Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
89 Capítulo 89 - A Gênia do FBI
Notas iniciais
A inteligência é a insolência educada.
(Aristóteles)
— Não! – disse Hotchner fazendo todos darem atenção a ele – Agatha, isso é perigoso.
— Eu já ouvi falar sobre isso... – intrometeu-se Seaver – Isso não é uma droga?
— Digamos que sim – começou Reid a esclarecer – a Tetrodotoxina, ou seja, a TTX é uma potente neurotoxina que bloqueia os potenciais de ação nos nervos, esta substância liga-se aos poros dos canais de sódio voltagem-dependentes existentes nas membranas das células nervosas.
— Poderia ser mais claro? – pediu Morgan.
— Isto é um veneno – interferiu Hotchner – Agatha, você não pode fazer isso pode te levar a óbito de verdade.
— Eu ainda não entendi. – lamentou JJ confusa.
— Falando de um modo popular – respondeu Reid – a Tetrodotoxina é uma substância que paralisa todos os membros e órgãos do corpo humano.
— Você vai ingerir isso? – Prentiss virou-se espantada para Agatha.
— Sim – afirmou Agatha convicta – eu preciso realmente morrer para John Curtis e ele vai querer se certificar, vou fazer uso dessa substância para isso.
— Eu já disse que não. – insistiu Hotchner.
— Hotch, você precisa entender que...
— Eu não tenho que entender nada – interrompeu ele impaciente – quem tem que entender algo aqui é você, isso é arriscado para a sua vida, você pode morrer de verdade e tudo isso por causa daquele desgraçado? Eu já perdi a Haley por causa de um psicopata lunático não irei perder você.
— Ainda pensa na Haley? – Agatha encarou o noivo.
— Você entendeu perfeitamente o que eu quis dizer e a minha ordem sobre isso é não.
— Sinto muito meu chefe, mas essa ordem eu não vou acatar.
— Eu te afasto do caso, te afasto de tudo.
— Ótimo, me afaste, faça isso senhor Aaron Hotchner, pois eu estando afastada posso resolver essa situação sozinha sem sua observação! – Agatha apontava para Hotchner.
— Eu te afasto e te isolo de tudo, você ficará sem nenhum tipo de contato, isolada da sociedade até que eu resolva essa situação. – retrucou Hotchner fora de si.
— Você não sabe do que sou capaz, faça isso e você verá: eu dou o meu jeito e me livro de John Curtis muito antes de você!
— Agatha, por favor, você está maluca.
— Eu não vou desistir e se me impedir eu... – Agatha hesitou um pouco.
— Você o que? – Hotchner cruzou os braços.
— Eu termino tudo com você! – Agatha virou de costas e afastou-se de todos.
— Agatha! – clamou Hotchner quase a seguindo.
— Não venha atrás de mim – exigiu ela – eu não irei fugir do departamento, pode ficar tranquilo!
— O que foi isso? – indagou Rossi abismado – Vocês estão brigando, se desunindo e não é para isso acontecer.
— Isso só é ponto positivo para John Curtis – concordou Alvez – se continuarem desde modo vão acabar misturando as coisas e destruindo a relação de vocês.
— Eu vou atrás dela – disse Seaver – ela está fora de si pode ser capaz de querer sair daqui e resolver isso da pior forma. – Seaver retirou-se para procurar à amiga.
— Reid – Hotchner voltou-se para o gênio – se acatar esse plano absurdo e ajudar minha noiva com isso você será punido, entendeu?
— Entendi sim senhor. – Reid mirou Hotchner e depois abaixou a cabeça.
Hotchner distanciou-se de todos indo para aquela que seria sua nova sala e Rossi decidiu acompanha-lo enquanto os demais ficaram discutindo entre si a situação do casal.
[...]
Reid estava na copa do novo prédio servindo-se de café feito recentemente em uma cafeteira, ele encontrava-se sozinho até Donovan adentrar o local com um semblante muito sério.
— Algum problema? – questionou o gênio para a analista.
— Precisamos conversar. – Donovan se certificou se não vinha mais alguém para a copa e assim fechou a porta.
— Certo. – Reid puxou uma cadeira para ela.
— Cavalheirismo de sua parte. – Donovan esboçou um sorriso cheio de timidez e acomodou-se no assento.
— Apenas educação – retrucou ele que com sua xícara na mão sentou-se do lado dela – sobre o que quer falar?
— É sobre a agente Silva e claro sobre o nosso chefe Hotchner.
— O que tem? – Reid a fitou no olhar e percebeu a aflição.
— Foi um pouco inevitável não ouvir a discussão do casal em nossa sala – além dela ela se referia a Garcia – estávamos trabalhando em nossos computadores, pois sabe estamos analisando todos os contatos da agenda telefônica de Mateo Cruz para sabermos se realmente há algum contato de John Curtis, Penélope e eu estávamos trabalhando e quando ela decidiu sair para buscar seu café descafeinado ouvimos algumas exclamações e ela ficou receosa de sair se deparar com a equipe e depois a acharem que ela foi bisbilhotar e...
— Maeve, você está fazendo igual a mim.
— O que eu estou fazendo de igual?
— Está divagando.
— Certo, certo... Eu entendi... Eu estou enrolando, quer que eu seja direta é isso?
— Seria melhor. – Reid deu um gole em sua bebida.
— Perdão... Vou recomeçar... Penélope e eu ouvimos alguma coisa da discussão do casal, depois disso Morgan foi a nossa sala verificar se tínhamos algo referente ao contato de Mateo Cruz com John Curtis e sabe como a Penélope é curiosa não é? Ela o questionou e ele acabou dizendo que eles discutiram.
— Sim, eles estão descontrolados, este John Curtis não vem dando paz a eles e a nenhum de nós. – Reid logo voltou a pensar em Jason Gideon.
— É muito compreensível, eu tenho que admitir que também temo porque já notei que esse John Curtis pode ferir qualquer um de nós.
— Está com medo? – Reid voltou a fita-la no olhar – É sobre isso que quer falar?
— Não – Donovan arregalou os olhos – eu quero dizer, sim eu estou assustada, mas não é sobre isso que quero falar.
— Maeve eu estou confuso.
— Perdão eu vou ser direta... O agente Morgan nos falou sobre a discussão e revelou sobre o plano da agente Silva.
— Sim e ela esta convicta em executa-lo.
— Ele disse, porém ela quer fazer uso de uma substância muito perigosa à vida que é a Tetrodotoxina, uma toxina encontrada nas gônadas e em outros tecidos viscerais de alguns peixes da classe Tetraodontiformes, à qual pertencem o peixe fugu japonês ou baiacu.
— Uau, você sabe bastante sobre a substância! – Reid ficou perplexo, mas logo voltou ao normal – Porque eu me impressiono? Você é uma gênia, tem um QI alto não deveria me admirar.
— Sei das coisas assim como você sabe, você também é um gênio e concluiu o colegial igual a mim: com doze anos.
— Verdade, já falamos sobre isso antes.
— E como um gênio você sabe muito bem o quanto é perigoso à ingestão da Tetrodotoxina.
— Sim, eu sei.
— Mas foi você que sugeriu ela, não é mesmo Doutor Spencer Reid? – Donovan cruzou os braços.
— Eu não sugeri nada – Reid empurrou sua xícara para um canto da mesa – ela teve essa ideia e me veio questionar e eu apenas respondi.
— Poderia ter dito que não tinha nada que pudesse ajuda-la não é? Informar que existe uma substância que paralisa todo o organismo humano por algumas horas só pirou a situação.
— Ela não é estúpida, ela é outra gênia se quer saber, concluiu o colegial no Brasil com quinze anos e veio cursar faculdade de psicologia criminal aqui nos Estados Unidos e conseguiu se tornar agente do FBI, acha que ela não iria saber algo do tipo? No calor do momento talvez não, mas evidente que ela iria pesquisar sobre.
— Mas ainda assim não deveria ter mencionado sobre a substância, ela vai atrás disso custe o que custar.
— Não é algo de se conseguir fácil.
— Como você mesmo disse: ela não é estúpida.
— Ora Maeve, agora a culpa é minha? Veio até aqui me acusar? Já não acha que estamos com os nervos à flor da pele demais não?
— Eu não vim te acusar de nada – Maeve ajeitou a postura no assento – peço perdão se pareceu isso não era a minha intenção.
— Então?
— Eu vim pedir que não auxilie a agente Silva com esse plano e não permita que ela faça essa loucura sozinha, pois a Tetrodotoxina é mil e duzentas vezes mais tóxico que o cianeto, é um dos venenos mais potentes e conhecido, uma dose mínima é fatal para um camundongo quanto para um homem.
— Eu sei de tudo isso e admito que foi estupidez minha mencionar sobre esta substância, mas se tem alguém que pode impedi-la de tal loucura é o Hotch.
— Morgan comentou que eles discutiram feio e que ela não está dando ouvidos a ele.
— Eu sei.
— Temos que pensar em algo.
— Eu estou cansado de pensar – Reid levantou da cadeira – Jason está nas mãos daquele perverso, o relógio está correndo e temos que ficar aqui pensando, o pior é que só temos o plano dela o outro é assim que tivermos o contato rastreá-lo e cercar John Curtis, mas isso é arriscado porque encurralado ele vai liquidar Jason e o garoto David.
— Morgan falou disso também – Donovan colocou-se de pé e aproximou-se de Reid – você estima muito esse Jason Gideon não é?
— Sim. – Reid abaixou a cabeça.
— Vamos salva-lo. – Donovan lhe tocou o ombro.
— Eu tenho medo que não consigamos e dessa vez eu o perca de verdade.
— Spencer... – Donovan aproximou-se mais de Reid e ficaram frente a frente – Pense positivo.
— Eu estou cansado de pensar logo eu que sou um gênio tenho um QI alto não consigo raciocinar nada para salvar Jason... E sabe o que é mais triste? É que o plano absurdo da Agatha parece a melhor opção, mas muito arriscado para a vida dela.
— Ó Spencer... – Donovan tocou devagar os braços de Reid e vagarosamente o puxou para mais próximo dela e encostou sua testa na dele fechando os olhos – Queria poder pensar em qualquer coisa que pudesse ajuda-los.
— Eu também. – Reid também fechou os olhos, ficaram em silêncio por alguns minutos com as testas encostadas, a respiração de ambos era a trilha sonora daquele momento, o coração do gênio saltitava de uma maneira que o fez amedrontar, claro, ele estava atormentado por causa de Jason Gideon e de também finalizar aquele caso, capturar John Curtis e dar a paz a todos da equipe, todavia naquele exato momento seu coração batia naquela disparada por estar tão próximo a Maeve Donovan que sentia suas pernas tremerem, o coração dela também batia desgovernado, desde os primeiros olhares algo surgia entre eles dois muito mais que admiração e companheirismo profissional, estariam se apaixonando?
Após aquela quietação entre eles Donovan abriu os olhos e afastou-se de Reid estupefata, o gênio ficou atordoado e questionou:
— O que foi?
— Eu acabo de pensar em algo! – exclamou ela triunfante.
— Teve uma ideia? Para o caso?
— Sim!
— Conte-me logo. – Reid a segurou pelo braço.
— Precisamos conversar com o chefe, mas a noiva dele não pode saber.
— Maeve, você está me assustando, no que está pensando?
— Precisamos falar com o chefe agora. – insistiu ela.
— Está bem. – aceitou Reid.
[...]
Hotchner organizava as coisas em seu novo escritório enquanto Rossi tentava em vão tranquiliza-lo diante de tudo.
— David você é um amigo de ouro, um homem que eu admiro – dizia Hotchner – porém não me venha com suas frases filosóficas, seus conselhos porque de nada adianta.
— Porém o casal estressado e discutindo não soluciona nada – retrucou Rossi – um precisa entender o outro, vocês precisam conversar.
— Você não viu como ela está fora de si? Agatha precisa ficar afastada, mas como farei isso? John Curtis mexeu com o psicológico dela, agora tudo piorou porque ele está com o menino que queremos adota-lo, não podemos agir sem pensar isso será o fim da criança além de Jason Gideon.
— Sua noiva jamais aceitará ser afastada.
— Isso mesmo e precisamos agir, a única coisa que temos é a declaração de Mateo Cruz e aguardar que Garcia junto a Donovan ache este contato depois disso não resta mais nada: teremos que coagir John Curtis.
— Um risco e tanto para Jason e a criança.
— Não temos alternativa é isso ou nada, temos que dar um jeito que no momento em que o encontrarmos ele não mate ambos, mas aceitar essa ideia absurda de Agatha jamais.
— O plano dela até que é bom, ela poderia fingir que morreu mesmo, encenávamos tudo perfeitamente, porém poderia ser feito isso sem ela ingerir aquele veneno.
— Ela acredita que John Curtis é capaz de enviar alguém para garantir que ela morreu.
— Será? – Rossi coçou a barba.
— Ela acredita que se encenarmos um funeral ele envie alguém para verificar a respiração dela no caixão, ou que ele desenterre o caixão depois atrás do corpo.
— Ele se arriscaria tanto?
— No final seria tudo perigoso do mesmo jeito, se John Curtis descobre ou desconfia de que forjamos a morte dela daí ele é capaz de mais atrocidades, teríamos que isolar Agatha da sociedade, lhe dar uma nova identidade, enfim.
— Então a opção que resta é o contato e assim que rastreado confronta-lo. – Rossi deu de ombros acomodando-se em uma poltrona.
— Isso é se Mateo Cruz não mentiu, talvez não tenha contato nenhum. – Hotchner sentou-se a sua mesa e ficou pensativo.
— Com licença – era Reid batendo a porta entreaberta – Hotch, precisamos falar com você.
— Sim e agora. – confirmou Donovan em sua companhia.
— Entrem. – pediu Hotchner.
— Maeve teve uma ideia. – Reid trancou a porta.
— Não dê créditos só para mim. – Donovan corou.
— Você merece – retorquiu Reid – a ideia foi sua.
— O que a dupla de gênios quer nos dizer? – Rossi já estava curioso.
— Podemos sim executar o plano da agente Silva sem ela por em risco a vida. – disse Donovan.
— Sobre este plano eu já disse que não. – interferiu Hotchner.
— Hotch, você precisa ouvi-la – pediu Reid – por favor.
— O gênio tem razão – intercedeu Rossi – Aaron a ouça primeiro.
— Sente-se senhorita Donovan. – Hotchner apontou para uma cadeira de frente a sua mesa.
— Obrigada. – Donovan assentou-se e começou a falar sobre sua ideia.
[...]
Seaver estava saindo da copa com uma xícara de chá de camomila feito para Agatha quando seu celular vibrou era uma mensagem de Alvez, ela a leu atentamente e guardou o celular de volta ao bolso da blusa e voltou para a sala onde Agatha se encontrava.
Seaver conseguiu acalmar por alguns instantes a amiga com uma boa conversa e para que a mesma se sentisse melhor ela lhe providenciou um chá.
— Obrigada. – agradeceu Agatha pegando a xícara assim que sua amiga retornou.
— Eu espero que se sinta um pouco melhor.
— Obrigada Ashley – Agatha sorri para ela – você é uma amiga e tanto.
— Você que é uma amiga maravilhosa.
— Com licença. – era Hotchner adentrando o local.
— Veio conversar com ela? – indagou Seaver.
— Pode nos dar licença?
— Claro. – Seaver ia se retirando.
— Ashley não vá – pediu Agatha – eu não vou falar com ele agora.
— Desculpa amiga, mas vocês precisam se resolver. – Seaver logo saiu.
— Veio comunicar que já providenciou um novo esconderijo para mim? – resmungou Agatha assoprando o vapor de sua bebida – Que vai me isolar do caso? Já avisei que não adianta.
— Eu não vim discutir – Hotchner fechou a porta e puxando uma cadeira sentou-se diante da noiva – vim lhe ouvir.
— Ouvir? – Agatha escancarou os olhos ao dar um gole em seu chá.
— Eu pensei, ouvi conselhos de Rossi e...
— E o que?
— Ele disse que eu deveria te ouvir primeiro, saber os detalhes e tudo mais antes de ordenar qualquer coisa.
— Saber detalhes do que? – Agatha estava confusa.
— Sobre o seu plano.
— Fala sério? – dessa vez ela deu outro gole em seu chá só que mais admirada.
— Por favor.
— Certo – ela deu mais dois goles em sua bebida e colocou a xícara em um canto da mesa – o plano é o seguinte: primeiro precisamos do contato que Mateo Cruz mencionou.
— Sim e você pretende falar com John Curtis?
— Isso mesmo eu vou fazer um acordo com ele para que me liberte David e Gideon.
— Você crê que isso aconteça?
— Eu conheço muito bem aquele infeliz, sei seus pontos fracos, deveria ter usado disso antes, mas enfim, eu vou persuadi-lo vou conseguir convence-lo, farei o acreditar que ele me terá de volta, bom então depois que conseguir ele terá que entregar os dois, é óbvio que ele não virá pessoalmente trazer os dois, vamos ter que combinar isso direito sem falhas, assim resgataremos Gideon e nosso menino David.
— E depois disso?
— Farei contato com John Curtis de novo só que dessa vez estarei “arrependida” do meu trato com ele, direi que não quero voltar a ele enfim, precisarei encenar e deixar evidente a ele que estou farta de tudo que ele desgraçou minha vida e que optei em me suicidar.
— Você não acha que ele vai ser capaz de ferir alguém por causa disso?
— Não vou mentir e dizer que é impossível, mas então terei que demonstrar que não me importo com mais nada que no final das contas ele perdeu ele não me terá.
— E você está disposta a se fingir de morta mesmo?
— Terei que fazer isso, eu conheço aquele infeliz é capaz de desenterrar minha cova se não tiver provas de meu óbito.
— Você está disposta a encenar um funeral e tudo?
— Será necessário, ele vai aparecer disfarçado ou enviará alguém para checar minha respiração no caixão.
— Mas você não acha que é arriscado demais fazer uso daquela substância? Pode te levar a óbito de verdade.
— Depois que Reid mencionou a Tetrodotoxina eu pesquisei algo sobre ela – Agatha pegou seu celular e mostrou a Hotchner as pesquisas feitas por ela na Internet – é uma substância que paralisa todos os órgãos do corpo parecendo que a pessoa teve óbito, há pessoas que já fizeram uso dessa substância com LSD porque queriam “morrer temporariamente” e ver como é o outro lado e regressar a vida para dar testemunho sobre isso.
— Ainda assim é perigosa – disse Hotchner lhe tocando a mão – isso é um veneno e leva a óbito se a pessoa não for salva a tempo, eu pesquisei sobre ela também, assim que ingerido e após todos os sintomas a pessoa permanece paralisada e pode vir a óbito dentro de quatro a seis horas, tem casos que pode variar e ocorrer à morte entre vinte minutos a oito horas.
— Mas vamos preparar tudo – Agatha colocou o celular sobre a mesa e pegou na mão de seu noivo – vamos organizar tudo, uma equipe médica a me ajudar, a equipe... Eu tenho que morrer e morrer mesmo para este infeliz.
— Eu não quero discutir, porém este plano é insano demais e acho que você está com o psicológico muito afetado.
— Eu estou farta Hotch – uma lágrima deslizou dos olhos dela – se quando rastrearmos onde ele está e o cerca-lo ele irá na hora matar Jason e o nosso menino David e pouco vai me interessar se ele se mate depois, ele terá levado embora meu menino, se ele ficar vivo vai ficar preso ou internado, mas vai fugir e voltar a me atormentar e perseguir todos nós, infelizmente fui eu que aceitei ter tido uma relação com ele no passado e sou eu que preciso dar fim, mas ele só aceitará o fim dela após minha morte.
— E se você morrer de verdade? Se esta droga te matar de imediato? O que vai ser de mim? Eu não posso te perder.
— Você não vai, vocês vão conseguir me salvar a tempo.
— Agatha... – uma lágrima rolou pelo rosto de Hotchner.
— Eu preciso fazer isso... Por mim, por nós dois, pela nossa família, pela equipe... Por favor, Hotch, aceita.
— É loucura o que eu vou dizer, mas...
— Você vai acatar minha ideia? – Agatha arregalou os olhos.
— Infelizmente eu vou.
— Vai dar tudo certo, você vai ver! – Agatha agarrou-se ao seu noivo em um abraço.
Ficaram abraçados e ambos deixaram as lágrimas escorrerem não se aguentando mais a aquele sofrimento, desde a fuga de John Curtis eles não tiveram paz, não podem viver suas vidas tranquilamente, Agatha não tinha planejado nada sobre o casório porque estava sempre com medo e fugindo, vivenciando horrores por causa daquele maníaco que era disposto a qualquer loucura por sua causa.
— Licença – era Garcia batendo a porta.
— Entre. – pediu Hotchner afastando-se do abraço e enxugando as lágrimas.
— Eu atrapalho alguma coisa?
— Imagina, pode falar. – pediu Agatha.
— Donovan e eu conseguimos.
— O contato?
— Há alguns números de chips descartáveis – explicou Garcia entregando seu tablet a Hotchner – são números suspeitos, tentamos rastreá-los, mas quando encontramos algo são endereços de outros estados.
— Da outra vez ele usou este truque – recordou Hotchner – rastreamos a ligação e quando chegamos não era o endereço verdadeiro, ele sabe desviar sua localidade.
— Por isso estes números são fortes pistas, alguns deles estão desativados já outros não.
— Eu vou ligar para este números. – afirmou Agatha.
— Tem certeza? – Hotchner a encarou.
— Sim.
— E nós? – especulou Garcia – O que devemos fazer?
— Organizar o meu funeral. – Agatha se levantou e saiu da sala.
— Então devemos seguir com o plano? – cochichou Garcia ao seu chefe.
— Sim. – confirmou Hotchner ficando de pé.
— Eu espero que dê certo. – falou Garcia em surdina antes de se retirar.
— Eu também espero. – disse Hotchner a si.
Não há nada na nossa inteligência que não tenha passado pelos sentidos.
(Aristóteles)

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