Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
48 Capítulo 48 - Ao Som de The Beatles
Notas iniciais
Eu a quero em todo lugar
E se ela está junto a mim, eu sei, eu não precisarei me preocupar
Mas amá-la é ter necessidade dela
(Here, There And Everywhere — The Beatles)
Beth Cruz ao voltar ao departamento deu de cara com Garcia e Donovan que voltavam da copa:
− Olá meninas! – cumprimentou ela forçando um sorriso.
− Olá. – respondeu Garcia em seco enquanto Donovan ficou calada, Beth voltou para o escritório de seu tio enquanto as duas voltaram a sua “caverna” de trabalho.
− Eu não suporto essa agente! – resmungou Donovan voltando a sentar-se diante do seu computador – Eu não sei explicar o motivo.
− Eu também não a suporto e eu tenho motivo! – protestou Garcia voltando ao seu lugar – Ela fica se jogando para cima do Hotch!
− Ela olha para ele de maneira diferente mesmo... – concordou a outra – Mas tem algo a mais nela que não me faz a suportar, acho ela muito falsa e sei lá devíamos ter cuidado com ela.
− Eu não vou deixar de concordar com você. – elas decidiram encerrar aquele assunto e voltaram aos seus trabalhos.
Enquanto a equipe trabalhava no caso, cada um fazendo a tarefa designada por Rossi, Hotchner e Agatha estavam distantes daquilo tudo. Agatha após a discussão com seu noivo foi para a academia fazer um pouco das suas aulas de tiros, o instrutor substituto de Morgan – já que o mesmo estava na ativa com a equipe – elogiou o desempenho da cadete e a sua concentração, a cadete Diane Turner ficou incomodada com os elogios e também aproveitou a tensão em que a cadete Silva se encontrava naquela aula, parece que cada tiro em que ela dava no alvo eram para descontar raiva ou mágoa de algo.
O instrutor precisou se retirar por alguns momentos e Diane aproveitou a ocasião para fazer o que fazia bem que era provocar:
− Cuidado para não querer sair atirando em todo mundo aqui.
− Você não sabe fazer mais nada da vida a não ser incomodar? – irritou-se Agatha.
− Você parece bem tensa, o que houve?
− Nada que te interessa. – o instrutor voltou e a cadete Turner voltou rapidamente para seu lugar e o mesmo finalizou a aula do dia.
Todos os cadetes foram para o vestiário, Agatha tomou um banho e vestiu algo mais confortável já que não voltaria para o departamento. Quando foi retirar seu carro da garagem da academia ficou na dúvida para onde deveria ir: para sua casa ou para casa de Hotchner? Pois se lembrou de que o mesmo lhe fez a proposta de morarem juntos pouco antes de embarcar no avião para ir a Dallas resolver o caso de Megan Kane.
Entrou no carro e ficou com as mãos paralisadas no volante então decidiu primeiro dar uma volta e depois de decidiria.
Enquanto Agatha vagava pelas ruas dirigindo Hotchner fazia o mesmo: estava a dirigir sem rumo queria colocar as ideias em ordem antes de se resolver com sua noiva. Uma das coisas que deixava Hotchner muito incomodado era de ficar naquele impasse em que se encontrava em relação a sua noiva, não suportava aquele “chá” de ignorância que ela lhe dava não respondendo suas mensagens e não fazendo nenhum telefonema.
Depois de muito vagar foi para a academia do FBI na esperança de que a encontraria lá, mas o instrutor informou que a turma dela havia sido dispensada algumas horas atrás e então ficou ansioso achando que ela estaria na sua casa, mas ficou cabisbaixo ao chegar e não encontra-la, porém Jack vibrou de alegria ao ver que o pai chegou cedo aquele dia:
− Papai! – Jack correu para os braços de seu pai assim que ele abriu a porta.
− Oi garoto! – Hotchner agarrou Jack e lhe encheu de beijos.
− Aaron! – exclamou Jéssica admirada vindo da cozinha – O que ocorreu?
− Eu deixei Rossi com a equipe tenho algumas coisas a resolver... – respondeu ele colocando Jack de volta ao chão – E como estão as coisas? Agatha passou por aqui?
− Ela não estava com você?
− Houve um desentendimento no trabalho e isso acabou se tornando pessoal para os dois – lamentou-se ele sentando ao sofá.
− Vocês brigaram?
− Papai você brigou com a Agatha? – Jack mirou o pai com os olhos lacrimejando.
− Não meu amor. – Hotchner abraçou Jack.
− Jack, porque não vai lavar as mãos para lanchar? – sugeriu Jéssica.
− Está bem! – Jack saiu correndo da sala.
− O que houve Aaron?
− Digamos que não concordamos em algumas coisas e por motivos maiores tive que afasta-la do trabalho.
− Aaron, o que ela fez? – Jéssica impressionou-se.
− Ela se apega demais aos casos deixa o emocional dela atingir e isso não deve ocorrer... Enfim eu a afastei do caso, mas não quero ficar brigado com ela.
− Será que ela não foi para a casa dela?
− Pode ser. – Hotchner foi para o seu quarto e passou a vasculhar suas coisas atrás de algo, deixou o quarto uma bagunça, mas não parou até achar o que queria: uma chave.
Quando Agatha se mudou da casa que pertenceu a Francine ela alugou a um preço bom uma das pequenas propriedades de Morgan e quando fechou negócio com ele ela fez pedido de duas chaves e uma delas entregou a Hotchner para caso de alguma emergência ou necessidade ele pudesse usa-la na sua ausência, porém Hotchner nunca a usou sempre que foi visita-la ele nunca entrou na casa dela diretamente e nunca foi a residência na ausência dela, mas naquele dia seria diferente e torceu para que Agatha não estivesse em casa.
***
Depois de ficar muito tempo dirigindo Agatha estacionou o carro próximo a um parque onde haviam crianças brincando sentou-se ao um banco de madeira e ficou observando as coisas ao redor procurou relaxar-se um pouco ainda estava tensa com o emocional aflorado tentava evitar pensar no caso que a equipe estava trabalhando e ficava se perguntando se o garoto Charlie e a pequena Aymee estavam vivos e torcia por aquilo. Lembrou-se do primeiro caso em que trabalhara como uma cadete o caso da menina Billie e na esperança em que ficou de encontra-la viva o quanto temeu pela vida da garota e na emoção que sentiu ao resgata-la naquele misto de alegria e tristeza que viveu, pois Billie foi muito abusada pelo sequestrador, mas conseguiu ser salva. Agatha ficou por tanto tempo ao pensar em todas aquelas coisas que se esqueceu da hora e quando notou as crianças do parque se despediam entre si o dia já escurecia.
Saiu apressada para o seu carro e decidiu-se que voltaria para sua casa, apesar de alguns dos seus pertences estarem na casa de Hotchner optou por não ir pega-los, não era nada que faria falta e não queria que Jéssica depois dedurasse a Hotchner: “Ela veio aqui buscar suas coisas”. Antes de ir para casa passou em uma adega e comprou uma garrafa de vinho branco.
Chegou a sua casa e ficou saudosa, havia um tempo em que não ia mais a sua casa desde quando Hotchner foi baleado, o fato de ficar sozinha isolada em seu conforto lhe trouxe um pouco de paz, sentia falta de Hotchner, mas ainda estava chateada com tudo.
Após colocar o carro na garagem temeu quando aproximou-se da porta e foi passar a chave que ouviu uma música vindo do interior da residência, com cautela encostou o ouvido na porta para ouvir melhor enquanto uma das mãos já estava posicionada em sua arma pressa a cintura. A música que tocava era uma canção dos Beatles uma de suas preferidas e ela não conteve uma breve risada.
Quem entraria em sua casa e colocaria The Beatles para tocar? Isso seria coisa que só Hotchner faria. Será mesmo? Agatha então hesitou por alguns minutos ficando preocupada lembrou-se de John Curtis, se ele atrás das grades havia descoberto muita coisa da vida dela porque não descobriria algo intimo do casal? E se ele tivesse fugido da cadeia e a estivesse esperando atrás da porta? E como ele saberia que ela voltaria justo para lá? Agatha largou a sacola do vinho há um canto do chão e sacou sua arma pensou se deveria chutar a porta ou passar a chave e destranca-la com a chave era mais seguro não faria alarde.
Com cautela destrancou a porta e com a arma em posição adentrou sua residência, seu coração batia acelerado e fazia o máximo para controlar o tremor de suas pernas e a sua respiração ofegante. Agatha estaria entrando em paranoia ou estava agindo com razão? Quando começou a caminhar reparou que pisava em pétalas de rosas vermelhas que lhe faziam caminho até o quarto, a música vinha de lá.
Com o dedo no gatilho e temendo por uma catástrofe caminhou lentamente até o quarto ao aproximar-se a porta estava encostada e a empurrou lentamente.
− Cuidado com isso! – exclamou Hotchner que se encontrava no cômodo levantando as mãos para o alto.
− Hotch é você? – Agatha abaixou a arma – Eu pensei... Eu imaginei que... Enfim que droga de susto! – ela começou a chorar.
− Meu amor... – Hotchner com cautela aproximou-se dela e lhe tomou a arma de suas mãos a pousando sobre a pequena instante de madeira próximo a porta.
− Você me assustou! – protestava ela.
− Não era a minha intenção... – ele a abraçou – Perdoe-me, por favor.
− O que você faz aqui? Não deveria estar trabalhando no caso?
− Eu me ausentei um pouco.
− Aaron Hotchner se ausentando de um caso por conta própria? O que o fez fazer isso? – perguntou ela espantada.
− Você. – Hotchner pousou suas mãos no rosto da amada e a beijou apaixonadamente.
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