Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
85 Capítulo 85 - A Verdade Sobre Jason Gideon
Notas iniciais
Há uma inocência na mentira que é o sinal da boa fé numa causa.
(Friedrich Nietzsche)
— É melhor vocês conversarem em um local com mais privacidade – sugeriu Hotchner que aparentava saber do que se tratava – tem um escritório neste mesmo corredor.
— O que está havendo? – Reid tinha uma sensação estranha, seu estômago começou a arder como se tivesse ingerido algo que não lhe fez bem e agora sofria com a queimação.
— Spencer, vá com Stephen até o escritório. – pediu Rossi que pelo visto também sabia de algo.
Hotchner guiou os dois até o escritório, os móveis do mesmo continham um plástico como proteção, o prédio nunca havia sido usado o mesmo era um reserva em caso de catástrofe da matriz e como o primeiro foi incendiado, eles tinham que usufruir daquele.
Stephen nem se importou com a cobertura que protegia os móveis e sentou-se em uma poltrona , Hotchner os deixou a sós e encostou a porta ao sair.
— Stephen o que está havendo? – Reid já estava impaciente.
— Porque não se senta? – Stephen apontou para uma cadeira próxima a uma escrivaninha.
— Seja direto. – Reid colocou seu casaco sobre a escrivaninha, mas permaneceu de pé.
— Primeiro eu não quero que fique magoado, eu sei que vai se magoar, mas eu espero que me compreenda.
— Stephen, fala logo! – era difícil tirar Reid do sério, todavia ele se afligia com aquele mistério mesmo não tendo ideia do que fosse.
— O meu pai está vivo. – Stephen desviou o olhar após aquela revelação.
— O que? – Reid não sentiu o chão, suas pernas amoleceram e a leve ardência no estômago tornou-se uma dor insuportável.
— Spencer, por favor, sente-se! – Stephen levantou-se e ajudou que o gênio se acomodasse em seu lugar.
— O que você disse? Repete.
— Spencer você está pálido, eu irei chamar seu chefe e...
— Stephen! – Reid o puxou pelo colarinho, ele nunca havia sido grosseiro daquele jeito com ninguém nem mesmo diante de um criminoso, porém ele estava completamente fora de si – Repete o que disse, agora.
— O meu pai está vivo.
— Como assim? – Reid largou o colarinho do outro – Mas eu vi... Você me chamou no hospital e... Eu vi os médicos desligarem os aparelhos... Eu me despedi dele!
— Foi tudo armação! – Stephen distanciou-se um pouco de Reid.
— Como assim armação? – Reid levantou-se bruscamente e ficou de frente a Stephen.
— Eu armei tudo aquilo, eu paguei os médicos para fingirem.
— Como você foi capaz disso? Stephen você pode ser enciumado da minha relação com seu pai, mas eu o amava, digo eu o amo! – as lágrimas já rolavam dos olhos do gênio.
— Eu não fiz por ciúmes de filho eu fiz para salva-lo!
— Salva-lo? Salvar ele de quem?
— John Curtis.
— O que?
— Spencer, pelo amor de Deus ouça sem me interromper depois diga o que quiser, mas agora me dê ouvidos!
— Fale logo!
— Eu comecei a receber ligações... Desde que houve aquela notícia da explosão da penitenciária da cidade eu comecei a receber ligações, ameaças... Ele dizia que quando o meu pai saísse de coma ele iria mata-lo.
— Quem ameaçou? John Curtis?
— Ele no início não se revelava e em algumas ligações eram vozes diferentes até que ele me enviou isto – Stephen tirou do bolso do casaco um papel dobrado – é uma carta feita com letrinhas recortadas de revista, enfim, ele ameaça o meu pai e disse que iria mata-lo.
— E você forjou tudo aquilo...
— Eu fui obrigado, meu pai saiu do coma dias antes de eu chama-lo ao hospital, eu temi que este infeliz fosse matar meu pai então eu arrumei uma grana paguei os médicos e os enfermeiros e pedi que forjasse a morte dele.
— Porque você não veio até nós? Porque me enganou?
— Spencer ele dizia que me seguia que sabia meus passos, ele me vigiava e eu não quis arriscar...
— Onde ele está?
— Se o FBI não sabe como eu vou saber.
— Eu não falo de John Curtis, eu falo do seu pai, onde está Gideon?
— Ele desapareceu.
— Como assim? Stephen, cadê o Gideon? – Reid voltou a agarra-lo pelo colarinho.
— Eu não sei! – berrou Stephen largando-se das mãos de Reid – Por isso eu vim aqui! Ele desapareceu!
— Como assim ele desapareceu?
— Eu o mantinha em um esconderijo em um bairro distante, eu planejava comprar passagens para fora do país, eu ia forjar uma identidade para o meu pai então eu sai e o deixei no local ele ainda está um pouco debilitado, quando retornei ele já não estava mais.
— Stephen explica isso direito!
— Spencer é isso... Eu o deixei assistindo televisão, eu acho que ele vinha atrás de vocês porque o dia inteiro só se fala do incêndio no prédio de vocês.
— Se você não tivesse mentido isso não teria acontecido!
— Spencer ele iria matar meu pai!
— Não ia! – Reid estava descontrolado – Eu não ia permitir, se você tivesse vindo contar a verdade e pedir ajuda...
— Ajuda? Quantas vezes meu pai deu de cara com a morte por causa do FBI? Encarou psicopatas, entrou em estresse após aquele ataque a bomba, foi baleado por uma colega de trabalho!
— Você culpa o FBI?
— Minha mãe implorou para ele largar essa maldita profissão, mas ele não quis porque o FBI era a família dele! Se eu viesse aqui vocês seriam capazes mesmo de ajudar? Vocês só o sabem colocar em perigo!
— E o seu plano foi maravilhoso não é? Mentir, esconde-lo... E agora? Agora ele desapareceu, e pode ser que John Curtis o tenha apanhado!
— Você acha que... – Stephen arregalou os olhos.
— O que você acha Stephen? Você deveria ter nos dito a verdade! – Reid saiu do escritório transtornado.
Ele regressou para a sala de reunião, a equipe estava toda reunida, Hotchner e Rossi já sabiam da verdade e contaram aos outros, pois Stephen revelou a eles tudo minutos antes de conversar com ele.
Todos estavam aflitos, Donovan não tinha muito conhecimento sobre Gideon só sabia o que ouvia sobre ele, porém ela se martirizava por dentro por testemunhar o sofrimento do gênio.
— Garoto... – Morgan tentou falar qualquer coisa, mas não tinha nada em mente.
— Eu não posso perdê-lo de novo... – Reid logo notou que todos sabiam.
— Spencer... – Hotchner também tentava falar alguma coisa.
— Eu não posso perdê-lo de novo! – escandalizou Reid que se retirou da sala desesperado.
— Spencer! – exclamou Agatha que correu atrás dele, os demais a seguiram.
Reid não sentia o chão e em meio à correria ele tropeçou entre os próprios pés e caiu.
— Spencer! – clamou Agatha mais uma vez indo acudi-lo.
— Eu não vou perder o Gideon de novo – repetia Reid que continuou jogado ao chão – Agatha, eu não posso!
— E você não vai. – Agatha agarrou-se a Reid em um abraço de consolo.
— John Curtis não pode mata-lo... Eu não posso deixar...
— Eu não vou deixar, eu vou acabar com tudo isso, eu prometo. – Agatha beijou a testa de Reid carinhosamente, os demais testemunharam aquela triste cena.
Todos temiam John Curtis e suas atrocidades, Hotchner abaixou a cabeça inconsolável com a situação, John Curtis estava à frente de todos e ele não ia parar até conseguir aquilo que ele acreditava ser seu: Agatha.
No desespero e no perigo, as pessoas aprendem a acreditar no milagre. De outra forma não sobreviveriam.
(Erich Remarque)

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