Um Conforto Bobo
1 Olivia
Os gritos de dor e o horror da devastação eram verdadeiramente desesperadores.
Olivia corria o melhor que podia com o tesouro do clã em mãos, enquanto as pessoas ao seu redor davam suas vidas para ajudá-la a escapar dele. Ela ouve os gritos de seu clã, sua família, seu lar morrendo, enquanto ela corre para a saída e já bem perto da saída quando ela ousa olhar para trás ela vê as costas do homem que os traiu.
Azel segura pelo pescoço o líder do clã, o pai dela usando a God Hand roubada. Quando a vida do homem finalmente se esvai, o assassino Azel que a partir daquele momento viria a se intitular Devil Hand vira o rosto em sua direção, e mesmo que seus olhos estejam cobertos pelos óculos escuros, o olhar maligno em rosto ainda é de gelar a alma.
E nesse momento Olivia acorda em choque, com a respiração ofegante e o coração machucando as costelas com a velocidade e a força com que bate. Enquanto tenta acalmar a própria respiração e entender onde está, ela percebe um certo peso ao redor da cintura e vê um braço, mas especificamente a God Hand restante. O tesouro do seu clã que ela foi encarregada de proteger.
Bastou uma pequena olhada por cima de seu ombro para que avistasse Gene dormindo profundamente atrás dela. A cama que eles estavam dividindo (por falta de opção) era grande o bastante para acomodar ambos com uma boa distância entre eles, mas parece que Gene acabou rolando até o outro lado da cama enquanto dormia. Fazendo com ele estivesse praticamente abraçando Olivia, o que é irônico já que ele mesmo era quem havia comentado sobre a falta de espaço pessoal de uma cama só.
Ah… bobo… - pensa Olivia suspirando para si mesma, ela até poderia cutucá-lo ou empurrá-lo de volta para o outro lado da cama, mas não encontrando em si forças para fazer isso ela resolve apenas deixar para lidar com isso no dia seguinte.
Mas antes que ela possa tentar voltar a dormir, o rosto sem vida de seu pai e o olhar gélido de Devil Hand lhe voltam à mente, fazendo com que um arrepio horrível suba pela espinha dela. A sensação ruim ameaça consumi-la e ela tenta puxar o cobertor em volta de si para tentar fugir dos resquícios do pesadelo, porém ela acaba agarrando o braço que Gene havia jogado sobre ela no lugar da coberta.
Leva um segundo a mais que o normal para que ela perceba o engano, mas quando sente o metal frio das restrições no lugar do tecido macio do cobertor ela solta o aperto no braço do outro, como se houvesse se queimado. Porém para sua surpresa o braço antes frouxamente jogado sobre a cintura dela, agora aumenta o aperto ao redor dela a puxando ainda mais perto do atual portador da God Hand.
O que significa que agora Gene está abraçando Olivia.
Olivia fica sem reação enquanto sente o peito firme dele pressionado contra suas costas e a respiração suave dele contra os cabelos dela. Mas após o choque inicial (e o leve constrangimento) com a ação, a respiração calma e uniforme do outro a indica que ele ainda está dormindo profundamente.
Mas… o que? Por que…? – ela se pergunta internamente enquanto tenta entender a situação em que se encontra. Até que por acaso sua mente lhe evoca a última fala de seu pai para ela: “A God Hand sempre vai te proteger, Olivia.”
Ela não tem como saber se esse é o caso, mas o pensamento de que de algum modo ela está segura, de que mesmo agora algo ou alguém está zelando por ela a conforta quase tanto quanto o abraço que a envolve.
Gene é uma pessoa boa… apesar de ser meio bobo e tanto quanto rude. — ri Olivia silenciosamente para si mesma. Ela verdadeiramente acredita em Gene. Apesar de ser um bobo, rude e preguiçoso, o andarilho empoeirado é uma pessoa boa, corajosa, altruísta e determinada. Ele a salvou mesmo sem conhecê-la e parece disposto a fazer o mesmo por aqueles que são atormentados pelos demônios.
O futuro ainda a assusta. O encontro com Devil Hand será inevitável, mas talvez o homem bobo que está dormindo atrás dela possa ajuda-lá. Os desafios não serão poucos, mas eles irão superá-los e juntos impedir o retorno de Angra. Ela faria o que o quer que fosse necessário para se certificar disso.
Com isso em mente seus receios são aplacados e com a respiração calma regular nas suas costas acalmando a sua própria, Olivia se permite relaxar no abraço que a envolve e lentamente cair em um sono tranquilo.
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