O tempo parou. Haviamos só eu e ele naquele momento. Seus lábios eram macios e quentes ainda com gosto de Coca-Cola. Estava aproveitando o momento, quando Erick se afastou e eu continuei de olhos fechados ainda em transe.

— Acho que chegou minha hora — disse ele.

— Então tchau — dei as costas imediatamente e entrei em casa sem ter olhado nem de relance para ele. Quando passei para o lado de dentro fiquei um tempo encostado na porta

— O que aconteceu? — perguntou minha mãe.

— Que milagre é esse você aqui em casa a esta hora? — perguntei em resposta. A última pessoa que esperava dentro de casa era ela.

— Cheguei mais cedo, então, o que aconteceu?

— Nada — falei. Como minha mãe reagiria se eu dissesse que estava beijando um garoto? Ela me colocaria para fora de casa ou me aceitaria? Na melhor das hipóteses é esperar mais algum tempro para as coisas se acertarem.

— Tem certeza? — Fiquei realmente tentado a contar, mas me controlei.

— Sim — e como sempre não demorou muito tempro para o celular dela tocar novamente e me deixar sozinho.

Subi para meu quarto e fiquei sentado em minha cama por um tempo. Aquele beijo foi tão bom, mas tão errado. Por que errado? Você quis isso. Mas não devia ter feito. E comecei a discutir comigo mesmo. Fui para o chuveiro para tentar esquecer tudo isso mas era impossível. Tentar dormir era a única opção mas uma repentina insônia se instalou em mim e fiquei pensando em como olhar para Erick amanhã, no primeiro dia de aula, o que eu falaria para ele? Fingiria que nada aconteceu? Ou o trataria como se fossemos namorados? Acho que não existe um sentimento para descrever o que sentia. Por fim adormeci.

— Acorde, ou vai se atrasar para a escola — disse Rose às 5:00 da manhã.

— Já vou — grunhi

Levantei rapidamente e fui direto para o banheiro. Banho tomado, hora do café. Torradas e geléia. Pela manhã, minha mãe sempre se oferece para me dar uma carona, mas nunca aceito. Pense no momento mais constrangedor e silencioso da sua vida. É assim que eu me sinto dentro do carro com minha mãe, gosto de pegar ônibus pois escuto minhas musicas, vejo mais pessoas, enfim.

Quando entrei no ônibus lógo reconheci. ele. O garoto da loja...

Ele estava me olhando fixamente mas desta vez minha surpresa foi ainda maior, ele estava usando o uniforme do mesmo colégio que eu. Sentei em um banco aleatório até meu destino. Quando saí do ônibus fiz o caminho de sempre para o colégio. Primeiro dia de aula é sempre uma bagunça, todos querendo ver em que sala estão e eu como não sou diferente gastei um certo tempo na busca pelo meu nome, quando avistei Johanna.

— Oooiii — disse efusivamente a abraçando.

— Ooii — respondeu ela também animada — já sabe em que turma está?

— Não, ainda estou procurando.

— Eu sei qual é sua turma — disse ela em tom instigante.

— E qual seria? — quis saber.

— A mesma que a minha — gritou ela em meu ouvido.

Nos abraçamos mais uma vez e ela me guiou até nossa sala. Entrando lá, avistei Erick. O que eu faço? Ai meu deus comecei a me desesperar instantaneamente, mas não precisei dizer nada. Erick se levantou e veio em minha direção. Seu abraço forte e reconfortante veio junto de um cheiro hipnotizante, o perfume dele é absolutamente memorável.

— Bom dia Josh

— Bom dia Erick — consegui responder ainda com certo receio

— Então garotos, como foi a volta pra casa ontem? — perguntou Johanna

— Eu diria que foi divertido — falou Erick com um sorriso no rosto

Então ele gostou?

— Foi ótimo — disse observando a cara de surpresa dele

— Hmm será que aconteceu algo a mais? — questionou Johanna com um tom zombeteiro

— O que aconteceu Josh? — Erick jogou a pergunta para mim

Socorro! O que eu digo? O que eu faço? Diga a verdade, diga o que realmente sentiu, esta não é a hora para vergonha você está entre amigos. Tomei corajem e comecei.

— Bom... — mas fui interrompido pela chegada do professor.

Ele era maravilhoso, seus olhos tinham a coloração de um verde azulado, relembrando as várias aventuras entre as ondar do mar, seu cabelo loiro e liso era penteado para trás com perfeição mostrando seu rosto másculo e anguloso com pitadas de uma barba bem aparada. Sua pele era branca e sua estatura beirava 1,85. Literalmente ele tinha uma presença marcante, impossível de ser ignorada.

— Bom dia alunos — disse o homem com uma voz grave ao som de vários suspiros entre as meninas do local — Meu nome é Brandon e sou professor de Inglês.

Acho que esse ano não prestarei muita atenção nas aulas de Inglês! A beleza dele é tão descomunal que quando ele fala, sua boca se meche em camera lenta, hipnotizando qualquer um com seu charme infinito. Quando ele se senta, nossos olhos se encontram instantaneamente, 3 segundos se passam como uma eternidade, cada detalhe do rosto dele foi mapeado em meu cérebro mas para completar meu 1º dia de aula, apenas uma coisa me distrai mais que o lindo professor recém chegado.

O garoto da loja de materiais, o mesmo que avistei no ônibus, está em pé na porta, solicitando pemissão para entrar na sala.

A aula teria se desenvolvido naturalmente se não fosse a presença dele. Ele se sentou na mesma fileira de Johanna, à apenas duas cadeiras de distãncia da minha, e durante todo o tempo em que olhei para trás lá estava ele, me encarando. Não sei o que tenho de mais para ser observado com tanta atenção, sou um cara comum, 1,70m, cabelo castanho claro e um tanto ondulados mas curto, ligeiramente moreno, olhos castanho claro (algúns dizem ser mel) e só.

A aula terminou.

— Erick preciso falar com você! — disse Johanna enquanto todos os alunos estavam de saída

— Nossa — foi o que Erick conseguiu responder antes que Johanna o arrastasse para fora pedindo para que eu permanecesse ali.

— Tudo bem, eu espero — falei com um ligeiro sorriso e colocando meus cadernos na mochila. Quando de repente, sinto uma mão forte e quente em meu ombro e me viro para ir ao encontro de quem quer que fosse. É ele.

— Oi meu nome é Carter.