Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada

31 Capítulo 31 - Boneca de Luxo (Parte 02)


Notas iniciais
Capítulo 31 pronto, espero que apreciem... Boa leitura! =)

Agatha deixou seu carro no estacionamento do departamento e foi de carona com Hotchner até a casa dele que agora parecia ser sua.

Assim que chegaram Jack correu para abraça-los:

‒ Papai! – exclamou ele ao se agarrar no pescoço de Hotchner.

‒ Como vai meu campeão? – Hotchner o levantou no colo e lhe deu um beijo na testa.

‒ Por fim, voltaram. – disse Jéssica sorridente.

‒ Mas vamos ter que sair de novo. – respondeu Hotchner desanimado ao colocar Jack ao chão.

‒ Aaron você não está de atestado? – Jéssica cruzou os braços.

‒ Por motivos de forças maiores eu preciso voltar antes de o meu atestado expirar. – Hotchner fitou Agatha.

‒ Aconteceu alguma coisa? – Jéssica percebeu o clima estranho.

‒ Outro momento eu explico.

‒ Agatha! – exclamou Jack querendo abraça-la.

‒ Vem cá meu querido! – Agatha abriu os braços e Jack enlaçou suas mãos por volta do pescoço dela – Uau! Você está ficando forte!

‒ Estou mesmo? – perguntou Jack sorridente.

‒ Sim, daqui a pouco fica mais forte que seu pai e eu. – Agatha deu um beijo no rosto de Jack.

‒ Oba! Ouviu tia Jéssica? Vou ficar mais forte que o papai!

‒ Ouvi meu querido e isso é muito legal! – respondeu Jéssica – Agatha você vai junto com o Aaron?

‒ Sim. – Agatha colocou Jack ao chão.

‒ Vocês vão sair? – perguntou Jack escondendo o sorriso.

‒ Vem cá amigão. – Hotchner pegou na mão do filho e o conduziu para se sentar ao sofá e o garoto ficou entre ele e Agatha – O papai precisa sair de novo.

‒ Precisa pegar vilões de novo?

‒ Sim, o papai precisa.

‒ E porque ela precisa ir junto? – Jack pegou na mão de Agatha – Eu queria brincar com você.

‒ Jack... – Agatha ficou emocionada – Eu estou aprendendo a pegar vilões também.

‒ O papai está te ensinando?

‒ Sim o seu pai me ensina. – Agatha tocou o rosto de Jack.

‒ Você será a melhor heroína porque o papai é o melhor herói!

‒ Ora Jack... – Agatha não tinha palavras e abraçou Jack carinhosamente.

‒ Boa sorte para vocês. – disse Jack e Hotchner o abraçou junto ao abraço de Agatha.

Jéssica se emocionou com aquela cena ao ver os três abraçados e ficou contente pelo fato de Hotchner ter encontrado alguém que além de ter sintonia com ele tinha com Jack e o tratava muito bem.

***

Todos se reuniram novamente no departamento já preparados para viajarem para Dallas, assim que o jato estava pronto eles se despediram de Garcia e Donovan.

No avião como era de costume eles discutiam o caso:

‒ Assassinas em série são fascinantes. – começou Reid.

‒ Lá vem ele com suas observações estranhas. – respondeu Morgan e todos riram.

‒ Porque são fascinantes? – perguntou Todd curiosa.

‒ Na maioria dos casos que trabalhamos são poucas as vezes que temos uma mulher como suspeita e quando temos os casos sempre são fascinantes. – respondeu Reid.

‒ Reid onde isso é fascinante? – indagou Ashley – Uma mulher que mata homens com venenos de rato, isso é fascinante?

‒ Mas todo o comportamento da mulher é bem diferente quanto dos homens em um crime.

‒ Porque são mais organizadas? – perguntou Prentiss.

‒ Também. – continuou ele – O interessante é que elas não levam troféus e não deixam assinaturas.

‒ Eu estudei sobre isso na faculdade... – disse Agatha – No caso de uma mulher assassina na maioria das vezes ela não leva troféus ou não deixa assinaturas porque a excitação está em matar.

‒ Exato. – concordou Hotchner – Pelo que vemos desses dois crimes cometidos não há assinatura e pelo que sabemos ela não levou nada.

‒ Se fizesse isso seria para chamar atenção. – disse Blake – Na maioria dos casos quando o suspeito é uma mulher elas gostam de ter sucessos em seus atos.

‒ E se caso fizesse isso seria porque quer ser pega. – concluiu Rossi.

‒ E porque ela ia querer isso? – perguntou Ashley.

‒ Muitas razões podem existir. – disse Morgan.

Olá companheiros!— era Garcia junto a Donovan pelo notebook.

‒ Novidades minha querida? – perguntou Morgan.

Gostaríamos que fossem boas notícias.

‒ Outro assassinato? – perguntou Reid.

Sim...— respondeu Donovan – Mark Gordan, 55 anos, dono dos três melhores restaurantes do estado do Texas onde a sua matriz fica localizada em Dallas, foi encontrado morto em um quarto de hotel luxuoso e como vocês devem imaginar foi encontrado igual aos outros.

‒ Confirmação positiva para veneno de rato? – perguntou Rossi.

Ainda não saiu os resultados, mas é uma grande chance...— continuou Garcia – Desta vez a cena do crime ficará intacta até a chegada de vocês, o endereço já foi enviado.

Ou e uma coisa importante...— disse Donovan – O juiz que os convocou para esse caso mandou um comunicado dizendo que vocês se hospedaram na residência dele em Dallas.

‒ E qual seria o motivo desta honra? – perguntou Prentiss debochada.

Maiores explicações serão dadas pelo mesmo, ele os aguarda.

‒ Está bem, obrigado. – disse Hotchner.

Garcia e Donovan desligam!— Garcia encerrou a chamada.

‒ Qual é a deste juiz? – perguntou Morgan.

‒ Pessoal às vítimas são “importantes” para esse juiz... – explicou Agatha – Com certeza ele não quer que a mídia saiba a verdade, está preocupado com esses homens sendo assassinados teme que descubram que eles morreram porque se encontraram com uma garota de programa.

‒ Ainda não entendi o porquê de nos hospedarmos na residência dele. – disse Ashley.

‒ Provavelmente são poucos que sabem que o FBI estará investigando essas mortes, nós iremos nos hospedar lá porque se caso alguém questiona-lo ele pode inventar que estamos lá para uma visita pessoal e porque com certeza ele vai pedir algo a nós. – concluiu Agatha.

‒ Como sabe disso? – perguntou Todd.

‒ Esses homens adoram aprontar... Eles tem suas mulheres em casa, mas preferem gastar milhões com uma substituta.

‒ Substituta? – indagou Reid.

‒ Essas garotas de programa não são apenas um objeto, uma máquina de fazer sexo... – continuou Agatha – Elas são companheiras desses homens, quando são chamadas não são só para o prazer, mas para conversar, ouvir o homem e até mesmo aconselhar, ou seja, são substitutas daquelas que deviam ser as verdadeiras companheiras.

‒ Eles preferem gastar tanto assim com uma desconhecida em vez de darem mais valor às esposas que tem. – comentou Blake.

‒ Porque no casamento você passa a conhecer os defeitos do outro. – respondeu Rossi – É aquela velha história: se você não preservar a relação nunca fica como no começo e por isso preferem gastar caro com outra.

‒ Uma garota de luxo como essa não vai brigar porque ele se atrasou ou porque não buscou os filhos na escola ou ter ataque de ciúmes. – prosseguiu Agatha – Elas não são esposas, elas as substituem, mas são substitutas naquilo que eles querem.

‒ Então é provável que esses homens troquem confidências com essas mulheres? – perguntou Morgan.

‒ Trocar não... Eles apenas revelam seus segredos, a garota nunca revela nada da sua vida a não ser que eles queiram saber, mas é raro.

‒ Isso é o erro deles. – disse Hotchner – Eles na verdade não sabem com quem estão dormindo e compartilhando seus segredos.

‒ Não são capaz de imaginar das coisas que elas são capazes de fazer. – disse Prentiss.

‒ Agatha você disse que é raro eles quererem saber da vida dessas garotas, certo? – perguntou Ashley.

‒ Sim.

‒ Mas pode acontecer?

‒ Pode, ou o homem é muito curioso ou ele está perdidamente apaixonado e obcecado pela garota.

‒ Acontecem deles se apaixonar de verdade? – perguntou Todd.

‒ Pelo que eu sei é raro, mas quando acontece eles fazem loucuras. – Agatha olhou para a janela sentindo-se incomodada, pois lembrou-se de John Curtis.

‒ Vamos dividir as tarefas. – disse Hotchner – Morgan e Prentiss ficam com a vitimologia, Reid com o perfil geográfico, Blake, Rossi e Seaver com as famílias das vítimas, Todd fica responsável em saber quais as informações e o que a mídia sabe das mortes, mas sem revelar qual é a verdadeira situação, Agatha e eu vamos para a cena do crime. – todos então concordaram com as ordens de Hotchner e resolveram descansar antes de pousarem em Dallas.

***

Quando o avião pousou a equipe foi recebida por um senhor de meia idade dos cabelos grisalhos que tinha uma enorme barba, ele usava um terno cinza e sapatos pretos.

‒ Acredito que vocês sejam da UAC, não é mesmo? – perguntou o homem.

‒ Sim. – respondeu Hotchner.

‒ Eu sou George Brooks, o juiz que os convidou para esse caso. – ele estendeu a mão para Hotchner.

‒ Eu sou o agente Aaron Hotchner, sou o chefe da equipe.

‒ Eu informei a analista de vocês de que se hospedariam em minha residência.

‒ Já fomos avisados. – Hotchner decidiu apresentar os demais – Essa é minha equipe, esses são os agentes Rossi, Morgan, Prentiss, Blake, Seaver, Todd, Silva e o Doutor Reid.

‒ Qual de vocês é responsável pelo contato com a mídia?

‒ Eu. – respondeu Todd educadamente.

‒ Ótimo, a minha assistente irá lhe passar as coordenadas, agora precisamos nos apressar, meus assistentes irão o levar até minha residência.

‒ Fomos informados de uma terceira vítima. – disse Agatha – O agente Hotchner e eu iremos até o local do crime.

‒ É verdade... – o juiz coçou a barba – Vou pedir que alguém os levem.

‒ Não é necessário. – disse Hotchner – a agente Silva e eu podemos ir sozinhos.

‒ Agente Hotchner, vocês não podem chegar sozinhos se apresentando como agentes do FBI naquele hotel.

‒ Agora que o show começa. – comentou Agatha para si ao revirar os olhos.

‒ O que disse? – o juiz a encarou.

‒ Senhor, nós já entendemos o recado... – respondeu Hotchner lhe tomando a atenção – De que esse caso é sigiloso, mas podemos fazer nosso trabalho.

‒ Alguém vai os leva-los. – insistiu o juiz.

‒ O senhor quer a nossa ajuda?

‒ Claro que sim agente Hotchner!

‒ Então deixe que nós façamos nosso trabalho, a agente Silva e eu iremos até o local do crime, os demais já tem suas tarefas.

‒ Senhor Hotchner se não colaborar eu os tiro deste caso. – disse o juiz em tom ameaçador – Lembre-se: eu sou um juiz.

‒ Independente de que seja um juiz eu abro uma denuncia por obstrução da justiça contra o senhor que já quer realmente esconder a verdadeira causa dessas mortes. – Hotchner encarou o juiz nos olhos.

‒ O senhor não seria capaz, eu sou um juiz quem se daria mal nisso seria você e sua equipe.

‒ Não subestime o agente Hotchner. – disse Agatha – Vai permitir que trabalhemos ou vai deixar tudo isso vazar? Imagine só se descobrem que esses homens que foram mortos gastavam milhões com uma boneca de luxo?

‒ Agente Silva, por favor. – pediu Hotchner — Eu resolvo.

‒ Aposto que a sua esposa não sabe que esteja trabalhando em um caso como esse, não é mesmo senhor juiz? – Agatha ignorou o pedido de Hotchner.

‒ O que minha esposa tem haver com isso? – o juiz coçou a barba mais uma vez ficando inquieto.

‒ Pelo que dá a entender o senhor era muito ligado às vítimas, talvez até foram melhores amigos, imagina se a sua esposa saiba que eles foram mortos por uma garota de programa e ela comece a imaginar coisas?

‒ Que tipo de coisas? – o juiz arregalou os olhos.

‒ Comece a imaginar que o senhor também pague por uma boneca de luxo!

‒ Oras sua... – o juiz se controlou para não ofender Agatha.

‒ Sua o que? – indagou Hotchner que ficou na defensiva achando que ele fosse ofendê-la.

‒ Eu não tenho tempo para discussões... – o juiz se deu por vencido – Está bem, os dois podem ir sozinhos até o hotel, já possuem o endereço não é?

‒ Temos uma analista eficiente. – respondeu Hotchner.

Os demais foram levados para a residência do juiz Brooks, eles queriam comentar entre eles sobre a conversa acalorada de Agatha com o juiz, mas resolveram deixar seus comentários quando estivessem a sós.

Como em todos os casos, a equipe sempre tinha tudo preparado e Hotchner já estava com o carro em que ele ia para o hotel junto de Agatha.

‒ Você gosta de uma briga não é? – questionou ele ao dirigir.

‒ Como assim? – Agatha arregalou os olhos e mirou Hotchner.

‒ Evite o máximo possível de discussões, inclusive com um juiz.

‒ Eu não tenho paciência para ninguém que queira interferir em nosso trabalho! – reclamou ela abrindo a janela do carro.

‒ Só que ele é um juiz, se ele quiser ele acaba com sua carreira, ainda mais você que é uma cadete.

‒ Mas ele não vai fazer nada disso. – Agatha sorriu brevemente.

‒ Porque diz isso?

‒ Porque ele também paga por uma boneca de luxo e pelo jeito dele, ele está com medo.

‒ Como sabe disso?

‒ Porque ele perdeu o controle quando joguei a hipótese da esposa pensar algo, ele quase me ofendeu.

‒ Tem certeza disso?

‒ Hotch esqueceu que eu...

‒ Já foi uma prostituta, eu sei! – exclamou Hotchner que de repente perdeu a paciência.

‒ Hotch! – Agatha o olhou estupefata.

‒ Desculpa... – ele precisou estacionar o carro em um canto da rua.

‒ O que deu em você? Porque gritou desta maneira comigo?

‒ Agatha me perdoa... – Hotchner abaixou a cabeça.

‒ Ainda te incomoda não é? Ainda te incomoda saber que eu fui uma garota de programa!

‒ Agatha... – Hotchner virou-se para encara-la – Eu não me importo com o seu passado é que...

‒ É que ainda te incomoda, eu sei. – ela cruzou os braços.

‒ Agatha...

‒ Faça-me um favor Hotch: volte a dirigir porque temos um caso a resolver! – Hotchner deu partida no carro, não se sabia quem estava mais incomodado: Hotchner ou Agatha.

Notas finais
Tivemos um momento fofo no início do capítulo, mas um momento tenso entre o casal... Espero que tenham gostado, até o próximo. =)