Um Conto de Fadas
1 Um Conto de Fadas
Soneto de fidelidade era o poema preferido da minha esposa, a quem eu gosto de referir como o grande amor da minha vida. Eu me lembro do dia em que nos conhecemos, era carnaval. Eu pulava e dançava com meus amigos enquanto assistia um show a beira mar de Copacabana. Em meio à tantas, uma fantasia em especial me chamou atenção. Uma fada. Ela usava um body cor de rosa claro, uma saia improvisada com papel celofane furta cor e o mesmo material formava as asas. Nos pés tinha sapatilhas na mesma cor da parte superior do traje e pompons. Por toda a extensão de seu corpo havia muita purpurina espalhada. Seu rosto mostrava feições alegres que junto com o glitter a tornava mais radiante. O brilho de seus olhos escuros me chamou atenção, era intenso e tão feliz quanto a curva cor de rosa em seus lábios. O sorriso mais lindo que já vi. Os fios negros como a noite estavam presos em um coque com mechas da franja caindo sobre sua testa. Para completar a fantasia, além de mais purpurina em seu cabelo, ela ainda havia colocado pequenas presilhas com flores por todo o penteado e segurava em sua mão direita o que imitava uma varinha de condão azul clara, com uma estrela na ponta e fitas de cetim.
Levou poucos instantes para que eu me apaixonasse por cada pequeno detalhe naquela mulher. Ao me aproximar pude sentir seu cheiro levemente doce e enlouquecedor. Não me lembro ao certo como começamos a nos beijar ou de quem foi a iniciativa, afinal era carnaval, mas quando me dei conta aqueles lábios carnudos já estavam contra os meus, me proporcionando um dos melhores beijos da minha vida. Quando infelizmente o encerramos, a morena disse uma frase da qual nunca me esquecerei “Deveríamos fazer isso mais vezes” e em seguida pediu meu telefone para que ela salvasse seu número. No momento em que resolvi ligar pra ela, me toquei que não havíamos trocado nomes e então sorri quando encontrei o contato salvo com “Fada”.
Nosso primeiro encontro foi um desastre. A comida estava ruim, o garçom foi rude, teve falta de energia, choveu, nenhum táxi parava para me levar de volta até em casa, e quando achávamos que não poderia piorar, uma arma foi apontada em minha cabeça até que entregamos todos os nossos pertences de valor nas mãos do assaltante. A opção que me restou foi passar a noite na casa dela. Acordei nua em sua cama enquanto ela acariciava meu rosto gentilmente e me observava despertar. Foi o momento em que eu decidi que casaria com aquela mulher.
Um ano se passou, nesse tempo começamos a namorar, apresentei ela aos meus pais e no cemitério conheci meus falecidos sogros. Desculpa, foi mórbido. Também expandimos nosso círculo de amizade ao apresentarmos nossos grupos de amigos. Quando finalmente me formei em odontologia, meus padrinhos me presentearam com uma viagem para onde eu quisesse com acompanhante. Obviamente convidei minha namorada e juntas escolhemos ir para Las Vegas. Sem fazer qualquer planejamento, cronograma ou roteiro nós voamos até a fabulosa cidade de Nevada. Nos dias que passamos lá, nós aproveitamos os bares, restaurantes, fizemos uma visitinha ao Grand Canion, assistimos a espetáculos, nos embebedamos e enfim, desfrutamos do que Vegas tinha para nos oferecer. Na última noite da nossa estada, pensávamos em qual seria nossa última loucura por lá, até que uma luz acendeu em minha cabeça quando lembrei de uma música do Bruno Mars e então comecei a cantá-la.
“It's a beautiful night
We're looking for something dumb to do
Hey baby
I think I wanna marry you
É uma noite linda
Estamos à procura de algo idiota para fazer
Hey baby
Acho que quero me casar com você
Is it the look in your eyes
Or is it this dancing juice?
Who cares, baby
I think I wanna marry you
Será o olhar em seus olhos
Ou é esta dança empolgante?
Quem se importa, querida
Acho que quero me casar com você
Well I know this little chapel on the boulevard we can go
No one will know
Oh come on girl
Who cares if we're trashed
Got a pocket full of cash we can blow
Shots of patron
And it's on girl
Conheço uma pequena capela na avenida onde podemos ir
Ninguém vai saber
Venha garota
E daí se estamos bagunçados
Tenho um bolso cheio de dinheiro que podemos gastar
Com doses de tequila
E tá valendo, garota
Don't say no, no, no, no-no
Just say yeah, yeah, yeah, yeah-yeah
And we'll go, go, go, go-go
If you're ready, like I'm ready
Não diga não, não, não, não, não
Só diga sim, sim, sim, sim, sim
E nós vamos, vamos, vamos, vamos
Se você estiver pronta, como eu estou
Cause it's a beautiful night
We're looking for something dumb to do
Hey baby
I think I wanna marry you
Porque é uma noite linda
Estamos à procura de algo idiota para fazer
Hey baby
Acho que quero me casar com você
Is it the look in your eyes
Or is it this dancing juice?
Who cares baby
I think I wanna marry you
Será o olhar em seus olhos
Ou é esta dança empolgante?
Quem se importa, querida
Acho que quero me casar com você
I'll go get a ring let the choir bells sing like
So what you wanna do?
Let's just run girl
If we wake up and you wanna break up that's cool
No, I won't blame you
It was fun girl
Eu vou pegar um anel, deixe o coro cantar e o sino tocar
Então o que quer fazer?
Vamos apenas fugir, garota
Se você acordar e quiser terminar, tudo bem
Não, eu não vou te culpar
Foi divertido, garota
Don't say no, no, no, no-no
Just say yeah, yeah, yeah, yeah-yeah
And we'll go, go, go, go-go
If you're ready, like I'm ready
Não diga não, não, não, não, não
Só diga sim, sim, sim, sim, sim
E nós vamos, vamos, vamos, vamos
Se você estiver pronta, como eu estou
Cause it's a beautiful night
We're looking for something dumb to do
Hey baby
I think I wanna marry you
Porque é uma noite linda
Estamos à procura de algo idiota para fazer
Hey baby
Acho que quero me casar com você
Is it the look in your eyes
Or is it this dancing juice?
Who cares baby
I think I wanna marry you
Será o olhar em seus olhos
Ou é esta dança empolgante?
Quem se importa, querida
Acho que quero me casar com você
Just say I do
Tell me right now baby
Tell me right now baby baby
Basta dizer que aceita
Diga-me agora, baby
Diga-me agora, baby
Just say I do
Tell me right now baby
Tell me right now baby baby
Basta dizer que aceita
Diga-me agora, baby
Diga-me agora, baby
It's a beautiful night
We're looking for something dumb to do
Hey baby
I think I wanna marry you
É uma noite linda
Estamos à procura de algo idiota para fazer
Hey baby
Acho que quero me casar com você
Is it the look in your eyes
Or is it this dancing juice?
Who cares baby
I think I wanna marry you
Será o olhar em seus olhos
Ou é esta dança empolgante?
Quem se importa, querida
Acho que quero me casar com você”
— Emma, por que está cantando essa música?
— Ah qual é? Você sabe o porquê. Não queríamos fazer uma bobagem? O que me diz? Casa comigo?
— Isso é loucura! E a sua família? E os nossos amigos? Não temos nem testemunhas.
— Quando eles pensarem em reclamar já será tarde demais e a gente dá uma gorjeta gorda pra algum garçom no fim do expediente que sei que ele será nossa testemunha com prazer. Por favor não diga não, meu coração se quebraria em milhões de pedacinhos — coloquei a mão no peito como se doesse e me joguei na cama fingindo uma queda e fazendo ela rir.
— Vamos nos casar! — disse abrindo um enorme sorriso
Aquela foi a melhor bobagem que eu fiz em toda minha vida. Não me casar com ela, afinal, esse era meu sonho desde aquela manhã em que acordei em sua cama pela primeira vez. Mas casar em Las Vegas sem qualquer preparação ou convidado foi uma loucura inimaginável e que eu achava que só acontecia em filmes. Ao voltar para casa fomos recebidas por família e amigos nos dando broncas por esperarem uma festa grande e planejada em troca de presentes caros, como era de se imaginar.
Nosso primeiro ano de casadas foi o melhor possível e ficávamos planejando as coisas que faríamos depois que nossos empregos e salários se estabilizassem. Venderíamos nosso pequeno apartamento e compraríamos uma casa grande com direito a quintal e piscina, também trocaríamos meu velho fusquinha amarelo por um carro mais confortável, maior, mais silencioso e sem cheiro de gasolina. Depois disso adotaríamos nossos filhos e teríamos tudo o que sempre desejamos. Mas não foi bem assim que aconteceu.
Meses antes de nossas bodas de papel, Regina começou a sentir fortes e constantes dores de cabeça. Como não melhorava, resolvemos procurar um médico. Na segunda-feira do nosso primeiro aniversário de casamento Regina foi ao hospital fazer sua consulta. Eu consegui chegar mais cedo do trabalho e me deparei com malas feitas em frente a saída.
— Gina, o que está acontecendo? Vamos viajar?
— Emma, eu… me desculpa.
— Regina, você está me deixando? O que aconteceu? O que eu fiz pra você sair assim?
— Você não fez nada. Não é culpa sua.
— É sério que vai iniciar o papo “Não é você, sou eu”?
— Emma, por favor, facilite as coisas.
— FACILITAR POR QUE? VOCÊ ESTÁ ME DEIXANDO E EU NEM SEI A RAZÃO
— Eu só quero que você seja feliz.
— E acha que isso vai acontecer se me deixar assim? — me permiti deixar as lágrimas — Eu achei que estávamos bem.
— Nós estamos bem. Eu só… preciso ir.
— COMO ASSIM, REGINA? ME DIZ LOGO QUE MERDA ESTÁ ACONTECENDO AQUI!
— Emma, por favor, eu não quero ser um fardo pra você. Vá viver sua vida e me deixe passar meus últimos dias sozinha — também começou a chorar
— DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO? VOCÊ NUNCA FOI UM FARDO, POR QUE SERIA AGORA? VOCÊ É A MULHER QUE EU AMO E ESTÁ ME DEIXANDO SEM MOTIVO APARENTE
— Emma, me desculpa — disse desmoronando em meus braços
— Amor, pode por favor me dizer o que ouve?
— Eu passei o dia no hospital hoje…
— O dia? Achei que era só uma consulta no período da manhã
— Eu tive que fazer alguns exames e…
— Regina…
— Eu tenho um Gioblastoma Multiforme. É um tumor cerebral primário, maligno e de grau máximo, altamente letal e o mais agressivo dos tumores cerebrais. Não pode ser removido em cirurgia devido a localização e… com tratamento o tempo médio de sobrevida é de dois anos. Eu vou morrer de qualquer jeito e não quero que você sofra quando a hora chegar — durante alguns instantes processei tudo o que acabara de ouvir e finalmente disse
— Fada, no dia que nos casamos naquela capelinha em Vegas, eu, Emma Swan, aceitei você, Regina Mills, como minha legítima esposa e prometi amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, — dei ênfase a última parte citada — na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe. E eu não vou descumprir minha promessa, entendeu? — ela concordou balançando a cabeça e então comecei a declamar o poema que havia decorado após escutá-la proferindo-o tantas vezes — De tudo, ao meu amor serei atento. Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto. Que mesmo em face do maior encanto. Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento. E em louvor hei de espalhar meu canto. E rir meu riso e derramar meu pranto. Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure…
— Quem sabe a morte, angústia de quem vive — proferiu
— Quem sabe a solidão, fim de quem ama — terminei a estrofe antes de juntas finalizarmos o poema
— Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure — Naquele momento nós nos tornamos poços de lágrimas e eu a abracei o mais forte que consegui.
Na semana seguinte, depois de muita conversa, Regina iniciou o tratamento contra a própria vontade, por insistência minha. Durante os seis meses seguintes ela perdeu toda a energia e vitalidade para a quimio e a radioterapia. Minha Regina estava fraca, sem apetite, permanecia com dores de cabeça e vomitava muito. Ela começou a usar perucas para se contentar com a própria aparência e a cada dia que se passava eu me sentia mais culpada pelo que via ela passar, por minha causa.
Como já era de se esperar, o tratamento atrasava na progressão do tumor, mas em hipótese alguma o destruiria. Nós duas sabíamos que em pouco tempo não estaríamos mais juntas. Então, eu só comecei a me tocar que ao invés de fazê-la sofrer para prolongar o tempo que eu queria ter com ela, deveria fazer com que ela aproveitasse cada instante de seus últimos dias; mesmo que por isso seu prazo de vida se reduzisse ao tempo que o tumor levaria para finalmente ser mortal. Vendo tudo o que ela passava eu percebi o quanto era egoísta ao fazê-la passar por aquele tratamento rigoroso apenas para me dar mais tempo para digerir que perderia o meu amor. Acontece que eu teria anos para me recuperar e ela tinha apenas meses para realizar seus sonhos e fazer tudo o que sempre quis.
No momento em que me toquei da burrice que fazia, eu comprei passagens para Vegas, mais uma vez, porque em nossa viagem anterior desfrutamos da própria cidade e não do mundo que ela tinha dentro de si. Regina sonhava em conhecer o mundo quando a aposentadoria viesse, então eu só tive que antecipar esses planos. É claro que eu não teria dinheiro para apresentá-la o mundo, apesar de ser tudo o que eu mais queria. Então, levei-a novamente a Las Vegas. Lá nós relembramos nossas loucuras, o casamento e conhecemos o que pudemos. Fomos a Veneza, conhecemos Nova Iorque e a estátua da liberdade, Paris e a Torre Eiffel. Eu dirigia sua cadeira de rodas por cada cidade do mundo, apenas em um lugar.
Mesmo sem o tratamento, minha fada continuava debilitada. Quando não a medicação, o próprio tumor a fazia mais fraca, a diferença era que eu via o sorriso em seus lábios a cada dia que se passava, mesmo com todos os sintomas que a faziam sofrer. Ela até brincou com as perucas da loja quando tivemos que providenciar uma nova depois que a sua caiu do helicóptero de turismo. Eu tentei ao máximo fazer com que seus últimos dias fossem os melhores possíveis, até que não me foi mais permitido continuar. Regina adoeceu a tal ponto que nossa aventura já não era mais possível e teve de ser internada no hospital da cidade. Eu passei todos os dias acordada ao seu lado, me lembro de sair para comprar lírios em seu último dia, pois eram suas flores preferidas. Seriam um presente por ter acordado um pouco melhor naquela data. Antes de sair, com a voz fraca e falha, ela me pediu que prometesse achar alguém que me faria tão feliz quanto ela fez. Eu prometi apesar de saber que não conseguiria cumprir. Outra coisa que ela pediu foi para jogar em uma caça niqueis, ela adorava essas máquinas, não teve uma vez sequer que ganhamos em toda nossa estadia.
Na volta da floricultura eu andava com os lírios cor de rosa em mãos quando parei para colocar uma moeda naqueles aparelhos viciantes. Para a minha surpresa, todos os desenhos apareceram iguais. Eu pensei no quão sortuda fui naquele momento e então corri, deixei as moedas caindo e corri para o quarto de Regina. Eu nunca tive sorte no jogo e o que conseguia pensar naquela situação era num ditado popular, que para minha sorte no jogo ter se iniciado, a no amor deveria ter acabado.
Causei um furacão nos corredores do hospital, tamanha era a velocidade em que eu corria. Já no quarto 108 fui recebida pelo médico da minha esposa. Em seu rosto fazia aquela cara que médicos fazem para as famílias quando têm más notícias sobre os pacientes e então eu desmoronei nos braços daquele estranho sem ouvir uma sequer palavra que saiu de sua boca. Eu sabia que Regina já não estava mais entre nós. Quando me lembro desse momento, uma música me vem a cabeça, ela se chama Fada e é cantada por Victor & Léo.
“Fada, fada querida
Dona... da minha vida
Você se foi
Levou meu calor
Você se foi
Mas não me levou
Lua, lua de encanto
Ouça... pra quem eu canto
Ela levou... minha magia
Mas ela é... minha alegria
Vejo uma luz, uma estrela brilhar
Sinto um cheiro de perfume no ar
Vejo minha fada e sua vara de condão
Tocando meu coração
Madrugada de amor que não vai acabar
Se estou sonhando não quero mais acordar
Minha história linda, meu conto de amor
Algo aqui me diz que essa paixão não é em vão
O meu sentimento é bem mais que uma emoção
Eu espero o tempo que for
Minha fada do amor”
Os anos se passaram rapidamente e numa tentativa de curar minha dor cumprindo a promessa que lhe fiz, eu saí a procura de alguém que me fizesse tão feliz quanto ela fez um dia. Meu destino era o orfanato municipal, onde eu encontrei uma linda garotinha que usava uma fantasia de fada durante a hora de brincar. Seu nome? Lily, meu pequeno lírio cor de rosa. Nós nos conectamos no momento em que a vi, senti que precisava tanto de mim quanto eu dela. Depois de toda a burocracia necessária, finalmente nos tornamos mãe e filha. Emma e Lily Swan Mills.
Todos os dias eu contava a Lily um pouquinho sobre o anjo que era sua mãe e o quanto amava fadas e flores tanto quanto ela. A pequena podia ser igualzinha a mim fisicamente, mas em sua personalidade, era Regina inteirinha. Agora eu gosto de dizer que tive dois grandes amores em minha vida: minha esposa e nossa filha.
Assim como fiz com Regina, Lily cuidou de mim até meu último dia na Terra, até o momento em que a deixei para encontrar Regina novamente. Eu e minha pequena havíamos brigado no dia anterior ao meu falecimento, mas graças a meu aprendizado com um sonho confuso, nós conversamos e ela pôde dormir sem peso na consciência no dia seguinte, quando meu coração parou de bater.
Com certa frequência eu tinha esse sonho em um passado com Regina. Nele eu acordo no dia da consulta dela e quando chego em casa ela me informa que apenas precisaria começar a usar óculos e tudo em que eu penso na ocasião são os gastos que isso nos traria. Com o decorrer de tempo começamos a ter uma série de brigas sobre dinheiro, até quando eu recebo uma ligação do hospital, informando que Regina esteve envolvida em um acidente e infelizmente falece.
Eu não sei se esse sonho é algo que minha mente criou para me conformar com o que aconteceu e me fazer sentir bem pelo que proporcionei a ela antes de deixar que se fosse. Mas ele me faz pensar em como o destino é traiçoeiro e a vida nos prega peças. Antes eu era uma pessoa orgulhosa e que não pedia desculpas após uma briga, hoje eu o faço a cada vez que me despeço de alguém. Eu não me culpo pelo que aconteceu, afinal eu não poderia reverter sua situação, ao invés disso eu fico feliz ao lembrar que fiz o máximo para que ela fosse feliz no pouco tempo que lhe restava. Acredito que consegui. Eu tive sorte em poder “prever” a morte de minha amada e proporcioná-la os melhores momentos antes que partisse. Eu agradeço por não ter acontecido como em meu sonho, algo repentino num momento em que estávamos brigadas.
Costumo considerar essa história um conto de fadas, não porque tem um final feliz como muitos acreditam que seja o propósito, mas porque traz um aprendizado para quem a ouve ou lê. Eu digo “não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje”, peça desculpas, diga “eu te amo” e em hipótese alguma vá dormir sem perdoar ou pedir perdão. A vida é curta e não sabemos quão próximo está seu fim. Palavras têm um grande poder, tanto para machucar quanto para curar.
Agora eu me retiro e na esperança de que o recado tenha sido entendido, vou atrás da fada que me chama.
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