Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
6 Capítulo 06 - Uma Pista Chamada "Candy"
Notas iniciais

Assim que a mãe do garoto foi embora com ele da delegacia os demais membros da equipe chegaram e Hotchner reuniu todos na sala para discutirem suas descobertas:
‒ Eu não consegui muita coisa o senhor Copland. – começou Rossi – O homem está muito nervoso e evita responder perguntas sobre o dia em que Belinda desapareceu... É estranho, mas eu sinto que ele esconde algo.
‒ Você acha estranho que ele possa ser um suspeito? – perguntou Hotchner.
‒ Não... Sobre o desaparecimento da filha a preocupação dele é real o comportamento dele demonstra isso... O que me intriga é que ele está escondendo algo.
‒ Talvez ele tenha cometido algo de errado justo no dia em que Billie desapareceu e não quer entrar na lista de suspeitos. – disse Agatha.
‒ Esse é o meu ponto de vista. – concordou Rossi – O senhor Copland esconde algo, mas a filha não deve estar envolvida.
‒ A mãe me repetiu a mesma versão que está registrada no B.O... – continuou Blake – Estava treinando o time, Belinda estava a irritando muito e então ordenou que a filha corresse pelo campo.
‒ A preocupação dela é sincera? – perguntou Hotchner.
‒ Com certeza é sim.
‒ Morgan e eu não tivemos muito sucesso com os parentes. – disse Prentiss.
‒ A família Copland quase não tem parentes vivos e os poucos que tem todos tem um álibi para o dia em que Belinda desapareceu. – continuou Morgan.
‒ A mídia está acabando com a imagem do FBI... – disse JJ – Devido a outros agentes já estarem trabalhando no caso e nada terem conseguido.
‒ Eu conversei com os professores da escola de Belinda. – disse Reid – Todos disseram ser uma boa aluna, gostava de futebol e pelo que eles sabem Belinda não conversaria com um estranho.
‒ Eu fiz uma entrevista cognitiva com um garoto chamado Jack... – disse Hotchner – Sobre o último dia em que viu Belinda, ele se lembrou de que o homem com quem Belinda conversava aquele dia segurava uma coleira de cachorro.
‒ Sem cachorro? – perguntou Agatha.
‒ Sem cachorro. – confirmou Hotchner.
‒ Já descobrimos a artimanha do infeliz que a levou... – respondeu Morgan – Usou a desculpa do “cachorro perdido”.
‒ Crianças adoram animais. – concordou Prentiss.
‒ Blake e eu examinamos o quarto de Belinda... – disse Rossi pensativo – No quarto havia um altar em memória ao cachorro que ela perdeu em um acidente de carro.
‒ Talvez possamos estar um pouco enganados sobre o rapto ter sido coisa de última hora. – disse Agatha apreensiva.
‒ Como assim? – indagou Hotchner a fitando nos olhos.
‒ Há quanto tempo Billie perdeu o cachorro? – perguntou Agatha a Rossi e Blake.
‒ A mãe disse que faz quase vinte dias. – respondeu Blake.
‒ O pai a ajudou a fazer o altar para ela. – disse Rossi.
‒ Pensem comigo: criança triste porque perdeu um cachorro e chateada porque a mãe lhe deu uma bronca. – disse Agatha.
‒ Uma garota triste e vulnerável. – disse Morgan – Eu entendi o pensamento de Agatha.
‒ Como ele saberia que ela perdeu um cachorro? – perguntou Beth – Seria impossível!
‒ Claro que não... – disse Prentiss – Ele pode ter a vigiado, seguido sua rotina, conhecendo o passo a passo de Belinda Copland.
‒ Vocês diziam no avião que pode ter sido um rapto sem planejamento! – retrucou Beth fazendo todos a encararem seriamente.
‒ Tudo são teorias que são exploradas. – respondeu Hotchner – O comportamento humano não é nada fácil agente Cruz, ninguém tinha certeza do que dizia eram apenas teorias.
‒ Mas a cadete disse com toda a certeza no avião. – respondeu Beth com desdém.
‒ Qual é o seu problema comigo? – perguntou Agatha irritada.
‒ Agatha, mantenha a postura, por favor! – ordenou Hotchner.
‒ Eu que te conheço há bastante tempo não posso chama-lo de Hotch agora você pode chamar uma cadete pelo primeiro nome! – reclamou Beth.
‒ Eu não acredito que ouvi isso! – esbravejou Agatha.
‒ Agente Cruz eu peço que tenha postura ao se dirigir a mim ou a qualquer um desta equipe. – exigiu Hotchner.
‒ Hotch até quando você vai fingir que não se lembra de mim? – insistia Beth.
‒ Agente Cruz já chega! – exclamou Hotchner encarando Beth nos olhos – Ou a senhorita se comporta ou volta para Virginia!
‒ Hotch... – disse Beth – Eu não queria irrita-lo...
‒ Hotchner. – frisou ele – Eu te dei duas opções, qual das duas vai escolher?
‒ Eu só não entendo porque não posso trata-lo da mesma forma que os outros aqui te tratam... – continuava Beth – Todos te chamam de Hotch e a cadete ali é chamada pelo primeiro nome.
‒ Agente Beth Cruz... – disse Agatha sem paciência – Eu não sei quem é você direito, eu não sei da onde veio e pouco me importa, mas eu acho que deveria se preocupar com o caso, temos uma garota de onze anos desaparecida há quinze dias e até agora a única coisa que você sabe fazer é querer chamar atenção ou me irritar!
‒ Se quer se entrosar com a equipe agente Cruz comporte-se como uma agente e trabalhe como nós trabalhamos. – exigiu Hotchner – Fui claro?
‒ Sim... Senhor. – Beth mesmo ainda estando inconformada preferiu não discutir mais.
‒ Voltando ao caso... – disse Morgan – Descobriu algo a mais com o garoto?
‒ Sim, durante a entrevista ele se recordou de ter visto Billie dentro de um jipe verde que saia acelerado do local. — respondeu Hotchner mantendo a postura.
‒ Então o garoto testemunhou o sequestro? – perguntou Prentiss.
‒ Sim, mas ele não teve a noção disso no momento foi se recordar na entrevista que viu Belinda bater na janela do veículo enquanto o mesmo saia às pressas.
‒ Hotch ele viu quem a levou? – perguntou Blake.
‒ Infelizmente não... Quando avistou Belinda conversando com o homem o mesmo estava de costas.
‒ E as outras crianças no parque? – perguntou Morgan – Porque não fez entrevista com elas?
‒ Porque as mães não autorizaram.
‒ Talvez não seja a primeira vez que ele se aproximou de uma criança com a desculpa do “cão perdido”. – disse Agatha.
‒ Agatha pode ter razão! – exclamou Rossi – Devíamos interrogar outras crianças para saberem se alguém se aproximou delas com essa desculpa.
‒ Ótima ideia. – concordou Hotchner – Vou combinar com a detetive e vamos nos separar para interrogarmos as crianças. – Hotchner saiu da sala para conversar com a detetive.
***
A equipe e alguns policiais se espalharam pelo bairro onde residia a família Copland para interrogarem as crianças, Hotchner e Agatha ficaram juntos nesta operação.
Enquanto Hotchner dirigia Agatha aproveitou o momento para questiona-lo sobre Beth:
‒ Hotch quando você vai falar sobre a Beth?
‒ Falar sobre o que? – indagou ele – Não tenho nada a dizer.
‒ Aaron Hotchner nós namoramos há quase um ano eu sei quando está me escondendo algo. – afirmou Agatha.
‒ Está bem... – respondeu ele – Eu conheço a Beth desde o colegial sim... Ela estudou comigo e a Haley.
‒ Porque não me contou antes?
‒ Com que tempo? – retrucou ele – Fomos chamados para voltarmos a UAC já pegamos um caso muito complicado quando tivemos tempo para conversarmos?
‒ Você tem razão... – Agatha abaixou a cabeça brevemente – Desculpa.
‒ Você parece estar incomodada. – comentou Hotchner estacionando o carro em frente a uma casa.
‒ E não é para estar? Ela está dando em cima de você descaradamente!
‒ Agatha! – exclamou Hotchner.
‒ Qual é Hotch? Não faça a de “homem desentendido” porque isso não lhe cai bem.
‒ Está bem... Eu confesso que estou irritado com a situação.
‒ A entrada dela a equipe foi estranha não acha?
‒ Agatha... – Hotchner pega na mão dela – Eu quero que você aja o mais profissional possível com ela.
‒ Como assim? – Agatha arregalou os olhos.
‒ Não perca a postura com ela... O supervisor não queria aprovar você na equipe qualquer falta de postura sua qualquer impaciência ele ficará sabendo e será motivo para você ser retirada da gente.
‒ Eu entendi. – Agatha acatou o pedido de Hotchner.
‒ Sobre a entrada dela a equipe eu irei descobrir como, está bem? Se houver qualquer coisa suspeita irei tomar providências.
‒ Está bem...
‒ E outra coisa importante... – Hotchner mirou Agatha nos olhos – Eu só tenho olhos para você.
‒ Hotch...
‒ Eu te amo. – disse ele querendo beija-la, mas estavam ali a trabalho – Vamos trabalhar?
‒ Sim senhor. – respondeu Agatha esboçando um sorriso. Eles desceram do carro e Hotchner bateu a porta da casa da onde havia estacionado em frente.
Uma jovem mulher dos cabelos loiros e lisos atendeu a porta:
‒ Pois não? – perguntou a mulher.
‒ Senhora somos do FBI. – Hotchner apresentou sua credencial – Eu sou o agente Hotchner e essa é a agente Silva.
‒ Vocês estão aqui por causa da Billie não é? – perguntou a mulher curiosa.
‒ Sim. – respondeu Agatha – Estamos interrogando as crianças do bairro para sabermos se alguém estranho já tentou se aproximar delas, você tem uma filha não é?
‒ Sim, ela se chama Connie... É interessante que tenham vindo porque há duas semanas minha menina falou sobre um homem que ela nunca viu pelas ruas.
‒ Poderíamos entrar e fazer algumas perguntas? – perguntou Hotchner.
‒ Claro que sim. – a mulher deu passagem para eles entrarem – Connie querida venha cá!
‒ O que foi mãe? – uma linda garotinha dos cabelos lisos e loiros dos olhos claros apareceu na sala.
‒ Esses dois querem te fazer perguntas sobre a Billie.
‒ Vocês são policiais? – perguntou a menina apontando para a arma de Agatha que estava em um coldre preso a cintura.
‒ Somos do FBI. – respondeu Agatha sorrindo ao puxar sua blusa para esconder a arma – Poderíamos te fazer algumas perguntas?
‒ Sim. – respondeu a garota dando de ombros.
‒ Por favor, sentem-se. – pediu a mulher apontando para o sofá.
‒ Obrigado. – agradeceu Hotchner sentando-se junto a Agatha no sofá e a menina Connie sentou-se entre eles.
‒ Eu posso começar? – perguntou Agatha a Hotchner.
‒ Fique a vontade. – consentiu ele.
‒ Connie sua mãe mencionou que você viu um estranho pelas ruas... Você viu alguém estranho?
‒ Eu vi sim... Ele falou comigo. – respondeu a garota.
‒ Ele tentou se aproximar de você? – perguntou Hotchner atento.
‒ Uma vez voltava da escola e quando chegava perto de casa ele me parou. – respondeu a garota tranquilamente.
‒ O que ele queria? – perguntou Agatha.
‒ Ele tinha uma coleira na mão e disse ter perdido a cachorrinha dele.
‒ Como ele era?
‒ Cabelos castanhos eu acho... Tinha uma barba... Ele usava um casaco marrom e botas pretas.
‒ Você o ajudou a procurar o animal?
‒ Eu não! – exclamou a garota – Minha mãe disse para eu não falar com os estranhos.
‒ O que você fez? – perguntou Hotchner.
‒ Eu disse que não poderia ajuda-lo, mas ele insistiu então eu apressei o passo.
‒ Connie como ele se comportava? – perguntou Agatha – Ele mexia muito as mãos? Tremia as pernas? Qualquer detalhe nos ajuda.
‒ Ele parecia nervoso e com medo.
‒ Medo?
‒ Ele olhava para os lados parecendo que estava com medo de algo.
‒ Você se importaria em ir à delegacia e olhar algumas fotos? – Agatha olhou para Hotchner – Podemos pegar as fotos das fichas que Garcia e Maeve pesquisaram no sistema.
‒ A senhora se importa? – perguntou ele a mulher.
‒ Se é para ajudar encontrar Billie eu concordo. – respondeu a mulher.
‒ Tem algum problema Connie? – perguntou Agatha.
‒ Não... Eu vou sim!
‒ Está bem.
‒ Lembrei-me de mais uma coisa! – exclamou a garota.
‒ Do que? – Agatha a fitou nos olhos.
‒ Ele disse que a cachorra era velha e se chamava “Candy”.
‒ Eu irei ligar para a Garcia. – disse Hotchner se levantando ao pegar o celular.
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