-inimigo, filho da mulher que queria roubar meu pai de mim, eu tinha que te odiar, era questão de honra
" E mesmo quando eu decidi me entregar ao que estava sentindo eu fiquei com medo de parecer fraca se te falasse, uma bobinha apaixonada, e quando eu finalmente decidi que iria te contar logo de uma vez como me sentia tudo aconteceu tão de repente e eu não tive como te falar e acredito que essa seja minha última oportunidade então...
" Eu te amo. Eu te amo de verdade, você não está entendendo o quanto eu te amo, eu te amo de um jeito que nunca imaginei que fosse possível um dia eu amar alguém, eu te amo mais do que eu amo a mim mesma e acredite, nem mesmo meu pai conseguiu alcançar esse nível — segurei a mão dele e me ajoelhei na poltrona me inclinando pra mais próximo do rosto dele
– E é por isso que eu estou te pedindo caipira, em nome desse amor, por favor volta, volta pra mim. A ruiva esfarrapada disse que você prometeu que voltava por mim, que espécie de caipira é você não que cumpre com a sua palavra? — cobrei já me alterando de novo, então respirei fundo tentando me acalmar — Desculpa, já disse que não quero brigar
Não queria passar nossa última noite juntos brigando, preferia passar de uma maneira carinhosa, mostrar pra ele que eu sabia ser carinhosa quando queria, então fiz o que eu mais queria desde nossa última briga, encostei meus lábios nos dele sentindo toda a macies dos lábios dele contra os meus, os lábios que eu jamias beijaria novamente. Uma lágrima solitária desceu de meus olhos com o pensamento e eu me afastei alguns centímetros só pra enxugá-la logo, não queria que ele me visse chorando de novo
– Eu te amo — sussurrei enquanto beijava-o novamente
E foi ai que tudo mudou. Senti um leve apertar na minha mão, como se ele estivesse me mostrando que ainda estava ali. Levantei rapidamente olhando pra mão dele fechada sobre a minha
– Edward? — continuei olhando embasbacada nossas mãos coladas, fiz menção de separa-las, mas ele segurou em um protesto não muito firme. Ainda que me partisse o coração contrariá-lo eu as separei só para ter certeza de que não era meu cérebro me pregando uma peça, ou talvez um efeito do remédio que a doida da enfermeira me deu, e lá estava, os dedos se mexendo fracos como se buscassem minha mão
Sorri sem poder acreditar no que estava vendo, então recoloquei minha mão sobre a dele que fechou os dedos formando uma parede de dedos grossos em volta da minha pequena mão
– Eu te amo seu caipira imbecil — gritei beijando-lhe de novo
...
– Bella, Bella acorda – abri os olhos e me levantei assustada, minhas costas estralaram e doeram em protesto, olhei a minha volta percebendo o obvio, eu havia dormido sentada na poltrona e com a cabeça na maca de Edward. Ao meu lado meu pai me olhava alarmado, provavelmente já tinha conversado com a enfermeira da noite
A minha volta todos olhavam pra mim com olheiras e bolsas em torno dos olhos que indicavam não somente que não tinham dormido como também que tinham passado a noite chorando
– Eu vou pedir pra preparar a sala de cirurgias – informou meu pai a Rose que assentiu
– Cirurgia? – perguntei alarmada
– Sim, Edward é doador de órgãos – exclareceu receoso avaliando minha reação
– Não pai, escuta, ele está vivo – falei quase que atropelando as palavras na pressa de salvar meu namorado
– Bella por favor...
– É sério, ele segurou a minha mão
– Bella eu gostaria que fosse verdade, mas não existe a menor possibilidade de...
– Pai eu to falando a verdade, olha, eu te mostro ele pode segurar a sua também
– Bella...
– Pai – Rose o interrompeu ao se aproximar de nós. Rose acreditaria em mim – Bella, você está cansada, passou a noite aqui. Vamos pra casa, você descansa um pouco e depois conversamos
– Você também não acredita em mim – acusei – Esme você acredita não é verdade? – ela me olhou e começou a chorar. Droga! – Emmett? – apelei, mas ele abaixou a cabeça também chorando
– Bella por favor – implorou meu pai como se eu estivesse deixando a situação mais difícil do que já era
– Ninguém acredita em mim mas é verdade, eu vou mostrar – peguei a mão de Edward esperando que ele fechasse os dedos novamente, mas nada – Edward amor, não me deixe passar por louca
– Bella vamos – meu pai soltou minha mão da de Edward e me puxou enquanto eu tentava resistir e voltar pra perto dele
– Não pai escuta, é verdade – gritei em meio as investidas de meu pai pra me tirar da sala – Edward caramba, faz alguma coisa eles vão te matar – implorei, e pra alegria geral da nação, principalmente a minha, Edward abriu os olhos deixando meu pai estático e todos os outros embasbacados
– Eu não disse? – corri na direção dele que assim que me aproximei focou os olhos em mim – Te amo, te amo e te amo – falei empolgada pela primeira vez olhando nos olhos dele ao mesmo tempo que o enchia de beijos
Ele fez um leve mover de lábios que eu entendi como um sorriso torto lindo e depois fechou os olhos de novo. A minha volta eu tinha noção de todos falando ao mesmo tempo, mas não dei importância, o importante era que meu boyfriend estava vivo
Esme se aproximou da maca olhando o filho e sorrindo, depois olhou pra mim murmurando um obrigada, e eu fiz a última coisa que imaginei que um dia faria quando cheguei nesse fim de mundo pela primeira vez, abracei a minha madrasta e ficamos as duas abraçadas enquanto olhávamos pro motivo de nossa existência vivo
POV EDWARD
Era estranha a maneira como eu me sentia, tinha noção de tudo acontecendo a minha volta, mas era como se eu estivesse sonhando, parecia que eu não era senhor do meu próprio corpo, não conseguia dominar meus membros
Dava ordens ao meu corpo que não me eram obedecidas, mau conseguia sentir meu corpo, era como se eu estivesse embaixo de uma pressão muito forte de água
– O coágulo diminuiu consideravelmente – ouvi a voz de Rose falar em tom profissional
– Em toda a minha carreira nunca vi um caso como esse – ouvi Carlisle e eu fiquei ainda mais atento, o que aconteceria comigo?
– Edward é um milagre pai, ele literalmente nasceu de novo
– É acho que sim, mas como medico é difícil pra mim acreditar em algo que a medicina não possa explicar
– Eu sei – falou simplesmente. Tá mas e eu? Eu conseguirei voltar ao normal? – Eu vou pedir que as tomografias sejam repetidas diariamente, eu quero um acompanhamento do cérebro dele pra ter uma noção do que esperar como sequelas
– Sua mãe teria muito orgulho de você se estivesse aqui agora – falou Carlisle elogioso. Escutei Rose bufar contrariada
– Minha mãe teria orgulho de mim ainda que eu estivesse vendendo hot-dog na praia. Era você que eu queria orgulhar quando decidi fazer medicina – não pude deixar de notar o tom de revolta em sua voz
– Rose minha filha do que você está falando? Eu sempre me orgulhei de você
– Do que eu estou falando pai? Será que você é cego? Eu passei a minha vida inteira tentando chamar a sua atenção, tentando ser o exemplo de filha perfeita, cuidava da Alice como se fosse mãe dela, minhas notas sempre foram as melhores da turma, mas você nunca notou, nunca reparou em mim. Os cuidados, atenções e elogios sempre foram direcionados pra Bella que nunca fez nada de extraordinário além de exigências e cobranças de caprichos de menina mimada – eu me sentia péssimo por estar presenciando aquele momento íntimo dos dois – Ai eu me formei, e estava tão feliz por ter sido escolhida a oradora da turma, escrevi o meu discurso pra você pai, eu só imaginava você ouvindo e sentindo orgulho de mim enquanto eu estivesse falando. Eu estava guardando segredo porque queria te contar naquela noite que tinha passado pra medicina, mas ai como sempre você não apareceu, chegou horas depois da entrega dos diplomas e tudo por que? Por que mais uma vez estava atendendo a um capricho da linda Isabella, e foi ai que eu desisti.
“Eu me dei conta de que não adiantava o quanto eu me esforçasse eu nunca chamaria a sua atenção por que eu não era ela. Eu não era parecida com a minha mãe como ela era, você não faz ideia de quantas vezes eu fiquei parada na frente do espelho segurando uma foto dela tentando achar pelo menos uma semelhança que fosse
– Rose – começou receoso – eu estaria sendo hipócrita se te dissesse que não sei do que você está falando, sei que estou em débito com você e com Alice por todos esses anos, e acredite em mim, não teve um dia se quer que eu não me olhasse no espelho e me maldizece pelo péssimo pai que eu era, mas eu estava tão debilitado e doente por conta da morte de sua mãe que eu precisa de uma muleta pra me manter em pé, e fiz de Bella essa muleta. Hoje estou colhendo os frutos desse meu erro, não tenho nenhuma de vocês por perto, a vida resolveu me castigar da maneira mais cruel que ela poderia fazer. A filha que eu idolatrava me despreza, nunca se importa em vir me visitar e mal liga uma vez por mês pra saber se ainda estou vivo. Alice vem todos os meses, mas só porque Jasper precisa vir e mal para pra conversar comigo, não que eu ache que ela não goste de conversar comigo, mas parece que nunca temos assunto, e ela está sempre tão entretida estudando que eu fico sem jeito de incomoda-la puchando assuntos banais pra ocupar o tempo
“ E você, a minha cópia de saias sempre foi a mais inteligente das suas irmãs, a que eu sempre julguei como a que menos precisava da minha atenção, cresceu, se formou e agora vai pra Califórnia – escutei Rose suspirar surpresa – É eu sei, eu tenho muitos amigos Rose, você pensou mesmo que mais sedo ou mais tarde eu não iria ficar sabendo? – falou amargo – Não precisa dizer nada, eu sei o que isso significa, nunca mais eu vou te ver, confesso que quando você ligou avisando que vinha passar as férias aqui eu me enchi de esperanças, eu pensei que talvez eu pudesse te convencer a desistir do trabalho e ficar aqui e trabalhar comigo. Mas agora, depois de tudo o que você me disse, eu duvido que fique, mas não vou me magoar, como disse sei que estou sendo castigado e mereço isso
“Mas eu queria que você soubesse que apesar de todos os meu erros eu te amo sim, sempre te amei e vou continuar amando pra sempre. E que me orgulho de você desde antes de você tirar a sua primeira nota A, me orgulho de você desde quando te peguei pela primeira vez e fui cortar seu cordão umbilical e você tão esperta puxou a tesoura da minha mão, naquele dia eu tive certeza que você seria médica como eu
– Pai... – ouvi soluços de choro emocionados vindos tanto dela quanto dele – eu te amo
– Eu também, me perdoa filha – essa era o tipo de conversa que eu fingiria pelo resto da minha vida que nunca tinha presenciado
Ouvi barulho de porta se abrindo e eu poderia até estar paralisado em uma cama, mas aquele cheiro eu reconheceria em qualquer lugar, minha mimada estava ali, eu tinha certeza
– O que foi? – perguntou alarmada – aconteceu alguma coisa com ele – a voz dela se aproximou rapidamente de mim
– Não Bella, está tudo bem – respondeu Rose – Na verdade ele já está ate melhorando, o coágulo diminuiu e eu tenho esperanças de que vai continuar diminuindo até desaparecer completamente
Senti os lábios dela colarem-se aos meus diminuindo a pressão da maré sobre o meu corpo, em seguida sua mão começou a deslizar carinhosamente sobre o meu rosto
– E o Emmett? – perguntou Rose
– Ainda está comendo, os outros foram tentar dormir um pouco
– Eu vou fazer companhia a ele – falou Rose e em seguida ouvi a porta abrir e fechar
– Por que ele não acorda? – perguntou ainda me acariciando
– Por causa da morfina, vamos manter ele assim por enquanto para que ele não sofra com a dor – Carlisle respondeu – Bella eu ainda não estou me sentindo muito confortável com isso. Quero dizer, eu criei a minha garotinha como uma princesa e sempre achei que ela se envolveria com alguém como ela, você sabe, um príncipe. E por mais que eu admire Edward não acho que ele se enquadre nessa classificação
– Nem sempre o príncipe é encantado pai, Edward é um príncipe, a maneira dele, mas é – senti seus lábios colarem gentis aos meus novamente – é o meu príncipe
...
E novamente eu tinha apagado, não sei por quanto tempo, mas ainda não tinha sido o suficiente pra eliminar a morfina do meu organismo, dessa vez nem me dei ao trabalho de tentar me obrigar a fazer coisas que eu sabia que não conseguiria
Só me concentrei em saber se ela estava ali, prestei atenção a minha volta, tudo estava silencioso exceto pelo bipe irritante, mas ainda assim eu sabia que ela estava, seu cheiro estava por toda parte. Como eu queria poder abrir os olhos e olha-la ainda que por instantes, queria saber por que ela não estava me tocando, ou será que estava e eu não podia sentir? Não, com toda a certeza ela não estava, seu toque era o único capaz de romper a barreira da morfina e ser sentido por mim
A porta se abriu e escutei passos pesados se aproximando de mim
– Se Maomé não vai a montanha, a montanha vai a Maomé – uma voz masculina que eu não reconheci falou perto de mim seguida de um estralar de beijo. Quem é que está ai? E é bom que não seja a minha mimada que esse Zé está beijando
– Desculpa, estou sendo uma péssima amiga te abandonando sozinho em um lugar estranho – respondeu minha mimada com voz canssada a uma distância que parecia estar sentada ao meu lado
– Está tudo bem e não é como se eu não conhecesse ninguém, conheço Alice, Jasper e Rosalie. E o Rafa está tão fora de área quanto eu, então estamos fazendo companhia um ao outro
– Pensei que você não gostasse do Rafa
– Quando não está tentando me roubar a sua atenção ele até que é legal – falou em tom brincalhão e eu estava pedindo a tudo quanto era santo para que não fosse quem eu estava imaginando que era – Então esse é o famoso caipira Cullen – continuou no mesmo tom de brincadeira – E olha só pra ele. Está vivo! – falou com uma falsa empolgação que pra mim soou um tanto quanto decepcionada – sabe, ele não me parece ser tudo aquilo que suas irmãs sempre falaram não
– Há, é porque você ainda não viu ele com a cabeça menos inchada. Ou será que sempre foi assim mesmo? – háhá
– Você está péssima Bells, precisa ir descansar
– Eu quero estar aqui quando ele acordar
– A Rose disse que ainda vai demorar, o coágulo está diminuindo de vagar, e ainda tem a perfuração do chifre, seu pai não vai diminuir a morfina tão cedo – senti o toque dela no meu rosto, toque esse que eu estava desesperado pra sentir
– Eu sei, mas ele estava morto Alec, e de alguma forma eu gosto de pensar que voltou por mim e está melhorando por mim, tenho medo de sair de perto e ele ir embora de novo
– Bella, nós não nos conhecemos a tanto tempo assim mas às vezes sinto como se fosse a vida inteira e eu preciso te dizer, eu te amo – filho da puta – E eu quero que escolha a mim e não ele. Eu poço te fazer muito mais feliz do que ele, você não precisa mudar por mim, é tão mais fácil ser você mesma comigo. Eu só preciso de uma oportunidade, uma chance pra te mostrar o quanto somos parecidos, o quanto somos perfeitos juntos – Mas será possível que esse ser não tem respeito? Eu aqui totalmente indefeso e fraco e esse idiota tentando roubar a minha mulher na minha frente?
– Eu sei e é por isso que somos amigos, acredite em mim Alec, se tivesse me conhecido a um ano atrás você não gostaria tanto assim de mim. Eu gosto da Bella que sou hoje, da Bella que me tornei por ele. E eu também te amo – ME MATEM! PELO AMOR DE DEUS ME MATEM! DESLIGUEM OS APARELHOS OU SEJA LÁ O QUE ESTIVER ME MANTENDO VIVO – mas não do jeito que você gostaria, sinto muito mas por favor não me faça escolher, por que vai ser ele, sempre foi ele
– Eu sei, mas precisava tentar pra não morrer na duvida do "e se?"
– Continuamos amigos? – NÃO!
– Claro, estarei sempre aqui pro que você precisar, mas por enquanto eu preciso de um tempo pra colocar a cabeça no lugar. Eu vim só te avisar que estou voltando pra casa
...
POV BELLA
– Bella — abri os olhos e vi meu pai com cara zangada me olhando a poucos passos de mim — Já está na hora de você sair desse quarto e ir dormir em uma cama de verdade — esbravejou em um tom de voz autoritário ao mesmo tempo que baixo em respeito ao local onde estávamos. Sentei-me na minha cama improvisada sentindo todo o meu corpo reclamar pela falta de conforto
– Bom dia pra você também — não tinha ânimo pra ter aquela conversa de novo, na verdade nem sabia porque ele ainda insistia no assunto, já tínhamos tido aquela mesma discussão inúmeras vezes nas últimas duas semanas, e não importava o quanto ele brigasse, implorasse ou falasse com voz de pai autoritário, nada iria me fazer sair do lado de Edward — Bom dia amor, dormiu bem?
Ignorei meu pai enquanto dava um beijo no amor da minha existência sem obter resposta como acontecia todas as manhãs. Alisei seu rosto enquanto o olhava, esperando do fundo do meu ser que esta manhã fosse diferente, mas não, assim como todas as manhãs foi tudo igual nenhuma reação da parte dele e eu não conseguia entender o porquê, segundo Rose a muito o coágulo já havia desaparecido por completo não deixando nenhuma deficiência encefálica e meu pai já não administrava mais as doses de morfina
– Ao invés de ficar se preocupando com onde eu durmo você deveria levá-lo logo para a tomografia de hoje — cobrei azeda
– Bella não fique com raiva de mim, a culpa não é minha. Tanto eu quanto Rose estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance, você precisa entender que se eu te cobro alguma coisa é somente porque como pai eu me preocupo com você e...
– Eu sei, me desculpa. É que essa falta de reação dele está me desestabilizando, eu já te disse, assim que ele receber alta eu vou pra fazenda como o senhor quer, mas por enquanto não tem a menor possibilidade de deixá-lo aqui sozinho
– Bella você tem que encarar a realidade dos fatos, Edward não está mais em coma induzido, ele tanto pode acordar hoje como daqui a um ano, como também pode ficar assim pra sempre. O que você pretende fazer quando tiver que voltar a faculdade? vai leva´-lo na mala?
– Eu não vou voltar, vou ficar aqui com ele — comuniquei a minha decisão sem encara-lo não tinha coragem de encarar a face de indignação que sabia que ele faria
– O que? — perguntou em um misto de alarme e incredulidade
– Eu não vou voltar — repeti com firmeza para que ficasse claro que não adiantaria ele brigar ou querer me obrigar a minha decisão estava tomada e eu não voltaria atrás
– Eu não vou permitir que você pare a sua vida em função de alguém que nem sabemos se acordará um dia Bella
– Você não precisa permitir nada, eu já sou maior de idade posso fazer o que eu quiser. E ele vai acordar!
– Digamos que ele acorde, que garantias você tem de que ele retribuirá o seu sacrifício?
– Eu o amo, e quem ama não espera retribuições
– O que você sabe sobre amar Bella? A única versão de amor que você conhece é a que le em romances adolescentes e se é que é amor o que você sente, você pode amar outra pessoa é assim que as coisas funcionam, mas pra você amar outra pessoa você precisa se dar a oportunidade. O Alec por exemplo, me parece ser um bom garoto — a mão de Edward se fechou em punho e a boca ficou em uma linha rígida — e ele me parece realmente gostar de você, eu sei que o Edward iria gostar que você desse uma oportunidade ao Alec — não iria não, as articulações de Edward estavam brancas de tanto que ele pressionava os dedos em punho, sorri enquanto massageava o braço do meu ciumento tentando relaxá-lo
– Relaxa, eu sei que você não quer que eu dê uma chance a ninguém e não vou dar — sussurrei no ouvido dele dando-lhe um celinho em seguida, sorri quando a mão dele relaxou
– Bella você está me ouvindo? — cobrou meu pai, desviei a atenção do meu namorado para a figura hiponente do meu pai dentro de seu jaleco branco e me odiei pelo o que faria com ele, mas era a única forma de encerrar com aquela conversa desagradável, ainda que momentaneamente
– Se fosse minha mãe? Se ela não tivesse morrido naquela tarde, mas sim ficado em coma, se você soubesse que ainda que fosse minúscula havia uma chance dela acordar um dia e retomar as coisas de onde vocês pararam, o que você faria? — a dor inundou seus olhos e ele abaixou a cabeça, olhei pra Edward tentando não ver a dor que tinha causado em meu pai
– Eu puxaria uma cadeira, me sentaria ao lado dela e ficaria esperando ela acordar — olhei surpresa para meu pai, não estava esperando que ele respondesse, ele me olhava de uma forma tão compreensiva que eu não soube decifrar o que estava passando por sua cabeça naquele momento, talvez estivesse imaginando minha mãe naquela maca e ele ao seu lado esperando que ela despertasse, e eu soube naquele momento que aquela conversa estava encerrada, para sempre
– Bom dia povo lindo — disse Emeett animado como fazia todas as manhãs ao passar pela porta do quarto de Edward, Emmett era a primeira visita que Edward recebia todos os dias, ele gostava de vir cedo, antes de começar os seus afazeres na fazenda, que segundo ele aumentaram bastante sem a ajuda de Edward, ele sempre murmurava e exigia que Edward deixasse de ser preguiçoso e acordasse logo pra fazer a sua parte. E todas as noites Emmett também era a última visita que Edward recebia, ele sempre vinha fazer um relatório minucioso de tudo o que tinha acontecido durante o dia na fazenda, mesmo com os constantes avisos de Rose de que Edward não podia ouvi-lo e mesmo que pudesse não iria querer saber de trabalho naquela situação. Mas eu discordava dela, acreditava sinceramente que as conversas monólogas de Emmett faziam bem a ele, alias faziam bem aos dois, ainda que não falasse era notório o quanto a falta de resposta de Edward o estava abalando e acredito que fingir que era mais um dia comum em que ele iria conversar com Edward no café da manhã e fazer seu relatório ao fim da tarde fosse a forma de Emmett lidar com aquilo
Como todas as manhãs aproveitei a visita de Emmett para tomar banho e fazer meu dejejum na lanchonete do hospital, gostava de dar privacidade aos dois, e sabia que Emmett gostava dessa minha atitude mais do que deixava transparecer. Os dois eram muito ligados e notei a necessidade de deixa-los a sois logo na primeira visita de Emmett, quando ele se aproximou da maca com os olhos lacrimosos e cheios de palavras mudas e então me olhou constrangido por ter que falar na minha frente
– Mais tarde eu volto — anunciou quando fui acompanha-lo até a porta, acenei com a cabeça e sorri para ele, ele não precisava avisar, eu já sabia que ele voltaria, achei Emmett meio nervoso, como se estivesse procurando palavras para falar algo importante — Obrigado — sussurrou mais pra dentro do que pra fora, os olhos voltados para baixo, seu chapéu brincando em suas mãos nervosas — Obrigado por estar cuidando dele e por ter trazido ele de volta, eu não sei o que seria da minha vida sem esse cabra. De verdade, de todas as gurias que ele poderia ter escolhido, você foi a opção mais certeira, e eu quero que você saiba que assim como considero ele meu irmão, igualmente você pra mim é mais do que uma cunhada, você é minha irmã e se teu pai tiver razão e ele realmente nunca mais acordar independente da sua decisão, ainda que você escolha seguir em frente e investir em um novo relacionamento você terá sempre o meu carinho e o meu respeito como sendo a mulher dele e eu sempre estarei aqui pra ti a qualquer hora e pro que você precisar porque é isso que ele faria pela minha mulher se fosse eu no lugar dele agora
– Obrigada Emmett — abracei ele o mais apertado que consegui — obrigada de verdade pelo apoio, mas não se preocupe, ele vai acordar e eu não vou a lugar nenhum, você vai ter que aguentar minhas mininisses ainda por muito tempo
Assim que ele foi embora fechei a porta e fui pra perto de Edward, quem diria que Emmett fosse capaz de ser assim tão sensível
– Você tem um excelente amigo — falei pro meu caipira assim que me aproximei dele
– Eu sei, mas pensei que ele nunca fosse ir embora — me respondeu abrindo os olhos e me dando aquele sorriso torto que... peraí
– Edward? Edward você acordou! — gritei eufórica me jogando em sima dele e beijando-lhe os lábios, em seguida olhei fundo em seus olhos — EU. TE. AMO! — falei pela primeira vez com ele conciênte e me senti fantástica por isso
– Se a minha recepção for ser sempre assim eu acho que vou entrar em coma mais vezes — falou com ar de diversão
– Nem brinca com isso. Espera só um minuto que eu vou chamar o meu pai — já ia correr pela porta e avisar ao meu pai que ele podia parar de se preocupar que eu fosse morar o resto da vida em um hospital, mas ele me segurou pelo punho
– Espera, vamos conversar um pouco antes — pediu e eu quase cedi a carinha de cãozinho abandonado que ele fez
– Teremos todo o tempo do mundo pra conversarmos depois, agora você precisa ser examinado pra termos certeza de que não vai dormir de novo
– Por favor Bella, eu estou acordado a horas, tenho certeza de que não vou dormir de novo, aliás acho que não vou dormir pelos próximos trinta anos
– Então por que só está de olhos abertos agora?
– Por que eu queria que o seu rosto fosse a primeira coisa que eu veria quando abrisse os olhos, então com o silêncio do quarto eu deduzi que você estivesse dormindo então esperei, mais ai o seu pai chegou e eu sabia que ele não me deixaria te ver de verdade quando percebesse que eu estava acordado, e eu tenho esperado tanto pra te ver que uma rápida olhada não seria o suficiente, e logo depois chegou o Emmett e ai você se foi, por favor eu não quero esperar, alguns minutos a mais sem esses exames não vão me matar, quero dizer, não se você estiver aqui comigo — me dei por vencida e me sentei na beirada da maca dele, nossas mãos ainda conectadas
– Me perdoa? — já ia falar pra ele não perder tempo com aquele tipo de conversa, mas ele nem me deu chance de abrir a boca — Eu sou um estúpido e não mereço o seu amor, eu sei que fui um idiota aquele dia e lamento muitíssimo cada maldita palavra que te disse, se encontrasse uma forma de voltar no tempo substituiria cada uma delas por um eu te amo, mas infelizmente eu não sei como fazer isso. O tempo que ficamos separados não fez o que eu sentia por você diminuir, eu ainda te amo Isabella, e mesmo sabendo que sou um egoísta por te querer sem merecer eu te peço em nome desse amor egoísta que sinto, fica comigo. Eu prometo que vou viver cada minuto da minha vida unica e exclusivamente pra te fazer feliz
Nunca fui boa com palavras, então deixei meu corpo responder por mim com o beijo mais apaixonado e cheio de emoção que já dei em toda a minha vida
ALGUM TEMPO DEPOIS...
Me olhava no espelho com um sorriso nos lábios, enquanto passava perfume em meu pescoço exatamente onde sabia que Edward apoiaria a cabeça assim que tivesse oportunidade. A mulher refletida no espelho me sorriu em cumplicidade, ambas sabíamos que ele adorava aquele perfume
Avaliei aquela mulher, não com olhos de menina que quer estar bonita para a festa que me aguardava no andar de baixo da fazenda, mas com olhos de mulher que compara o ontem com o hoje
O longo vestido branco com detalhes em cristais sem duvida alguma seria uma escolha que a Bella do ontem teria feito e eu estava feliz em saber que meu bom gosto não me abandonara
O cabelo cortado em estilo chanel crescido todo liso com a franja presa no alto por um grampo com certeza é uma escolha somente da Bella do hoje, mais eu gostava, o novo corte havia me dado um ar mais maduro e apagado traços de menina da Bella do ontem, não foi uma escolha que meu namorado aprovou é verdade, mas ainda assim não me arrependi da mudança de visual e valeu a pena ver a cara de espanto dele quando cheguei — segundo ele — com quatro quilos de cabelo a menos na cabeça
Os olhos da mulher refletida no espelho me fitavam curiosos por trás da sombra mesclada de dourado e marrom, era onde eu podia ver o ontem e o hoje juntos, permaneciam os mesmo olhos altivos e confiante do ontem, porém hoje já não olhava com desdém para as coisas erradas, hoje eu sabia exatamente pelo o que lutar, pelo o que eu deveria realmente me acorrentar a uma janela em forma de protesto ou não
Desci as escadas ouvindo o som do meu salto batendo contra a madeira, ao final da escada Edward me aguardava lindo como sempre em suas calças jeans escuras, camisa branca e um chapéu marrom na cabeça.
– Você está linda — falou assim que cheguei ao fim da escada
– Como sempre — respondi convencida
– Você sabe que não é nada tão luxuoso como o que você está acostumada não é?
– Claro que sei, os Cullen nunca saberão dar uma festa ao estilo Swan — brinquei, antes que ele pudesse falar mais alguma idiotice puxei ele pra fora
A fazenda estava toda decorada com luzes e na frente, bem onde um dia o tio de Edward apontara uma espingarda pra mim havia uma enorme fogueira onde alguns homens tocavam viola em volta, praticamente toda a cidade estava ali, assim como eu a maioria deles estavam vestidos de branco
– Até que em fim — reclamou Emmett arrastando Rosalie pra junto de nós, os dois não se desgrudavam, segundo eles estavam aproveitando cada segundo que tinham juntos, já que logo Emmett estaria longe, por mais inacreditável que fosse para mim, Emmett havia passado no vestibular e cursaria agronomia na mesma universidade que eu. Rose queria ir junto mas ele insistiu que o hospital precisava dela, eu não concordava e na ocasião até ia participar da discussão sobre o futuro deles como a perfeita intrometida que eu era alegando que meu pai daria conta muito bem do hospital sozinho quando Edward me impediu e me arrastou pra longe, depois de eu bater muito o pé e insistir que queria minha irmã feliz ele cedeu e me contou a verdade
Emmett também queria que Rose fosse feliz e essa era a maneira dele garantir isso, não era segredo pra ninguém que Rose sempre quis ter mais atenção do nosso pai e Emmett viu na situação dela e meu pai sozinhos comigo e Alice longe a oportunidade deles recuperarem o tempo perdido
Eu fiquei tão tocada com a atitude dele de sacrificar longos anos de faculdade ao lado dela só pra que ela tivesse um momento a sós com nosso pai que acabei oferecendo meu apartamento pra ele dividir comigo, assim já matava três coelhos com uma unica cajadada, ajudava Emmett que iria mesmo precisar de um lugar pra ficar e Edward e Rose ficavam menos enciumados sabendo que tinham alguém de confiança vigiando seus respectivos pares
Não foi fácil convencer Edward de que a fazenda precisava dele, e por mais que eu quisesse que ele fosse comigo não podia negar que os animais precisavam de um veterinário, precisavam dele. Até pensei em desistir da faculdade, mais ele me convenceu do contrário, então nós também estavamos em reta final de férias e últimos momentos juntos antes que eu voltasse pra faculdade
– Eu vou buscar umas bebidas pra nós — falou meu namorado assim que me pos sentada em um tronco próximo a fogueira
Olhei pra todos que estavam a volta da fogueira, focando meus olhos em Alice sentada no meio das pernas de Jasper, os dois riam e empurravam um o rosto do outro enquanto disputavam o último gole de uma garrafa de cerveja que estavam compartilhando. Eles eram o casal mais estável no nosso meio com a conversa de eternos namorados, de fato eles agiam mesmo como namorados em começo de romance o tempo todo, vez ou outra eles tinham uma briguinha sem proposito mas logo faziam as pazes e voltavam a mesma cumplicidade de sempre
Ao lado deles estava o casal mais improvável e se eu não estivesse vendo com os meus próprios olhos não acreditaria. Kate perfeita/filha adorável abraçada a Marcus/tripinha/caipira endemoniado. Isso mesmo, você não leu errado não, Kate a ex-namorada de Emmett se acertou com o tripinha e as boas novas não param por ai não, eles vão ter um filho — pobre criança — mas o relacionamento até que fez bem a ele, a maior parte dos pircings no rosto haviam sumido restando somente três argolinhas no lábio inferior, o nariz havia sido reconstruido e axo que ele pegou trauma de coisas ali porque não tinha nenhum tipo de adereço ali, mas como pau que nasce torto morre torto os alargadores das orelhas continuavam ali e ele era o único daquele lugar que estava vestido pra enterro — todo de preto — Edward me contou que desde que começou o namoro com Kate ele parou com as badernas na rua e estava levando muito a serio o trabalho na venda do pai dela mas eu tinha minhas duvidas
Ao beija-la e alisar com tanto carinho a barriga dela eu me corrigi, talvez ele amasse mesmo ela, e quem sou eu pra julga-lo? Eu mesma mudei tanto por amor. Ainda assim não pude evitar o arrepio que me subiu pela coluna quando ele me pegou encarando e me saldou de forma educada com sua garrafa de cerveja, tentei disfarçar e sorri pra ele tentando parecer natural, mas axo que não consegui porque os dois riram divertidos me olhando depois que ele cochichou no ouvido dela
Mudei a direção do olhar e tive que sorrir da sena que vi, Rafa estava muito empenhado em ser simpático com Leandro/Vera-Verão. Não pude evitar a gargalhada ao olhar pro moreno alto, Alice olhou pra mim em seguida acompanhou meu olhar e acabou caindo na risada também com certeza se lembrando de quando pagamos a ele pra acusar Edward de ter usado seu corpinho sexy e depois jogado fora
Rafa percebendo meu olhar me lançou um apelo mudo de S.O.S. Eu sabia que Rafa estava a ponto de dar um ataque, ele odiava bibas que desmunhecavam e tentavam agir como mulher, segundo ele, se quisesse uma fêmea não seria gay, pegava uma original e pronto. Fiz um jesto de ombros para ele que siginificava "o que quer que eu faça?" No fundo estava me divertindo com a situação
Vi na hora em que tia Jane sentou-se ao lado do novo namorado de Tania — novo modo delicado de falar, por que o véio estava mais pra múmia em decomposição do que pra namorado — com um cacho de uvas na mão, algumas coisas nunca mudam. Ri comigo mesma enquanto via Tania tentar disfarçar a cara de nojo quando o velho beijou sua mão e a dentadura pulou pra fora
Olhei pra onde os casai dançavam colados e vi meu pai e sua nova esposa, em pensar que tudo começou com esses dois, hoje olhando pro quanto meu pai aparenta estar feliz é difícil de acreditar que um dia eu pude ser contra esse relacionamento
Desviando o olhar dos dois vi quando James sentou na escada da frente ao lado de Victoria e lhe ofereceu um gole de sua bebida e ela aceitou com um sorriso mas discretamente olhou pra Edward que conversava animado com o xarife na borda da mesa de churrasco, xerife esse que hora ou outra me encarava em expectativa, provavelmente esperando que eu aprontasse alguma coisa
Não pude deixar de ser solidária com Victoria, enquanto ainda estávamos no hospital ela foi visitar Edward e na ocasião nos desejou felicidades e prometeu que faria tudo o que estivesse a seu alcance para esquece-lo. Era obvio que ela ainda nutria sentimentos por ele mas acreditava na sinceridade de suas palavras, acreditava verdadeiramente que ela tentaria esquece-lo e podia jurar que estava fazendo isso naquele momento
Olhando aqueles dois eu desejei que como nos contos de fadas tudo se resolvesse no fim e todos vivessem felizes para sempre, mas infelizmente não é bem assim que as coisas acontecem não é mesmo? Lembrei com pesar de Jake e Nessie que por respeito a Demetri não aceitaram nosso convite para a festa de ano-novo
Com a mesma tristeza lembrei-me do tio de Edward que preferiu ficar sozinho em sua fazenda a perdoar a família pelo meu ato e de Edward em auxiliar a filha em sua fuga. Lembrei-me também de Alec, meu tão fiel amigo e sua expressão de chateação ao ir embora, eu sabia que nossos laços tinham sido rompidos e tinha medo que nossa amizade nunca mais seria a mesma e sempre que pensava em meu retorno a faculdade ficava imaginando como seria encara-lo novamente
– Um beijo pelos seus pensamentos — falou meu namorado sentando-se ao meu lado
– Estou pensando que eu te amo — respondi beijando-lhe e ele prontamente retribuiu meu beijo me puxando pra mais perto dele
E ali nos braços do meu namorado eu decidi que hoje não. Hoje eu não iria me preocupar com o amanhã, já tinha experiência o suficiente pra saber que no amanhã as coisas sempre podiam mudar, então amanhã eu me preocuparia com a mágoa de Alec, o rancor de Demetri e a ausência de Jake e Nessie. Hoje não, hoje eu estava nos braços do meu princípe desencantado e por hora isso me bastava
(de volta a realidade)
– E viveram felizes para sempre — falei sorrindo
– Tem certeza? — me perguntou Edward — Quer mesmo terminar a história assim? Todos sabemos que feliz pra sempre não existe, sempre vai aparecer algum problema hora ou outra
Tá, então apaga ai esse final Alice e coloca ai, "e viveram felizes enquanto durou"
– Ótimo — falou a baixinha — e qual vai ser o nome do livro?
– Que tal "Um conto de fadas diferente?" — sugeriu Rosalie e todos aprovaram
– Eu vou pegar a câmera pra tirar uma foto nossa pra ser a capa
Enquanto Emmett saia da sala correndo dei uma boa olhada em meu apartamento, eu sentiria saudades dos anos que passei aqui, mas estava louca de vontade de voltar logo pra fazenda
– Cade a minha formanda favorita? — perguntou Alec entrando em meu ap sem bater como de costume, logo atrás Leah segurava firmemente em sua mão. Sorri como sempre fazia quando via os dois juntos, demorou até que Alec se recuperasse totalmente de sua paixonite por mim e voltasse a nossa tão solida amizade
– E ai cuidador de poodle — cumprimentou Emmett voltando a sala com a câmera na mão — finalmente você chegou, pensei que não iria vir se despedir de nós, e não pense você que te esperariamos pra sempre, estamos loucos de vontade de voltar pra casa, iriamos você vindo ou não
– Emmett você nunca conseguiria ir embora sem me dizer adeus, você me ama — demorou para Emmett simpatizar com Alec, no começo ele vivia implicando com nossa amizade e até com o livre acesso que meu amigo tinha ao apartamento, mas depois quando Alec conheceu Leah, uma aluna de biologia e ele finalmente entendeu que ninguém jamais me faria esquecer Edward os dois se tornarão grandes amigos
– Vai sonhando veterinário, agora anda senta no sofá pra tirar foto com nós porque você também faz parte dessa história, toma Leah faz uma pra ir pro céu — estendeu a maquina para a namorada de Alec
Ao ouvir isso todos começamos a se aglomerar um por cima do outro no meu minusculo sofá, todos rindo e se empurrando em busca de espaço. Emmett veio correndo e se jogou deitado por cima de todo mundo arrancando vários gritos e protesto por todos os lados
– Emmett sai de sima da minha barriga — gritava Nessie
– Emmett ela está grávida — gritou Jacob parecendo preocupado
– O que? — todos gritamos ao mesmo tempo e olhamos pro casal de futuros papais, e nesse momento vi o flash da maquina disparar
"... E de repente você descobre que o mais fiel, puro e verdadeiro dos amores é aquele que se auto denomina AMIZADE"
FIM
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