Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
90 Capítulo 90 - Depois do Resgate Um Funeral
Notas iniciais
Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo.
(Mark Twain)
Agatha pediu que Garcia e Donovan preparasse tudo para ela contatar John Curtis, pois ela não iria ligar de seu celular. Garcia ordenava tudo perfeitamente, mas era nítido seu nervosismo, enquanto ela alinhava uma sala que Agatha usaria para falar a sós com John Curtis Donovan notou imediatamente a aflição da companheira de trabalho.
— Penélope! – exclamou Donovan.
— O que foi? – Garcia virou-se bruscamente para fitar a parceira enquanto testava o aparelho telefônico que Agatha usaria – O que foi Maeve?
— Você está tremendo – Donovan apontou para as pernas de Garcia – e olhe os seus braços... Sua pele está arrepiada, sente-se mal?
— Eu estou bem – Garcia tirou seus óculos da armação laranja que fazia combinação com sua roupa para limpar o suor da lente – eu estou muito bem, porque Penélope Garcia estaria mal? Eu estou bem, muito bem!
— Não está – discordou a outra – está preocupada?
— O que acha? – admitiu Garcia colocando seus óculos de volta – Tudo isso é assustador.
— Cadê a Penélope que tem o pensamento sempre positivo?
— Ela está aqui com medo – Garcia ficou chorosa – com muito medo.
— Penélope vai dar tudo certo – Donovan a abraçou – temos que pensar positivo.
— Eu amo todos dessa equipe, sem exceção, me doí o coração ver um deles afligido por algo, quero que esse tormento dela tenha fim.
— É por isso que estamos fazendo de tudo para ajuda-la.
— E essa ideia de funeral? Eu não consigo imagina-la deitada em um caixão fingindo-se de morta... E se alguma coisa acontecer?
— Penélope está tudo combinado para não ocorrer nada com ela.
— Está bem, terei pensamento positivo – Garcia enxugou as lágrimas – vai dar tudo certo.
— Muito bem, isso mesmo. – Donovan sorriu e logo voltou as suas tarefas enquanto Garcia as dela.
O plano de Agatha realmente seria praticado, todavia o medo pairava entre eles, Garcia estaria certa? Algo muito ruim poderia acontecer? Agatha realmente vai tomar a droga e deitar-se em um caixão? Isso vai impedir e capturar John Curtis? Respostas que só serão dadas quando o plano for exercido.
[...]
Agatha encontrava-se no vestiário, Prentiss e Blake junto a um agente da SWAT foram ao apartamento de Hotchner buscar algumas roupas e itens pessoais dela que solicitou os mesmos, assim que regressaram Agatha apressou em tomar uma ducha de água quente, ela queria relaxar um pouco e acreditava que um banho ajudaria.
Assim que se vestiu após o banho passou a pentear os cabelos quando sua amiga adentrou o vestiário.
— Melhor? – indagou Seaver.
— Não sei.
— Está decidida mesmo a fazer isso?
— Vocês vão insistir em perguntar isso mesmo, não vão? – Agatha penteou os cachos e os prendeu em um rabo de cavalo.
— Eu admito que seja um plano excelente, mas bem arriscado e eu não sei o que é pior: você falar com o desgraçado pelo telefone ou fingir-se de morta tomando uma droga muito perigosa.
— Vai dar tudo certo. – Agatha queria a qualquer custo manifestar confiança.
— Eu confio em você. – Seaver abraçou a amiga.
— Obrigada Ashley, saiba que eu te amo muito.
— Também te amo.
— Licença – era Prentiss – está tudo pronto, você está preparada?
— Sim – Agatha soltou-se do abraço – eu estou pronta.
— Garcia já providenciou tudo, todos a aguardam. – Prentiss passou o recado e logo saiu.
— Vai falar com ele mesmo? – insistiu Seaver.
— Sim, eu vou falar com John Curtis. – garantiu Agatha que por fora demonstrava segurança e coragem, mas em seu interior havia uma Agatha com medo e insegura.
[...]
De braços dados Seaver acompanhou a amiga até a sala onde todos a aguardavam, até mesmo Strauss estava presente.
— Strauss! – admirou-se Agatha.
— O agente Hotchner já me deixou informada de tudo até mesmo da sua própria “morte”, quero que saiba que a diretoria foi obrigada a saber, mas por incrível que pareça eles aprovaram o plano, aliás, eles querem que John Curtis seja pego o mais rápido possível.
— Obrigada senhora Strauss.
— Está preparada? – dessa vez foi Hotchner a questionar.
— Sim, eu estou.
— Sente-se aqui. – Morgan puxou uma cadeira diante da mesa onde estava o aparelho telefônico que Agatha usaria.
— Vamos esclarecer os últimos detalhes – começou Garcia assim que Agatha se sentou – Donovan e eu preparamos tudo, este aparelho será usado, certo? Você vai discar normalmente, mas veja que tem alguns botões, este, por exemplo, é o mute, ou seja, se aperta-lo ele não poderá te ouvir, assim que a ligação se iniciar tudo já começa a ser gravado, eu estarei em minha sala com Donovan ouvindo tudo e atenta a tudo, qualquer coisa que ele talvez se referir sobre localidade, endereços eu já estarei pesquisando sobre, entendeu?
— Os números ativos que encontramos estão bem ao lado do telefone. – mostrou Donovan.
— Entendido. – afirmou Agatha balançando a cabeça.
— Agatha – Hotchner agachou-se ao lado dela – eu sei que se preparou para isso, mas ainda vou aconselhar: mantenha a tranquilidade no tom de voz, respire devagar se perceber que vai sair do sério aperta o mute, sei que o conhece bem, porém não contraria-lo ajudará muito.
— Está bem, obrigada Hotch.
— Não poderemos ficar aqui mesmo? – indagou Alvez.
— Eu preciso de privacidade. – pediu Agatha.
— Vocês podem acompanhar da minha sala. – disse Garcia.
Foi difícil para eles deixarem Agatha sozinha naquela sala, inclusive Hotchner que tinha anseios de permanecer ao lado de sua noiva, entretanto ele respeitou a vontade dela.
Quando Agatha por fim ficou sozinha ela inspirou e respirou bem devagar para controlar sua respiração, mentalizou que necessitava de tranquilidade, disse a si mesma que tinha que ser corajosa e não demonstrar a John Curtis que estava aflita, era obrigada a ser sedutora em algum momento e convence-lo de libertar Jason Gideon e o menino David.
Observou a lista dos números ao lado do telefone e com paciência digitou o primeiro da lista. Não teve sucesso com os três primeiros, mas não deixou isso abalar ainda tinha outros números para contato.
Por fim a quarta opção deu certo e começou a chamar.
— JC.— era a voz de John Curtis.
— John? – Agatha não pode deixar de sentir um frio pela espinha de suas costas.
— Boneca?— John Curtis ficou atordoado não crendo que era Agatha que ligava – Agatha é você?
— Oi John...
— Eu deveria ter suspeitado, aqui aparece número privado, achei que era a tonta da Beth.
— Então eu acabo de descobrir que aquela infeliz fugiu do incêndio com vida.
— Eu não vou perder o meu tempo questionando como conseguiu esse número, você é do FBI não há o que se espantar.
— Você já foi um dia também.
— Para entrar em contato comigo eu creio que já tenha uma resposta, não é mesmo?
— Como está o garoto? E Gideon?
— Ainda estão bem, o menino chora muito e Gideon diz que tem esperanças de ser salvo a tempo, coitado...
— Porque coitado? Não pretende solta-lo?
— Está sozinha? O infeliz do seu noivo está com você junto daquela equipe maldita?
— Eu estou sozinha, longe de todos.
— Gosto disso— John Curtis começa a rir – a minha boneca é maravilhosa!
— Eu quero falar com David.
— Não— John Curtis logo voltou à seriedade – você não me disse ainda sua decisão.
— Eu aceito ser sua boneca de volta com uma condição.
— Se está blefando colocando em prática algum plano idiota pode esquecer, ou você é minha ou eu mato os dois, sem condições!
— Não! – berrou Agatha que logo controlou sua euforia – Você precisa me ouvir primeiro.
— Você está blefando, eu sei!
— Não, não e não – ela conteve a respiração ofegante – antes você sempre me ouvia.
— Antes?— o tom de voz dele ficou mais manso.
— Isso mesmo... – uma lágrima rolou do olho dela ao ter que recordar o passado – Quando eu era sua boneca, se lembra? Você sempre dizia que a minha opinião valia ouro, estava sempre me dando ouvidos a qualquer assunto, eu tinha autoridade entre as outras.
— Eu nunca me esqueci destes tempos, você era a minha bonequinha, te dei todos os luxos, sua palavra valia muito.
— Pode voltar a confiar em mim?
— Será que eu posso?
— Você me ama?
— Claro que sim!— escandalizou ele afoito – Eu te amo, você é minha boneca!
— Quem ama confia – Agatha esforçava-se para conter a ânsia que sentia – por favor, confie em mim.
— Está bem— John Curtis se recompôs – qual é a condição?
— Eu estou farta de você machucando ou prejudicando os outros por minha causa, você me conhece bem John, sabe que eu tenho empatia pelo próximo.
— Pelo visto minha bonequinha não mudou nada.
— Por favor, liberte Gideon e garoto... David é órfão igual você foi no passado, lembra aquela noite em Paris? – Agatha pensou que fosse vomitar, mas se segurou bem – Você me levou a Paris, ficamos naquele hotel luxuoso e depois de você brincar com sua bonequinha abriu uma garrafa de vinho tinto e começou a narrar seu passado? Contou sobre sua difícil infância, que seus pais morreram cedo e você ficou de orfanato em orfanato até que alguém lhe adotou?
— Mas fui adotado apenas para encenar um ato de caridade de uma pessoa milionária, cheia do dinheiro, mas pobre de sentimentos.
— David não muda muito de você, ele é órfão sem ninguém, sem amor, permita que o garoto encontre amor, o liberte deste sofrimento, já não bastou o pai psicopata que ele teve?
— E porque liberar Gideon? Ele roubou meu lugar na UAC!
— Não, Gideon não lhe roubou nada... Para que queria aquele cargo? Se você tivesse continuado no FBI e tivesse entrado na UAC jamais ia me conhecer...
— Se eu tivesse mesmo entrado para esta equipe não ia ter tido um bom negócio de bonecas de luxo e jamais te conheceria.
— Por favor, chega de ferir os outros.
— E Aaron Hotchner?
— O que tem ele? – Agatha estremeceu.
— Ainda noiva dele?
— Não.
— Sério?
— Sério.
— Sinto que tem algo errado, como o FBI permitiu que me liga-se?
— Eles não sabem.
— Como assim?
— Eu desapareci para eles, neste momento devem achar que você me pegou e estão desesperados.
— O que fez você mudar de ideia assim do nada?
— Eu estou farta de fugir... Já percebi que não vai adiantar nada continuar fugindo de você não é?
— Enquanto você respirar eu irei sempre atrás de você, já disse que é minha.
— Condição aceita?
— Volte para mim que eu liberto os dois.
— Não, os liberte primeiro.
— Não!— vociferou ele – Ou as coisas são do meu jeito ou eu os mato!
— Não! – esbravejou ela – Então quer dizer que não me ama mais?
— Do que está falando?
— Antes as coisas eram do meu jeito, eu poderia fazer o que quiser, era a boneca preferida, você me cedia tudo porque dizia me amar.
— Eu te amo!
— Não ama, se amasse concederia o meu pedido, mas já percebi que se tornou em um psicopata maluco e está com os dois porque quer mata-los de qualquer maneira, sei que seu voltar primeiro a você fingirá que os libertou e vai mata-los!
— Isso pode ser um blefe de sua parte e...
— Está vendo só? Não confia mais em mim, quer saber John? Cansei-me! Cansei de tudo e sabe o que mais? Em breve você verá notícias sobre uma agente do FBI que cometeu suicídio!
— Bonequinha, por favor, não faça isso!
— Eu cansei John e aqui me despeço de você... – Agatha apertou o mute.
— Boneca? Agatha? Agatha, eu sei que está aí fala comigo, não faça besteira! Está bem, você venceu!
— Fala sério? – Agatha retomou a chamada.
— Você promete que se eu soltar os dois volta para mim?
— Ainda ama sua bonequinha?
— Sim.
— Então que as coisas voltem a ser como antes, você me cedendo.
— Certo meu amor, será como minha boneca quiser.
— Liberte Gideon e o menino David, deixe os dois em um local seguro.
— Que local seguro?
— Algum lugar acessível para eles pedirem ajuda depois, os deixe na casa em que morei com Francine.
— Você vai avisar a alguém sobre isso?
— Eu posso fazer uma ligação anônima.
— Isto não é blefe mesmo?
— Dúvida ainda de mim? Achei que tinha saudades de brincar com sua boneca.
— Eu não duvido, perdão minha boneca, perdão.
— É bom assim.
— Pela madrugada, eu os levarei, você estará lá?
— Como?
— Eu os deixarei lá e você vai me encontrar, já vou providenciar nossa fuga.
— Certo. – aceitou Agatha – Que horas?
— Três da manhã.
— John, se você não os leva-lo ou os machucar eu juro que eu não volto a ser sua boneca e acabo com minha vida.
— Eu juro que os levo...— John Curtis voltou a calmaria – Eu mal vejo a hora de beijar o seu corpo todo como fazia antes, quando estivermos juntos vamos fazer amor sem parar.
— Eu mal vejo a hora também... Até mais tarde.
— Até mais minha boneca.— John encerrou a ligação.
Agatha levantou-se bruscamente correndo até uma lixeira que havia na sala e expeliu tudo aquilo que lhe embrulhava o estômago, pois ficou enojada após aquela ligação.
— Agatha! – era Hotchner regressando a sala – Meu Deus, você está passando mal!
— Ficarei bem... – afirmou ela com a respiração ofegante após vomitar – eu ficarei bem.
— Tome – Hotchner pegou um lenço que tinha no bolso do paletó – limpe-se.
— Obrigada. – Agatha pegou o lenço e limpou seus lábios.
— Nós ouvimos tudo da sala de Garcia e... Acredita que ele vai levar os dois para lá?
— Eu mexi com os sentimentos dele, coisa que deveria ter feito antes, mas enfim, ele os levará ou vai enviar alguém para isso.
— Ele disse que iria.
— Mas senti no tom de voz que ele ficou um pouco desconfiado, devemos ir preparados.
— Você fica aqui.
— Chega de ordens me proibindo das coisas senhor Aaron Hotchner, eu irei resgatar nosso filho. – Hotchner decidiu não discutir e auxiliou sua noiva com o mal estar que ela sentia naquele momento.
[...]
Já era noite quando Agatha entrou em contato com John Curtis, as horas pareciam se rastejar inclusive para Reid que ansiava em rever Jason Gideon com vida, Morgan solicitou a ajuda da SWAT para aquele resgate, poderia acontecer que John Curtis realmente levasse os seus reféns para o local combinado ou enviasse alguém, porém infelizmente poderia acontecer o pior: John Curtis não cumprir sua palavra e usar aquele plano de Agatha contra ela, o mesmo poderia ir sozinho com expectativa de sequestra-la, por isso tudo tinha que ser organizado e ela jamais poderia ir sozinha.
Quando a madrugada se iniciou a equipe já começou a se preparar, ajeitando seus coletes e armas, Reid havia acabado de carregar sua arma e vestir seu colete quando Donovan adentrou o local em que ele estava.
— Eu vou salva-lo. – afirmou Reid confiante.
— Eu sei, vai dar tudo certo. – Donovan exibia confiança, mas por dentro ela se afligia tinha medo de que John Curtis preparasse uma armadilha.
— Finalmente eu vou salva-lo, não irei perdê-lo. – frisava Reid.
— Eu fico feliz. – Donovan cruzou os braços.
— Está tudo bem? – ele a fitou no olhar.
— Está.
— Tive a impressão de que está preocupada.
— Impressão sua.
— Reid, venha para a sala de reunião o Hotch quer passar as últimas coordenadas!— era Morgan exclamando pelos corredores.
— Estou indo! – avisou o gênio.
— Boa sorte.
— Obrigado Maeve, aliás, obrigado por tudo.
— Fique bem. – Donovan teve o ímpeto de aproximar-se de Reid e lhe dar um selinho.
— Maeve? – atônito a aquilo Reid levou a mão em seus lábios.
— Spencer, tome cuidado e fique bem. – com a face do rosto ruborizada Donovan retirou-se antes que Reid falasse qualquer coisa.
— Ela me beijou. – disse ele a si não segurando o riso envergonhado.
[...]
Hotchner convocou todos para a sala de reunião para as últimas coordenadas, até mesmo Strauss participaria daquela ação.
— Morgan solicitou a SWAT e eu solicitei o esquadrão antibomba.
— Para que? – indagou Seaver.
— Depois do caso passado é bom precaver. – comentou Blake recordando a bomba enviada a ela da outra vez.
— Não podemos confiar em nenhuma palavra de John Curtis – foi esclarecendo Hotchner – mesmo que Agatha o convenceu ele pode mudar de ideia, enfim, ele é perigoso, todo cuidado é pouco.
— Quem vai entrar? – perguntou Rossi.
— Morgan, Prentiss, Alvez e eu vamos pela frente acompanhados de dois agentes da SWAT e um do esquadrão do antibomba, pelos fundos ficaram responsáveis Rossi, Blake, Reid, Seaver e JJ também acompanhados de dois da SWAT e outro do antibomba.
— E eu? – resmungou Agatha – Eu já disse que ia!
— Ficará no carro aguardando com a Strauss na vigilância de um agente da SWAT.
— Hotch!
— Sem discussões.
— Certo. – Agatha cruzou os braços não aprovando a ideia, mas preferiu não debater.
— Prontos? – indagou o chefe e todos assentiram que sim.
[...]
Antes do horário combinado todos já foram e se esconderam pelas proximidades da antiga casa que foi de Francine e Agatha, mas sempre de vigia no local.
Prentiss observava de um canto escondida com um binóculos e quando seu relógio marcou exatamente três horas ela viu que uma luz acendia e apagava de uma das janelas da casa.
— Tem alguém na casa. – avisou ela pela escuta.
Organizaram-se como Hotchner ordenou e preparados invadiram a casa, Agatha foi realmente compelida de aguardar tudo dentro de um carro na companhia de Strauss enquanto um agente da SWAT as vigiava.
Um barulho de tiro foi-se ouvido de uma das moitas próxima ao local e o agente da SWAT que fazia vigia de Agatha apressou-se em verificar, Strauss também se retirou do carro com sua arma aposta e exigiu que Agatha esperasse.
Agatha saiu do carro impaciente queria adentrar a casa ou seguir Strauss, mas ficou na dúvida quando alguém lhe tocou o ombro a obrigando se virar para verificar quem era.
— Achou que eu ia desistir? – era Beth que apontava uma arma para a cabeça de Agatha que por descuido não havia sacado a dela.
— Eu tenho que admitir que não é tão burra – Agatha levantou as mãos, pois se tentasse sacar sua arma Beth tinha vantagem em poder atirar primeiro – conseguiu se salvar de um incêndio.
— Não fico mais sentida com suas ofensas.
— Claro que não, uma hora é preciso aceitar que é burra e todos a chamaram assim, eu imagino que John deva repetir isso, pois sabe de uma coisa? Ele não tem paciência para gente lerda.
— Gosta de ser debochada assim até na hora da morte?
— Se você acha que eu vou me humilhar para você pedindo “não me mate” pode esquecer, eu tenho um orgulho muito alto.
— Agente Agatha Silva como sempre ridícula – Beth destravou a arma – sempre se achando, querendo ser a querida, a salvadora de vítimas inocentes, das criancinhas amedrontadas, não é?
— É uma pena que você não teve uma salvadora como eu quando seu tio abusava de você, não é?
— Do que está falando? – Beth espantou-se com aquela questão de Agatha e quando pensou em apertar o gatilho ouviu tiros vindo de dentro da casa e se distraiu e essa foi à chance de Agatha.
Agatha avançou para cima de Beth que deixou a arma cair para longe dela e as duas entraram em uma luta corporal, Agatha queria a todo custo conseguir distanciar Beth de si e sacar sua arma, mas tinha que lutar muito, Beth não deixava barato e revidava os socos e os chutes que levava, Agatha conseguiu agarrar Beth e assim a empurrou contra o carro lhe ferindo a cabeça, mas Beth também estava sendo ágil e antes que Agatha sacasse sua arma ela conseguiu revidar. Em meio à briga caíram e rolaram-se pelo chão uma agarrada a outra, Agatha golpeou Beth o quanto pode, ela brigou bem, porém foi bastante ferida, pois Beth replicava muito bem os socos e chutes que levava.
A arma que caiu ao chão foi avistada por Beth que após um soco distanciou-se de Agatha e correu para pega-la e Agatha no impulso de sobrevivência foi ligeira e sacando sua arma levantou-se e atingiu Beth com um tiro que antes de cair ao chão conseguiu apertar o gatilho, entretanto por ter sido alvejada primeiro não acertou seu tiro.
Logo que Beth caiu ao chão atingida no peito Agatha aproximou-se e com agilidade chutou a arma da inimiga para longe.
— Você perdeu. – afirmou Agatha ainda com sua arma apontada para Beth.
— O que você disse... O que você... – Beth perdia bastante sangue e sua respiração ofegava – O que você falou sobre meu tio?
— O que? – era admirável para Agatha a curiosidade de Beth sobre o que ela mencionou antes daquele momento.
— Eu sinto... – Beth tinha o olhar perdido – Eu vejo a morte vir me buscar... Por favor, diga o que falou sobre meu tio... Por favor.
— Eu sei que o seu tio abusava de você, ele abusava sexualmente quando você ainda era uma menina.
— Como soube?
— Eu comecei a desconfiar após ver umas fotografias e... E ele depois confessou.
— Meu tio não morreu? Hotch... Hotch disse que ele... Meu tio morreu.
— Era mentira, blefamos com você, quem morreu foi Andrew Kane.
— Por uns instantes fui feliz achando que ele estava morto... – Beth ofegava, mas forçando-se conseguiu esboçar um sorriso doentio – Fiquei feliz com sua morte... Pouco importa agora... Eu me livrei dele de qualquer jeito... Sabe o porquê de eu amar tanto o Hotch? – ela virou o olhar para Agatha – Hotch no tempo do colegial era o mais doce de todos os rapazes... Ele era gentil e respeitava as meninas... Não era como o meu tio... Por isso eu me apaixonei por ele...
— Triste. – Agatha não conteve uma lágrima.
— Lamenta minha morte?... Tem dó de mim agora?
— Eu lamento o monstro que o seu tio te transformou. – Agatha apesar de tudo ainda era humana e teve compaixão de Beth.
— Eu também lamento... – Beth virou a cabeça para o lado e sua respiração foi ficando cada vez mais fraca.
Beth faleceu com os olhos esbugalhados e Agatha fez questão de fecha-los.
— Agatha! – era Hotchner.
— Hotch! – Agatha ficou tão centrada em Beth que por alguns instantes esqueceu-se dos demais dentro da casa – Está tudo bem?
— Eu que pergunto, o que houve aqui? – Hotchner logo avistou o corpo de Beth.
— Está tudo bem? – era Strauss regressando com o agente – Ouve alguns tiros ali tivemos que ir verificar.
— E vocês deixaram minha noiva sozinha? – esbravejou Hotchner – Olhe como ela está ferida! – Agatha estava machucada e com alguns hematomas pelo olho e queixo pela briga – Eu exigi total vigilância, ela poderia ter morrido!
— Mas eu não morri! – exclamou ela – Hotch, eu estou bem.
— O que aconteceu aqui? – Hotchner a abraçou – Da onde Beth surgiu? Ela está morta?
— Ela apareceu do nada aqui e enfim... Brigamos e... Ela está morta.
— Eu que deveria ter ficado aqui.
— Hotch acalma-se e agora me esclareça, o que houve lá dentro? Houve tiros? Pegaram John Curtis?
— Ele não veio – quem respondeu foi Morgan que veio seguindo Hotchner – quando entramos fomos surpreendidos por algumas mulheres que começaram a atirar contra nós.
— Mulheres?
— Algumas aparentam ser estrangeiras, possíveis garotas de John Curtis?
— É claro! – refletiu Agatha – Ele é um desgraçado e não ia contar somente com a ajuda de Beth, ele também tinha as outras, provavelmente eu conheça algumas, sobreviveram?
— Nenhuma, o tiroteio foi feio. – disse Hotchner.
— E o David? E Gideon? O desgraçado me enganou?
— Não. – Morgan saiu da visão de Agatha assim que avistou os demais da equipe regressando, Reid com o auxílio de Rossi carregava Jason Gideon ferido e o garoto David Smith vinha carregado pelo colo de JJ.
— Meu menino... Meu... Meu filho. – disse Agatha emocionada.
— Agatha! – clamou David e JJ o colocou ao chão para que ele fosse até ela.
Agatha apressou os passos, David afoito fez o mesmo que quase caiu tropeçando em seus próprios pés, o reencontro deles dois foi o que fez a tensão dos demais diminuírem após toda a ação que tiveram. Agatha abriu os braços e David se jogou entre eles, ela o pegou no colo e o levantou exibindo a criança a todos.
A equipe da SWAT começou a aplaudir e os demais imitaram o ato, Agatha agarrou-se a David e o encheu de beijos e carinho.
— Eu jamais vou deixar que te machuquem de novo, jamais! – garantiu ela entre o choro, mas pelo menos naquele momento era um choro de alegria, de vitória, ela resgatou o menino.
— Você me salvou! – exclamava o menino emocionado – Você me salvou, minha heroína! Queria que você fosse a minha mãe!
— O que? – Agatha o colocou no chão e tocando-lhe o rosto o mirou nos olhos.
— Eu te amo Agatha e queria... Eu digo... Eu quero que seja minha mãe, me adota, por favor!
— Depende da assistência social, mas... – Agatha o abraçou com toda força – Farei de tudo David, farei de tudo para te adotar, sim eu serei sua mãe.
— Eu te amo mamãe.
— Eu te amo meu filho.
[...]
Jason Gideon e o menino David foram encaminhados para um hospital, mas escoltados pela SWAT, dessa vez ninguém vacilaria para que não houvesse um novo rapto, Stephen assim que ficou sabendo do resgate dirigiu-se ao hospital ansiando em rever seu pai e ao chegar desculpou-se e agradeceu Reid por várias vezes e o gênio de momento deixou aquela bronca que estava com ele para depois, o mais importante para ele era Jason Gideon estar vivo.
Apesar de um pouco debilitado Jason Gideon estava bem, John Curtis não chegou a tortura-lo apenas o feriu com um golpe na cabeça e um soco quando o raptou, o garoto David estava abalado, porém fisicamente estava bem, todavia ele seria acompanhado por um psicólogo depois que tudo se resolvesse. Pela manhã Jason Gideon e o menino David receberam alta do hospital e Hotchner exigiu que eles fossem levados para o departamento e lá ficariam sendo vigiados em segurança até tudo se resolver, pois ainda faltava capturar John Curtis e estava na hora de executar o plano de Agatha.
Morgan e Alvez conseguiram as identidades das mulheres que apareceram no local atirando contra eles, assim que as mesmas foram apresentadas a Agatha ela confirmou que todas elas haviam sido garotas de programa e trabalharam para John Curtis.
Mateo Cruz mais uma vez foi levado para a sala de interrogatório antes de sua prisão, Agatha que exigiu, pois desejava falar com o mesmo.
— Conseguiu pegar o seu perseguidor? – perguntou Mateo Cruz em tom provocativo assim que a agente adentrou a sala.
— Ainda não, mas resgatamos Jason Gideon e David Smith.
— Bom para vocês.
— Eu solicitei que o trouxesse aqui para um comunicado, é sobre Beth.
— Vocês a apanharam? – Mateo Cruz ficou eufórico – A prenderam? Onde ela está? Posso vê-la?
— Contenha-se senhor Mateo Cruz e poupe esse fingimento de que se preocupa com ela.
— Eu realmente me preocupo com minha sobrinha!
— Se você se importasse tanto não a teria transformado em um monstro! – Agatha bateu a mão na cabeça.
— Poupe-me dos seus sermões agente Silva, onde está minha sobrinha?
— Beth está... – Agatha hesitou.
— Fale logo!
— Beth está morta.
— O que? – Mateo Cruz arregalou os olhos.
— Isso mesmo e não é mentira de minha parte, quando fomos resgatar Gideon e o menino David Beth apareceu... Ela tentou me atacar e me matar, eu tive que me defender.
— Você matou minha sobrinha? – os olhos de Mateo Cruz começaram a lacrimejar.
— Quem a matou foi você, eu apenas matei o monstro que ela se tornou por sua causa! Sabe o que ela me disse minutos antes de falecer? Que se apaixonou por Hotch porque durante o colegial ele era doce com as garotas, às respeitava que ele era diferente de você!
— Mentira!
— É verdade seu nojento! Você abusou da pureza de uma garota que tinha uma vida para gozar e distorceu tudo quando se apaixonou... Ela queria alguém que a protegesse do mal que viveu e colocou na mente de que Hotch era a pessoa certa, se você não fosse esse ser asqueroso e não tivesse se aproveitado, Beth teria sido uma grande mulher.
— Não venha dizer que tem empatia por ela!
— Quem nunca teve empatia com ninguém aqui foi você, divirta-se na cadeia, você vai adorar a empatia dos seus amigos de cela. – Agatha foi-se retirando da sala.
— E o nosso acordo? Tínhamos um acordo sua miserável!
— Perdão – voltou ela brevemente – eu não faço acordos com pedófilos, passar bem senhor Mateo Cruz! – Agatha saiu batendo a porta enquanto ele ficou a escandalizar na sala algemado e foi contido por dois seguranças do departamento.
[...]
Metade do dia já havia se passado, Hotchner andava de um lado para o outro em seu escritório enquanto Rossi tentava mais uma vez tranquiliza-lo.
— Aaron já está tudo combinado, nós não preparamos tudo?
— Sim, mas ainda temo que algo possa acontecer.
— Algo como o que? John Curtis aparecer? Se ele vier estaremos prontos, vamos conseguir.
— Continuo achando tudo perigoso.
— Mas não adianta dar para trás, você disse a sua noiva que aceitava e agora tem que acatar.
Hotchner não debateu mais com o amigo e se acomodou diante de sua mesa quando seu celular tocou, era uma ligação de um número privado.
— Eu sabia que não poderia confiar!— era a voz de John Curtis.
— O que quer seu infeliz?
— Eu estou farto de repetir o que eu quero... Eu quero minha boneca de volta!
— Desista! – Hotchner fez sinal a Rossi para que ele chamasse Agatha e o amigo se apressou.
— Eu não vou desistir, por bem ou por mal ela vai ser minha boneca de volta, ela sempre foi minha! Cadê ela? Exijo falar com ela!
— Eu não vou permitir se quer resolver alguma coisa que seja comigo. – Hotchner enrolava John Curtis na ligação.
— Eu vou invadir o prédio para busca-la, não brinque comigo Aaron Hotchner e antes de sumir com ela eu te mato!
— Você jamais levará Agatha, entendeu? – enquanto Hotchner falava Agatha surgiu à sala na companhia de Rossi e dos demais da equipe.
— Eu quero falar com ela!
— Você não vai falar com ela.
— É o John? – perguntou Agatha puxando o celular da mão de Hotchner – Eu quero falar com ele!
— Boneca?
— É você John?
— Como pode me trair desse jeito? Disse que iria me encontrar e foi junto do FBI e da SWAT?
— Você também me traiu, em vez de ir sozinho enviou todas aquelas que trabalharam para você e todas estavam armadas.
— Você acha que eu sou estúpido? Achou mesmo que acreditei cem por cento em você?
— E você ainda acha que eu vou voltar ser sua boneca?
— Você ainda vai ser minha, não me importa que não queira as coisas serão do meu jeito, nem que seja amordaçada voltarei a fazer amor com você!— John Curtis vociferava tão alto que era possível ouvi-lo sem precisar de viva-voz.
— Só se você quiser transar com um cadáver!
— Eu não acredito mais em seus blefes, você não tem coragem de se matar!
— Eu cansei de você seu nojento e de toda essa sua perseguição, entendeu? – Agatha começou a chorar – Eu estou farta de tudo isso, você não me dá paz você tirou meu animo de viver, adeus John! – antes que ele pudesse pronunciar qualquer coisa Agatha finalizou a ligação.
— Vai fundo nesse plano mesmo? – questionou Alvez perplexo igual os demais.
— Sim – Agatha virou-se para Reid – conseguiu a substância?
— Sim. – confirmou Reid receoso.
— JJ se quiser peça ajuda de Todd, vai ser uma euforia para a mídia ao saber a morte de uma agente do FBI.
— Agatha, tem certeza? – dessa vez foi Hotchner a questionar.
— Eu já disse que sim. – Agatha lhe devolveu o celular e saiu da sala.
— Então temos que preparar o funeral. – comentou Seaver encarando todos que não sabiam mais o que dizer.
[...]
Agatha tomou uma ducha de água quente e se preparou para sua “morte”, quando chegou à sala de reunião viu a equipe reunida exceto Hotchner que a aguardava em seu escritório.
— Eu vou perguntar pela milésima vez – começou Seaver – tem certeza disso?
— E eu vou afirmar pela milésima vez que sim. – Agatha abraçou a amiga.
— Eu espero que dê tudo certo minha amiga.
— Eu também. – Agatha passou alguns minutos abraçada a Seaver, depois cumprimentou todos com um abraço.
Agatha estava convicta de ir com aquilo até o final, John Curtis já havia afirmado que não deixaria de persegui-la enquanto ela respirasse, para ela sua morte era a solução para fazê-lo parar, pois ela se deparava mais que exausta daquilo tudo, não tinha paz há muito tempo, todavia ela sabia perfeitamente o grande risco que corria, estava ciente da gravidade ao ingerir aquela droga, ela poderia não simplesmente fingir que morreu sem aquela substância? Só que ela temia tanto as loucuras de John Curtis, o mesmo era capaz de enviar alguém em seu velório para checar sua respiração e depois revirar seu túmulo atrás de seu corpo, se John Curtis não tivesse provas concretas de que Agatha havia falecido ele jamais iria desistir ele era muito insano.
Depois de cumprimentar todos ela voltou-se ao gênio:
— Onde está?
— Aqui. – Reid tinha as mãos trêmulas ao retirar do bolso da calça um frasco com algumas pílulas brancas.
— Como conseguiu?
— Com um laboratório que faz estudo da mesma, com um mandado que Strauss solicitou eu consegui.
— Quais os primeiros sintomas?
— Entre vinte minutos e três horas podem ocorrer os primeiros sintomas que são dormência ou paralisação dos lábios e da língua, dará uma sensação de leveza e flutuação.
— Quais os outros seguidos?
— É melhor não saber – Reid se tremia por inteiro – você os sentirá mesmo, lembre-se que... Lembre-se que tem no máximo oito horas, mas é melhor finalizarmos tudo antes disso para que dê tempo de ser socorrida para uma lavagem estomacal e outra coisa importante: um é o suficiente.
— Está bem – Agatha pegou da mão dele o frasco – obrigada gênio. – Agatha retirou-se da sala sem olhar para trás e foi diretamente para o escritório de seu noivo que a aguardava.
Hotchner estava sentado diante de sua mesa observando uma foto que tinha de Agatha em seu celular, seus olhos estavam marejados.
— Hotch... – ela não sabia o que pronunciar.
— Eu não acredito que irá cometer essa loucura por causa de um insano? Vai ser capaz de correr tanto esse risco por causa daquele infeliz?
— Eu poderia desistir, mas quando liguei para ele o mesmo disse que enquanto eu respirasse ele ainda iria me perseguir.
— E se eu te perder?
— Dará tudo certo, temos entre seis a oito horas, ele não se aguentará tudo isso e virá e logo estarei salva. – Agatha não conteve a lágrima.
— Você está chorando, ou seja, está com medo, você sabe que é arriscado.
— Pare de falar! – exigiu ela – Não diga mais nada, não argumente mais nada e apenas me ouça, pode ser?
— Está bem.
— Eu sei sim do risco, mas vou opta-lo em vivencia-lo porque eu já não suporto mais John Curtis destruindo minha vida, ele não me deixa em paz e eu cansei, quando vamos poder planejar nosso casamento com ele nos perseguindo? Infernizando todos nós? Eu tenho que me arriscar eu sei que pode custar minha vida, mas não tem mais jeito... – Agatha retirou a jaqueta que usava a jogando em uma poltrona – Eu corro risco de não voltar? Sim eu sei disso, mas tem a possibilidade de dar certo, porém se não der...
— Não fale isso!
— Eu preciso terminar... Porém se não der certo eu peço perdão pela minha loucura e agradeço por ter correspondido meu amor, cuide bem do Jack e do David que precisa de uma família – Agatha abriu o frasco – eu te amo muito.
— Agatha... – Hotchner levantou-se às pressas e se aproximou de sua noiva.
— Eu preciso fazer isso... Eu te amo muito, não se esqueça. – Agatha ingeriu uma pílula e largou o frasco sobre a mesa do escritório.
Hotchner a segurou pelos braços e a acomodou na poltrona, Agatha segurou sua mão enquanto ainda tinha força já que em breve os sintomas começariam, outra lágrima escorreu de seus olhos e seu noivo a enxugou, Hotchner ficou vigiando aquele momento, logo a substância faria efeito.
Reid havia informado que entre vinte minutos a três horas poderiam ocorrer os primeiros sintomas, não se sabia ao certo quanto tempo precisou, Hotchner não contará e Agatha muito menos, mas não demorou muito para que ela sentisse seu corpo pesar e seus lábios adormecerem, suas pálpebras foram pesando, Agatha forçou a todo custo manter seu olhar aberto, porém não tinha mais forças e assim seus olhos fecharam-se de vez.
Hotchner beijou seus lábios e sua testa carinhosamente quando Reid e Rossi adentraram o escritório sem pedir licença.
— Ela adormeceu? – questionou Rossi curioso.
— Sim – confirmou Hotchner encarando Reid – tem certeza que isso aqui é sonífero?
— Eu seria incapaz de fornecer a Tetrodotoxina a ela, este é um sonífero que Maeve me indicou ela garante que é excelente, ele tem duração de umas doze horas.
— E o que faremos agora mesmo? – perguntou Rossi.
— Peça para JJ fazer sua parte, a morte de Agatha deve ser noticiada. – respondeu Hotchner.
— Eu a aviso e já aproveito para com os demais preparar o funeral. – Reid se retirou do escritório.
— Foi difícil do mesmo jeito não é? – indagou Rossi ao amigo.
— Ela demonstrou medo, falou algumas coisas tristes se despedindo, enfim, mesmo eu sabendo que ela ingeria um sonífero me doeu ver que ela foi capaz de cometer tal ato.
— John Curtis abalou mesmo com ela.
— Eu não irei permitir mais nada daquele infeliz, quem está farto de tudo isso sou eu, não aguento mais vê-la sofrer de pânico por causa dele.
— Agora temos que nos preparar, vamos ver qual vai ser a reação dele ao ver a morte de Agatha sendo noticiada.
— Tem que dar tudo certo. – Hotchner pegou Agatha adormecida em seus braços e a retirou de seu escritório.
[...]
Assim que a noite caiu sobre Virgínia John Curtis estava escondido em algum lugar tentando em vão contato com Andrew Kane, ele ainda achava que o mesmo estava vivo, John Curtis estava disposto a invadir o departamento para raptar Agatha, mas queria a ajuda do parceiro, irritado porque não tinha retorno em suas mensagens ele ligou a TV, já estava na hora do noticiário e ele sempre ficava atento às notícias para saber se algo sobre ele era mencionado.
Logo que o jornal começou a apresentadora já iniciou o programa falando da morte de uma agente do FBI alegando que exibiria uma coletiva de imprensa ao vivo em instantes, aquilo intrigou John Curtis que aumentou o som da televisão e logo a coletiva começou a ser exibida.
Ele admirou-se ao ver JJ pela televisão na companhia da agente Todd, ambas com semblantes tristes e assim elas deram início a coletiva.
— Por favor, eu peço o respeito da mídia com o luto do FBI— começou JJ segurando as lágrimas – aceitamos fazer essa coletiva por causa de um pedido pessoal.
— Sem perguntas e sem interrupções— prosseguiu Todd que abriu uma carta que carregava – eu irei ler essa carta e eu peço a colaboração de todos para o silêncio.
John Curtis ficava cada vez mais intrigado e colocou o som da TV no máximo que pode.
— Esta é uma carta escrita a punho de uma das nossas agentes...— Todd hesitou um pouco – a agente Agatha Cristina da Silva.
— Não pode ser! – exclamou John Curtis perplexo.
— Caríssimos da mídia— começou Todd a leitura – eu escrevo essa carta com um pedido a todos vocês: que comunique a minha morte para que este recado chegue aos ouvidos do culpado da mesma... Este culpado é John Curtis. Eis que todos sabem que ele é um criminoso que fugiu após aquela explosão na penitenciária de Virgínia, John Curtis é um maníaco psicopata que vem perseguindo o FBI a troco de nada, ele alega que o FBI o traiu por não o ter escolhido a ocupar uma vaga na UAC, a mesma na época em quem ele almejou foi ocupada por Jason Gideon e por isso a vida do ex-agente ficou a risco, além disso John Curtis passou a me perseguir por termos tido um envolvimento no passado, envolvimento ao qual me envergonho e me enojo. John Curtis não passa de um pervertido, é doente e ele alega que eu seja sua bonequinha. Ele matou pessoas, incendiou um hospital e o prédio matriz do FBI alegando que fazia tudo àquilo para eu voltar a ser dele, foi capaz de sequestrar crianças, de pedir apoio a outros criminosos, tirou a minha paz, por mais que consigamos salvar uma ou duas vítimas de suas mãos ele insiste me perseguir, tivemos contato várias vezes, ele fazia questão de me enviar vídeo ameaçadores, depois ligações com ameaças contra o meu noivo e alegou que só deixaria de me perseguir se eu deixasse de respirar... Para que eu tenha paz optei pela morte, pois é a melhor opção que tenho, eu nunca me imaginei tirando minha própria vida, mas se eu tenho que fazer isso pela tranquilidade do FBI então farei... Eu peço que esta carta seja lida em uma coletiva de imprensa para que ele de algum lugar em seu esconderijo fique sabendo. John Curtis você perdeu, jamais serei sua boneca. Assinado Agente Agatha Silva.— Todd terminou a leitura emocionada, os repórteres começaram a fazer inúmeras perguntas, porém JJ finalizou aquela coletiva e o jornal se voltou à apresentadora.
John Curtis praguejou todo o tipo de palavrão que sabia, estava desacreditado, afirmava a si que aquilo era mais um blefe de Agatha então a apresentadora das notícias informou que assim que tivesse mais informações às noticiaria, mas afirmou que o velório iria ocorrer no departamento do FBI e informou em qual cemitério ocorreria o funeral.
— Dessa vez eu mesmo irei verificar a veracidade disso tudo, se Agatha realmente se matou antes de me matar eu acabo com aquele Aaron Hotchner! – esbravejou John Curtis a si e em seguida pegou seu telefone.
[...]
A equipe preparou todo um velório, uma isca para ver se John Curtis apareceria ou enviaria alguém, para todo o cuidado a equipe da SWAT estava presente.
Foi difícil para Hotchner colocar sua noiva adormecida dentro de um caixão, ele precisou da ajuda de Prentiss e Blake que também não conteram a emoção de ver Agatha daquele modo, era assustador a vê-la dentro de um caixão como se realmente estivesse morta.
Como a falsa morte foi noticiada nacionalmente, além de repórteres cercando o prédio haviam alguns expectadores curiosos, alguns até com hábitos estranhos, uma mulher alegou a mídia que adorava acompanhar funerais.
Hotchner fingiu-se o noivo sofrido em luto por sua amada, ele passou o tempo todo ao lado do caixão, à equipe também se fazia entristecida, mas não deixando de observar em volta se não surgia alguém estranho para aquele acontecimento.
Por motivos de segurança Strauss não notificou ao departamento todo sobre aquela encenação, apenas para a diretoria e além deles somente a equipe da UAC sabia de tudo, para os outros funcionários Agatha realmente havia se suicidado com um veneno.
Alguns agentes e funcionários vieram cabisbaixos cumprimentar Hotchner e lamentar a perda, entretanto havia uma mulher entre eles muito suspeita, Morgan e Alvez logo a notaram, pois ela perguntava a todos se realmente Agatha havia morrido e ficaram na tocaia, ela poderia estar a mando de John Curtis.
Ela aproximou-se do caixão e ao cumprimentar Hotchner a mesma inclinou sua cabeça querendo a apoia-la sobre o peito de Agatha, Hotchner a repreendeu e Alvez junto a Morgan afastou a mulher para um canto.
Eles chamaram Seaver para revista-la depois a algemaram.
— Isso é abuso de poder! – protestou ela.
— O que fazia com a cabeça inclinada sobre o caixão? – interrogou Alvez.
— Eu estava me despedindo da coitadinha.
— Você pode facilitar isso – pediu Morgan – ou será pior as consequências.
— Está bem! – a mulher logo se entregou – Eu trabalho no disque denúncia do FBI e eu recebi uma ligação anônima dizendo que quem viesse aqui e confirmasse a morte da agente ganharia uma bolada.
— Você tem o número?
— Não, foi número privado e não adianta rastrear, números assim é muito difícil.
Eles pediram que outros agentes a levassem e com cautela Morgan notificou Hotchner sobre a mulher. Eles precisaram estender aquela encenação por algumas horas, já era madrugada quando o velório teve fim.
Assim que o caixão foi levado a um local seguro e com privacidade Hotchner retirou Agatha adormecida do mesmo.
— Temos que ser ágeis – disse ele aflito – John Curtis pode pertencer àquela multidão de curiosos lá fora, com certeza assim que a mulher verificasse a respiração de Agatha ela sairia para o informar.
— Eis o que vamos fazer – disse Alvez – assim que o dia raiar vamos sair com o caixão a caminho do cemitério, poderíamos pedir que a SWAT acompanhasse, mas isso espantaria John Curtis então vamos deixar que ele nos siga, todos com os coletes por debaixo das vestes de velório, vai que ele levanta fogo não é? Se ele convenceu alguém daqui do departamento a verificar a respiração dela ele mordeu a isca.
— Enquanto ela? – perguntou Garcia.
— Ficará aqui com uma escolta da SWAT pelo departamento todo – respondeu Hotchner – Donovan permanece aqui com ela em uma sala trancada e só estará autorizada a abrir a porta para alguém da equipe.
— Entendido. – disse Donovan.
— Ela pode ficar na sala onde Gideon está acomodado – sugeriu Reid – acho que é melhor.
— Tudo bem. – Hotchner acatou a ideia e assim levou sua noiva adormecida a sala onde Jason Gideon estava na companhia de Donovan.
— Diga que ela está viva! – exclamou Gideon perplexo sentado a uma poltrona.
— Graças a Deus está. – Hotchner ajeitou Agatha sobre um assento de couro de três lugares – Gideon essa aqui é a analista Maeve Donovan, ela ficará com vocês, por favor, eu peço que só abram a porta dessa sala para um de nós da equipe, esse John Curtis é insano e capaz de qualquer coisa – Hotchner lhe entregou uma arma – sabe usar uma dessas ainda?
— Está brincando? – Gideon soltou uma risada – É como andar de bicicleta.
— Ótimo, agora eu preciso ir. – Hotchner saiu com Donovan trancando a porta em seguida.
[...]
Assim que o dia clareou todos estavam prontos para sair para o funeral, quando o caixão foi levado para fora por Rossi, Morgan, Alvez e Reid para o carro da funerária todos que aguardavam aquilo se aglomeraram, parecia mais um espetáculo do que um funeral, entre eles estava alguém disfarçado com um boné e cachecol escondendo seu rosto, como a noite foi fria ninguém estranhou e esse alguém era John Curtis que sorrateiramente entrou em seu veículo e seguiu o carro da funerária.
O cemitério não era muito longe dali logo o carro da funerária chegou em seguida do pessoal da equipe e outros agentes do FBI que foram em seus carros, John Curtis escondeu seu veículo em um lugar e logo se ocultou entre as árvores do cemitério, um padre já aguardava o caixão para iniciar o funeral.
Assim que Hotchner se achegou na companhia de Seaver e Rossi John Curtis teve vontade de atirar, mas conteve-se ele carregava consigo uma metralhadora e ainda tinha duas armas de porte pequeno presa a sua cintura.
O padre iniciou o funeral, quando o padre começou a falar sobre a morte de Agatha, John Curtis começou a crer que tudo era verdade, acreditou que Agatha tinha tirado a própria vida, mas ele não se enxergava como culpado, a sua insanidade e obsessão por Agatha o cegavam de enxergar a realidade, ao fitar Hotchner com o semblante tristonho irritou-se de vez.
— Aaron Hotchner você é o culpado! – berrou ele que logo em seguida disparou fogo.
— Todos no chão! – ordenou Hotchner sacando sua arma, Garcia também estava presente para encenar o funeral, mas foi com um colete a prova de bala por debaixo da roupa e jogou-se ao chão junto com os demais desentendidos.
A equipe começou a revidar os tiros, e tentaram perseguir John Curtis que se esquivava e se ocultava entre moitas e árvores, mas assim que podia ele soltava fogo de volta.
Seaver foi atingida na perna e caiu em uma cova preparada para um enterro.
— Ashley! – gritou Alvez jogando-se na cova para acudi-la.
— Você enlouqueceu? – berrou Seaver caída – Vá ajudar os outros!
— Já estou ajudando! – Alvez pegou um lenço de seu bolso e amarrou a perna ferida de Seaver para estancar o sangue.
— Está acontecendo um tiroteio lá, deveria ter ido ajuda-los! – protestava Seaver em meio à dor.
— Fica quieta. – Alvez roubou um beijo de Seaver.
— Você enlouqueceu? Está havendo um tiroteio pelo cemitério e você se joga em uma cova para me beijar?
— Vai que aconteça o pior e eu perca a chance, oras Ashley não percebeu que estou interessado em você? – Seaver riu da situação junto a Alvez.
Apesar do breve clima romântico entre os agentes na cova os demais corriam atrás de John Curtis que soltava fogo para todos os lados, eles tinham que ser ágeis para se desviar dos tiros, até que a munição da metralhadora acabou e John Curtis teve que recorrer às duas armas que tinha, ele estava cego de ódio que passou a usar as duas de uma vez.
Hotchner o perseguia esquivando-se dos tiros, ele estava disposto a capturar John naquele dia naquele momento, para ajudar ou dificultar o momento uma forte chuva começou a despencar do alto, isso foi ponto positivo para Hotchner e negativo para John Curtis que tropeçou em um galho e caiu dentro de outra cova preparada para algum enterro.
Hotchner correu em seguida em direção à cova e com a arma apontada aproximou-se da beirada da mesma.
— Pule aqui e brigue como um homem! – provocou John Curtis levantando as mãos para exibir que ficou desarmado.
— Chega de seus jogos! – retrucou Hotchner – Entregue-se John Curtis!
— Agatha ainda está viva? Abra aquela caixão e me mostre à verdade? – gritava ele com seu riso insano.
— Deixe Agatha em paz! – Hotchner ainda mantinha sua arma apontada.
— Está vendo como ela está viva? Eu sabia! – John Curtis pulava e saltitava dentro da cova – Eu já disse: enquanto ela respirar jamais desistirei dela, entendeu? Pode me prender agente Aaron Hotchner, depois case-se com ela, mas eu me livrarei da prisão, do hospício que me colocarem e irei atrás dele, quando eu estiver preso ligarei sempre para ela a perturbando!
— Não há nada que o impeça disso? – Hotchner estava com o dedo no gatilho.
— Tem duas coisas Aaron Hotchner – John Curtis jogou o cabelo molhado da chuva para trás – uma delas é a morte de Agatha.
— E a outra?
— A minha morte!
— Se é assim... – Hotchner demonstrou-se disposto a atirar.
— O agente Aaron Hotchner vai atirar?
— Não é a primeira vez que aponto uma arma para um insano como você!
— Mas você só deve atirar se sua vida estiver em risco e olhe só... – ele exibiu as mãos mais uma vez – Eu estou desarmado e caído em um enorme buraco do cemitério, seria errado atirar não seria?
— Não, não seria errado você é um psicopata, um perigo para a humanidade e o meu dever é proteger todos os cidadãos de bem deste país!
— Com esse discurso ridículo para cima de mim? – John Curtis começa a gargalhar – Larga de ser patético que não combina com você! Vai atirar? Óbvio que não vai, não pode me matar assim não é? Eu vou perseguir Agatha a vida toda! – ele voltou a saltitar pela terra da cova cavada e Hotchner não hesitou mais e apertou o gatilho.
John Curtis ao sentir que foi alvejado e ao observar seu sangue escorrendo pela blusa conseguiu levantar a cabeça e encarar Hotchner tentando pronunciar alguma coisa, mas a morte dele foi mais rápida que a de Beth e caiu sobre a terra da cova escavada.
Hotchner ainda ficou com a arma apontada suspeitando que aquilo fosse um truque, aguardou ele tentar se levantar e sacar alguma arma, porém isso não ocorreu e Hotchner guardou sua arma no coldre.
Finalmente era o fim daquele tormento, o falso funeral de Agatha tornou-se a verdadeira morte de John Curtis.
A coragem não é ausência do medo; é a persistência apesar do medo.
(Autor Desconhecido)

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