Um Conto

1 Um Conto


Era uma vez, há muitas eras atrás, num continente que não se encontra nos mapas de hoje em dia, lá havia várias crianças, mas irei apenas contar sobre uma, a pequena Hyalina, seu cabelo era negro como as asas da noite, nos seus olhos continham as constelações mais brilhantes, seu sorriso um raio de Sol, sua pele branca como as nuvens de algodão.

Nem sempre foi assim, tão cheia de vida, pois era uma daquelas miniaturas de pessoas, que pensava em questões que nunca tem só uma resposta, isto é, quando havia alguma resposta, ou meu espírito é que já está muito envelhecido esquecendo como era ser criança e... Já enrolei muito, vamos para a história.

Na casa de Hyalina havia um baú de jóias, as suas preferidas eram um colar de estrela cadente prateada e uma tiara de dente-de-leão branca, onde morava as pessoas usualmente tinham alguma joia com elas, tanto os pequeninos como os idosos.

Numa certa manhã, acordou e se espreguiçou demoradamente como sempre fazia nas manhãs, abriu os olhos devagarinho e viu que a casa estava de cabeça para baixo, assustada saiu da cama com uma mantinha rosa, procurar o motivo daquela bagunça que nem ela mesma conseguia fazer quando brincava de guerra de travesseiro.

Durante a investigação não achou nada de estranho, só estava tudo fora de ordem, caminhou mais um pouco e encontrou o seu baú partido em pedaços e sem as joias, restou apenas cacos de cristais. O que sobrou do baú virou uma caixinha com cadeado, para guardar os cristais, logo após trancar, jogou com tal força a chave pela janela que pareceu ser uma ave indo para outro continente, decidiu que nunca mais passaria pela mesma situação novamente. Talvez por causa da promessa, inconscientemente, os brilhantes parou de usar, em volta de si um abismo criou e a si mesma se apagou.

No dia seguinte, seu lar já estava arrumado, então resolveu passear na sua pequena cidade, tão pequena que rapidamente encontrou seus amigos numa rodinha de conversa. O assunto principal naquele momento era sobre um garoto que caiu do skate de forma desengonçada, todos riram, menos Hyalina, não achou graça, mas tentou esboçar um sorriso de leve, imediatamente tirou ele, pois não se sentiu bem com ele, "por que não consigo rir?" falou em sua cabeça, seus amigos a olharam e perguntaram se estava bem, quis desabafar sobre as joias e tudo mais, porém não saiu palavras de sua boca, havia um nó em sua garganta, só conseguiu soltar para fora um "sim" sem muito valor, retrucaram com um "seu semblante parece com o de robô". A menina não entendeu o motivo de parecer com um robô, guardou essa dúvida para si mesma.

O tempo passou, uma moça se tornou e pouco mudou. Repentinamente uma forasteira chega na pequena cidade, era Risum, uma garota coberta de joias, ela já fora assaltada incontáveis vezes, mas nunca perdeu o sorriso, aprendera com uma certa realeza de outro mundo que não odiaria todas as rosas só porque se espetou em uma, cada problema é apenas um degrau para ficar mais forte.

Hyalina havia se esquecido que apesar do todo mal que há, ainda existe o bem. A estranha rapidamente virou amiga da nossa moça, de tal maneira que até entregou um presente: uma tiara de sol dourada. A partir desse momento a mocinha começou a olhar melhor ao seu redor, e reencontrou o seu velho amigo Consiliario, que usa acessórios metálicos, descobriu que ele também tinha problemas, e mesmo tendo eles para resolver, quis presentear a sua velha amiga com um colar de coração vermelho.

A nossa garota presenteada, queria ser agora a presenteadora, só que não sabia como, já que não tinha mais nenhuma joia além daquelas que acabara de receber. Subitamente lembrou-se dos seus cacos de cristais, poderia remodela-los, porém levaria tempo, pois desacostumara em mexer com tais coisas, mas nada que com a perseverança não possa se possa fazer.

Semanas depois, conseguiu concluir o que tanto desejava, hesitou um pouco antes da entrega, quase paralisa por falta de coragem. No fim, conseguiu dar seu grande pequeno passo para um começo.

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