Um Conto Nazista
1 O Circo
"Está chegando!" Corria uma criança contando a notícia. "O Circo. É a alegria da Alemanha! Nem a guerra pode pará-los"
Ele estava correndo de alegria,sorriso no rosto. "É daqui a dois dias. É totalmente grátis" A palavra grátis brilhou. Todos olharam. Entreolharam. Então voltaram ao serviço.
"Isso é confidencial. Ninguém poderá saber." Disse um soldado aleatório. "Nem Hitler sabe."
"Temos que contar pra ele." Disse o outro soldado.
"Não podemos. Não podemos impedir. Quando algo tem que ser feito,nada pode interferir."
Então o menino correu para sua rua,aquela rua pequenina,onde ninguém passava,seguros por nada. Era casas ocas. Cabeças sem pensamentos inteligentes. Mas alguém saiu de uma casa pequena.
"Acho que vou. Não tenho dinheiro,mas posso vender algumas coisas minhas de casa." Disse um menino pobre,da casa mais pequena da rua.
"A entrada é grátis,Kurt."
O menino pulou de alegria,saiu e correu para dizer à mãe,mas na casa,apenas o silêncio. A mãe morrera pelos soldados por ser judia.
Franz saiu da rua. Foi ao encontro do circo. Faltava apenas dois dias para a estreia.
"Você quer dizer que isso é totalmente confidencial,não podemos contar à ninguém,nem ao nosso querido Hitler?!" Disse o soldado. "E ainda por cima não podemos fazer nada contra? "
"Não mesmo. Temos que nos livrar deles,mas sozinhos."
"Apenas duas pessoas? Pff. Não me faça rir."
"Não irei. Quer morrer por causa deles? Quer ver sua família em perigo? Se você for contra a mim,isso irá acontecer."
'Dois dias',pensava o menino saindo da rua para ir jogar futebol. 'Apenas dois.'
–
"O Circo chegou! É daqui a duas horas!" Contava Franz,todo arrumado. Roupas novas,sapato brilhante. Tudo estava pronto.
Ele saiu do quarto e foi para a cozinha. De lá ele almoçou,pensando em que espetáculo ele estava mais ansioso.
"O Palhaço ou os animais,mamãe? Qual você prefere?" Disse Franz,os olhos grandes ao encontro dos olhos da mãe.
"Isso não importa. O que importa é que é grátis." Disse ela,rindo. "Agora coma sua comida. O Circo é daqui a vinte minutos."
"Mas já!?" Disse Franz,os olhos brilhantes. Seria a primeira vez que ele iria a um circo. O dinheiro não deixara ir à circos anteriores.
Chegada a hora,Franz viu o Circo gigantesco,as portas gigantes de madeira,e quase viu a morte.
"Apenas nazistas poderão entrar." Lia a mãe.
"En...tr..tra..dá" Leu Franz,com dificuldade.
"Entrada,sem acento no 'da' " Disse a mãe.
Quando eles entraram,cadeiras desconfortáveis o esperavam. A morte os esperava. O Circo o esperava.
"A média de judeus soltos na cidade em Kraff é de 150."
"E eu com isso?" Disse o soldado na mesa.
Ria Hitler à ponta da mesa,cuspindo pedaços de comida.
Risos ecoaram a sala de jantar.
"Hitler,tenho que te contar algo." Disse o soldado. "Há um..
"BASTA! Quero rir. Faça-me rir." Ele declarou. O mordomo gaguejou. "FAÇA-ME RIR!" Ele berrou,e os soldados saíram.
"O que foi aquilo na mesa? O Hitler não pode saber!" Sussurrava um para outro.
"Só.." Disse o outro. "..me veio a cabeça. Eu não iria aguentar a mentira na minha cabeça até o fim da guerra."
"Então me desculpe." Disse o outro. Pegou a arma e meteu-lhe um tiro na cabeça.
Hitler escutou e saiu à porta,pisando no crânio estourado no chão,mas era tarde,ele apenas viu um soldado saindo pela porta.
Franz sentou em uma cadeira,e viu o soldado trancando a porta.
"Senhoras e senhores,quero lhes apresentar O Circo de Kraff!" Disse o homem,bem alto. "Mas agora tenho uma surpresa para mostrar!" Dito e feito. Uma barra de madeira saiu das paredes,e homens e mulheres ficaram em cima delas.
"Ooooh." A multidão sussurrava.
"Não é apenas isso. Tem algo mais." Disse o homem.
Franz abaixou para amarrar os sapatos,e não viu a Morte. Ele sentiu.
Então os homens em cima da barra puxaram armas dos paletós,e uma série de tiros começou.
Franz foi mais rápido,quando um tiro acertou a lona (que na verdade era parede),ele cravou o dedo no buraco,abrindo um buraco gigantesco,então ele passou,sem olhar para trás. Nunca na vida um tiro escapou pela lona. O Circo quase não saiu ileso essa vez. Como um passe de mágica,a lona cobriu tudo,o resto entrou no caminhão,já cruzando a rua.
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