Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
51 Capítulo 51 - O "Suicídio" de Francine
Notas iniciais
Hotchner acompanhado dos demais adentrou outra vez ao hospital com Agatha desacordada em seus braços e uma enfermeira que se encontrava a recepção veio acudi-la:
─ O que houve? – perguntou a funcionária do hospital auxiliando Hotchner a deitar Agatha em uma maca que ela havia providenciado.
─ Ela desmaiou... – foi explicando ele – Acabou de receber uma notícia ruim.
─ Entendido. – a enfermeira saiu empurrando a maca e pedindo licença a todos do corredor, Hotchner quis acompanha-la, porém foi impedido pela mesma que disse que após Agatha ser examinada e ter os cuidados médicos ele teria autorização para vê-la.
Rossi acalmou o amigo que ficou dando passos largos pela recepção e Prentiss aproveitou o momento para questionar sobre a morte de Francine, Hotchner assim sendo lembrou-se que carregava consigo no bolso do paletó a carta de Francine enviada a Agatha. Reid normalmente era o que gostava de ler as coisas para a equipe, mas apesar de admirado com a notícia de Francine e com a reação de Agatha ainda estava mais horrorizado com a morte de Jason Gideon nesse caso Blake fez sua vez pegando a carta e a lendo em voz alta.
─ Isso é armação de John Curtis. – afirmou Rossi após Blake terminar a leitura.
─ Eu acredito que está carta seja real... – disse Prentiss – Não deve ser armação.
─ Da parte de Francine não é. – manifestou Hotchner – Só que é armação dele sim.
─ Ela se despede de Agatha no final, ela então se suicidou? – questionou JJ relendo a carta.
─ Eu não creio. – disse Reid tentando se concentrar na situação – Ela se despediu como se soubesse que a morte estaria próxima.
─ Alguém então a matou na cadeia. – concordou Morgan.
─ Todos os presos têm direito a uma ligação uma vez por mês e podem escrever cartas à vontade... – disse Blake – É provável que John Curtis ligava para a penitenciaria feminina quando podia e escrevia sempre a Francine.
─ Francine foi sua cumplice e parceira de crime. – frisou Hotchner – O desgraçado com certeza tem planos de fugir da cadeia e de ir atrás de Agatha e obvio que ele incluía Francine nos planos.
─ Francine diz na carta que não está envolvida com nada. – falou Morgan – John Curtis deve ter entrado em contato com Francine falando de seus planos, mas a mesma estava arrependida de tudo e não quis participar.
─ Ele ordenou que executassem Francine. – JJ concluiu aquela teoria.
─ Então temos um problema muito maior. – lamentou Rossi e Hotchner concordou.
─ Qual? – indagou Prentiss.
─ Pessoas de dentro do sistema estão o ajudando. – explicou Hotchner.
─ Algum carcereiro, policial, agente do FBI... – foi citando Morgan – Quem matou Francine?
─ Precisaremos ir à penitenciaria. – propôs Blake.
─ Eu concordo. – assentiu Prentiss.
─ Senhor e a Agatha? – finalmente Garcia se manifestou – Ela corre perigo mais do que antes?
─ Infelizmente sim... – afirmou Hotchner mantendo a seriedade.
Ficaram discutindo as teorias por bastante tempo até a enfermeira retornar e comunicar que Agatha já estava acordada, ela havia sido examinada pelo médico do plantão e fisicamente estava bem e Hotchner foi liberado a visita-la no quarto. Rossi junto a Morgan e Prentiss decidiram ir a penitenciaria visitar a cena do crime, JJ queria continuar com a equipe, mas Garcia a impediu frisando a ela que a mesma deveria continuar com os preparativos de seu casamento e JJ se deu por vencida. Blake levou Reid para casa para o amigo poder se acalmar ele ainda estava abalado com a morte de Gideon e Garcia retornou ao departamento.
***
Rossi junto a Morgan e Prentiss já se encontravam na cena do crime, por mais que estivessem acostumados com inúmeras cenas como aquela ou pior ficaram perplexos ao adentrarem a cela e avistarem Francine pendurada a um lençol branco usado como corda pendurado ao pescoço que se estava engatado a grade de ventilação do teto.
─ Como ninguém viu isso? – interrogou Morgan a carcereira e a uma policial que o acompanhavam na visita a cena.
─ A detenta foi mandada a ficar na solitária. – explicava a policial – Ela arrumou confusão com outras detentas no intervalo e por isso foi punida.
─ E ninguém vigia as solitárias? – continuou ele.
─ Eu recebi um chamado. – justificou-se a carcereira que a proposito estava tremendo de nervoso – E quando voltei ela já havia se matado.
─ Quem disse que foi suicídio? – perguntou Prentiss.
─ Oras, vocês são cegos? – irritou-se a policial – Ela se enforcou!
─ Quem mais tem acesso às solitárias? Quem são os responsáveis por essa área da prisão? – começou Rossi – Precisaremos de uma lista.
─ Era só o que faltava! – protestava a policial – O FBI vir aqui e querer acusar nós pela morte de uma detenta, uma a menos!
─ Você não se simpatizava com ela? – Prentiss ficou desconfiada.
─ E temos que nos simpatizar com criminosos? Se ela estava aqui é porque aprontou alguma na vida, não acham? E essa detenta ai vivia se metendo em confusão com as outras!
─ Que tipo de confusão?
─ Provocava as outras a troco de nada, qualquer coisa brigava e tínhamos que intervir sempre para que no final não fosse massacrada pelas demais.
─ Seria possível que alguma outra detenta teve acesso a solitária dela?
─ Está insinuando que deixamos entrar quem quiser?
─ Acalma-se policial, estamos apenas fazendo nosso trabalho! – exigiu Morgan.
─ Está obvio que foi suicídio! – a policial se retirou batendo os pés.
─ Precisamos da lista! – exclamou Rossi caminhando atrás dela.
─ Vocês não acreditam que foi suicídio? – cochichou a carcereira olhando para os lados desconfiada.
─ Porque nos pergunta isso? – questionou Morgan.
─ Eu não quero me envolver... – a carcereira abaixou a cabeça.
─ Tarde demais... – disse Prentiss – Se sabe de algo a hora é essa.
─ Eu não posso afirmar nada... – a carcereira aproximou-se deles para cochichar melhor – Porém eu acredito que alguém a matou.
─ E qual é a sua razão?
─ Que isso fique entre nós. – suplicou – Francine não arrumava confusão com ninguém como vocês ouviram.
─ A policial está mentindo? – interessou-se Morgan.
─ Francine era uma coitada, isso sim... Uma moça muito bonita e causou inveja entre as demais, quando souberam que ela já havia sido uma prostituta algumas detentas homossexuais abusaram dela e suspeito que algumas policiais também.
─ Sabendo disso porque não relatou a diretoria da prisão?
─ Vocês do FBI devem saber que as coisas não são fáceis assim... – lamentou a funcionária da penitenciaria torcendo as mãos – Depois ficaria complicado para mim.
─ Nós compreendemos. – Prentiss tocou o ombro da carcereira demonstrando empatia.
─ Francine Carter foi umas detentas que mais me apeguei... Uma moça linda cheia de historias, algumas delas tristes, mas era uma moça interessante.
─ Você é homossexual também? – Prentiss notou a postura dela relacionada à Francine.
─ Eu me apaixonei por ela... – afligiu-se a carcereira – Mas eu juro que não a machuquei, pelo contrário eu gostava muito dela a ponto de só querer seu bem, mas confesso que tinha um ciúmes danado dela porque só falava de uma amiga...
─ Agatha? – indagou Morgan.
─ Isso! – exclamou ela rapidamente – Ela me disse que era hétero e tudo, mas eu tinha ciúmes.
─ O que ela falava tanto dessa amiga? – Prentiss e Morgan preferiram não demonstrar que conheciam Agatha.
─ Falava que se arrependeu de tudo o que fez com ela que a moça era uma boa pessoa... Coisas assim.
─ Você reparou algo estranho no comportamento de Francine nos últimos dias ou semanas?
─ Francine sempre era estranha, desde sua chegada, pois a coitada mal chegou aqui e quando souberam do seu passado a mesma foi violada então vivia desconfiada com todos até de mim no começo, mas eu fui mostrando a ela que não lhe queria mal nenhum e aos poucos ela confiou em mim.
─ Mas ela não mudou drasticamente seu comportamento? – insistiu Morgan.
─ Teve uma vez... – foi recordando ela – Que a coitada teve um ataque de histeria depois de receber uma ligação.
─ De quem? – Prentiss ficou ansiosa.
─ Não sei, mas ela ficou muito louca gritando e tudo e a coitada foi mandada mais uma vez para a solitária.
─ Ela recebia cartas?
─ Chegou a receber algumas, mas eu nunca as li eu apenas entregava e Francine as lia e as rasgava.
─ Tem certeza que ela não guardou nenhuma?
─ Vocês podem vasculhar a vontade se quiserem. – a carcereira apontou para a cela – Eu vou me retirar já falei demais e está sendo dolorido ficar olhando ela pendurada a esse lençol.
─ Só uma última pergunta... – pediu Morgan – Você então não acredita que tenha sido suicídio?
─ Não. – afirmou a carcereira virando de costas e se retirando da cela.
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