Notas iniciais
oiiiiii gente!!!!! Na verdade, era para esse capitulo sair semana passada, mas eu queria que ele ficasse perfeito, então revi mais um pouquinho. Esse é meio que muuuuito importante, então, não deixem de ler!!!! E eu ainda coloquei umas "pistas" de acontecimentos e personagens futuros. Eu sei, sou louca por spoilers Semana passada, a pergunta foi: qual é sua fada favorita da Disney! Acho que todo mundo deve pensar que a minha é a fada madrinha kkkkkk ela é bem legal, e se ela estiver lendo isso, pode dar uma passadinha lá em casa que eu não me incomodo! Mas minha fada favorita da franquia Disney é a Fira, da antiga Disney Fadas. Se alguém souber quem ela é, por favor, comenta aí, para eu saber que não estou sozinha. Essa semana, também, ganhamos leitores novos. AAAEEEEEE ainda tem uma ou duas vagas a serem preenchidas, mas agora temos mais personagens novos para colocar na história. lembrando: se alguém ainda quiser fazer uma ficha, tem espaço. E se alguém aqui gostar de Percabeth, sugiro que leia a fic de uma das nssas novas leitoras: Life Retarded, da Thalia Grace. Não estou obrigando ninguém, óbvio, você lê se quiser. Mas #ficadica. O link está aqui: http://fanfiction.com.br/historia/399123/Life_Retarded/ Bom, não se esqueçam de ler as notas finais. Hoje, a narração fica por conta da nossa Most Peculiar Mademoiselle, Lisa Price. Que aliás, contra o que eu esperava, parece estar sendo bem mais querida que seu irmão pelos leitores. Peguem suas espadas, escudos e bolas de cristal, e bem vindos ao nosso conto de fadas. Playlist: Story Of My Life - One Direction

O sol já estava se pondo por entre as nuvens perfeitamente douradas. O mar era calmo e ficava impressionantemente lindo em contraste com o céu laranja-dourado que o cercava. Adornado com barcos e iates brancos e brilhantes, era impossível não se pegar atraído pelo visual do porto.

Lisa Price cortou a paisagem com um largo suspiro, e abraçou com um pouco mais de força o caderno de capa dura da grifinória que sempre trazia nos braços. Era bom poder apreciar uma vista tão bonita como aquela. Especialmente depois do dia maluco e sem sentido que enfrentara.

Naquele momento, já estava de volta ao porto de Bayside, com toda a glória e glamour que tinha de manhã. A única diferença era que, ao pôr-do-sol, as pequenas luzes erguidas entre a cerca e a borda que os separavam do mar estavam acesas, juntamente com lâmpadas nas escadas, nas lojas, quiosques e restaurantes, coloridas e berrantes, e ainda uma espécie de luzinhas de natal penduradas nos barcos e entre os postes, o que dava a tudo um ar muito mais mágico. Pena que mágica era algo que a garota queria, sinceramente, esquecer.

Após o episódio com a... a... mulher loira com a varinha de condão (ainda era estranho para ela falar uma coisa dessas. Imagina. Varinha de condão.), não só ela, mas o grupo inteiro de renascidos havia saído do Porto de Miami discretamente e retornado direto para Bayside, com apenas um objetivo em mente: Heather. A garota parecia devastada desde a notícia de que sua família fora, de alguma forma, pega pelos trolls. Sendo assim, todos concordaram que o melhor a fazer seria procurá-los no último lugar em que foram vistos, isto é, as lojas do porto. Bem, não todos, pois Lisa não expressou opinião alguma. Tinham a esperança encontrá-los em meio aos turistas, ainda olhando prateleiras de dreamcatchers, ou até mesmo procurando pela morena, com uma expressão de preocupação nos olhos, apontando os dedos e falando: "Nunca mais nos assuste desse jeito, mocinha!".

Ela sorriu com tristeza. Lembrara de quando seu pai a repreendera, apontando o dedo e a chamando de mocinha. Sentia sua falta. Assim como a de sua mãe, sempre reclamando de suas brigas com Rider e a olhando com aqueles penetrantes olhos azuis.

Enfim, passaram a tarde em busca da família australiana. Nesse meio tempo, puderam conhecer melhor seus novos amigos, principalmente Alison, sempre carismática, que se dera muito bem com Heather. Parecia a Lisa que o tempo que passara sequestrada a deixara um pouco desesperada para conviver com pessoas, ou seja, Ali começou a falar demais. Ao final do dia, as duas já haviam compartilhado histórias de vida, consolos, risos e todo tipo de conversa que conseguiram. Pareciam até amigas de infância. Pelo menos Heather tinha a ela para a distrair de seus problemas. O mesmo não podia ser dito dos outros.

Bruce, pelo que notou Lisa, permaneceu com o olhar vidrado por todo o resto do dia. Como se estivesse em choque por causa de algo que viu ou ouviu mais cedo. Ela não sabia exatamente o que, mas com certeza o afetara. Tirando algumas tentativas de abraço de Heather (que estranhamente não impediu), mal interagiu com grupo. Continuava com olhos fixos e calado, sem abrir a boca nem mesmo para xingar as pessoas apressadas que esbarravam nele enquanto andava.

Já Rider, dizia uma ou duas frases e comentários na conversa das garotas. Fora isso, parecia meio distante, com pensamentos demais na cabeça. Claro, havia acabado de ser nomeado, e teria supostamente que agir como um líder, daqui para frente. Pensava como devia ser horrível aquela situação, ainda mais para ela, que não conseguia se impor nem a um cachorrinho, quanto mais liderar um grupo de pessoas. O irmão, ao contrário, sempre fora aquele que toma as decisões, o queridinho, o líder.

Estavam tão ocupados que nem tiveram tempo de ver Mike arranjara um novo hobbie. Era esse assutar pobres velhinhas e crianças indefesas na rua. Quanto a ela, não falara muito na companhia dos outros. Apenas carregou suas coisas e tentou não incomodar ninguém. Além do mais, estava nervosa demais para conversas.

Chegara, então, o final da tarde, silencioso e apressado, e não apresentaram nenhum sucesso em sua procura. Relativamente, o lugar ainda estava bem cheio e movimentado, tornando-se cada vez mais difícil abrir caminho por entre a multidão, e deixando cada vez menos lugares para procurar. A esperança que tinham antes estava começando a se esvair aos poucos.

A loja da vez vendia bolsas falsificadas de diversas marcas. Uma Heather chorosa entrou lá, acompanhada por uma Ali preocupada, a segurando nos ombros e um Bruce em choque, meio gente, meio estátua. Lisa, diferente deles, ficou parada na porta, do lado de fora, com os cabelos sendo jogados para frente pelo vento, cuidando de seu diário e do mascote exótico de Ali. Afinal, não seria uma ideia muito boa mantê-lo perto de qualquer mercadoria.

Uma vez reunida com seu tão apreciado diário e finalmente sozinha, a garota tomou a liberdade de abri-lo na página em que escondia um fino livrinho de capa azul. Depois de se certificar de que ninguém a observava, ela pegou o livrinho e começou a passar lentamente os olhos pelas páginas.

Ela não sabia, de fato, de onde aquele livro infantil viera. Num belo dia, acordara no South Pointe Park, e lá estava ele. Suas páginas eram pequenas, e cada uma exibia um conto de fadas diferente. Tinha a Branca de Neve, A Princesa e o Sapo, Pinóquio, e por aí vai. As histórias eram divididas entre as que só tinham palavras e as que exibiam uma foto da história, antes da narrativa. Até aí, tudo bem. Normal.

O problema começara no segundo em que descobriu que o objeto tinha hábitos um tanto estranhos. Lisa não tinha parado antes para ver com clareza as imagens contidas nele. Contudo, tinha quase certeza de que a página da Rapunzel era composta apenas por texto. Olhara outra vez, após resgatarem Alison de Colony Hotel, e notara uma coisa diferete: a história, então, ganhara uma foto. Era a de uma garota loira usando um vestido comprido e roxo. Era enfeitada com joias tão douradas quanto seu cabelo. Seus olhos eram grandes e azuis como safiras.

Ela era igualzinha a Alison.

Não contara nem mesmo a Rider sobre esse episódio. Tinha medo do que poderia acontecer se o fizesse.

Medo. Essa palavra decididamente é a que melhor explica o sentimento que vinha sentindo nos últimos dias. Era uma sensação sufocante, que roubava cada segundo de ar e sanidade que lhe eram permitidos. Invadia sua cabeça e se atrevia a ditar tudo o que a garota não queria fazer, mas não podia evitar. De repente, não era ela que possuia seu corpo. Era o medo. Agira assim durante inúmeras vezes, naquele dia.

Na maioria do tempo, tentara esconder suas emoções dos outros. Eles já tinham complicações o suficiente com que se preocupar, para ainda ter que ouvir o que ela tinha a dizer. E isso não a incomodara. Pessoalmente, não ficava muito confortável perto deles. Entre todos, ela era, com certeza, a mais deslocada. Sabia que não pertencia ali. Aqueles não eram seus amigos, e sim os de Rider. E não se sentia nem um pouco à vontade para compartilhar que toda esquina virada era uma batida descompassada de seu coração, e que toda noite passada longe do aconchego de sua casa era mais uma noite de pesadelos.

Secretamente, se desesperava um pouco a cada dia, pois de cada sombra, um novo perigo poderia surgir, à espreita. A ansiedade devorava de dentro para fora. E aquela tinha sido a gota d'água, para ela. Literalmente.

A angústia subia quente por suas pernas, embrulhando seu estômago e fechando sua garganta. Parecia prestes a explodir brutalmente de dentro dela. Se sentia mais como uma bomba-relógio.

Então, ela viu uma coisa, na qual seus olhos logo se prenderam. Do outro lado da praça principal, ele surgia, sozinho, com a espada pendurada na cintura e a mochila laranja vindo ao lado. Parecia confuso e pensativo. Tudo ao mesmo tempo.

Ela precisava falar com ele. Só daquele jeito iria se desfazer o nó que o medo formara em sua garganta. Era quase uma necessidade.

De repente, sentiu mais do que calor em suas pernas. Estavam sendo acariciadas por algo calmo, macio e peludo, e bastou um olhar baixo para revelar seu único amigo, Mike, esfregando seu dorso como faria um gatinho. Ele a lançou aquele olhar genérico de animal triste, e ela entendeu na hora.

Em resposta, ela se agachou e acariciou sua cabeça felpuda.

–Desculpe, Mike, mas preciso fazer isso. E sozinha.

Com isso dito, hesitou um pouco, mas deu o primeiro passo em direção a Rider.

A pequena praça do Bayside era um espeço aberto, no qual todos os corredores de lojas iam parar. Era uma das primeiras coisas que se via quando se entrava, bem como a mais bonita e arejada parte do lugar. O chão era de concreto e salpicado com coqueiros, banquinhos e quiosques de cocos e sorvetes, onde turistas desocupados poderiam aproveitar seu dia ao sol, em paz.

Lisa foi seguindo em frente, devagar, sem se preocupar muito em ter deixado os outros para trás. Avistou, à sua erquerda, um restaurante muito organizado e iluminado e, acima dele, no segundo andar, o terraço de outro restaurante, esse cheio de mesinhas e cadeiras de madeira. Seu nome estava bem grande, na parede cor de salmão, em letras de neon vermelho, porém, não as conseguiu ler.

Olhando melhor, até que estava tudo bem cheio. Em um dos bancos, dois menininhos de mais ou menos uns cinco anos brincavam com seus carrinhos Hotwheels, recém-tirados da caixa, ainda com etiqueta de preço. Uma garotinha ruiva comprava um sorvete de chocolate em um quiosque da Häggen-Dazs, de um vendedor claramente latino-americano. Em um canto, um grupo de pessoas parava para apreciar um casal de músicos de rua, que tocava algo de The Killers, ou coisa parecida. Uma mulher morena e gordinha andava alegremente com sua sacola de compras, abraçada com um homem forte e alto, cujo dedo carregava uma aliança dourada.

Um pequeno lance de escadas dava acesso a uma parte mais baixa da praça. Não existia muita coisa lá, além de um pequeno galpão, talvez montado para alguma apresentação ou evento que teriam em pouco tempo, e uma fileira de cerca separando tudo do lugar onde ficavam parados os barcos e iates: o mar. No canto direito, erguiam-se três grandes e altos mastros, cada um com uma bandeira. A primeira, Lisa reconheceu de imediato: era a bandeira do Estados Unidos. Quantos às outra, ela não tinha certeza, mas suspeitava serem as da Florida e de Miami.

A cerca batia um pouco abaixo dos ombros de Lisa, feita de metal pintado com uma tinta branca expressiva. Se a seguisse para a direita ou esquerda, encontraria uma série de restaurantes com vista para o mar. No entanto, se seguisse em frente, acharia um garoto de camisa vermelha e calça jeans, apoiado nas grades metálicas em uma pose um tanto dramática, segurando a mais alta com as duas mãos, e apoiando um de seus pés na mais baixa. Seu olhar estava centrado no mar à frente, e ao sol dourado que se punha no horizonte de prédios empresariais, altos e sombreados.

Aquela vista parecia mesmo ter saído de um filme.

Lisa já havia se aproximado o suficiente quando chamou a atenção dele.

–E então, heroi? Como se sente? -disse ela.

–Como você acha? -Rider não desviou os olhos do céu para respondê-la. -Isso é tudo o que eu sempre quis. Sabe, finalmente eu sinto que faço parte de algo importante. E isso é o máximo.

–Mas...?

–Mas o quê? -ele perguntou.

–É que parecia que ia ter um "mas" nesse seu discurso. -explicou ela.

Ele virou o rosto para olhá-la, e sorriu levemente, como que para quebrar a tensão. O tal sorriso do garoto tinha uma qualidade bem incomum: todas as suas características facias passavam uma ideia de juventude. Como as daquela criança endiabrada que suja o carpete de lama e joga beisebol na cozinha. Enquanto isso, seu sorriso parecia expressar quase a mesma característica, largo e debochado como era. Apenas parecia. Para os melhores observadores, porém, ele conseguia passar aconchego. Era revigorante e recheado de calor.

Naquela hora, em especial, Lisa não se sentiu nem um pouco mais calma por aquele sorriso.

–Como está indo com a Heather? -indagou, saindo de sua posição e se colocando de frente para Lisa. Seus braços se cruzaram rapidamente, e ele franziu a testa.

Ele não dissera aquilo sem um propósito. Era genuina preocupação, uma coisa que a garota pouco via nele. Primeiro, Alison, depois Bruce, e agora, Heather. Dava para ver que mudara desde que saíram da sua cidade natal. E realmente ligava para aquelas pessoas.

Lisa tentou ser o mais sincera que conseguia:

–Não muito bem. Ela está perdendo as esperanças. Eu acho que todos nós estamos, na verdade.

–Ah, droga! -o irmão passou uma das mãos ao nervosamente pelo cabelo. A testa, já franzida, franziu mais ainda. -Queria poder fazer alguma coisa sobre isso. Ela parece ser tão legal. Não merecia isso.

Lisa engoliu em seco, embora o nó em sua garganta não a permitir engolir. Ela abaixou a cabeça. Sabia o que tinha que fazer.

–Tá, mas não é por isso que eu vim. Eu... eu preciso falar com você sobre uma coisa.

–Fala. -ele disse singelamente.

Sabe quando você ensaia um diálogo milhões de vezes em sua cabeça e, bem na hora decisiva, as palavras resolvem simplesmente fugir de seu alcance? Pois é. Ela só via branco.

Mesmo assim, tentou se recompor. Estava demorando demais para falar alguma coisa, e Rider já a olhava com uma cara de "sim, e...?". Escondendo a tremedeira repentina que lhe surgira nas mãos, ela soltou a voz presa em sua laringe. Sua cabeça se mantinha baixa.

–A-ainda restou um pouquinho de dinheiro na mochila. Não é muito, mas acho que dá para pagar uma passagem de ônibus, quem sabe de trem. Ainda dá para chegar na Carolina do Norte.

Rider levantou uma das sobrancelhas.

–O que está sugerindo?

–Sei lá. -claro que ela sabia. Por que dissera o contrário? apertou o abraço entre ela e o diário. Ela tinha que fazer aquilo. -É só que as pessoas ao nosso redor parecem continuar a perder tudo o que têm. E perder, e perder. Às vezes, é bem miserável.

Ele concordou com a cabeça. Cruzara os braços de novo, e olhava diretamente nos olhos dela, apesar de suas tentativas de despistá-lo. Constatou que o garoto já a conhecia suficientemente bem para saber quando queria esconder um segredo.

Mas ela não queria esconder. Queria falar!

–Eu sei disso. O que eu não sei é onde você quer chegar.

–Onde quero chegar é... -ela tentou encontrar coragem, e falou. -Ah, quem nós queremos enganar? Irmãozinho, toda essa loucura não precisa ser nossa. Nossa vida pode ser diferente. Nós podíamos voltar para a nossa cidade. Claro, teríamos que morar num orfanato, ou na casa de algum amigo seu. Isso até conseguirmos nossa emancipação. Aí, poderíamos juntar dinheiro para comprar um apartamento, e... o que eu estou querendo dizer é que poderíamos começar uma nova vida. Uma vida normal, sã e feliz em um lugar normal, são e feliz.

A reação do irmão demorou um ou dois segundos para se realizar. Ele soltou os braços, que caíram um de cada lado do seu corpo. Sua cabeça mexeu um pouco, em sinal de negação.

Ela meio que já esperava aquela reação.

–Então, é isso. Você quer desistir. -afirmou.

–Não foi isso o que eu disse. -ela se defendeu.

–Foi exatamente o que você disse! -ele voltou a se apoiar na cerca. -Lisa, as coisas não vão mudar. Acabou. Nada mais pode e nem vai ser como antes. Não é como se você pudesse simplesmente fugir e PUF! Todos os seus problemas vão embora também! Nossos pais não nos criaram para fugir quando a coisa aperta!

–Engraçado você falar isso, porque foi o que eles fizeram com a gente! Nos deixaram aqui, sozinhos, no meio de uma das maiores cidades dos Estados Unidos!

Rider soltou uma longa e profunda respiração, como se estivesse se segurando para não perder o controle.

–Eles têm uma missão a cumprir. E você sabe disso. -disse ele.

–Ah, meu Deus. Mas como você é BURRO! Nunca passou pela sua cabeça que pessoas mentem? As coisas não são o que parecem! -ela fez uma pausa. Notou que lágrimas ameaçavam sair de seus olhos. Imediatamente, baixou o tom de sua voz, enxugando o rosto. -Sinto falta deles. Nossos pais de verdade. Os antigos. Eles fariam de tudo para estar ao nosso lado, agora. Papai faria algum tipo de comentário engraçado sobre a mamãe, que ficaria meio emburrada, mas ia acabar rindo, como todos nós. Aí, eu saberia que tudo iria ficar bem.

Rider bufou. Com a cara emburrada, ficou a passar os dedos pela cerca branca.

Como ele podia ser tão teimoso? Lisa pensou. Como não podia ver a armadilha viva na qual estava entrando? Será que, para ele, isso não importava? Valeria a pena morrer por uma loucura? Ela queria saber o que se passava dentro daquela cabeça.

Se aproximou e pousou uma mão no seu ombro. A camisa ainda estava úmida, apesar do resto já ter secado completamente.

–Eu já os perdi. Tudo o que temos, agora, é um ao outro. E você não sabe como é passar cada segundo morta de medo pelo que pode acontecer conosco no segundo seguinte. -ela parou de falar por um segundo. Enxugou a lágrima solitária que brotava do seu olho esquerdo. -Eu não posso perder você também.

–Então, não me perca. Venha comigo.

Rider, então, se virou e estendeu uma das mãos para ela. Ele tinha mãos de garota, se lembrou. Porém, desta vez, ela não riu desse fato. Ela estendeu a mão também, para tocar na dele, mas foi apenas quando já estavam bem próximas que ela recobrou o juízo. Afastou a mão de imediato.

–Você quase morreu, hoje. -ela o alertou.

–Como se você se importasse. -o garoto grunhiu.

–Mas é claro que eu me importo! Rider, eu sou sua irmã!

–Ah, é? Pois se você se importasse de verdade, não estaria dando as costas à sua própria família! E a eles! Você parou um segundo sequer para pensar neles? Bruce, Heather e Alison? Essas pessoas não têm nem para onde ir! Nós temos que ajudá-las!

–Eles podem ir conosco. -Lisa disse isso da boca para fora. Na verdade, não era sua de sua preferência levar Alison, Heather ou Bruce para sua cidade natal. Soava egoísta, mas ela tinha a impressão de que, se o fizessem, só iriam levar mais monstros e perigos junto com eles.

–Quando uma coisa tão extraordinária quanto essa acontece, você não foge dela, Lisa. Você pula de cabeça.

–Extraordinário? -Lisa se surpreendeu. O medo já não incomodava tanto. pelo menos, não tanto quanto minutos atrás. Ela estava era com raiva. -Extraordinário! O que tem de extraordinário nisso? Um bando de loucos aparecem de repente na sua vida, dizendo que na verdade você é a Bela, da Bela e a Fera! E você deve aceitar. Porque, afinal, o mundo é tão mágico e lindo, né?

Ela perdera uma excelente chance de ficar calada.

–Espera, eu ouvi direito? Você sabe que renascida é? -o garoto reuniu uma espécie de surpresa em seu rosto. se Lisa não o conhecesse bem, diria que ele estava com inveja dela. -Eu não entendo. Cadê as luzes? Os efeitos especiais? A nuvem de fumaça, que nem aconteceu com Alison?

Tirou um tempo para pensar no assunto. A ficha, no entanto, caiu até rápido, para o que a garota estava acostumada. Ele devia conhecê-la, mesmo.

–Você ainda não acredita, não é?

–Eu nem sei mais no que acreditar. -ela abaixou a cabeça. Aquilo não era totalmente mentira. Claro, ela já vira monstros e gente esquisita o bastante para ter a noção de que o mundo não era tudo o que ela pensava ser.

Não! Aquilo não podia ser verdade! Ela se recusava a acreditar que toda a sua vida não passava de uma grande mentira!

–Incrível! Depois de tudo o que passamos... -ele disse, em tom de repreensão. -Por isso é que a Fada Azul te odeia. Imagino o quanto deve ser humilhante ajudar alguém que não acredita em você. Ela até disse alguma coisa sobre isso! O que foi mesmo? ... cuidado com os traidores.

Aquela frase entrou áspera nos ouvidos de Lisa. Se ele queria dizer mesmo o que ele disse... então estava com sérios problemas. Ela tentou conter a vontade de gritar com o garoto, e apenas o perguntou:

–Está me chamando de traidora?

–Se a carapuça serve...

–VOCÊ ENLOUQUECEU, MENINO?!!!

Ele não desmentiu. Estava falando sério.

–Até onde eu sei, você já declarou não ser a favor da missão. Não é a favor, é contra. Traidora.

–Mas era o que faltava! EU ESTOU TENTANDO NOS PROTEGER! -ela elevou o tom de voz.

–DO JEITO ERRADO! -ele respondeu.

–PODE ATÉ SER! MAS NÃO É ALGO QUE VOCÊ POSSA CONTROLAR! EU NÃO SOU O SEU FANTOCHE!!!!! VOCÊ NÃO MUDOU NADA, MESMO. CONTINUA O MESMO VELHO E IRRITANTE RIDER PRICE!!!!!

–BOM, VOCÊ NÃO PODE ME OBRIGAR A IR COM VOCÊ!

–E NEM VOCÊ PODE ME OBRIGAR A IR COM VOCÊ!

–ÓTIMO!

–ÓTIMO!

Lisa cerrou os punhos com muita, mas muita força. Não conseguia pensar em mais nada. Seus olhos ardiam com a raiva que sentia de Rider. Tinha raiva do seu jeito irritante de ser. Tinha raiva do seu ego. Tinha raiva da sua falsa gradeza. Tinha raiva dele sempre se dando bem em tudo. E o mais importante: tinha raiva da sua completa falta de consideração por ela.

Antes que pudesse até mesmo notar, sua mão já havia voado na cara do garoto.

Quando percebeu o que havia feito, levou as mãos à boca, com os olhos arregalados de surpresa. Lá estava, bem na bochecha do garoto. A marca de quatro dedos bem avermelhada.

Lisa estava boquiaberta. Aquela era a primeira vez que batia em seu irmão. Já haviam tido discursões sérias com ele antes, mas um tapa? Um cheio, forte e raivoso? Ela nunca pensara que chegaria nesse ponto. Até porque nunca achou que conseguiria.

Rider desvirou o rosto e a olhou nos olhos. Ele parecia espumar de ódio. Ela viu, em seus olhos semicerrados. Fogo.

–Me dá isso aqui!! Uma traidora não tem o direito de usar uma bola de cristal. -ele, sem se importar se a estava machucando ou não, tirou a força a bola de cristal do bolso da frente dos shorts de Lisa.

–Ah, não. Você não vai pegar de novo uma coisa que é minha por direito!

Ela agarrou a bola com as duas mãos, e ela instantaneamente começou a reluzir em pura prata. De repente, estavam de volta à Alameda dos Seixos, brigando pelo controle remoto, ou pela espada, ou pelo seu diário, ou por qualquer outra coisa besta pela qual já brigaram.

–Você nem vai usar! -ele gritou, puxando a bola para si.

–E daí? Cansei de você sempre ficando com tudo de bom e eu? Nada! -ela gritou sem pensar, puxando a bola de volta.

–Deve ter um motivo para isso, né? Ou você não percebeu que eu sou o melhor filho? -Rider se vangloriou.

–Larga!

–Não, larga você!

Já chegava a um ponto onde toda a praça notou a presença daquelas duas crianças briguentas, e a maioria passava para ver o que diabos estava acontecendo ali. Lisa nunca se viu como uma barraqueira, e, naquela hora, seu bom senso falou mais alto. Ao ver todas aquela pessoas olhando para ela, e somente para ela, a garota largou a bola de cristal e abaixou a cabeça, com vergonha.

No minuto em que o objeto tocou as mãos do irmão, a luz prateada rapidamente se dissipou.

–Apagou. Rider, por que a luz apagou?

–Isso não é da sua conta! -ele a calou, antes que pudesse questioná-lo sobre mais.

A multidão se desinteressou rapidamente por sua briga. Ao ver que aquilo não daria em nada, e que eles estavam brigando por uma bolinha de gude, deram meia volta e seguiram seus caminhos.

Enquanto isso, Lisa resolveu se aproveitar das circunatâncias. Esperou até Rider baixar a guarda e, em silêncio, se jogou de encontro à bola em sua mão. Pretendia agarrá-la e tomá-la para si, mas não deu muito certo.

O garoto percebeu o que Lisa estava prestes a fazer e, assim que tocou na bola de cristal, ele a puxou para cima, e para longe do seu alcance. Porém, ao fazê-lo, esta escorregou da sua mão. A última coisa que Lisa percebeu foi a bolinha se espatifando e divindo-se em dezenas de pedacinhos de vidro, espallhados pelo chão.

Uma poeirinha prateada foi levada pelo vento, e nada mais sobrou, senão pequenos estilhaços de vidro. Os dois gêmeos olharam, boquiabertos, para a cena.

–Você quebrou! -ele a acusou.

–Eu, não! Você! -ela o acusou de volta.

E então, era tarde demais. O estrago já estava feito. Lisa olhava frustrada para o irmão, e ele fez a mesma coisa. Seus olhos se encontraram com os pequenos olhos azuis raivosos dele. Um impulso percorreu sua espinha: um impulso fervente. A telepatia de gêmeos funcionou como nunca havia funcionado antes.

Os gritaram, em coro, com a maior força que puderam:

–QUER SABER? NUNCA MAIS FALE COMIGO NA VIDA!!!!!!!!

Lisa nunca se sentira tão puxada pela gravidade. Caiu de joelhos no chão quente. Sua pele estava suada, e seus rosto, aquecido. Enterrou a cabeça nas mãos, sem se importar com o diário caído, e chorou. Chorou, pois sabia que o irmão falara aquelas palavras com seriedade.

Rider a seguiu com os olhos, enquanto ela caía ao piso. Ia dar meis volta, para sair dali, mas ao invés disso, virou-se de volta para a irmã. Sua voz era calma e pesada.

–Sabe, Lisa? A mãe estava errada: o aperto não nos deixa mais unidos. Foi ele que nos separou. -disse ele.

–Rids! A coisa tá feia, aqui. -ouviu-se um chamado vindo da direita de Lisa. Ela levantou a cabeça para ver o que era.

Uma garota morena, alta e de camisa hippie saíra correndo da loja de bolsas onde estavam, com a cabeça abaixada, e corria em direção à saída. Todos na praça pararam, curiosos para saber o que se passava. A voz que os chamara era, na verdade, a de Alison, que surgia da multidão, com Mike ao lado.

Nem é preciso dizer que Mike matou de medo uma tonelada turistas.

–Ali!!!! -Rider exclamou, feliz em vê-la. Aquilo só deixou Lisa mais triste.

Ele a tentou abraçar, mas a loira recusou, o empurrando para o lado. Ela encarou os dois, confusa.

Sua roupa improvisada até que tinha ficado bem legal. A camisa de Rider até que combinava bem com aquela calça, o cinto e as botas. Só não fazia ideia de como a Alison teria descoberto isso. Lisa, pelo menos, não tinha a menor habilidade em se arrumar, ou combinar roupas. Às vezes, queria poder saber como era ser bonita como ela.

Ela, que continuava a olhá-los, confusa, provavelmente se perguntando o que diabos estava acontecendo.

–O que você está fazendo no chão? -Ali perguntou para a garota.

Lisa voltou seus olhos para baixo. Não conseguia responder.

–O que aconteceu aqui? -Ali insistiu, olhando, dessa vez, para o garoto. Fez-se silêncio por uns dois segundos.

–Nada! Só... vamos embora. -Rider respondeu.

–Lisa? -Ali estendeu uma das mãos para ela, como se pedisse para que ela a seguisse. Mas Lisa não a pegou.

Rider puxou a mão de Alison de volta.

–Lisa não vai com a gente. -Ele explicou. Depois, mirou seus olhos na irmã. Seus olhares se cruzaram, mais uma vez. -Ela é fraca e covarde demais para aguentar tudo isso.

E assim, Alison não teve mais o que dizer. Os dois foram se afastando lentamente de Lisa, abrindo caminho pela linda praça, em busca de Heather. Em pouco tempo, já estavam longe do seu alcance.

Lisa pegou seu diário do chão, e o apertou forte contra seu peito. Ela se sentia péssima, mesmo ao lindo pôr-do-sol daquela tarde. Fechou os olhos. Lá, ficou, até que, de novo, sentiu algo a acariciando.

Abriu os olhos e levantou a cabeça, deparando-se de novo, com dois imensos olhos azuis bem perto dos seus. Mas olhos imensos meeeeesmo. Percebeu que era ele: seu grande e forte amigo tigre. Em carne, osso e listras, ali, ao seu lado.

Ele a olhou, ela o olhou, e, de repente, palavras não foram necessárias. Ela abraçou o pescoço grosso do animal, como se nada nem ninguém pudesse separá-los mais. Se sentiu um pouco melhor, em contato com o pelo fofinho dele.

–Vem logo, Mike! -uma voz gritante soou mais alto no ar.

O tigre lançou aquele mesmo olhar de animal triste para ela. Lisa sorriu, e enxugou uma lágrima de seu olho. Fez um sinal com a cabeça, dizendo que ele podia ir embora. Ela ficaria bem.

Ou não.

Assim, hesitando, o tigre também foi se afastando devagar. Parou algumas vezes, para olhar para Lisa, mas ela insistiu que não o fizesse. Ele foi sumindo, sumindo, sumindo... logo, era apenas mais um pontinho branco entre tantas outras coisas perambulantes. Depois, Lisa não conseguiu mais ver nenhum deles. Nem Mike, nem Alison, Heather, Bruce ou Rider.

Ela enterrou a cabeça nas mãos.

Enfim, o que temia há dias tinha finalmente se tornado realidade. Ela estava completamente sozinha.

Notas finais
Como eu disse nas notas iniciais, Lisa parece estar tendo uma maior aceitação que o Rider. Isso é meio que estranho para mim. Não sei por que, mas eu sempre vi Lisa como a donzela em perigo. E estava certa de que todos vocês iam gostar mais do seu irmão. Mas, surpreendentemente, parece que está acontecendo o contrário. AAAHHHHH isso é tão estranho para mim!!!! Como eu estou meio estupefata com isso, a pergunta de hoje é: Qual é o seu preferido? Lisa ou Rider? Por quê? E de qual dos dois lados você ficaria, nessa briga dos dois? Provavelmente, eu vá passar uma ou duas semanas sem postar. Eu vou fazer SSA (sistema seriado de avaliações), então, tenho que estudar. Não, não é vestibular definitivo, até porque eu estou no primeiro ano ainda. Mas, mesmo assim, complica, né? Vou fazer o máximo possível para postarmais um ou dois capítulos nesse período, mas não prometo nada. Só prometo que, a partir do dia 15, os capítulos com certeza vão sair muiiiiito mais rápido. Então, não desistam da fic, por favor! Seus personagens vão aparecer daqui a pouco, daqui a dois capítulos. so não os coloquei antes porque a história precisava fazer sentido